Amores, im/permanência e maturidade

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Inspirada estreia solo de Carolinaa Sanches (vocalista dos grupos Caburé Canela e Pisada da Jurema), “Curva de rio” chega às plataformas de streaming dia 8 de abril (sexta-feira)

Curva de rio. Capa. Reprodução

Após disponibilizar dois singles, a cantora Carolinaa Sanches lança no próximo dia 8 de abril (sexta-feira), o álbum “Curva de rio”, sua estreia solo – ela integra os grupos Caburé Canela e Pisada da Jurema, além de ser artista visual e uma das gestoras da editora artesanal Grafatório, cujas obras-primas lançadas garantem a felicidade de quem ama livros.

O trabalho reafirma seu talento e maturidade artística. “Curva de rio” abre com “Cantar” (Carolinaa Sanches), o segundo single apresentado ao público, que conta sobre o mágico, difícil e sagrado ofício do verbo que lhe empresta o título. Ela se acerca de gerações distintas de cantores, nas presenças da veterana Alzira E., além de Gustavo Galo (da Trupe Chá de Boldo) e Isabela Lorena, também da Pisada da Jurema.

“Quando você chegou/ eu quis comemorar/ eu quis dançar até o amanhecer/ eu quis beijar você”, segue “Instante” (Carolinaa Sanches/ Layse Moraes), segunda faixa do álbum. A esta altura o ouvinte já está envolvido e bem poderia ser ele, ela, qualquer um de nós, devolvendo à Carolinaa a declaração. Cantada a seis vozes – além de Carolinaa e a parceira, Caruh Spisla, Francesco Mugnari, Guilherme Kirchheim e Mariana Franco –, um clima samba-jazzy se instala, no diálogo entre contrabaixo (Mariana Franco), teclado (Lucas Oliveira) e bateria (João Bolognini).

“Curva de rio” é delicado, bonito, gostoso de ouvir. Um alento nestes tempos trevosos. Letras inteligentes dialogam com melodias que convidam à dança. Carolinaa Sanches literalmente põe o coração na voz. “Cartas claras sobre a mesa/ desfrutar dos nossos sóis/ e a gente de peito aberto/ cada vez chega mais perto/ de entender o que é nós”, como diz na letra de “Nós” (Carolinaa Sanches), canção de amor que se equilibra entre o xote e o jazz, pontuada pelos contrabaixos de Mariana Franco (que também canta na faixa), a bateria de Paulo Moraes e o clarinete de Pedro José – os três, seus colegas de  Caburé Canela.

Ao longo do disco, Carolinaa revela-se, desnuda-se, derrama-se, entrega-se por completo. “Entre uma palavra e outra/ entra uma palavra noutra/ nenhuma boca chama assim meu nome/ nenhuma boca deixa em chama assim”, começa a letra de “Primeira primavera” (Carolinaa Sanches/ Barbara Blanco), cantada em dueto com Fernanda Branco Polse. Sim, o amor (e suas declarações) permeia(m) “Curva de rio” – um rio que transborda amores –, mas aqui o mais universal (e manjado) dos temas de música e poesia é cantado de forma extremamente original.

Se “amar é um elo entre o azul e amarelo”, como diria o conterrâneo Paulo Leminski – ele curitibano, ela londrinense –, a cantora e compositora dialoga com o universo do poeta em “Profundo amarelo” (Carolinaa Sanches), outra faixa em que baixo e clarinete se destacam. Versos como “não fosse tanto era quase/ não fosse isso era menos” invertem o título do famoso livro do artista multimídia (antes de o termo ser inventado), o que ela também é, mantendo o diálogo, o respeito e fazendo merecida reverência.

Em “Órbita” (Carolinaa Sanches), a canção mais experimental do disco, ela canta, em quarteto com Pedro José, Mariana Leon e Mariana Franco: “sentir seu coração/ faz-me entrar em outra constelação / e mesmo sem entrar em órbita/ eu já consigo tirar meus pés do chão/”. O ouvinte é tripulante da nave musical, viagem sem volta tanto a quem já conhecia a artista dos grupos que ela integra quanto àqueles a quem será apresentada por este lançamento.

Primeiro single lançado, em fevereiro passado, e primeira faixa a ganhar videoclipe, “Petricor” (Maria Thomé), literalmente o cheiro da chuva, é canção ensolarada – e não reside aí nenhuma contradição –, espécie de arco-íris do disco. O baião, de autoria da percussionista da Caburé Canela, reafirma a estreita ligação de Carolinaa Sanches com a cultura popular nordestina, algo percebido ao longo de todo “Curva de rio”.

O inspirado disco termina com “É” (Carolinaa Sanches), canção de despedida com os dois pés nos terreiros das religiões de matriz africana, infelizmente ainda alvos de tanta discriminação e violência. A faixa reflete sobre o individual e o coletivo, reivindicando o respeito aos seres humanos, mais que independentemente de suas diferenças, mas para além e também por causa delas. É faixa quase exclusivamente feminina, a que comparecem Thais Hamer (alfaia e voz), Maria Thomé (tambor de mão e voz), Edna Aguiar (voz), Guilherme Kirchheim (voz), Isabela Lorena (voz), Naná Souza (voz), Thunay Tartari (voz) e Mariana Franco (voz). “Junto ser único”, palavra de ordem.

Carolinaa Sanches não anda só; além de aqui e acolá seus colegas de bandas comparecerem, ao álbum plural se fazem presentes mais de 20 artistas, entre autores, intérpretes e instrumentistas. Artista de raro talento, em seu solo ela está muito bem acompanhada, como a subverter o dito popular: Gabriel Kruczeveski (flauta transversal, efeitos, violão e voz), João Bolognini (bateria), Lara Moratto (flauta transversal), Lucas Oliveira (teclado), Maria Thomé (tambor de mão, caxixi, zabumba, triângulo e voz), Mariana Franco (contrabaixos, violão e voz), Paulo Moraes (bateria) e Pedro José (clarinete, viola caipira e voz) formam sua banda base.

Essa soma de talentos e a entrega de cada um/a a cada nota, garantem uma diversidade de timbres que mantém o disco distante de qualquer sintoma de monotonia. “Curva de rio” foi gravado em Londrina, no Toqô Estúdio, por Gabriel Kruczeveski, que assina também sua mixagem e masterização. A direção musical é de Mariana Franco. A capa é assinada pela própria Carolinaa Sanches, sobre foto de Paula Viana.

Carolinaa Sanches resume o conceito por trás do título do disco: “A princípio pensava na curva de rio como um espaço onde as “coisas” param. No meio do processo fui entendendo que as coisas param por um tempo, pois o rio está sempre em movimento e as leva para outros lugares. Então as coisas passam pela curva. As “coisas”, nesse trabalho, dizem respeito mais às “pessoas” mesmo. Como é um trabalho que envolve muitos anos, envolve diferentes amores em que me inspirei para as músicas, e também, foi um álbum construído a muitas mãos. Tenho pensado que a curva sou eu. O espaço que permitiu que outras acessassem e conhecessem essa parte do rio. Aceitando a impermanência e também a permanência das relações. A curva de rio pode ser vista de cima e também de dentro, mergulhada nos amores profundos, que mesmo que findem, ficam”.

“Curva de rio” tem patrocínio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Londrina). Ouça sem moderação!

A cantora, compositora e artista visual Carolinaa Sanches. Foto: Paula Viana

Serviço: “Curva de rio”, álbum de Carolinaa Sanches. Disponível nas plataformas de streaming na próxima sexta-feira (8). Siga a cantora nas redes sociais e plataformas digitais: instagram, spotify, youtube, deezer e apple music. Faça a pré-save:

Joãozinho Ribeiro e convidados conversam com público sobre ep “Apesar dos coronas contrários”

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Novo trabalho carnavalesco do compositor já está disponível nas plataformas de streaming

Apesar dos coronas contrários. Capa. Reprodução

Apesar dos coronas contrários” é o título do novo ep carnavalesco do poeta e compositor Joãozinho Ribeiro. Resistência em forma de arte, num tempo em que o carnaval é uma lembrança (de outros carnavais, diria um piadista mais apressado).

O trabalho já está disponível nas plataformas de streaming e traz algumas marcas da obra e do perfil de Joãozinho Ribeiro enquanto artista: a música nunca dissociada de sua postura de cidadão consciente, trazendo temas atuais para o centro do debate, sem perder o balanço exigido pela temporada carnavalesca, mesmo quando esta é somente virtual.

Agregador por natureza, Joãozinho Ribeiro não está sozinho: nos três frevos e dois sambas autorais e inéditos registrados neste novo trabalho, ele traz parcerias, entre composição e interpretação, com Zeca Baleiro, Flávia Bittencourt, Allysson Ribeiro, Marconi Rezende e Ronald Pinheiro.

Nesta segunda-feira (21), às 19h30, com transmissão pelo canal dos estúdios Zabumba Records no instagram (@zabumbarecords), acontecerá um bate-papo virtual, com a presença dos artistas que deram forma às criações de Joãozinho Ribeiro. Além do compositor e de seus convidados, o bate-papo terá mediação do jornalista Zema Ribeiro, coordenador de produção da Rádio Timbira e editor correspondente do site Farofafá.

“Infelizmente a pandemia ainda não acabou e não podemos fazer o que gostaríamos, que seria reunir toda essa constelação de artistas de primeira grandeza em um palco para defendermos esse trabalho, que esperamos que colabore para minimizar a ausência e a saudade das festas do período momesco. Então vamos conversar com o público pela internet, sobre processo criativo, bastidores das gravações e matar a curiosidade das pessoas que interagirem conosco durante a transmissão”, promete Joãozinho Ribeiro.

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Ouça o ep:

Serviço

O quê: bate-papo virtual de lançamento do ep “Apesar dos coronas contrários”
Quem: o compositor Joãozinho Ribeiro, os convidados Zeca Baleiro, Flávia Bittencourt, Alysson Ribeiro, Marconi Rezende e Ronald Pinheiro e o mediador Zema Ribeiro
Quando: dia 21 (segunda-feira), às 19h30
Onde: no instagram @zabumbarecords
Quanto: grátis

Riqueza e diversidade marcam “Karawara”, novo disco de Rommel

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Álbum será disponibilizado dia 5 de novembro nas plataformas de streaming e sai pela Biscoito Fino

O cantor e compositor Rommel. Foto: Estúdio 78. Divulgação

Ao longo dos últimos meses o cantor e compositor Rommel antecipou aperitivos de seu novo disco, “Karawara”, que será disponibilizado nas plataformas de streaming no próximo dia 5 de novembro (sexta-feira). O álbum sai pela gravadora Biscoito Fino.

Maranhense de São Luís, radicado no Canadá, Rommel não perdeu um pingo de brasilidade. Seu novo disco, cantado em português, espanhol, francês e inglês, é também marcado pela diversidade rítmica que é sinônimo de música popular brasileira.

A expressão em tupi que dá título ao disco refere-se aos espíritos da floresta e é também uma homenagem aos povos indígenas do mundo, e sua história de luta por direitos humanos básicos e reconhecimento. Nos singles e videoclipes que o artista disponibilizou até aqui, além da pluralidade melódica, o trabalho é marcado também pelo passeio por vários assuntos urgentes: “Karawara” é, com o perdão do clichê, um disco para dançar e pensar.

O sagrado dos terreiros das religiões de matriz africana, o combate ao racismo, as belezas naturais de São Luís e Montreal, a degradação ambiental (que tem arrancado povos e espíritos das florestas de seu habitat natural), a celebração da ancestralidade, através da reverência a grandes mestres comparecem ao temário de “Karawara”.

Um time de músicos de primeira grandeza, entre brasileiros e canadenses acompanha Rommel (voz, violão e guitarra) ao longo das 13 faixas autorais, que ele assina sozinho ou em parceria. Destacamos a banda base: André Galamba (baixo, guitarra e violão), Aquiles Melo (bateria), Carlos Bala (bateria), Dark Brandão (percussão), David Ryshpan (teclados), Debson Silva (trombone), Erivan Duarte (baixo), Márcio Oliveira (trompete), Parrô Mello (saxofone e arranjos de metais), Paulo Bottas (teclados) e Vovô Saramanda (percussão, arranjos e efeitos). A produção musical é de Rommel e Rafael Cunha França.

“Karawara” terá show de lançamento online dia 6 de novembro (sexta-feira), com transmissão pelo canal Rommel Music no youtube. A apresentação acontece às 21h (horário de Brasília).

Videoclipe – A faixa-título do novo disco de Rommel também vai ganhar videoclipe, que será lançado em novembro, após o disco. O clipe de “Karawara” foi rodado no Xingu, bebendo diretamente na fonte ancestral de que se alimenta o disco e a obra de Rommel como um todo. O videoclipe é dirigido por Takumã Kiukuro, cineasta indígena, da aldeia que lhe dá o sobrenome, atualmente residindo na aldeia Ipatsé, no Parque Nacional do Xingu, e Caio Lazaneo.

A música poderosa de Rommel aliada a imagens orgânicas – indígenas captados por seus irmãos – garante ao espectador um mergulho profundo na ancestralidade tão cara ao artista e/m sua coerente trajetória. Kiukuro teve filmes premiados nos festivais de Gramado e Brasília, dois dos mais importantes do país, e no Presence Autochtone de Terres em Vues, em Montreal. Lazaneo tem mestrado e doutorado em Ciências da Comunicação (ECA/USP) e teve seu curta-metragem “Ressuscita-me” premiado na categoria Super Filme do Festival Internacional de Cinema Super8 de Curitiba, em 2017.

“Karawara”. Capa. Reprodução

Serviço

“Karawara”, novo disco de Rommel. Nas plataformas de streaming no dia 5 de novembro (sexta-feira).

Show virtual de lançamento dia 6, no canal Rommel Music no youtube.

O videoclipe da faixa-título será disponibilizado ainda em novembro.

Sarau “Vinil & Poesia” retoma encontros com audição do vinil homônimo

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O endereço da tertúlia poético-musical é o Ramiro’s Gastrobar; na reestreia Vanessa Serra terá como convidados o Joaquim Zion, Eloy Melônio, Dicy e Marcos Magah

A dj coruja e seu rebento. Foto: Alberto Jr./ Divulgação

É difícil metaforizar a trajetória da dj Vanessa Serra na cena das artes, cultura e entretenimento em São Luís. Dizer meteórica é pouco, por que em geral um meteoro passa ou destrói. E ela, em pouco menos de meia década de atuação, provou que veio para ficar, que nasceu para isso.

Jornalista experimentada, com atuação no segmento cultural, incluindo produções, ela aliou a bagagem acumulada ao longo destes anos de experiência com sua nova paixão, nova é modo de dizer, sua paixão recém-descoberta ou redescoberta, melhor classificar assim. Embora classificar também não seja bem o verbo, já que em seus sets ela passeia por todas as bossas, de boleros da era de ouro do rádio a novidades quentes lançadas após o revival do vinil.

O que é necessário dizer é que Vanessa Serra tem familiaridade com o métier e aqui, sim, a palavra cabe bem: seu envolvimento com a diversidade musical brasileira, mas não só, vem de berço. Das festas nos quintais das casas de família e de suas vastas coleções de discos de vinil – parte ela acabou herdando de gente que foi se desinteressando, fruto dos processos de digitalização, com o avanço do streaming –, duma época nem tão longínqua em que todos os brasileiros esperavam pelo Natal contando também com a chegada do disco novo de Roberto Carlos.

Vanessa Serra foi cavando uns espaços e inventando outros. Havia sentado em outras praças para a tertúlia semanal, com uma premissa bastante simples: ela tocaria seus vinis, animando a noite dos presentes, que poderiam fazer uso do microfone para recitar poemas – autorais, de poetas prediletos e malditos, citados de memória ou lidos em livros que ela também levava para estimular o diálogo com a plateia.

A ideia vingou e evoluiu e logo ela passava a receber um convidado por semana, da música ou da poesia. Então veio a pandemia e o sarau passou a ser online e nisso ela se reinventou também. Sua Alvorada, nas manhãs de domingo, é um dos eventos mais bem sucedidos em termos de audiência (e fidelidade desta) ao longo do confinamento a que ainda estamos parcialmente obrigados.

A cadeia produtiva da cultura foi uma das mais atingidas pela pandemia do novo coronavírus: de repente artistas, técnicos de som, roadies e toda uma fauna de profissionais do setor se viram sem condições e oportunidades de trabalho e sem a possibilidade de contato com o público.

Após muita pressão popular e tensos debates no congresso nacional, foi aprovada a Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural, cujo batismo homenageia um compositor e cronista sempre crítico deste triste estado de coisas, não à toa autor de um sem número de composições que invariavelmente comparecem aos bailes presenciais e virtuais de Vanessinha, como ela é comumente chamada pelos amigos.

Através de seleção em edital da citada lei, Vanessa Serra aprovou o projeto “Vinil & Poesia”, nome do sarau interrompido pela pandemia, e gravou o disco homônimo – também disponível nas plataformas de streaming –, produzido por ela, que reúne uma constelação de astros e estrelas da música e poesia produzidas no Maranhão.

Uma live de lançamento chegou a ser realizada no final do ano passado. Era o possível para o momento. O vinil não havia chegado, por atraso na fábrica, mais um fruto da pandemia, fazer o quê?

“Esperar não precisa mais”, como diz o compositor: é chegada a hora de uma audição presencial de “Vinil & Poesia”, na retomada do sarau que lhe emprestou o nome. Na tarde de hoje (2), haverá edição especial do sarau “Vinil & Poesia”, com os djs Vanessa Serra e Joaquim Zion, e participações do poeta Eloy Melônio e dos cantores Dicy e Marcos Magah. O reencontro acontece no charmoso Ramiro’s Gastrobar (Rua Aziz Heluy, 350, São Marcos), a partir de 16h. O áudio e técnica estão a cargo de Capella Sonorizações.

Serviço

O quê: sarau “Vinil & Poesia”, com audição do vinil homônimo
Quem: a dj Vanessa Serra e convidados
Quando: sábado (2), às 16h
Onde: Ramiro’s Gastrobar (Rua Aziz Heluy, 350, São Marcos)
Quanto: R$ 10,00 (couvert artístico individual)
Outras informações e reservas: @ramiros.gastrobar/ @vinilepoesia/ @vanessaserrah

*

Ouça “Vinil & Poesia”:

Single “Agô” antecipa “Karawara”, novo disco de Rommel

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Faixa chega às plataformas de streaming 3 de setembro; álbum sai em novembro

O cantor e compositor Rommel. Foto: divulgação

No próximo dia 3 de setembro (sexta-feira), chega a todas as plataformas de streaming a música “Agô”, primeiro single (pré-save aqui) de “Karawara”, álbum que o cantor e compositor Rommel lança em novembro, pela gravadora Biscoito Fino. O videoclipe de “Agô” será lançado no dia seguinte (4 de setembro, sábado) e no dia 5 de setembro será disponibilizado o mini-documentário “Agô – Até o sopro derradeiro”.

Composta por Rommel, em parceria com Enrico Lima e Orlando Macedo, “Agô” é um ijexá, ritmo pelo qual o artista sempre foi apaixonado. A música passeia pela cultura afro-brasileira, em diálogo com a sonoridade dos terreiros das religiões de matriz africana.

“Pedindo a paz de Oxalá/ dizendo agô aos Orixás/ Agô/ Levando flores para ofertar/ e as pegadas vão pro mar/ Amor”, diz um trecho da letra, que também reforça a importância da arte como uma forma de resistência, o que se manifesta em outras faixas de “Karawara”.

O videoclipe de “Agô” foi rodado no Rio de Janeiro, com a presença de Aline Valentim, professora de danças afro-brasileiras, e é dedicado ao centenário de Mercedes Baptista, bailarina e coreógrafa brasileira, pioneira no combate ao racismo.

“Karawara” tem canções em português, inglês e francês e conta com a participação de músicos do Brasil e do Canadá, onde o maranhense Rommel mora atualmente.

Em “Agô”, Rommel (voz e violão) é acompanhado por Carlos Bala (bateria), André Galamba (baixo e guitarra), Vovô Saramanda (percussão), David Ryshpan (teclado), Parrô Mello (saxofone), Márcio Oliveira (trompete), Debson Silva (trombone), Jordan Zalis e Pryia Shah (backing vocals).

*

Leia a letra:

“Agô” (Rommel Ribeiro/ Enrico Lima/ Orlando Macedo)

Ijexá repica e retumba no fim da tarde
Um sonho que passa e o tempo corre ligeiro
Levada que arde ao sol da eternidade
Subindo a ladeira até o sopro derradeiro

Ijexá repica e retumba no fim da tarde
Um sonho que passa e o tempo corre ligeiro
Levada que arde ao sol da eterna Arte
Subindo a ladeira até o sopro derradeiro

Pedindo a paz de Oxalá
Dizendo agô aos Orixás
Agô
Levando flores para ofertar
E as pegadas vão pro mar
Amor

Didê, agô, didê
Didê, agô, didê
Agô
Didê, agô, didê
Didê, agô, didê
Agô

*

Assista ao teaser:

SERVIÇO

O quê: lançamento do single e videoclipe “Agô” e mini-documentário “Agô – Até o sopro derradeiro”
Quem: o cantor e compositor Rommel
Quando: dias 3 (single), 4 (videoclipe) e 5 de setembro (mini-documentário)
Onde: nas plataformas digitais
Quanto: grátis

Um catálogo de responsa

A exuberante Bárbara Lennie em cena de "Maria (e os outros)". Reprodução
A exuberante Bárbara Lennie em cena de “Maria (e os outros)”. Reprodução

A plataforma de vídeo sob demanda Belas Artes à La Carte existe desde antes da pandemia de covid-19 e o isolamento social decorrente desta acabou por modificar e aprofundar as relações entre cinéfilos e uma das salas de cinema de rua mais charmosas e queridas do Brasil, o Cine Petra Belas Artes.

Dispondo atualmente de um catálogo com mais de 400 títulos nos mais variados gêneros, entre lançamentos e clássicos, a plataforma acaba funcionando também como uma espécie de curadoria para além de algoritmos.

São os casos das mostras “Volta ao Mundo: Espanha” e “Cine Clube Italiano”, em cartaz desde ontem (3) e hoje, respectivamente.

A primeira tem uma seleção de filmes da terra de Carlos Saura, cineasta homenageado em “Saura(s)” [Espanha, 2017, documentário, 86 minutos], de Felix Viscarret, constante do catálogo.

Em “Volta ao Mundo: Espanha” destaca-se também o ótimo “Maria (e os outros)” [Espanha, 2016, drama, 90 minutos], de Nely Reguera, que acompanha a trajetória da personagem-título (interpretada por Bárbara Lennie), entre cuidar do pai em tratamento de um câncer, o golpe do anúncio do novo casamento dele, conflitos com os demais irmãos, a ilusão do sexo sem amor, o trabalho em uma pequena editora e a escrita de um romance.

“Maria (e os outros)” é inédito em salas de cinema brasileiras e foi indicado ao Goya, mais importante prêmio do cinema espanhol, nas categorias melhor direção e melhor atriz (para a protagonista). É a estreia de Nely Reguera como diretora de longa-metragem; ela foi assistente de direção de “Perfume: a história de um assassino”, de Tom Tykwer, baseado no livro de Patrick Süskind. Lennie protagonizou também “Uma espécie de família” (2017), de Diego Lerman.

A edição deste mês do Cine Clube Italiano, parceria do Belas Artes à La Carte com o Instituto Italiano de Cultura de São Paulo, apresenta “De volta para casa” [Itália, 2019, drama, 107 minutos], que poderá ser assistido até o dia 10 de junho por assinantes e não assinantes do serviço de streaming.

O filme de Cristina Comencini aborda, de maneira interessante, as relações de Alice (Giovanna Mezzogiorno e Beatrice Grannò na adolescência da personagem) com seu próprio passado, ao retornar, por conta do funeral de seu pai, à casa onde passou a infância e a adolescência.

A trama costura a insurgência de Alice contra a opressão do pai militar e sua rigidez excessiva na criação das filhas, embora a opressão (e, por que não dizer, violência) não estivesse apenas dentro de casa. Em seu retorno, ela reencontra o sombrio Marc (Vincenzo Amato), que obsessivamente acaba por embaralhar o jogo da memória, com lacunas, dúvidas e tensão.

Na próxima quarta-feira (9), às 18h30, haverá um bate-papo ao vivo sobre o filme, com o crítico de cinema Miguel Barbieri Jr. e o gerente de inteligência do Belas Artes Grupo Léo Mendes.

Era uma vez em streaming

Robert De Niro é Noodles em “Era uma vez na América”; clássico de Sergio Leone está disponível em streaming no Belas Artes à La Carte. Reprodução

Obra-prima de Sergio Leone (1929-1989), o épico “Era uma vez na América” (“Once upon a time in America”, EUA/Itália, 1984, 229 minutos) é uma espécie de romance de formação de uma gangue, acompanhando a formação e firmação de um grupo de moleques desde pequenos golpes na vizinhança até roubos monumentais, com doses de ação, tensão e violência que agradam seus apreciadores em telas de qualquer tamanho.

O filme é ambientado em Nova York, na quadra histórica localizada entre a lei seca americana e seu fim, mas mais que acompanhar planos e suas execuções, entre saques, perigos e prazeres, aborda relações de afeto, amizade e amor.

Último filme de Sergio Leone, que faleceria cinco anos depois de seu lançamento e, 12 anos antes, havia recusado a proposta de dirigir “O poderoso chefão” (Francis Ford Coppola, 1972), do que viria a se arrepender, se vale do uso de flashbacks com habilidade, recurso que já tinha sido utilizado com maestria no segundo filme daquela franquia. O tema também evoca aquela recusa: é um filme de gangsters, em que um deles, judeu, volta ao local onde se iniciou na criminalidade para lidar com seu passado, entre fantasmas, dúvidas e arrependimentos.

Presença constante em listas de melhores filmes de todos os tempos, “Era uma vez na América” tem cenas memoráveis, daquelas que conseguem sobreviver para além dos filmes em que estão inseridas, sempre lembradas por cinéfilos, que também não cansam de apontar as atuações exuberantes de Robert De Niro (David Aaronson, o Noodles) e James Woods (Maximilian Bercovicz, o Max) e a trilha sonora de Ennio Morricone.

Para além da brutalidade do contexto narrado no filme, há generosas doses de delicadeza, mesmo – ou deveria dizer justamente? – em meio à violência. Um clássico absoluto que merece ser visto por neófitos e revisto por apreciadores da sétima arte.

Serviço: “Era uma vez na América” está disponível a partir de hoje (27) no Belas Artes à La Carte, serviço de streaming do Cine Petra Belas Artes. Criado no fim de 2019, já conta com cerca de 400 títulos em catálogo. Também estão disponíveis a partir de hoje na plataforma os seguintes títulos: “Henrique V” (The chronicle history of King Henry the Fifth with his battell fought at Agincourt in France, Reino Unido, 1944, direção: Laurence Olivier), “Humor à italiana” (Risate all´italiana, Itália, 1964, direção: Camillo Mastrocinque e Registi Vari) e “Os frutos da paixão” (Les fruits de la passion, França/Japão, 1981, direção: Shuji Terayama).

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