Cesar Teixeira apresenta Samba de Botequim, nesta sexta (23)

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O cantor e compositor Cesar Teixeira. Foto: divulgação

Show no Ceprama será uma grande festa devotada ao samba, na Madre Deus, um dos bairros mais identificados com o gênero

O cantor e compositor Cesar Teixeira tem encontro marcado com seu público: ele apresenta o show Samba de Botequim, na próxima sexta-feira (23), às 19h, no Ceprama (Madre Deus).

Como o título entrega, a apresentação será dedicada ao samba, um dos gêneros musicais de predileção do artista, nascido e criado na Madre Deus, bairro boêmio encravado no coração da ilha, onde passou também parte da idade adulta.

Pelos botequins da Madre Deus – Cesar Teixeira foi frequentador de rodas de samba espontâneas em botequins lendários, como a quitanda de Seu Alfredo, onde pescadores, magarefes, operários e outros personagens se reuniam entre sacas de arroz, farinha e camarão seco, munidos de seus instrumentos. Foi amigo de lendas do bairro, como o compositor Cristóvão Alô Brasil (12/10/1922-19/8/1998), que completaria 100 anos no próximo dia 12 de outubro e de quem se tornaria parceiro, entre outros, e integrou a ala de compositores da Escola de Samba Turma do Quinto, também sediada na Madre Deus. Em 2010 Cesar Teixeira foi homenageado pela rival Favela do Samba.

Para o artista, o show é também uma homenagem às mulheres, “especialmente às mulheres negras, tão sacrificadas pelo atual governo”, afirma. A abertura fica por conta da dj Vanessa Serra, e ele terá como convidadas Rosa Reis, Célia Maria, Flávia Bittencourt, Lena Machado, Fátima Passarinho, Gabriela Flor – todas elas intérpretes de sua obra de longa data, em discos e shows – e o bloco carnavalesco Fuzileiros da Fuzarca, com 86 carnavais no currículo.

Cesar Teixeira será acompanhado por um regional formado por Rui Mário (sanfona e direção musical), Marquinhos Carcará (percussão), Tiago Fernandes (violão sete cordas), Chico Neis (violão), Gabriela Flor (pandeiro), Ronald Nascimento (bateria), Gustavo Belan (cavaquinho), Hugo Braga Reis (trombone), Ricardo Mendes (saxofone, clarinete e flauta), Daniel Cavalcante (trompete), Regina Oliveira (vocais) e Duda Saraiva (vocais). Entre os instrumentistas haverá ainda a participação especial de Victor Oliveira (saxofone). No repertório, clássicos e sambas inéditos da lavra do compositor, além de homenagens à velha guarda madredivina, entre nomes como Cristóvão Alô Brasil, Caboclinho e Patativa.

Trajetória – Com uma carreira iniciada ainda na década de 1960, em festivais estudantis de música, Cesar Teixeira foi um dos fundadores do Laboratório de Expressões Artísticas do Maranhão (Laborarte), em 1972, e um dos quatro compositores gravados por Papete no elepê “Bandeira de aço” (1978), lançado pela gravadora Discos Marcus Pereira e considerado um divisor de águas na música popular brasileira produzida no Maranhão. É também jornalista e artista plástico. Lançou dois discos solo: “Shopping Brazil” (2004) e “Camapu” (2018). O show “Samba de Botequim” será gravado e o material audiovisual deve ser disponibilizado em breve.

“Samba de Botequim” é uma realização da Pitan Produções e Coletivo Apoena, com patrocínio do Governo do Estado do Maranhão e Grupo Mateus, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Entre os objetivos da iniciativa está a formação de plateia. Os ingressos serão trocados por um quilo de alimento não-perecível e a arrecadação será destinada ao Natal Solidário das Mercês e para a Associação das Profissionais do Sexo no Maranhão (Aprosma), com atuação na área do centro histórico da capital maranhense.

Serviço

O quê: show Samba de Botequim
Quem: Cesar Teixeira e convidados
Quando: dia 23 (sexta-feira), às 19h
Onde: Ceprama (Madre Deus)
Quanto: um quilo de alimento não-perecível
Realização: Pitan Produções e Coletivo Apoena
Patrocínio: Governo do Estado do Maranhão e Grupo Mateus, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura
Informações: no instagram @showsambadebotequim

Festival Zabumbada, noite um

(a segunda já está rolando enquanto escrevo)

O sublime encontro de Chico César com o Bumba meu boi do Maracanã. Fotos: Laila Razzo. Festival Zabumbada/ Divulgação

A entrada triunfal de Chico César no palco do Festival Zabumbada, encerrando a primeira noite do evento, foi uma espécie de síntese da emoção. Ao término da apresentação do Bumba meu boi de Maracanã, ele adentrou ao palco entoando “Sereia linda de Cumã”, composição do saudoso mestre Humberto, que o batalhão registrou com a participação do paraibano em “Aldeia Tupinambá” (Zabumba Records, 2020), consistente tributo ao pai de Ribinha, cujo legado está sendo preservado e levado adiante com louvor pelo herdeiro.

A Praça das Mercês exalava afeto. “A vida é a arte do encontro”, como nos ensinou o poeta, mas a pandemia de covid-19 fez ter mais sentido do que nunca o “embora haja tanto desencontro nessa vida”.

Se o encontro do paraibano com o bumba meu boi do Maranhão não era inédito, seja pela citada participação em disco, seja por sua própria trajetória, como fez questão de demonstrar ao cantar “Folia de príncipe”, vê-lo no palco é uma experiência única, o que faz valer o dito “fez valer o ingresso”, mesmo em se tratando de evento gratuito, realizado com patrocínio do Instituto Cultural Vale, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Chico César fez um show vibrante, passeando por diversas fases de seus quase 30 anos de carreira, isto se contados a partir da estreia fonográfica com “Aos vivos” (Velas, 1995), de cujo repertório pinçou “Beradéro”, com que abriu o espetáculo acompanhado por sua banda. Foi aplaudido em peso quando cantou o verso “e a cigana analfabeta lendo a mão de Paulo Freire”, que cita o pedagogo inimigo número um do regime bolsonarista.

À sua “Mama África” emendou “Brilho de beleza” (Nego Tenga) e “Pra não dizer que não falei das flores” (Geraldo Vandré), não o único medley da noite. Assisti ao show inteiro (e de resto à toda a primeira noite de festival) ao lado do compositor Chico Saldanha, amigo e parceiro que conheceu e conviveu com Chico César quando ele e Zeca Baleiro iniciavam o desbravar das veredas do sucesso na pauliceia desvairada. Saldanha chegou a gravar vocais na primeira versão de “Mama África”, que permaneceu inédita. “Mas era impossível não perceber que aquilo faria tamanho sucesso”, confidenciou-me.

Em “À primeira vista” trocou intencionalmente os nomes de Prince e Salif Keïta da letra original pelos de Zeca Baleiro e Rita Benneditto, numa reverência a seus pares maranhenses de geração. Outro medley de destaque foi “Da taça” com “Onde estará o meu amor” e “Diana”, versão de Fred Jorge para a música de Paul Anka, sucesso de Carlos Gonzaga. Chico César é, também, um liquidificador de referências.

Momentos de euforia da plateia também se deram quando ele cantou “Pedrada” (do refrão “fogo nos fascistas, fogo Jah!”), lembrando tê-la cantado pela primeira vez em público em cima de um trio elétrico no circuito carnavalesco da avenida Beira-Mar, no Centro de São Luís, em 2019, antes de lançar o disco “O amor é um ato revolucionário” naquele mesmo ano. E quando cantou “Bolsominions são demônios”, inédita que vem fazendo a cabeça de muita gente e causando polêmica, fez o público de ontem gritar “fora Bolsonaro!” e cantar “olê, olé, olé, olá, Lula, Lula!”.

Várias vezes Chico César (voz, guitarras e violões) reafirmou “lugar de mulher é onde ela quiser”, uma delas ao apresentar a baixista Lana Ferreira. Para viver em “Estado de poesia”, sua banda se completava com Helinho Medeiros (teclados), Gledson Madeira (bateria), Sintia Piccin (sopros) e Richard Fermino (sopros).

Como maranhense honorário, o paraibano de Catolé do Rocha Chico César sentia-se em casa e parecia não querer sair do palco. Sorte a nossa! Entre “Mand’ela” e “Pedra de responsa”, parcerias com Zeca Baleiro, entre muitas outras jóias de seu repertório, a exemplo de “Deus me proteja” (2008), gravada com a adesão de Dominguinhos, por ele lembrado ontem, e “Dúvida cruel”, parceria com Itamar Assumpção, nem precisou o público pedir bis para o show ter chegado bem perto de duas horas de duração (“Violivoz”, com Geraldo Azevedo, a que assisti em abril passado, durou 2h15).

Não vi inteira a primeira noite do festival – e ainda estou aqui escrevendo enquanto as atrações da segunda já começaram a se apresentar. Hoje encerra com Dona Onete e amanhã com Mariana Aydar, veja a programação completa no instagram @festivalzabumbada.

Mas outros pontos da noite de ontem merecem destaque.

A exuberância do Bumba meu boi da Floresta de Mestre Apolônio e as toadas de protesto do Bumba meu boi da Fé em Deus, traduzindo no ritmo das zabumbas que emprestam o nome ao festival a trágica realidade brasileira. Tudo isso (e mais um pouco) entremeado pela discotecagem sempre atenta e antenada da dj Vanessa Serra.

A participação especial de César Nascimento no show do Criolina, marcando o encontro, no palco, dos autores de “Maguinha do Sá Viana”, de César e Alê Muniz, reggae que se tornou um clássico da música popular brasileira produzida no Maranhão. O Criolina, Luciana Simões (voz), Alê Muniz (voz e guitarra), era acompanhado por Erivaldo Gomes (percussão), Sarah Byancchi (saxofones), João Simas (guitarra), Davi Oliveira (baixo), Sandoval Filho (teclado e programação) e Thierry Castelo (bateria), além da performance da atriz Áurea Maranhão.

O Criolina fez um show diverso, aliando covers e repertório autoral, com destaque para “A menina do salão” e “O santo”, juntando xote e reggae, a demonstrar a proximidade entre as células rítmicas dos dois gêneros, transformando João do Vale em regueiro e Bob Marley em uma espécie de Luiz Gonzaga, evoé, Gilberto Gil! Certas coisas só entende quem presencia. Novamente vamos passear na praça, evoé, Luiz Melodia!

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Perdeu ou quer ouvir de novo? O Balaio Cultural de hoje (9), na Rádio Timbira AM, dedicou a maior parte de sua programação musical às atrações do Festival Zabumbada:

“Acalanto” chega a Vila Socorro e Barra do Corda este fim de semana

Apresentações gratuitas do Trio Zamoma acontecem sexta (1º.) e sábado (2)

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Moisés Ferreira, Wilson Zara e Mauro Izzy, o Trio Zamoma. Foto: divulgação

Vila Socorro, no município de Governador Eugênio Barros, recebe nesta sexta-feira (1º.), às 20h, o show “Acalanto”, do Trio Zamoma, formado por Wilson Zara (voz e violão), Moisés Ferreira (guitarra) e Mauro Izzy (contrabaixo). O evento contará com a presença do poeta Salgado Maranhão, filho ilustre do lugar, que lança, na ocasião, seu 15º. volume de poemas, o livro “Pedra de encantaria”. Na mesma noite haverá ainda o lançamento do filme “Rio Itapecuru, a revolta de D. Zefa”, do cineasta Josimar Gonçalves, também natural de Vila Socorro.

“A parceria com o Zara começou de forma inusitada: há quase 10 anos ele foi convidado para participar de uma outra homenagem que me fizeram e ele mandou super bem de cover do Raul Seixas numa noite memorável. Daí surgiu uma amizade e admiração que só se fortalecem”, relembra Salgado Maranhão.

Parceiro de nomes como Elton Medeiros, Gereba, Ivan Lins, Moacyr Luz, Paulinho da Viola, Rosa Passos e Zé Américo Bastos, entre outros, Salgado Maranhão tem sua “Caminhos de sol” (parceria com Herman Torres), sucesso de Zizi Possi, no repertório de “Acalanto”. Em Vila Socorro a apresentação acontecerá na Praça Central.

A turnê “Acalanto” tem patrocínio da Potiguar e Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão, e tem levado a diversos municípios do interior maranhense um repertório de clássicos da música popular brasileira e do pop rock nacional e internacional, sempre dialogando com manifestações culturais locais.

“Muitos eugenio-barrenses já conhecem a arte do cantor Wilson Zara. Temos um carinho muito especial por ele e este projeto é de grande relevância para o Maranhão, por possibilitar a diversas comunidades apreciar música de qualidade. Esse show certamente irá proporcionar momentos muito agradáveis em Vila Socorro”, aposta a relações públicas Heracília Oliveira, que está na organização local do evento.

No dia 2 (sábado), “Acalanto” chega a Barra do Corda. O show acontece na Praça Melo Uchoa, Centro, às 20h. “Este projeto foi idealizado no momento da pandemia e foi desenvolvido para levar uma música mais tranquila, mais suave, para que chegasse às pessoas num momento tão difícil. É muito importante para nossa cidade receber um evento como esse”, afirma o músico Cabral Marán, guitarrista da banda Engenheiros Urbanos.

A apresentação do Trio Zamoma em Barra do Corda terá um sabor todo especial, pois marca o reencontro do cantor Wilson Zara com o público de sua cidade natal.

Serviço

O quê: shows da turnê “Acalanto”
Quem: Trio Zamoma – Wilson Zara (voz e violão), Moisés Ferreira (guitarra) e Mauro Izzy (contrabaixo)
Quando/onde: dia 1º (sexta), às 20h, na Praça Central em Vila Socorro (Governador Eugênio Barros); e dia 2 (sábado), no mesmo horário, na Praça Melo Uchoa, em Barra do Corda
Quanto: grátis
Informações: no instagram @wilsonzarazara ou facebook @trilhasetons
Patrocínio: Potiguar e Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão

Luiz Jr. Maranhão homenageia Papete em show

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Repertório prestigia músicas que se tornaram clássicas na voz do artista, mas vai além; apresentação terá participações especiais de Josias Sobrinho, Djalma Chaves, Ribinha de Maracanã, dj Pedro Sobrinho e convidado surpresa

O cantor, compositor e multi-instrumentista Luiz Jr. Maranhão. Foto: Ton Bezerra. Divulgação

O legado de Papete será lembrado em show em homenagem ao artista, falecido em 2016. O bacabalense José de Ribamar Viana, seu nome de batismo, é considerado um embaixador da cultura popular maranhense, que ele ajudou a tornar mais conhecida mundo afora. Em 1978 lançou o elepê “Bandeira de aço” (Discos Marcus Pereira), considerado um divisor de águas na música popular brasileira produzida no Maranhão.

O show “Canta Papete”, do cantor, compositor e multi-instrumentista Luiz Jr. Maranhão acontece neste sábado (4), às 21h, no Estaleiro Gastrobar (Rua do Trapiche, Praia Grande, próximo à Praça dos Catraieiros e Casa do Maranhão). O repertório, além dos clássicos do “Bandeira de aço” – assinados por Cesar Teixeira, Josias Sobrinho, Ronaldo Mota e Sérgio Habibe –, passeia por outros compositores gravados por Papete em sua discografia, por músicas que ele gravaria (caso de “Matraca matreira”, de Joãozinho Ribeiro) e por homenagens (“Terreiro”, que Luiz Jr. Maranhão compôs em homenagem a Papete e gravou em seu disco com a participação do homenageado).

“O repertório consiste nas músicas consagradas pelo Papete, começando pelo “Bandeira de aço”, mas eu dei uma atualizada, fazendo um exercício de pensar também em músicas que Papete poderia ter gravado, músicas atuais da cultura popular do Maranhão, além de três músicas autorais, “Saudade de São João”, que eu lancei o videoclipe ano passado, “Zabumbada na ilha” e “Boizinho guerreiro”, que eu fiz em parceria com Celso Borges”, antecipa Luiz Jr. Maranhão.

Luiz Jr. Maranhão (violão sete cordas, guitarra e viola caipira) será acompanhado por Dark (bateria), Marquinhos Carcará (percussão), Cleuton Silva (baixo), Edinho Bastos (guitarra), Murilo Rego (teclado), Danilo Santos (saxofone e flauta) e Hugo Carafunim (trompete). O show contará ainda com as participações especiais do dj Pedro Sobrinho e dos cantores e compositores Josias Sobrinho, Djalma Chaves e Ribinha de Maracanã, além de uma participação surpresa.

Os ingressos custam R$ 50,00 (individual), R$ 90,00 (casadinha) e R$ 250,00 (mesa) e podem ser reservados ou adquiridos antecipadamente pelo telefone/whatsapp (98) 99112-5481 (Tatiana Ramos). A produção é da RicoChoro Produções Culturais.

Serviço
O quê: show “Canta Papete”
Quem: Luiz Jr. Maranhão e banda. Participações especiais: Josias Sobrinho, Djalma Chaves, Ribinha de Maracanã, dj Pedro Sobrinho e convidado surpresa
Onde: Estaleiro Gastrobar (Rua do Trapiche, Praia Grande; próximo à Praça dos Catraieiros e Casa do Maranhão)
Quando: dia 4 (sábado), às 21h
Quanto: R$ 50,00 (individual), R$ 90,00 (casadinha) e R$ 250,00 (mesa)
Informações, reservas e vendas antecipadas: (98) 99112-5481 (Tatiana Ramos).
Produção: RicoChoro Produções Culturais.

Caxias é o primeiro destino do Trio Zamoma, com a turnê “Acalanto”

Projeto com Wilson Zara, Mauro Izzy e Moisés Ferreira percorrerá oito municípios maranhenses

Wilson Zara e Mauro Izzy. Foto: divulgação

Caxias, a princesa do sertão, distante 360 quilômetros da capital, é o primeiro destino da turnê “Acalanto”, do Trio Zamoma, que reúne os músicos Wilson Zara (voz e violão), Moisés Ferreira (guitarra) e Mauro Izzy (contrabaixo).

Com patrocínio da Potiguar, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão, o projeto tem uma premissa interessante: na medida do possível, as apresentações acontecerão em áreas residenciais ou suas proximidades, em praças de bairros, de modo que as pessoas, ou a maioria do público, possa ver o show, ouvir a música dos artistas de suas próprias calçadas e janelas, evitando aglomerações, tendo em vista que a pandemia, embora tenha diminuído os números de contágios e óbitos, ainda não acabou.

O repertório é formado basicamente por clássicos da música popular brasileira e do pop e rock internacional, além de clássicos do cancioneiro de artistas maranhenses, num arco que vai de Belchior, Fagner, Raul Seixas, Zé Ramalho, Roberto Carlos, Beatles, Bob Dylan, Cesar Teixeira e Geraldo Vandré, entre outros.

Com este e outros projetos, sempre gratuitos, Zara tem sido um dos nomes mais importantes na interiorização da música, em frentes como a educação musical e a formação de plateia.

A apresentação de “Acalanto” em Caxias acontece nesta sexta (20), às 21h, no Mirante da Balaiada (Memorial da Balaiada, Av. General Sampaio, 297-339, Cangalheiro), um dos mais belos cartões postais do município.

A abertura fica por conta da banda Nossa Terra, formada por Jhony Rios (saxofone), Jhonny Casa Nova (voz), Wallace (guitarra), Júlio Cesar (teclado) e Ellain (baixo e voz). O evento conta com parcerias locais da Prefeitura Municipal de Caxias e Secretaria Municipal de Cultura de Caxias.

Novas datas e locais da turnê serão anunciados em breve.

Serviço:

O quê: show da turnê “Acalanto”
Quem: Trio Zamoma, com Wilson Zara, Moisés Ferreira e Mauro Izzy. Abertura: banda Nossa Terra
Quando: sexta (20), às 21h
Onde: Mirante da Balaiada (Memorial da Balaiada, Av. General Sampaio, 297-339, Cangalheiro, Caxias/MA)
Quanto: grátis
Patrocínio: Potiguar, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão
Apoio: Prefeitura Municipal de Caxias e Secretaria Municipal de Cultura de Caxias

Divulgação

“Violivoz”: Chico César e Geraldo Azevedo para êxtase da plateia

Fotos: Hebert Alves. Divulgação

Foi uma noite de fartura.

O cearense Lucas Ló, radicado há cinco anos em São Luís, desfiou um repertório inteiramente nordestino, com especial destaque para o ídolo conterrâneo Belchior, com bastante personalidade.

Acompanhado por Jessé Fonseca, num teclado cheio de balanço e personalidade, passeou ainda por nomes como Fagner, Djavan, Carlinhos Veloz, César Nascimento, Sérgio Habibe e Josias Sobrinho.

Aos pedidos insistentes de “Barco de papel”, joia de sua autoria, respondeu com um educado “já rolou”; o pedido partia dos que adentraram a sala atrasados. Um dos nomes mais sofisticados da noite ludovicense, Ló se apresentou por cerca de hora e meia preparando o terreno para a noite inesquecível que viria, ao mesmo tempo sendo parte dela.

Não faltaram clássicos como “Apenas um rapaz latino-americano”, “Pequeno mapa do tempo”, “Alucinação”, “Fotografia 3×4”, “A palo seco” e “Mucuripe”, da lavra de Belchior, esta última em parceria com Fagner, “Noturno” (Graco/ Caio Silvio), “Serrado” (Djavan), “Ilha bela” (Carlinhos Veloz), “Ilha magnética” (César Nascimento), “Eulália” (Sérgio Habibe) e “Engenho de flores” (Josias Sobrinho).

“Se alguém me dissesse, há cinco anos, quando saí do meu Ceará, que hoje eu estaria aqui, abrindo o show dessas duas figuras centrais na minha formação, nesse teatro lotado, eu não acreditaria. É um momento muito importante para mim”, revelou Ló, agradecendo a presença do público, em cujo repertório se destaca ainda a também autoral “Ode a São Luís”, inédita, em que ele, de certo modo canta sua rota e a receptividade com que foi acolhido na ilha do amor. Uma avant-première aos atentos que chegaram cedo.

Quando Chico César e Geraldo Azevedo subiram ao palco, a cama estava pronta.

“Violivoz” é um show vigoroso e sincero. Sobem ao palco sem firulas, dizendo logo a que vieram: atacam a introdução de “Táxi lunar” (Alceu Valença/ Geraldo Azevedo/ Zé Ramalho), mas antes de cantarem, emendam a “Cantiga (Caicó)”, das Bachianas Brasileiras, de Heitor Villa-Lobos, sucesso de Teca Calazans, com alterações na letra, a homenagear suas terras natais e reafirmar a admiração mútua: “oh, mana, deixa eu ir/ oh, mana, eu vou a pé/ oh, mana, deixa eu ir/ para o sertão de Catolé”, começa Chico, referindo-se a Catolé do Rocha, na Paraíba, seguido por Geraldo: “oh, mana, deixa eu ir/ andar é minha sina/ oh, mana, deixa eu ir/ para o sertão de Petrolina”, e depois: “oh, mana, deixa eu ir/ oh, mana, eu vou cedo/ oh, mana, deixa eu/ cantar com Geraldo Azevedo” e “oh, mana, deixa eu ir/ andar com quem me preza/ oh, mana, deixa eu/ cantar com Chico César”. A determinada altura de “Táxi lunar”, Geraldo Azevedo solta um “vai, Zé!” e Chico César imita a voz de Zé Ramalho. E era apenas o primeiro número.

O vigor a que me referi diz respeito ao fato de a dupla cantar e tocar – e por vezes dançar – por duas horas e 15 minutos de espetáculo, de pé. A sinceridade é percebida na admiração mútua várias vezes declarada. Um é fã do outro, os dois se tornaram amigos e parceiros. Geraldo Azevedo, ao lembrar de como se conheceram, convidado a gravar uma música de Chico César em um disco produzido por Totonho, que homenageava as vítimas da chacina da Candelária, no Rio de Janeiro, nunca lançado, já percebeu ali suas qualidades. Depois, quando Chico lançou “Aos vivos” (1995), seu disco de estreia, revelou ter comprado 50 exemplares e distribuído a amigos, produtores, em suas turnês pelo Brasil e Europa. “O Belchior, que é da minha geração, dizia que “nossos ídolos ainda são os mesmos” e Chico César era um ídolo novo e eu queria apresentá-lo pra todo mundo”, disse Geraldo. Chico completou: “Belchior também dizia que “o novo sempre vem”” e revelou a influência exercida sobre o então adolescente pelo disco “Cantoria 1” (1984), que registrou o encontro de Geraldo com Elomar, Vital Farias e Xangai.

“Para mim é uma alegria muito grande dividir o palco com Geraldo Azevedo, é uma baita honra vê-lo cantando uma música minha”, declarou Chico, depois de cantarem juntos “Estado de poesia” (Chico César).

É um show de entrega. Não há momentos solo de um e outro artista. Eles cantam juntos o tempo inteiro o repertório um do outro e de artistas admirados, casos de Geraldo Vandré (“Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando)” é emendada a “Mama África”, de Chico), Milton Nascimento e Caetano Veloso (“Paula e Bebeto”, gravada por Geraldo em 1979) e Paul Anka (a versão de Fred Jorge para “Diana”). Ninguém se cansa: nem os artistas no palco, nem a plateia. Todo mundo em comunhão. Ou quase.

Quando Chico César anunciou que cantaria “outra canção de amor, de nosso amor pela Terra, pelos pequenos agricultores, uma parceria minha com Carlos Rennó”, e atacou de “Reis do agronegócio”, um coro de “Fora Bolsonaro!” se ouviu no Centro de Convenções. Uma tentativa de vaia, raquítica, foi encoberta, e prevaleceu a vontade da maioria. Outros gritos de “Fora Bolsonaro!” vieram e Chico César, numa sequência demolidora, mandou, sempre acompanhado por Geraldo Azevedo, “Pedrada” (Chico César), cujo refrão diz: “fogo nos fascistas, fogo Jah!”. “Essa música, a primeira vez que eu cantei, foi em cima dum trio elétrico, num carnaval, aqui em São Luís, para 100 mil pessoas, e eu fiquei muito contente com a receptividade”, lembrou.

Em “Bicho de sete cabeças” (Geraldo Azevedo/ Renato Rocha/ Zé Ramalho), passaram perto de 10 minutos solando seus violões, até cada um cantar uma parte da letra, sem as sobreposições que a tornaram um clássico. Comentaram a pandemia, o isolamento social, a gênese do show, após Chico ter assistido a um show de Geraldo em São Paulo e terem ido para a casa do primeiro, depois do espetáculo, tocar violão na cozinha. Tocaram duas parcerias, uma inédita e o single “Nem na rodoviária”, já disponível nas plataformas de streaming.

São duas gerações de artistas, convivendo harmoniosa e respeitosamente, Geraldo aos 77 anos, Chico aos 58. Têm a mesma grandeza e importância. Nenhum se sobressai ao outro e o equilíbrio é também uma característica de destaque do show. São dois artistas que, cada um a seu tempo, souberam cativar o público de São Luís – suas apresentações por aqui são sempre marcadas por casas cheias e intensa interação das plateias. Ontem não foi diferente.

Perto do fim do show, Geraldo apenas ameaçou cantar “Terra à vista” (Carlos Fernando). Puxou o “San, san, san, São Luís do Mará” do refrão, que a plateia imediatamente repetiu em coro, mas deixou apenas a vontade no público. Alguém na plateia, insistentemente pedia “Pétala”, não o sucesso de Djavan, mas abreviando o título de “Pétala por pétala” (Chico César/ Vanessa Bumagny). “A gente vê muito homem ansioso, mulher é menos. A mulher goza melhor por que ela goza depois, goza mais e melhor; o homem é sempre aquela pressa, de querer gozar logo”, contou para gargalhadas da plateia e o não-atendimento ao pedido renitente.

Chico César citou vários amigos, maranhense ilustres, afirmando ser uma honra estar mais uma vez em sua terra: Papete, Rita Benneditto, Josias Sobrinho, Chico Saldanha, Flávia Bittencourt, Alcione. E Celso Borges, a quem fez especial deferência: “foi quem me apresentou a Zeca Baleiro. A gente já morava em São Paulo e ele um dia me disse: olha, tem um amigo meu, do Maranhão, vindo morar aqui, é meio doidinho assim que nem tu, não é bem compreendido em nossa terra; isso naquela época, e eu entendi de cara o que ele queria dizer”, contou, para risadas da plateia. Em seguida ofereceu-lhe “Você se lembra” (Geraldo Azevedo/ Pippo Spera/ Fausto Nilo).

Também cantaram juntos “Pedra de responsa” (Chico César/ Zeca Baleiro) e na sequência Geraldo puxou, a capella, o refrão de “Cadê meu carnaval” (Geraldo Azevedo), que ele cantou, modificando a letra: “Olê lê lê/ cadê meu carnaval?/ olê lê lê/ cadê meu carnaval?/ carnaval está chegando/ cadê meu carnaval?” – a letra original diz “carnaval está morrendo”. O público ficou cantando enquanto eles se retiraram do palco.

Aos gritos de mais um, retornaram, para delírio dos presentes, mandando o clássico “Dona da minha cabeça” (Geraldo Azevedo/Fausto Nilo), em arranjo de reggae. Já não havia mais ninguém sentado, praticamente todo mundo cantava junto e alguns casais arriscavam uns passos.

Um final apoteótico de um show antológico, de uma turnê adiada e interrompida pela pandemia de covid-19, indefinidamente prorrogada pela irresponsabilidade de uns poucos que insistem em querer um Brasil feio e triste, justamente o contrário do colorido das roupas dos artistas e da diversidade que sua música representa, afinal de contas o Brasil alegre e festeiro, que haverá de prevalecer. Espero que este dueto, esta cantoria, este grande encontro, vire disco. Oxalá!

Música de brincante

Fotos: Guta Amabile

“Todo brasileiro deveria ter um pandeiro”.

A manchete nunca me saiu da cabeça, uma fala de Antonio Nóbrega quando capa da revista Caros amigos, uma entrevista há quase 20 anos. Foi a frase de que me lembrei quando fui avisar minha esposa e enteada do concerto que ele e a Orquestra Ouro Preto deram ontem (3), no Teatro Arthur Azevedo.

“Tirando a casaca” é um desses espetáculos que não se deve perder por nada.

De certa forma, o encontro de Nóbrega, ex-Quinteto Armorial (que Ariano Suassuna inventou há mais de 50 anos), com a orquestra regida pelo maestro Rodrigo Toffolo, é uma conexão (nunca de todo perdida) com as ideias do dramaturgo, defensor de uma arte genuinamente nacional, que deram origem ao Movimento Armorial, de que o quinteto foi um dos maiores expoentes: a realização de uma música de concerto com raízes profundas nas tradições e na cultura popular brasileira, particularmente do Nordeste.

Não faltam fôlego e disposição ao quase setentão Nóbrega – ele completa 70 anos no próximo dia 2 de maio: canta, toca violino, dança e se diverte enquanto diverte e deleita a plateia. Sentada a meu lado, minha esposa puxou-me a mão para sentir-lhe o arrepio quando ele cantou sua “Excelência”, título que bem poderia referir-se à qualidade do repertório levado ao palco, quase completamente autoral.

São Luís foi a segunda cidade a receber o espetáculo. A temporada 2022 da formação foi aberta na capital mineira, após dois anos de eventos sem plateia, em decorrência da prolongada pandemia de covid-19. Os ingressos a preços populares (R$ 30,00 para qualquer setor do teatro) certamente colaboraram para que o público lotasse a casa – antes do espetáculo, parte dos presentes se deparou com uma espécie de “overbooking”, com alguns lugares tendo sido vendidos em duplicata pelo sistema digital que operava a venda de ingressos, mas logo o problema foi resolvido; este repórter, com ingressos para uma frisa, acabou na plateia. A turnê tem patrocínio do Instituto Cultural Vale, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

O que se viu foi uma verdadeira comunhão entre público e plateia: a alegria estampada nos rostos, duas violinistas cantarolando o repertório enquanto cumpriam suas funções, o público cantando os refrões quando provocado por Nóbrega, que chegou a se deitar no palco, tão à vontade estava, e mesmo a descer dele para cantar à altura do público. Quando solou uma peça acompanhado apenas de pandeiro e zabumba, chegou a desamarrar o cadarço do tênis do pandeirista e atirá-lo à plateia.

Tudo era literalmente brinquedo.

Nóbrega dedicou a apresentação a Mestre Zumbi Bahia, capoeirista, e ao antropólogo gaúcho Norton Correa, ambos adotados por São Luís. Foi comovente também ouvi-lo cantar “O trenzinho do caipira”, tema de Heitor Villa-Lobos que ganhou letra no “Poema sujo” do maranhense Ferreira Gullar.

O artista esbanjou versatilidade e aqui e acolá arriscou uns passos de frevo e maracatu, ritmos que dominam o repertório do concerto, passeando por várias fases de sua carreira, desde o Quinteto Armorial até temas quase inéditos, executados também na apresentação inaugural da turnê.

Todo brasileiro deveria ter um pandeiro. E poder ir, ao menos uma vez, a uma apresentação de Antonio Nóbrega.

Palco Mundo e a alegria do reencontro com a boa música

O Gabriel Grossi Quarteto. Foto: Zema Ribeiro

O baixista Nema Antunes dedicou seu show a seus pares de instrumento Arthur Maia (1962-2018) e Mauro Sérgio, falecido ano passado, vítima de covid-19. Com ele, no palco, um sexteto formado no Maranhão, para a apresentação, incluindo dois integrantes do Quarteto Buriti – de que o contrabaixista Mauro Sérgio, ex-professor da Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo, fez parte: Ronald Nascimento (bateria) e Daniel Cavalcanti (trompete e flugelhorn), este também professor da Emem. Ao piano, Marcelo Carvalho, autor de um dos números instrumentais do roteiro, gravado por Nema em “Plúmbeo”, seu disco mais novo. O grupo se completava com Israel Dantas (guitarra), Ricardo Mendes (saxofone) e Renato Serra (teclado) e demonstrou, ao longo da apresentação, que a prática leva à perfeição, tal a qualidade da performance.

Era o show de abertura do Palco Mundo 2022, projeto que integra o circuito Lençóis Jazz e Blues Festival, normalmente realizado em paralelo ao evento, no segundo semestre, com apresentações em Barreirinhas e São Luís. Nenhuma das seis atrações do line up dos dois dias do evento é novidade na produção de Tutuca Viana: todos já se apresentaram em edições anteriores do LJBF. Mas valeu a pena o reencontro de artistas com a plateia, sentimento recíproco traduzido em palavras ouvidas tanto no palco como entre o público.

Os artistas celebravam esse reencontro, após dois anos de lives e esporádicas apresentações presenciais. Não sei se isso potencializou a ranzinzice do repórter, cada vez menos tolerante com aqueles que vão a teatros para ver o show através da tela do smartphone ou que aproveitam qualquer intervalo para ver ou ouvir, obviamente sem fones de ouvido, para azar da vizinhança, o último vídeo do tik tok ou a última mensagem de áudio enviada no grupo da família. Depois não me venham reclamar de Zé da Chave, que obviamente chegou na metade da primeira apresentação, instalou-se na frisa mais próxima à direita do palco e atacou com seu molho.

A apresentação seguinte era do gaitista brasiliense Gabriel Grossi, acompanhado por Eduardo Farias (piano e teclados), Michael Pipoquinha (baixo) e Sérgio Machado (bateria), outro super grupo.

O show foi pautado no repertório de seu disco mais recente, “Re disc cover”, um trocadilho esperto que joga com o fato de ser um disco de releituras de clássicos do pop rock das décadas de 1960 a 90 e sua redescoberta, seja por um público mais jovem, seja por amantes da música instrumental brasileira com pouca relação com bandas como Oasis, Nirvana, Queen e Jackson 5, entre outras – em maio do ano passado ele conversou com Gisa Franco e este repórter, no Balaio Cultural, da Rádio Timbira AM, sobre o álbum.

Grossi se entrega completamente no palco, entre despir o repertório das letras que estamos acostumados a cantar e vesti-lo com sua gaita, quase à beira do esgotamento físico: seu rosto se avermelha, os joelhos dobram, e entre um solo e outro dos músicos que lhe acompanham, muitos goles d’água, para dar conta do recado. De “Isn’t she lovely”, de Stevie Wonder, passando por “Smells like teen spirit”, do Nirvana, “Wonderwall”, do Oasis, “Ben”, do Jackson 5, “Message in a bottle”, do Police, e “Another one bites the dust”, do Queen. Ao reafirmar o prazer de estar em São Luís e falar da força da cultura do Maranhão, lembrou-se que a ilha do amor é também a Jamaica brasileira, antes de atacar de “Redemption song”, de Bob Marley.

Foi o grande show da noite, numa noite de três grandes shows. A quinta-feira seria encerrada com a apresentação do majestoso Filó Machado, setentão paulista mais conhecido e respeitado fora do Brasil, como tantos de nossos gênios. Cantor, compositor, arranjador e multi-instrumentista, apresentou um show autoral, em que prestou homenagens a “Vadeco” (o título da música remete a seu professor de violão), e lembrou a importância do aprendizado oferecido pela experiência de tocar na noite, em bares e boates.

“Se eu não tivesse tido essa experiência, agora eu estaria nervoso, me perguntando o que fazer”, disse, senhor da situação e arrancando risos e aplausos da plateia. Quando um roadie assomou ao palco para corrigir uma sobra de frequência no violão de Felipe Machado (seu neto, que cantou dois bonitos sambas autorais), ele tornou a divertir o público: “eu sou curioso. Eu fiquei vendo aqui e até esqueci de vocês”, disse, para mais gargalhadas. E continuou, num jogo de melismas e onomatopeias repetido pelo público, elogiado pelo artista. Nessa brincadeira, cantou sem o microfone, sempre acompanhado pelo público, e assim, desceu do palco e deu uma volta ao redor da plateia até retornar para junto do grupo que o acompanhava, que se completava com o mesmo baterista de Gabriel Grossi, Sérgio Machado (seu filho), Fábio Leandro (piano e teclados), Carlinhos Noronha (baixo) e Jota P (saxofones).

A programação do Palco Mundo continua hoje (25), a partir das 19h, com apresentações de Gabriela Marques, Bebê Kramer e Arismar do Espírito Santo. A entrada é gratuita e as pulseiras de acesso ao teatro podem ser retiradas na bilheteria, desde as 14h de hoje, sugerindo-se a troca por um quilo de alimento não perecível. A arrecadação será doada à ONG ludovicense Pouso Obras Sociais.

Acalanto: música pelas praças, sem aglomeração

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A pandemia de covid-19 foi prorrogada para além de qualquer expectativa: nem os mais pessimistas poderiam acreditar que estaríamos onde estamos praticamente dois anos depois de sua eclosão.

O distanciamento social, medida necessária para a contenção do contágio, provocou mudanças de hábitos e, nesse sentido, atividades culturais provaram, ou melhor dizendo, reafirmaram sua importância.

Foi uma explosão de lives e exposições online, entre outras atividades, que ajudaram a população a permanecer mais tempo em casa. Quem dispunha de uma boa biblioteca ou de uma razoável coleção de discos, também delas se valeu, tornando a travessia do período mais suportável.

O poeta Ferreira Gullar dizia que “a arte existe por que a vida não basta”, sentença atestada na prática pelos poucos exemplos aqui trazidos.

A pandemia ainda não acabou. Isolamento e distanciamento social, bem como uso de máscaras e constante higienização das mãos com álcool em gel e/ou água e sabão continuam sendo necessários.

A classe artística foi uma das mais afetadas pela pandemia. Shows, exposições, peças, noites de autógrafos, entre outras, são atividades que promovem aglomeração, em sua essência, exigem contato físico, um prato cheio para a proliferação do vírus.

O cantor Wilson Zara, o baixista Mauro Izzy e o guitarrista Moisés Ferreira são três dos mais conhecidos artistas da noite de São Luís e também sentiram os impactos das medidas restritivas.

“De uma hora pra outra, simplesmente tudo parou, parecia uma profecia de Raul Seixas, embora na música dele a Terra pare por apenas um dia. A gente precisou respeitar, se apropriar de novos mecanismos, repensar o nosso fazer artístico, além de se cuidar, para poder voltar a toda, quando isso fosse possível”, comenta Zara.

As idas e vindas das curvas de contágio e número de óbitos promoveram um efeito sanfona ou gangorra, num estica e puxa, sobe e desce, vai e vem, com a retomada gradual de atividades (artísticas, inclusive) e novos passos atrás.

Zara, Izzy e Ferreira, parceiros de longa data e de outras empreitadas, se uniram no Trio Zamoma, e irão percorrer oito cidades maranheses com o projeto Acalanto.

“A música tem esse poder de acalentar as pessoas, não no sentido de botar pra dormir, mas de instigar sentimentos, recordações, momentos. É esse o espírito”, revela Zara.

As apresentações acontecerão prioritariamente em áreas residenciais, em praças de bairros, de modo que as pessoas, ou a maioria delas, possa ouvir a música dos artistas de suas próprias calçadas e janelas, evitando aglomerações.

As normas de segurança sanitária serão observadas e é possível que em algumas cidades a transmissão seja realizada em modo online, a partir de algum logradouro do município.

Acalanto tem patrocínio da Potiguar, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão. “Ao realizar este projeto e fomentar a cultura nos municípios, a Potiguar cumpre um mandamento constitucional, que qualquer empresa deve guardar, que é sua função social, demonstrada através da preocupação com impactos que vão além dos econômicos, sobretudo durante a pandemia, com o entristecimento do espírito e da alma das pessoas que vivem nos lugares”, comenta Moisés Ferreira, que além de músico é advogado e estudioso de mecanismos de incentivo à cultura.

Gratuitas e abertas ao público interessado em geral, as apresentações terão inicio ainda em fevereiro e os destinos serão divulgados em breve.

“Andarilho Parador” e o reencontro de Djalma Chaves e Nosly com o público

[release]

Artistas se apresentam na Concha Acústica Reinaldo Faray (Lagoa da Jansen), dia 7 de novembro (domingo), às 19h

Nosly e Djalma Chaves voltam a se encontrar com o público no próximo dia 7. Foto: Zema Ribeiro

O show “Andarilho Parador”, de Djalma Chaves e Nosly, realizou duas temporadas, entre 2015 e 2018, percorrendo cidades do interior do Maranhão, e capitais brasileiras, como Teresina/PI, Belém/PA e Brasília/DF.

Já havia algum tempo que os amigos não subiam juntos ao palco – situação agravada pela infelizmente ainda vigente pandemia de covid-19 –, mas obedecendo todos os protocolos de segurança sanitária, Djalma Chaves e Nosly voltam a se apresentar neste domingo, 7 de novembro, às 19h, na Concha Acústica Reinaldo Faray (Lagoa da Jansen), em São Luís.

O show tem entrada franca, graças ao patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc.

“Tivemos todos que parar de trabalhar durante a pandemia. Isso aconteceu com toda a cadeia produtiva da cultura e também fazemos parte disso. Agora, seguindo todos os protocolos recomendados, voltaremos a desfrutar do calor da plateia”, entusiasma-se Nosly.

“Djalma Chaves é uma das minhas referências e tocar ao lado dele, pra mim, é uma honra muito grande. São muitos anos de amizade fraterna e andanças musicais. Então, resolvemos juntar, levar tudo isso pro palco”, continua.

O nome do show surge a partir da junção do título de dois discos dos artistas: “Andarilho”, de Djalma Chaves, e “Parador”, de Nosly, que depois deste já lançou “Sambas”, inteiramente dedicado a este gênero musical.

““Andarilho Parador” é nosso moto contínuo, nossa engrenagem, amor, afeto e música no palco. Estamos acompanhados, nesse show, de grandes amigos, músicos de altíssimo nível”, elogia Nosly (voz e violão), referindo-se a, além de Djalma Chaves (voz e violão) e ele próprio, Murilo Rêgo (teclados e direção musical), Rui Mário (sanfona), Sued (guitarra), Mauro Travincas (baixo) e Fleming (bateria). A produção é de Tatiana Ramos.

Para Djalma Chaves, a volta aos palcos é motivo de “uma ansiedade muito grande: o artista não vive sem a troca de energia com o seu público. No decorrer da pandemia, eu e Nosly trocamos muitas ideias, virtualmente, e vamos finalmente poder colocá-las em ação nesse reencontro presencial com o nosso público”.

“O repertório do show será composto por músicas autorais, parcerias, além de algumas pérolas do genial conterrâneo João do Vale, com uma mescla de ritmos como pop, xote, bumba meu boi, baião e reggae. Será um show pra cima, com um momento relax onde faremos duas músicas no estilo “um banquinho, um violão””, antecipa Djalma Chaves.

“Tem algumas músicas novas também. O repertório está super alinhado com nossa proposta, de proporcionar à plateia o nosso melhor”, finaliza Nosly.

Serviço

O quê: show musical “Andarilho Parador”
Quem: Djalma Chaves, Nosly e banda
Quando: dia 7 de novembro (domingo), às 19h
Onde: Concha Acústica Reinaldo Faray (Lagoa da Jansen), São Luís/MA
Quanto: grátis
Patrocínio: Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc
Informações: facebook.com/andarilhoparador

Raul Seixas terá tributo no ano em que a Terra parou

[release]

Cantor Wilson Zara realizará show em homenagem ao artista baiano em formato live, no próximo dia 15

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Era uma vez um baiano que acabou ganhando o apelido de Maluco Beleza, por conta do título de um de seus inúmeros clássicos. Esse roqueiro, fã de Elvis Presley e Luiz Gonzaga, previu “O dia em que a Terra parou”, canção que dá nome a seu álbum lançado em 1977.

Raul Seixas (1945-1989) não viveu para ver a pandemia de covid-19 fazer o planeta parar, não por um dia, mas por quase um ano. 2020 foi o ano em que ninguém pode dizer que não cumpriu a lista de resoluções de ano novo por pura falta de vontade. Muitos planos, quase todos, tiveram que ser adiados.

Foi assim também com o já tradicional “Tributo a Raul Seixas”, show anual realizado pelo cantor maranhense Wilson Zara, que desde 1992, quando estreou “A hora do trem passar”, em Imperatriz/MA, presta-lhe as devidas homenagens, sempre por volta da data de seu aniversário de falecimento, em 21 de agosto.

Mas o Tributo vai acontecer, se não nos moldes a que os fãs-clubes – de Raul Seixas e Wilson Zara – estão acostumados, do jeito que o ano e a pandemia permitem: no próximo dia 15 de dezembro (terça-feira), às 19h, em uma live transmitida a partir dos estúdios da TV Guará, raulseixistas de toda parte – graças à transmissão pela internet – poderão acompanhar o desfile de clássicos e lados b, num longo passeio pela vasta obra de Raulzito.

Além de músicas já citadas ao longo deste texto, Wilson Zara e banda – Mauro Izzy (contrabaixo), Moisés Profeta (guitarra), Marjone (bateria), Dicy e Heline (vocais) – passearão por repertório que inclui “Ouro de tolo”, “A maçã”, “Sessão das 10”, “Rockixe”, “Eu nasci há 10 mil anos atrás”, “Meu amigo Pedro”, “Gitâ”, “Sociedade alternativa” e “Cowboy fora da lei”, entre muitas outras. Um show que certamente vai deixar satisfeitos todos os que gritam “toca Raul!”.

Serviço – Realização da Zarpa Produções, o “Tributo a Raul Seixas” tem patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc. A transmissão da live acontece dia 15 de dezembro (terça-feira), às 19h, a partir dos estúdios da TV Guará, pelo site da emissora, além de seus perfis no youtube e instagram, e pelo perfil de Wilson Zara no facebook. A TV Guará apresentará o show em sua programação em data a ser confirmada posteriormente.

Uma noite libertária

Foto: Isaque Mota
Foto: Isaque Mota

 

O palco do andar de cima do Buriteco Café (Rua Portugal, Praia Grande) ficou pequeno para Vinaa e sua grandeza – literalmente: trajando uma jaqueta jeans sem mangas e uma saia branca com flores vazadas, ele chegou a bater a cabeça no forro ao dançar. Nada grave, nem que comprometesse o descontraído espetáculo que apresentou ontem (15). Cantou, conversou e brincou com a plateia, passeando pelo repertório de seus dois discos – Bordel de amianto e a glória dos loucos por sex appeal (2017) e o recente Elementos e hortelã na terra dos eucaliptos (2019) –, além de releituras.

Vinaa estava literalmente em casa. Talvez por reprisar um formato experimentado há 10 anos, na garagem da casa dos pais, quando talvez sequer pensasse em levar a sério a carreira musical. O que é uma ilação de minha parte: o próprio artista categorizou a plateia entre os que o acompanham desde sempre, os que começaram agora e intermediários entre coisa e outra. Este repórter só começou pelos discos.

“A música popular é como uma estrada. Alguém abre caminhos, pavimenta, depois vêm outros atrás. Eu tenho pena do Vinaa de me ter como referência, podia ter coisa melhor, mas eu já o vejo, daqui a alguns anos, influenciando outras pessoas, não só aqui no Maranhão. É talentoso, cantor e compositor, e sua trajetória vai acontecer, já está acontecendo”, referendou, em determinada altura do show, Zeca Baleiro, convidado da noite, entre a sinceridade, a (auto)ironia e o bom humor característicos.

“A liberdade sexual é uma pauta importante. Eu tenho certeza que esse governo que está aí é horroroso também por isso: é um monte de gente reprimida, mal resolvida”, continuou, para a plateia retrucar com o coro de “ei, Bolsonaro, vai tomar no cu!”.

As três primeiras músicas que cantou tinham esta pauta como tema: Saga de um eterno seguidor, que narra as venturas e desventuras de relacionamentos online, Três lençóis, “para os que gostam de um ménage a trois”, e Nunca mais transe comigo, de título mais que explícito.

Entre as reverências que prestou ao longo da noite, começou pelo grupo As Bahias e a Cozinha Mineira, de quem interpretou com muita intimidade Uma canção pra você (Jaqueta amarela). “Quem nos media/ dia-a-dia o nosso sexo amor/ o anexo/ o nexo/ o “x” da nossa dor/ O amor eu aposto no jogo entre cartas, cerveja, fogo e queijo coalho/ no baralho jogo os ais/ te embaralho, sou dama de paus/ (caralho!)”, diz trecho da letra de Assucena Assucena, uma das vocalistas (transexuais) do grupo.

Depois seguiram-se covers de Alceu Valença (La belle de jour emendada com Girassol), Cazuza (Codinome Beija-flor, dele com Ezequiel Neves e Reinaldo Arias) e Tim Maia (Primavera (Vai chuva), de Cassiano e Silvio Rochael). “Uma vez, lá no começo, me chamaram para fazer um tributo a Tim Maia. Eu me indaguei e indaguei ao contratante: mas eu não tenho nada de Tim Maia. “Faça do seu jeito!”, ele me disse. Fomos. A casa cabia umas 500 pessoas e tinha 10 pessoas na plateia: nossas mães, as namoradas dos músicos. Mas eu tive a sorte de uma pessoa estar lá: o Cury. Ao final do show ele foi me cumprimentar no camarim e eu naquela correria, no momento não caiu a ficha, eu não reconheci. Mas depois ele mandou um “vamos trabalhar juntos!””, contou sobre o primeiro encontro com o autor de hits como Aparências (sucesso de Márcio Greyck) e O que me importa? (gravada por Tim Maia, Renato Braz e Marisa Monte), que acabou produzindo seu disco de estreia e ontem estava na plateia novamente.

Por falar em hits, Semideus e Escuderia armada, faixas do segundo álbum, e Moço bonito, foram cantadas a plenos pulmões pela plateia. Quando Zeca Baleiro subiu ao palco, após uma breve pausa enquanto preparavam-lhe o terreno, foi acompanhado pelo percussionista Luiz Cláudio, que se somou a Filipe Façanha (violão) e André Ótony (piano). Cantaram juntos Mamãe oxum (em meio à qual subiu o convidado), Bandeira – ambas, faixas do disco de estreia de Baleiro, Por onde andará Stephen Fry? (1997) –, de que Vinaa errou a letra, e Cicatriz (No regresa), faixa em que o convidado da noite registra sua participação especial no novo disco de Vinaa.

Volta pra casa é outra que foi cantada a plenos pulmões pelo bom público que compareceu ao Buriteco. Na sequência, Vinaa ainda cantou Tempos modernos (Lulu Santos), dando boa noite e despedindo-se. Aos pedidos de mais um, continuou o show com Você me vira a cabeça (Me tira do sério) (Chico Roque e Paulo Sérgio Valle), sucesso de Alcione – “já gravei com Zeca Baleiro, a próxima é Alcione!”, brincou, a sério, entusiasmado.

Ainda deu tempo de apelar para a memória afetiva mesmo de quem diz não gostar do pagode romântico dos anos 1990 com Essa tal liberdade, sucesso do Só Pra Contrariar, não por acaso (ou por acaso?) do mesmo par de compositores e também (re)gravada por Alcione. Para cantar Cidade das meninas, single que gravou com a adesão do Trio 123, formado por Camila Boueri, Tássia Campos e Milla Camões, chamou a terceira, que estava na plateia. A música é um recado direto e contundente, abarcando temas como a violência contra a mulher e feminicídio, de modo geral, e o assassinato da vereadora Marielle Franco, cujo crime segue impune após quase dois anos.

A voz de Vinaa – que por vezes ao longo do show me lembrou Johnny Hooker – segue sendo um instrumento de denúncia, ao mesmo tempo em que pode nos fazer dançar – no bom sentido. Pensar e dançar: um perigo real e uma proeza em 2020 no Brasil.

Gildomar Marinho apresenta inéditas em show em São Luís

Músico grava novo disco na ilha e se apresenta no Buriteco Café, dia 1º

O cantor e compositor Gildomar Marinho. Foto: Rômulo Santos
O cantor e compositor Gildomar Marinho. Foto: Rômulo Santos

Maranhense radicado em Fortaleza/CE, o cantor, compositor e violonista Gildomar Marinho foi recentemente agraciado com o Prêmio Grão de Música Popular Brasileira, em cerimônia realizada na Sala Olido, em São Paulo. Ele está na coletânea deste ano do prêmio, a que comparecem também nomes como Alessandra Leão, Josyara Lélis, Marlui Miranda, Mateus Sartori e Rolando Boldrin, entre outros.

Gildomar teve escolhida sua Alegoria de saudade, samba-choro de seu disco de estreia, Olho de boi (2009), gravada com a adesão da mineira Ceumar, que este ano completa 20 anos de carreira e acaba de lançar disco novo, Espiral (Circus, 2019).

Disco novo – Gildomar está em São Luís, onde grava novo disco, Estradar. Trata-se do sexto disco de sua carreira, embora o fã clube só tenha ouvido três: o citado Olho de boi, Pedra de cantaria (2010) e Tocantes (2013). É que, embora gravados há alguns anos, Porta sentidos e Mar do Gil permaneciam inéditos e somente agora serão disponibilizados pelo artista nas plataformas digitais.

“Não era falta de vontade de lançá-los antes. É que ficamos durante muito tempo acalentando o sonho de lançá-los em cd, em suporte físico, já que sou um artista à moda antiga. Mas as condições não favoreceram e não faria sentido gravar disco novo tendo inéditos na gaveta, então vamos colocar no mundo como é possível”, revelou Gildomar.

O disco novo será uma volta às origens sonoras. “Sou maranhense e entre idas e vindas entre o Ceará e o Maranhão por conta do trabalho [ele é bancário], gravei meu primeiro disco no Maranhão, com músicos maranhenses; todos os outros foram gravados no Ceará, com músicos cearenses, embora eu nunca tenha escondido minhas raízes. Mas sentia que era hora de fazer algo com os pés nos terreiros do Maranhão e para isso eu convidei o experimentado [percussionista] Luiz Cláudio“, antecipa Gildomar sobre o trabalho que terá por base os ritmos da cultura popular do Maranhão.

Show – Aproveitando a passagem pela Ilha, Gildomar Marinho se apresenta nesta sexta-feira (1º.) no Buriteco Café, às 19h. A base do repertório são músicas autorais, entre faixas de seus discos e inéditas. O artista será acompanhado por Luiz Cláudio (percussão). “É sempre um prazer tocar para os conterrâneos. Não podia perder a oportunidade. Como eu e Luiz estaremos em estúdio, descansaremos carregando pedra: nos intervalos das gravações a gente ensaia para apresentar um show bonito, entre músicas de meus álbuns, teste de repertório, antecipando ao público o que virá em Estradar e clássicos da MPB, revelando e reverenciando artistas de minha predileção, nomes importantes em minha formação”, antecipa Gildomar.

Serviço

O quê/quem: show de Gildomar Marinho
Onde: Buriteco Café (Rua Portugal, Praia Grande)
Quando: sexta-feira (1º./11), às 19h
Quanto: R$ 10,00 (couvert artístico individual)

Acontece hoje (29) última sessão de show de Zeca Baleiro para crianças

Foto: Zema Ribeiro
Foto: Zema Ribeiro

 

Zoró Zureta é um espetáculo comovente. Um show para crianças de todas as idades, com o perdão do clichê. Reúne canções dos dois álbuns infantis – que dão nome ao show – de Zeca Baleiro, numa apresentação interativa, entre parlendas, trava-línguas e preferências no universo das histórias infantis.

Ainda em São Luís, antes de se mudar para São Paulo e ganhar o merecido reconhecimento nacional, o cantor e compositor começou a carreira compondo para trilhas de teatro infantil. Zoró Zureta é, portanto, uma volta às origens.

Quando se tornou pai, Baleiro não ninava os dois filhos com cantigas tradicionais. Compunha suas próprias cantigas, a partir de observações, por vezes poéticas, dos próprios filhos.

“Uma vez a gente estava viajando e no avião meu filho apontou: “olha, pai, uma árvore de nuvem”. Era uma nuvem em forma de árvore, mas ele viu de um modo poético. Aliás, a única fase em que as pessoas podem ser malucas sem correr o risco de internação é na infância”, disse o artista em entrevista coletiva, quinta-feira passada.

A música infantil produzida por Baleiro irmana-se em conteúdo e qualidade às experiências de artistas como Adriana Partimpim (a Adriana Calcanhotto para crianças), o grupo Pequeno Cidadão (que reúne pais e filhos artistas, entre nomes como Arnaldo Antunes, Edgar Scandurra e Taciana Barros), Palavra Cantada (Paulo Tatit e Sandra Peres) e a “música de brinquedo” do Pato Fu.

Alguns dos citados, no entanto, não necessariamente compõem para crianças, mas dão uma roupagem infantil a um repertório consagrado, casos, particularmente de Partimpim e Pato Fu – estes últimos tocam um repertório que vai de Tim Maia a Roberto Carlos, passando por Ritchie e Queen, entre muitos outros, com instrumentos de brinquedo.

“O problema da música produzida para crianças, em geral, é tratar as crianças como seres desprovidos de inteligência, débeis mentais”, afirmou Zeca Baleiro, que cita entre suas preferências na produção musical para a petizada discos como Vila Sésamo (trilha sonora do programa televisivo), Os Saltimbancos (versões de Chico Buarque para músicas do argentino Luis Enriquez Bacalov e do italiano Sergio Bardotti) e Arca de Noé (composições de Vinicius de Moraes), “eu sou antigo”, diverte-se.

A música de Baleiro passeia entre bichos esquisitos – tema de Zoró, primeiro álbum infantil de sua carreira –, brincadeiras, e temas menos infantis, como a questão ambiental (tema de Pula canguru, que “quer ir pro Tibete/ pra virar guru”, mas acaba virando gari para ajudar a limpar “este mundo imundo”), além de personagens – Coitado do lobo mau homenageia “um personagem por quem eu tenho muito carinho; ele é malvado, mas sempre se dá mal no fim das histórias”, revelou.

Com pouco mais de uma hora, Zoró Zureta tem coreografias, algumas músicas são executadas com a exibição dos videoclipes e um capricho cênico-visual: quando vai cantar A filha do ogro, ele senta-se numa poltrona, toma nas mãos um livro enorme em cuja capa se lê “Histórias que a vovó contava” e é cercado pelas vocalistas com quem divide o espetáculo; quando cantam Girafa rastafári usam toucas com as cores da bandeira jamaicana e dreadlocks postiços.

Três das vocalistas – Simone Julian (flauta, flautim e saxofone), Tata Fernandes (percussão) e Vange Milliet (percussão) – cantaram com Itamar Assumpção, o que aproxima a experiência de Zoró Zureta de Zeca Baleiro (violão e contrabaixo) da Vanguarda Paulista, sua sonoridade algo próxima de discos como os três volumes de Bicho de sete cabeças (1993), do autoapelidado Nego Dito. A banda se completa com Nô Stopa (vocal e percussão), Pedro Cunha (teclado, sanfona e programações) e Rogério Delayon (violão, guitarra, contrabaixo, bandolim e cavaquinho).

Parte da renda de Zoró Zureta será revertida em favor do projeto Canhoteiro, desenvolvido pelo Instituto de Estudos Sociais e Terapias Integrativas (Iesti), que trabalha a inclusão social de crianças e jovens por meio do esporte, na Vila Tamer, região do Araçagy, em São Luís. Zeca Baleiro é padrinho do projeto, que leva o nome de um pouco conhecido jogador de futebol maranhense, a quem ele já dedicou música (em parceria com Fagner, Fausto Nilo e Celso Borges). A quarta e última sessão do espetáculo, apresentado desde ontem (28) no Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro), acontece hoje (29), às 18h.

Rock de Balsas na ilha

A cantora Amanda Soulthier. Foto: divulgação
A cantora Amanda Southier. Foto: divulgação

 

Em 2014, quando completou 40 anos de carreira, o paulista Edvaldo Santana meteu o pé na estrada. Com o case do violão às costas percorreu, de ônibus, todas as capitais nordestinas, apresentando em cada uma delas um show de voz e violão. Em São Luís, cantou para pouco mais de 30 pessoas, no Teatro da Cidade de São Luís, o antigo Cine Roxy. Quem estava lá, até hoje lembra do show, memorável.

Mês passado, em Teresina, cobrindo a Balada Literária e vendo, por exemplo, o show do parnaibano Teófilo Lima, antes de Rita Benneditto, na última noite do evento, tornei a me perguntar: por que é que o Maranhão não consegue, ou o faz raramente, dialogar com seus vizinhos Pará e Piauí? Por que não vemos com mais frequência artistas paraenses e piauienses se apresentando em São Luís e vice-versa?

Todo artista tem de ir aonde o povo está, já cantou o poeta, e às vezes ir aonde o povo está é uma questão de cara e coragem, glamour zero, artista igual pedreiro, como no título do álbum do Macaco Bong.

Digo tudo isto para dizer que quem está na ilha é Amanda Southier, cantora brasiliense radicada em Balsas, no sul do Maranhão. Ela se apresenta hoje (20), às 21h, no Talkin Blues (Cohajap), e amanhã (21), no mesmo horário, no Velho John Music Pub (Holandeses, Calhau). Em ambos os shows ela será acompanhada por Joabi Nalvi (contrabaixo), Marcio Glam (guitarra) e Bruno Montechese (bateria).

A vinda de Amanda à ilha tem a ver com um sentimento de gratidão de Wilson Zara, que abre o show de hoje. “A gente percorre o Maranhão e é sempre tão bem recebido por onde passa, mas é raro conseguir trazer artistas de outras cidades para tocar em São Luís e dar a recíproca do mesmo tamanho. Começa que trazer muita gente é caro, a coisa já esbarra no preço das passagens de ônibus. Mas conseguimos firmar algumas parcerias e realizar essa microturnê”, afirma. A pequena turnê ilhéu de Amanda Southier tem apoio da JR 4000, empresa de ônibus de Balsas que faz a linha até a capital, churrascaria Barriga Verde e Adventure Hotel.

A cantora já é um nome reconhecido da cena pop, tendo aberto shows de Biquini Cavadão e Detonautas, com quem dividiu o palco em julho passado, em Balsas, no encerramento do Festival de Verão da cidade.

O repertório de Amanda Southier passeia por clássicos do pop nacional e internacional e músicas autorais – Raul Seixas, Adele, Bruno Mars, Black Sabbath, Iron Maiden, Led Zeppelin, Nirvana, Rolling Stones. Vã realidade, seu ep de estreia, lançado em 2017, tem seis faixas, sendo quatro autorais, além de Se você fosse do mal, de Nosly, e um cover de Dream on, do Aerosmith.

O público de São Luís tem duas oportunidades de conhecer ou prestigiar ao vivo a música de Amanda Southier. Torço para que a vereda aberta por ela faça chegar à capital mais artistas do interior e que mais artistas da capital consigam se apresentar em municípios do interior.

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