Amores, im/permanência e maturidade

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Inspirada estreia solo de Carolinaa Sanches (vocalista dos grupos Caburé Canela e Pisada da Jurema), “Curva de rio” chega às plataformas de streaming dia 8 de abril (sexta-feira)

Curva de rio. Capa. Reprodução

Após disponibilizar dois singles, a cantora Carolinaa Sanches lança no próximo dia 8 de abril (sexta-feira), o álbum “Curva de rio”, sua estreia solo – ela integra os grupos Caburé Canela e Pisada da Jurema, além de ser artista visual e uma das gestoras da editora artesanal Grafatório, cujas obras-primas lançadas garantem a felicidade de quem ama livros.

O trabalho reafirma seu talento e maturidade artística. “Curva de rio” abre com “Cantar” (Carolinaa Sanches), o segundo single apresentado ao público, que conta sobre o mágico, difícil e sagrado ofício do verbo que lhe empresta o título. Ela se acerca de gerações distintas de cantores, nas presenças da veterana Alzira E., além de Gustavo Galo (da Trupe Chá de Boldo) e Isabela Lorena, também da Pisada da Jurema.

“Quando você chegou/ eu quis comemorar/ eu quis dançar até o amanhecer/ eu quis beijar você”, segue “Instante” (Carolinaa Sanches/ Layse Moraes), segunda faixa do álbum. A esta altura o ouvinte já está envolvido e bem poderia ser ele, ela, qualquer um de nós, devolvendo à Carolinaa a declaração. Cantada a seis vozes – além de Carolinaa e a parceira, Caruh Spisla, Francesco Mugnari, Guilherme Kirchheim e Mariana Franco –, um clima samba-jazzy se instala, no diálogo entre contrabaixo (Mariana Franco), teclado (Lucas Oliveira) e bateria (João Bolognini).

“Curva de rio” é delicado, bonito, gostoso de ouvir. Um alento nestes tempos trevosos. Letras inteligentes dialogam com melodias que convidam à dança. Carolinaa Sanches literalmente põe o coração na voz. “Cartas claras sobre a mesa/ desfrutar dos nossos sóis/ e a gente de peito aberto/ cada vez chega mais perto/ de entender o que é nós”, como diz na letra de “Nós” (Carolinaa Sanches), canção de amor que se equilibra entre o xote e o jazz, pontuada pelos contrabaixos de Mariana Franco (que também canta na faixa), a bateria de Paulo Moraes e o clarinete de Pedro José – os três, seus colegas de  Caburé Canela.

Ao longo do disco, Carolinaa revela-se, desnuda-se, derrama-se, entrega-se por completo. “Entre uma palavra e outra/ entra uma palavra noutra/ nenhuma boca chama assim meu nome/ nenhuma boca deixa em chama assim”, começa a letra de “Primeira primavera” (Carolinaa Sanches/ Barbara Blanco), cantada em dueto com Fernanda Branco Polse. Sim, o amor (e suas declarações) permeia(m) “Curva de rio” – um rio que transborda amores –, mas aqui o mais universal (e manjado) dos temas de música e poesia é cantado de forma extremamente original.

Se “amar é um elo entre o azul e amarelo”, como diria o conterrâneo Paulo Leminski – ele curitibano, ela londrinense –, a cantora e compositora dialoga com o universo do poeta em “Profundo amarelo” (Carolinaa Sanches), outra faixa em que baixo e clarinete se destacam. Versos como “não fosse tanto era quase/ não fosse isso era menos” invertem o título do famoso livro do artista multimídia (antes de o termo ser inventado), o que ela também é, mantendo o diálogo, o respeito e fazendo merecida reverência.

Em “Órbita” (Carolinaa Sanches), a canção mais experimental do disco, ela canta, em quarteto com Pedro José, Mariana Leon e Mariana Franco: “sentir seu coração/ faz-me entrar em outra constelação / e mesmo sem entrar em órbita/ eu já consigo tirar meus pés do chão/”. O ouvinte é tripulante da nave musical, viagem sem volta tanto a quem já conhecia a artista dos grupos que ela integra quanto àqueles a quem será apresentada por este lançamento.

Primeiro single lançado, em fevereiro passado, e primeira faixa a ganhar videoclipe, “Petricor” (Maria Thomé), literalmente o cheiro da chuva, é canção ensolarada – e não reside aí nenhuma contradição –, espécie de arco-íris do disco. O baião, de autoria da percussionista da Caburé Canela, reafirma a estreita ligação de Carolinaa Sanches com a cultura popular nordestina, algo percebido ao longo de todo “Curva de rio”.

O inspirado disco termina com “É” (Carolinaa Sanches), canção de despedida com os dois pés nos terreiros das religiões de matriz africana, infelizmente ainda alvos de tanta discriminação e violência. A faixa reflete sobre o individual e o coletivo, reivindicando o respeito aos seres humanos, mais que independentemente de suas diferenças, mas para além e também por causa delas. É faixa quase exclusivamente feminina, a que comparecem Thais Hamer (alfaia e voz), Maria Thomé (tambor de mão e voz), Edna Aguiar (voz), Guilherme Kirchheim (voz), Isabela Lorena (voz), Naná Souza (voz), Thunay Tartari (voz) e Mariana Franco (voz). “Junto ser único”, palavra de ordem.

Carolinaa Sanches não anda só; além de aqui e acolá seus colegas de bandas comparecerem, ao álbum plural se fazem presentes mais de 20 artistas, entre autores, intérpretes e instrumentistas. Artista de raro talento, em seu solo ela está muito bem acompanhada, como a subverter o dito popular: Gabriel Kruczeveski (flauta transversal, efeitos, violão e voz), João Bolognini (bateria), Lara Moratto (flauta transversal), Lucas Oliveira (teclado), Maria Thomé (tambor de mão, caxixi, zabumba, triângulo e voz), Mariana Franco (contrabaixos, violão e voz), Paulo Moraes (bateria) e Pedro José (clarinete, viola caipira e voz) formam sua banda base.

Essa soma de talentos e a entrega de cada um/a a cada nota, garantem uma diversidade de timbres que mantém o disco distante de qualquer sintoma de monotonia. “Curva de rio” foi gravado em Londrina, no Toqô Estúdio, por Gabriel Kruczeveski, que assina também sua mixagem e masterização. A direção musical é de Mariana Franco. A capa é assinada pela própria Carolinaa Sanches, sobre foto de Paula Viana.

Carolinaa Sanches resume o conceito por trás do título do disco: “A princípio pensava na curva de rio como um espaço onde as “coisas” param. No meio do processo fui entendendo que as coisas param por um tempo, pois o rio está sempre em movimento e as leva para outros lugares. Então as coisas passam pela curva. As “coisas”, nesse trabalho, dizem respeito mais às “pessoas” mesmo. Como é um trabalho que envolve muitos anos, envolve diferentes amores em que me inspirei para as músicas, e também, foi um álbum construído a muitas mãos. Tenho pensado que a curva sou eu. O espaço que permitiu que outras acessassem e conhecessem essa parte do rio. Aceitando a impermanência e também a permanência das relações. A curva de rio pode ser vista de cima e também de dentro, mergulhada nos amores profundos, que mesmo que findem, ficam”.

“Curva de rio” tem patrocínio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Londrina). Ouça sem moderação!

A cantora, compositora e artista visual Carolinaa Sanches. Foto: Paula Viana

Serviço: “Curva de rio”, álbum de Carolinaa Sanches. Disponível nas plataformas de streaming na próxima sexta-feira (8). Siga a cantora nas redes sociais e plataformas digitais: instagram, spotify, youtube, deezer e apple music. Faça a pré-save:

O fuxico do ano

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Lançamento de single e videoclipe de Alexandra Nicolas no próximo dia 5 de novembro marca sua estreia como compositora

A dona do fuxico. Capa. Reprodução

“Nem te conto”, diz um a outro, morto de vontade de contar. O outro não desdenha e quer saber. Mas o suspense faz parte do jogo. Um se prepara, pigarreia, ganha tempo. Quantos sinônimos há para fuxico? Fofoca, burburinho, mexerico, intriga… O povo aumenta mas não inventa.

Esse release, parece, nada acrescerá de novo. Parece que já está todo mundo sabendo. De quê? Como assim, de quê? Em que mundo vocês vivem? Vocês estão falando sério? Estão por fora? Não estão sabendo de nada? Não estão entendendo nada? Juro que quem não entende sou eu. Em tempos de redes sociais, quando a gente vai mostrar alguma coisa pra alguém, a resposta, invariavelmente, é: vi há cinco minutos.

Mas é sério mesmo que vocês não estão sabendo? Pois eu conto, que eu não tenho papas na língua. É o seguinte, sem arrodeio: a cantora Alexandra Nicolas vai fazer sua estreia dia 5 de novembro. Os apressados hão de me corrigir: que estreia? Alexandra Nicolas tem mais de 20 anos de carreira e dois discos lançados, “Festejos” (2013) e “Feita na pimenta” (2018).

Eu não disse que o povo aumenta mas não inventa? Pois é, vou repetir: dia 5 de novembro Alexandra Nicolas estreia. Como compositora. A data marca o lançamento do single e videoclipe “A dona do fuxico”.

A faixa foi gravada entre o Canadá, onde mora atualmente, e o Brasil, com a participação da família Cordeiro, pai e filho, os mestres da guitarrada paraense, Manoel (baixo, pianos, flauta, synths, guitarra solo, arranjos e direção musical) e Felipe (programação eletrônica, guitarra base e arranjos).

Ah, é? Agora ficaram curiosos? Pois agora peguem uma cadeira, botem na calçada e esperem que já já o single chega. E o videoclipe também, rodado em Chelsea, na província do Quebec, e São José de Ribamar, no Maranhão, com direção, roteiro, direção de produção e produção executiva de Thais Lima. Com elenco formado majoritariamente por não atores, o videoclipe consegue captar a essência do recado musical de Alexandra Nicolas, que não guarda segredo: em questão de tempo o fuxico de que é dona estará na boca do povo.

Tudo preparado com muito capricho como é do feitio da artista. Vocês não vão se arrepender do embalo e certamente pularão das cadeiras de balanço de suas calçadas já entrando na dança – como se o vídeo continuasse fora da tela e ganhasse vida.

Agora, se vocês ainda têm dúvida, só digo duas coisas: por favor, não confundam fuxico com fake news. Como dizem por aí pelas redes sociais: “é verdade este bilhete”. E para quem, tal e qual São Tomé, só acredita vendo, deixo que a própria Alexandra Nicolas, a dona do fuxico, conte estas boas novas para vocês. Leiam o que ela me disse – eu não sou o dono, mas ajudo a espalhar.

Lançamentos de single e videoclipe marcam estreia de Alexandra Nicolas como compositora. Foto: Veruskka Oliveira. Divulgação

ENTREVISTA: ALEXANDRA NICOLAS

ZEMA RIBEIRO – Depois de dois discos, pela primeira vez você lança um single e este marca sua estreia como compositora. Qual a sensação?
ALEXANDRA NICOLAS – Uma sensação de ter simplificado a minha vida como artista e ao mesmo tempo um apego com a feitura artesanal de todo o processo, falo do olho no olho, corpo a corpo… Isso mesmo, a feitura de um álbum leva uns bons anos de namoro, outro de concepção, até parir o menino todo mundo já virou família. Me considero uma cantora das antigas já, amo o tempo de estúdio, se pudesse morava em um. Aí você imagina como foi fazer um single. O single é aquela rapidinha que faz menino bonito e inteligente, sabe? Eu amo as preliminares de todo o processo, de me familiarizar com todos os envolvidos e principalmente o meu diretor musical, então eu tive essa dificuldade em ter que fazer algo mais rápido, porque desta vez isso não foi possível, mesmo assim, posso não ter demorado os nove meses, mas uns bons quatro pra conseguir o que eu queria. Martin [Messier, marido e diretor geral] fala que não criei tanta intimidade com o diretor musical; porém criei intimidade com a faixa. Nunca tinha passado tanto tempo trabalhando em uma única faixa. A compositora foi uma surpresa até pra mim, que dormi e acordei com um refrão e três estrofes, é meio místico, parece que tem gente falando no seu ouvido… E deve ter mesmo…

Há todo um clima criado com tuas postagens em redes sociais anunciando a música. Há uma grande expectativa do fã-clube. A ideia é essa mesmo, provocar a curiosidade das pessoas?
Eu tenho isso desde menina, tudo meu é assim… adoro esse ar de suspense, do “nem te conto”, “tu nem vai acreditar”… sempre fiz surpresa com tudo. Minha equipe sofre, pois não deixo vazar nada até a hora h. E meu fã-clube endoida junto… não é à toa que venho bulindo com eles há mais de 10 anos, dando uma pitada de pimenta ali, outra aqui e tudo no final vira uma festa.

“A dona do fuxico” é o título de tua estreia como compositora. O que você pode adiantar sobre a música?
Uma delícia, engraçada, colorida, ritmo fogoso e vai mexer com todo mundo que vive atento pra vida dos outros. É um gênero musical que nunca gravei antes e há anos queria gravar, porque amo demais e danço desde pequena. Com certeza é o ritmo mais quente que gravei até hoje.

Vamos falar um pouco do processo, desde a ideia, até a composição, registro e agora, o lançamento. E também falar em quem está com você nesse registro.
Fui dormir com uma ideia que nasceu em 2008, com uma sensação de dívida. Daí dormi com o mote, e acordei às 4h da manhã com o refrão na cabeça. Fui ao banheiro e gravei esse refrão no celular. Quando voltei para o quarto, meu marido estava assustadíssimo e me perguntou: “está tudo bem? Aliás, está dormindo ou sonâmbula?”. Eu respondi: “acordadíssima e super bem”. Ele retrucou: “é impressão minha ou você estava cantando?”. Eu disse: “eu estava cantando sim, foi uma música que chegou pra mim”… Ele assustado, deu um pulo da cama e disse: “você estava compondo?”. Eu disse: “isso mesmo, e vi quem estava tocando”. Ele perguntou: “quem?”. Eu respondi: “Manoel Cordeiro, o herói da guitarra paraense”. Aí já viu… no dia seguinte fui atrás dele e um colega em comum nos apresentou e assim começamos a fuxicar. Ele ficou feliz com ideia e jura que será um novo gênero da música brasileira. Nasceu Fuxico, com a direção musical e arranjos de Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro, porque eu sou dessas, gosto de combo e o combo Cordeiro assina a produção desse trabalho.

A imagem de pessoas sentadas em calçadas, sobretudo no interior do Brasil, evoca, em “A dona do fuxico”, que também ganhou videoclipe, um certo ar romântico e saudosista. A seu ver, o fuxico e a fofoca são ainda bastante atuais?
Fuxico é ancestral, antepassado, avoengo, fuxico é presente, é o agora e é o futuro pra além da humanidade. Ele faz parte da natureza humana. É essencial à nossa sobrevivência. Desejamos na nossa essência saber o que se passa com o outro. O fuxico nos permite saber quem é quem, furar o véu da hipocrisia, descobrir em quem podemos confiar… Há até quem diga que a nossa linguagem se desenvolveu com o propósito de fuxicar e fofocar. Fuxico é atual, perpétuo e imortal. Permeia todas as classes econômicas, políticas e intelectuais. Não sei o que seria da humanidade sem ele. Fuxico levanta, fuxico desperta, fuxico derruba e fuxico esmorece. Dependendo do fuxico enriquece ou empobrece. O fuxico é internacional! Aqui no Canadá pode ter certeza de que se fuxica tanto quanto no Brasil e no mundo.

Serviço

O quê: lançamento do single e videoclipe “A dona do fuxico”
Quem: a cantora Alexandra Nicolas
Quando: dia 5 de novembro (sexta-feira)
Onde: nas plataformas digitais
Quanto: grátis
Faça aqui a pré-save.

Refletir(-se) (n)o outro: a essência da música de Rommel

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O cantor e compositor Rommel. Foto: divulgação

Essência é uma palavra que cabe bem para definir a musicalidade de Rommel. Cidadão do mundo, o artista tem alinhado em seu trabalho influências do pop e da diversidade da cultura popular do Brasil.

No próximo sábado, 25 de setembro, chega às plataformas digitais o segundo single de “Karawara”, disco que Rommel lança em novembro pela Biscoito Fino. Trata-se de “In essence”, faixa que tem influências do budismo, procurando enxergar para além do que se vê.

No videoclipe, Rommel vê e é visto por pares, num jogo de reflexão – literalmente –, de perceber o outro como uma extensão de si próprio. Em tempos de intolerância e individualismo, o artista passa uma mensagem altruísta. A música é um afrobeat com a rítmica inspirada nos Batás, tambores usados em ritos religiosos da cultura iorubá na Nigéria, mas também em Cuba, no Haiti e no Tambor de Mina do Maranhão.

O videoclipe de “In essence” foi rodado no Canadá, onde Rommel reside, e conta com a participação da dançarina Jade Maya, cujo bailado traduz o jogo da diversidade de que fala a música: “vozes múltiplas, cores, nuances do arco-íris”, diz a letra, cantada em inglês, em tradução livre.

O primeiro single de “Karawara”, “Agô”, lançado no último dia 4 de setembro, teve boa receptividade do público e foi destaque nos principais aplicativos e plataformas de streaming.

Serviço:

O quê: lançamento do single e videoclipe de “In essence”
Onde: plataformas digitais e canal do artista no youtube (Rommel Music)
Quando: sábado, 25 de setembro, às 23h
Quanto: grátis

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Veja o teaser e faça a pré-save do videoclipe:

Single “Agô” antecipa “Karawara”, novo disco de Rommel

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Faixa chega às plataformas de streaming 3 de setembro; álbum sai em novembro

O cantor e compositor Rommel. Foto: divulgação

No próximo dia 3 de setembro (sexta-feira), chega a todas as plataformas de streaming a música “Agô”, primeiro single (pré-save aqui) de “Karawara”, álbum que o cantor e compositor Rommel lança em novembro, pela gravadora Biscoito Fino. O videoclipe de “Agô” será lançado no dia seguinte (4 de setembro, sábado) e no dia 5 de setembro será disponibilizado o mini-documentário “Agô – Até o sopro derradeiro”.

Composta por Rommel, em parceria com Enrico Lima e Orlando Macedo, “Agô” é um ijexá, ritmo pelo qual o artista sempre foi apaixonado. A música passeia pela cultura afro-brasileira, em diálogo com a sonoridade dos terreiros das religiões de matriz africana.

“Pedindo a paz de Oxalá/ dizendo agô aos Orixás/ Agô/ Levando flores para ofertar/ e as pegadas vão pro mar/ Amor”, diz um trecho da letra, que também reforça a importância da arte como uma forma de resistência, o que se manifesta em outras faixas de “Karawara”.

O videoclipe de “Agô” foi rodado no Rio de Janeiro, com a presença de Aline Valentim, professora de danças afro-brasileiras, e é dedicado ao centenário de Mercedes Baptista, bailarina e coreógrafa brasileira, pioneira no combate ao racismo.

“Karawara” tem canções em português, inglês e francês e conta com a participação de músicos do Brasil e do Canadá, onde o maranhense Rommel mora atualmente.

Em “Agô”, Rommel (voz e violão) é acompanhado por Carlos Bala (bateria), André Galamba (baixo e guitarra), Vovô Saramanda (percussão), David Ryshpan (teclado), Parrô Mello (saxofone), Márcio Oliveira (trompete), Debson Silva (trombone), Jordan Zalis e Pryia Shah (backing vocals).

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Leia a letra:

“Agô” (Rommel Ribeiro/ Enrico Lima/ Orlando Macedo)

Ijexá repica e retumba no fim da tarde
Um sonho que passa e o tempo corre ligeiro
Levada que arde ao sol da eternidade
Subindo a ladeira até o sopro derradeiro

Ijexá repica e retumba no fim da tarde
Um sonho que passa e o tempo corre ligeiro
Levada que arde ao sol da eterna Arte
Subindo a ladeira até o sopro derradeiro

Pedindo a paz de Oxalá
Dizendo agô aos Orixás
Agô
Levando flores para ofertar
E as pegadas vão pro mar
Amor

Didê, agô, didê
Didê, agô, didê
Agô
Didê, agô, didê
Didê, agô, didê
Agô

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Assista ao teaser:

SERVIÇO

O quê: lançamento do single e videoclipe “Agô” e mini-documentário “Agô – Até o sopro derradeiro”
Quem: o cantor e compositor Rommel
Quando: dias 3 (single), 4 (videoclipe) e 5 de setembro (mini-documentário)
Onde: nas plataformas digitais
Quanto: grátis

Tribo futurista, a tribo de um presente urgente

Rita Benneditto e Beto Ehong em colagem sobre fotos de Márcio Vasconcelos e Emílio Sagaz. Divulgação

A “Tribo futurista” em que Beto Ehong e Rita Benneditto se encontram é, na verdade, uma tribo do presente, ou, antes disso, uma tribo da urgência. Mais que a soma de dois enormes talentos, o encontro de dois artistas compromissados com a arte para além de mero entretenimento. Que não se eximem de suas responsabilidades de artistas enquanto formadores de opinião e tocam os dedos nas feridas. A sonoridade de mina eletrônica dando voz a minorias e rebelando-se contra discursos de ódio que se tornaram corriqueiros em nossos tristes tempos precisa reverberar entre as paredes das cidades atravessando as cabeças ocas de quem insiste em negar o óbvio. Som para dançar com a cabeça e pensar com o corpo inteiro. Tambores que batem dentro do peito e eriçam cada pelo: arrepio de quem não perdeu a capacidade de se emocionar diante do belo – apesar de toda tragédia que nos cerca. Coisas de que somente são capazes aqueles que realmente manjam dos paranauês.

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Escrevi o textinho acima a pedido do cantor, compositor e produtor Beto Ehong. O single “Tribo futurista” pode ser ouvido nas plataformas de streaming.

O videoclipe será lançado no próximo dia 22 de abril e você poderá assistir abaixo, na data:

Aperitivo

Single Os antidepressivos vão parar de funcionar. Capa. Reprodução

 

O cantor e compositor Kleber Albuquerque disponibilizou nas principais plataformas de streaming o single Os antidepressivos vão parar de funcionar, música de sua autoria que dá título ao seu próximo disco, o 10º. de sua carreira, se incluídos o artesanal 5 coisas que eu podia dizer no lugar de eu te amo [2013] e Contraveneno [2017], dividido com o cantor Rubi, um dos principais intérpretes de sua obra.

Os antidepressivos vão parar de funcionar, título retirado de uma pichação num muro paulistano, deve ser lançado em formato físico em março de 2019, pelo selo Sete Sóis, do poeta e parceiro Flávvio Alves, e até lá Kleber Albuquerque disponibilizará na rede uma faixa por mês, antecipando ao fã clube mais ou menos a metade do novo álbum, gravado em São Paulo, no estúdio Parede-Meia (título de música de Kleber gravada também por Ceumar e Rubi).

O artista revelou a Homem de vícios antigos que a temática do novo álbum “girará por este caminho”: “são, de certa forma, crônicas musicais sobre coisas do dia a dia”.

O blogue também teve acesso à segunda faixa do disco, outra composição solitária de Kleber Albuquerque, intitulada Meu perfil no face. “Meu perfil no face mente sobre mim/ o meu sorriso mente/ o meu olhar contente mente/ e quando acordo meu espelho mente/ deslavadamente sobre mim”, começa a letra, pontuada, qual a faixa-título, pela singeleza melódica alinhavada pelo próprio Kleber Albuquerque (guitarra, assobio, voz) e Rovilson Pascoal (guitarra, ukulele, cavaco e teclados).

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Logo mais às 12h25 (após a transmissão da propaganda eleitoral gratuita), na Rádio Timbira AM (1290KHz, ouça ao vivo), o Balaio Cultural, com Gisa Franco e este blogueiro, tocará o single. Leia a letra:

Os antidepressivos vão parar de funcionar (Kleber Albuquerque)

Cuidado, menina, menino, cidadão, cuidado!
Olhe bem para os dois lados antes de atravessar
Sorria, menino, menina, você está sendo filmado
Consulte seus advogados
Unânimes vão lhe afirmar

Que os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar

Tecle dois se quiser aguardar
Tecle três para ouvir a musiquinha tocar
Tecle seis para dizer até logo
Ou espere para falar com o atendente
E então siga em frente
E enfrente a fila dos inconformados
Mas se quer um conselho, espere sentado
Porque vai demorar

E os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar

Cuidado, menino, menina
Mil olhos tem a cidade
Finja naturalidade
Ou todos podem suspeitar
Que na calada da noite
Calado você também sabe
Que os antidepressivos vão parar de funcionar

Os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar
Os antidepressivos vão parar de funcionar

Alexandra Nicolas lança Coco Fulero, primeiro single de seu novo disco, Feita na Pimenta

[release]

Foto: Veruska Oliveira

Em seu disco de estreia, Festejos [Acari Records, 2013], completamente dedicado ao samba e ao elogio do universo feminino, a cantora maranhense Alexandra Nicolas já fazia esvoaçar a saia rodada, deixando à mostra a ponta dos pés e um desses pés já se voltava ao Nordeste.

Em Feita na Pimenta [2018], ela entra com os dois no terreiro, em cofo em que cabe de tudo o que se abriga sob o que costumeiramente chamamos forró – xote, baião etc. –, além de tambor de crioula e coco.

O disco equilibra-se entre temas caros ao forrobodó: amor e chamego, jocosidade e duplo sentido, com muita malícia e bom humor.

O primeiro single é Coco Fulero (João Lyra e Zeh Rocha), que não foge aos acalorados debates do momento: em ano eleitoral, Alexandra Nicolas dialoga com o noticiário político, em faixa recheada de referências atuais. “É uma música bem humorada, longe de pregar a alienação ou o voto nulo. Há um componente político forte, sem destoar de todo o conjunto do disco, que tem a festa como tema central, mesmo quando fala de amor – porque o amor é festa”, resume Alexandra.

“O título do disco brinca com a pluralidade feminina. É a mulher moleca, que arde em brasa na festa e no amor, no ‘chamego bom’, de que fala uma das letras, a mulher que é pura doçura, mas também a mulher que quando se zanga, sai de perto [risos]. E o Coco Fulero tem essa carga de revolta contra essa sacanagem, esse absurdo por que passa o Brasil”, continua.

Coco Fulero, que fecha o disco Feita na Pimenta, ganhou lyric vídeo, com produção e animação de Cristiano Pepi e direção de Cristiano Pepi e Alexandra Nicolas. A cantora é acompanhada por João Lyra (arranjos, violão e guitarra), Adelson Viana (sanfona), Durval Pereira (zabumba e pandeiros), Zé Leal (pandeiro e triângulo) e Ana Zinger, Jamil Filho, Marcio Lott e Viviane Godoy (coro). A música está disponível no iTunes, Apple Music, Deezer, Spotify, Google Play, Amazon MP3, Napster, Rádio Uol, YouTube, Vevo, Soundcloud e em outras mais de 100 plataformas digitais.

Brincar com as palavras e dizer as coisas de modo inteligente para fugir aos censores de outrora também sempre foi algo que o forró – e grande parte da dita música popular brasileira – soube fazer com maestria. Nos tristes tempos que o Brasil atravessa, parece mesmo que só o humor salva, e nisto também Alexandra Nicolas não é de meias palavras.

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Veja o lyric video de Coco fulero (João Lyra e Zeh Rocha):

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