O Choro visita o Museu

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Primeiro sarau RicoChoro ComVida na temporada 2021 acontece no jardim do Museu Histórico e Artístico do Maranhão; serão obrigatórios uso de máscara e apresentação da carteira de vacinação contra a covid-19

A pandemia ainda não acabou, mas com o avanço da vacinação, apesar de alguns insistirem em jogar contra, aos poucos atividades em diversos setores vão retomando a normalidade, ou ao menos o que é possível neste contexto de prorrogação indefinida das medidas de segurança sanitária impostas pelo novo coronavírus e suas variantes.

A exemplo de outros importantes festivais e espetáculos, RicoChoro Produções Culturais, Girassol Produções e Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt orgulhosamente anunciam a retomada dos saraus RicoChoro ComVida, evento já consolidado no calendário cultural da capital maranhense que, ano passado, pela primeira vez, teve suas edições realizadas em modo online, com transmissão pela tevê e youtube.

“Algumas atividades foram mais afetadas que outras pela pandemia e sua indefinida prorrogação. O setor cultural foi o primeiro a parar e é um dos últimos a retomar suas atividades, ainda com uma série de restrições. E a gente sabe que a alma da roda de choro, além dos músicos no palco ou ao redor de uma mesa, está na plateia, que vibra com as execuções dos músicos, que aplaude, que se entusiasma com a beleza dessa música tão representativa da cultura brasileira”, comenta o idealizador e produtor do projeto Ricarte Almeida Santos.

A primeira das três edições da temporada 2021 dos saraus RicoChoro ComVida terá como palco os jardins do Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM, Rua do Sol, 302, Centro), garantindo ao mesmo tempo um local aberto e ventilado e o controle de acesso ao evento, com aferição de temperatura, uso obrigatório de máscaras, disponibilidade de álcool em gel e indispensável apresentação da carteira comprovando a vacinação contra a covid-19.

A tertúlia musical terá início às 17h30, no sábado, dia 23 de outubro. As atrações são o DJ Franklin, o Regional T.R.A.H.4 e os cantores Célia Maria e Tiago Máci, num inusitado encontro de gêneros e gerações.

O DJ Franklin em edição anterior de RicoChoro ComVida. Foto: Zeqroz Neto. Divulgação

Atrações – O DJ Franklin é um dos mais requisitados e respeitados disc-jóqueis da cena musical da ilha. Sua vasta coleção de vinis, seu minucioso trabalho de pesquisa e sua total entrega ao ofício quando no palco casam perfeitamente com uma das propostas dos saraus RicoChoro ComVida, justamente o estímulo do diálogo do Choro com outras vertentes da tão rica e diversa música popular brasileira.

Henrique Duailibe, Arlindo Carvalho, Rui Mário e Tiago Fernandes, o Regional T.R.A.H.4. Fotos: divulgação

O Regional T.R.A.H.4 recebeu este nome a partir das iniciais de seus quatro integrantes: Tiago Fernandes (violão), Rui Mário (sanfona), Arlindo Carvalho (percussão) e Henrique Duailibe (teclado). Formado especialmente para a ocasião, o quarteto reúne nomes de destaque em seus respectivos instrumentos, além de juntar ao menos três gerações da música popular produzida no Maranhão. Rui Mário é o diretor musical desta temporada dos saraus RicoChoro ComVida.

O sarau e o grupo marcam um retorno mais efetivo de Henrique Duailibe aos palcos, fora eventuais participações especiais que faz em um ou outro evento. Instrumentista, arranjador e produtor, Duailibe perdeu a visão, mas nem um pingo da musicalidade. É um dos nomes mais importantes da produção de música popular no estado do Maranhão, sendo fácil encontrá-lo nos créditos de discos e espetáculos, já tendo tocado com um sem número de artistas locais. Em quase 40 anos de carreira, ele já produziu mais de 300 cds, tendo vencido 10 prêmios Universidade FM, além do prêmio Papete, da Festa da Música do Maranhão. Produziu discos de Alê Muniz, Cláudio Pinheiro, Daffé, Gabriel Melônio, Omar Cutrim e Papete, entre muitos outros.

A cantora Célia Maria volta ao palco de RicoChoro ComVida. Foto: Zeqroz Neto. Divulgação

Invariavelmente recebendo epítetos como “diva” ou “voz de ouro” do Maranhão, Célia Maria tem uma longa trajetória na música, tendo iniciado sua carreira ainda na adolescência, quando inventou seu nome artístico para se apresentar escondida dos pais em programas de auditório em rádios de São Luís. Tentou carreira no Rio de Janeiro, onde morou, e chegou a se apresentar no mítico Zicartola, de propriedade do casal mangueirense Cartola e Dona Zica, palco de bambas como Nelson Cavaquinho, entre outros. Depois da temporada carioca, regressou à terra natal, onde vive. Em 2001 lançou seu único disco até aqui, o homônimo “Célia Maria”, com arranjos e direção musical de Ubiratan Sousa, com um repertório que incluía clássicos de Chico Maranhão, Chico Buarque, Antonio Vieira, Bibi Silva, Edu Lobo e Cesar Teixeira. “Milhões de uns”, composição de Joãozinho Ribeiro tida como destaque do álbum, venceu o Prêmio Universidade FM, na categoria Melhor Choro. Está com um segundo disco gravado, dedicado ao repertório de compositores da Madre Deus, com arranjos e direção musical do violonista Luiz Júnior Maranhão.

O cantor e compositor Tiago Máci. Foto: divulgação

Tiago Máci é um dos compositores mais festejados de uma nova geração que passeia com desenvoltura por diversos estilos, tendo por inspiração desde o folk de Bob Dylan até o samba de Cesar Teixeira, não à toa homenageado em sua composição “Samba do fuleiro”. Lançou o ep “Mete o amor, forte” (o título faz referência a “Met(amor)fose”, de Cesar Teixeira) e o álbum “Amor delivery”. É parceiro de, entre outros, Marcos Magah – que subirá ao palco de RicoChoro ComVida em outra edição do sarau ainda este ano – e Zeca Baleiro.

Acessibilidade cultural – Além da preocupação permanente com a formação de plateia, os saraus RicoChoro ComVida têm também um compromisso com a inclusão cultural. Para tanto, todas as edições do projeto, desde a sua origem, em tempos pré-pandêmicos, são realizados com assentos prioritários próximos ao palco, banheiros acessíveis e tradução simultânea em Libras, a língua brasileira de sinais.

Apoio cultural – As três edições de RicoChoro ComVida em 2021 foram garantidas por meio da emenda parlamentar 39210011 OGU 2021, destinada pelo deputado federal Bira do Pindaré à Prefeitura Municipal de São Luís para a realização dos saraus.

Serviço

O quê: sarau RicoChoro ComVida
Quem: DJ Franklin, Regional T.R.A.H.4 e os cantores Célia Maria e Tiago Máci
Quando: dia 23 de outubro (sábado), pontualmente às 17h30
Onde: Jardim do Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM, Rua do Sol, 302, Centro)
Quanto: grátis
Apoio cultural: emenda parlamentar nº. 39210011 OGU 2021, do Deputado Bira do Pindaré à Prefeitura de São Luís
Informações: facebook: ricochorocomvida; instagram: @ricochoro

Live celebra 15 anos de “Paisagem feita de tempo”

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Paisagem feita de tempo. Capa. Reprodução

Com a presença de poetas, acadêmicos e jornalistas, evento online celebra os 15 anos do livro de estreia de Joãozinho Ribeiro

Este ano o livro “Paisagem Feita de Tempo”, do poeta maranhense Joãozinho Ribeiro, completa 15 anos de lançamento, realizado em abril de 2006. A primeira edição do livro está completamente esgotada e atualmente o autor está buscando meios de viabilizar uma nova edição.

Objeto de vários estudos acadêmicos, com destaque para os da professora pós-doutora em Teoria Literária Silvana Pantoja (UEMA/UESPI) e do professor doutor Valmir de Souza (USP), a obra poética, com características autobiográficas, é uma verdadeira declaração de afetos pela cidade de São Luís, Patrimônio Cultural da Humanidade, e pelos seus habitantes.

Embora mais conhecido como compositor, Joãozinho Ribeiro tem também uma obra poética consistente, inédita em livro – a citar “Paisagem feita de tempo”, e outras que ainda anseiam por merecidas publicações. Uma curiosidade é que vários trechos da obra viraram música, casos de “Amália”, que homenageia sua mãe, “Rua Grande” (parceria com Zezé Alves), “Anonimato” (musicada por Chico César), em homenagem a seu pai, e o clássico “Milhões de uns”, gravada por Célia Maria.

No próximo dia 24 de setembro, às 19h, será realizada uma live para celebrar a efeméride, com as presenças dos professores Silvana Pantoja e Valmir de Souza; dos premiados poetas Celso Borges (que escreveu a orelha da edição original) e Hamilton Faria (que assinou o prefácio), do jornalista Zema Ribeiro, além do autor Joãozinho Ribeiro.

A transmissão acontecerá pelo canal da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) no youtube.

Divulgação

Serviço

O quê: live Tempo e paisagens: 15 anos de “Paisagem feita de tempo”
Quem: o poeta Joãozinho Ribeiro e convidados
Quando: dia 24 de setembro (sexta-feira), às 19h
Onde: canal da SMDH no youtube
Quanto: grátis

Single “Agô” antecipa “Karawara”, novo disco de Rommel

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Faixa chega às plataformas de streaming 3 de setembro; álbum sai em novembro

O cantor e compositor Rommel. Foto: divulgação

No próximo dia 3 de setembro (sexta-feira), chega a todas as plataformas de streaming a música “Agô”, primeiro single (pré-save aqui) de “Karawara”, álbum que o cantor e compositor Rommel lança em novembro, pela gravadora Biscoito Fino. O videoclipe de “Agô” será lançado no dia seguinte (4 de setembro, sábado) e no dia 5 de setembro será disponibilizado o mini-documentário “Agô – Até o sopro derradeiro”.

Composta por Rommel, em parceria com Enrico Lima e Orlando Macedo, “Agô” é um ijexá, ritmo pelo qual o artista sempre foi apaixonado. A música passeia pela cultura afro-brasileira, em diálogo com a sonoridade dos terreiros das religiões de matriz africana.

“Pedindo a paz de Oxalá/ dizendo agô aos Orixás/ Agô/ Levando flores para ofertar/ e as pegadas vão pro mar/ Amor”, diz um trecho da letra, que também reforça a importância da arte como uma forma de resistência, o que se manifesta em outras faixas de “Karawara”.

O videoclipe de “Agô” foi rodado no Rio de Janeiro, com a presença de Aline Valentim, professora de danças afro-brasileiras, e é dedicado ao centenário de Mercedes Baptista, bailarina e coreógrafa brasileira, pioneira no combate ao racismo.

“Karawara” tem canções em português, inglês e francês e conta com a participação de músicos do Brasil e do Canadá, onde o maranhense Rommel mora atualmente.

Em “Agô”, Rommel (voz e violão) é acompanhado por Carlos Bala (bateria), André Galamba (baixo e guitarra), Vovô Saramanda (percussão), David Ryshpan (teclado), Parrô Mello (saxofone), Márcio Oliveira (trompete), Debson Silva (trombone), Jordan Zalis e Pryia Shah (backing vocals).

*

Leia a letra:

“Agô” (Rommel Ribeiro/ Enrico Lima/ Orlando Macedo)

Ijexá repica e retumba no fim da tarde
Um sonho que passa e o tempo corre ligeiro
Levada que arde ao sol da eternidade
Subindo a ladeira até o sopro derradeiro

Ijexá repica e retumba no fim da tarde
Um sonho que passa e o tempo corre ligeiro
Levada que arde ao sol da eterna Arte
Subindo a ladeira até o sopro derradeiro

Pedindo a paz de Oxalá
Dizendo agô aos Orixás
Agô
Levando flores para ofertar
E as pegadas vão pro mar
Amor

Didê, agô, didê
Didê, agô, didê
Agô
Didê, agô, didê
Didê, agô, didê
Agô

*

Assista ao teaser:

SERVIÇO

O quê: lançamento do single e videoclipe “Agô” e mini-documentário “Agô – Até o sopro derradeiro”
Quem: o cantor e compositor Rommel
Quando: dias 3 (single), 4 (videoclipe) e 5 de setembro (mini-documentário)
Onde: nas plataformas digitais
Quanto: grátis

Das praças às telas: RicoChoro ComVida terá três edições virtuais em 2020

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Apresentações musicais ocorrerão em formato talk show; diálogo de grupos de choro com artistas de vertentes distintas da música popular está mantido nas lives do projeto

O Quarteto Crivador. Da esquerda para a direita: Marquinho Carcará, Rui Mário, Wendell de la Salles e Luiz Jr. Maranhão. Foto: divulgação

Num ano atípico como 2020, o público de São Luís foi privado ao que já estava acostumado no segundo semestre: os tradicionais saraus do projeto RicoChoro ComVida na Praça, que percorrem diversos logradouros públicos da capital maranhense.

Mas os chorões e choronas apreciadores da iniciativa, além de curiosos em geral, não ficarão órfãos: RicoChoro ComVida na Praça terá edições em formato online, uma espécie de live talk show, com apresentação de Ricarte Almeida Santos e produção de Girassol Produções Artísticas, realizadas com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, administrados pela Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma).

RicoChoro ComVida, portanto, este ano não será na praça, mas online: três saraus manterão a proposta do projeto, de estimular o diálogo entre o choro e outras vertentes da música popular brasileira, através do encontro de um grupo de choro e cantores e cantoras, de gêneros e gerações distintas.

As lives serão gravadas nos estúdios da TV Guará e ainda não têm data para ir ao ar. No formato de talk show, Ricarte Almeida Santos conversará com os grupos e artistas convidados, numa espécie de entrevista musicada, bastante dinâmica.

Na primeira live, o Quarteto Crivador – formado por Marquinho Carcará (percuteria), Luiz Jr. Maranhão (violão sete cordas), Rui Mário (sanfona) e Wendell de la Salles (bandolim) – recebe como convidados Dicy e Josias Sobrinho; na segunda, é a vez do Regional Caçoeira – Tiago Fernandes (violão sete cordas), Wendell Cosme (cavaquinho e bandolim), Lee Fan (flauta e saxofone), e Wanderson Silva (percussão) – dialogar musicalmente com Elizeu Cardoso e Regiane Araújo; e por último, Anastácia Lia e Neto Peperi serão recebidos pelo Choro da Tralha, formado por João Eudes (violão sete cordas), João Neto (flauta), Gabriela Flor (pandeiro) e Gustavo Belan (cavaquinho).

Os grupos – O Quarteto Crivador, que leva o nome de um dos tambores da parelha do tambor de crioula, e o Caçoeira, nome de um instrumento de pesca, têm em seu DNA musical a mescla do choro com gêneros da cultura popular do Maranhão. O Choro da Tralha formou-se para tocar no sebo e botequim homônimo, recentemente fechado, temporariamente, em razão da pandemia. Apresentava-se aos domingos, mas acabou conquistando outros palcos. Sua sonoridade e formação remetem aos primeiros regionais surgidos no Brasil.

Os convidados – Homens e mulheres de gerações distintas e enorme talento, conheça um pouco do perfil dos artistas convidados das lives de RicoChoro ComVida em 2020.

Dicy iniciou sua trajetória musical cantando na igreja, na infância. Integrou o trio vocal Flor de Cactus, que acompanhou Wilson Zara na noite imperatrizense. Artista engajada, tem um disco solo gravado, “Rosa semba”.

Josias Sobrinho é um dos grandes mestres da música popular brasileira produzida no Maranhão. Figurou no repertório do antológico “Bandeira de aço” (Discos Marcus Pereira, 1978), lançado por Papete, considerado um divisor de águas da música produzida por aqui.

Elizeu Cardoso é um artista plural: professor de geografia, escritor, locutor e programador de uma webrádio, o cantor e compositor é dos artistas que melhor faz a ponte entre a música popular produzida no Maranhão e as raízes ancestrais africanas.

Regiane Araújo tem formação em Ciências Sociais e é uma artista que dá voz a denúncias sociais. Participou do Festival BR-135 e recentemente foi selecionada pelo Conecta Música para a produção de um videoclipe. O videoclipe de sua música “Tirem as cercas” é sucesso de público e crítica.

Anastácia Lia é um dos grandes talentos de sua geração, transitando com desenvoltura por diversas vertentes musicais. Nasceu em berço musical, sendo descendente de fundadores da Turma do Quinto. Atualmente é intérprete da Favela do Samba e uma das organizadoras do anual Encontro Nacional de Mulheres na Roda de Samba. Artista engajada, tem na música um instrumento de combate ao racismo e outras formas de discriminação.

Neto Peperi é ex-vocalista e cavaquinhista do grupo Espinha de Bacalhau, lendário nas noites de São Luís. Cantor e compositor inspirado é um dos mais talentosos representantes do gênero que por aqui consagrou nomes como Cristóvão Alô Brasil, Cesar Teixeira e Zé Pivó, entre outros que costuma incluir em seu repertório.

Raul Seixas terá tributo no ano em que a Terra parou

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Cantor Wilson Zara realizará show em homenagem ao artista baiano em formato live, no próximo dia 15

Divulgação

Era uma vez um baiano que acabou ganhando o apelido de Maluco Beleza, por conta do título de um de seus inúmeros clássicos. Esse roqueiro, fã de Elvis Presley e Luiz Gonzaga, previu “O dia em que a Terra parou”, canção que dá nome a seu álbum lançado em 1977.

Raul Seixas (1945-1989) não viveu para ver a pandemia de covid-19 fazer o planeta parar, não por um dia, mas por quase um ano. 2020 foi o ano em que ninguém pode dizer que não cumpriu a lista de resoluções de ano novo por pura falta de vontade. Muitos planos, quase todos, tiveram que ser adiados.

Foi assim também com o já tradicional “Tributo a Raul Seixas”, show anual realizado pelo cantor maranhense Wilson Zara, que desde 1992, quando estreou “A hora do trem passar”, em Imperatriz/MA, presta-lhe as devidas homenagens, sempre por volta da data de seu aniversário de falecimento, em 21 de agosto.

Mas o Tributo vai acontecer, se não nos moldes a que os fãs-clubes – de Raul Seixas e Wilson Zara – estão acostumados, do jeito que o ano e a pandemia permitem: no próximo dia 15 de dezembro (terça-feira), às 19h, em uma live transmitida a partir dos estúdios da TV Guará, raulseixistas de toda parte – graças à transmissão pela internet – poderão acompanhar o desfile de clássicos e lados b, num longo passeio pela vasta obra de Raulzito.

Além de músicas já citadas ao longo deste texto, Wilson Zara e banda – Mauro Izzy (contrabaixo), Moisés Profeta (guitarra), Marjone (bateria), Dicy e Heline (vocais) – passearão por repertório que inclui “Ouro de tolo”, “A maçã”, “Sessão das 10”, “Rockixe”, “Eu nasci há 10 mil anos atrás”, “Meu amigo Pedro”, “Gitâ”, “Sociedade alternativa” e “Cowboy fora da lei”, entre muitas outras. Um show que certamente vai deixar satisfeitos todos os que gritam “toca Raul!”.

Serviço – Realização da Zarpa Produções, o “Tributo a Raul Seixas” tem patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc. A transmissão da live acontece dia 15 de dezembro (terça-feira), às 19h, a partir dos estúdios da TV Guará, pelo site da emissora, além de seus perfis no youtube e instagram, e pelo perfil de Wilson Zara no facebook. A TV Guará apresentará o show em sua programação em data a ser confirmada posteriormente.

Uma lufada de alegria, beleza e inteligência

[Com as bênçãos de Celso Borges e Otávio Rodrigues, baita honra e enorme responsabilidade ter recebido o convite para escrever o release oficial deste disco lindo, que chega às plataformas no próximo dia 30]

Maestro Tiquinho em sessão de gravação de "Trombonesia". Foto: Paola Vianna
Maestro Tiquinho em sessão de gravação de “Trombonesia”. Foto: Paola Vianna

O apelido no diminutivo usado como nome artístico não traduz, de cara, a grandeza de Marco Aurélio de Santis. Maestro Tiquinho, como acabou ficando conhecido no meio musical, é um desses arquitetos da música popular brasileira cujo nome quase nunca figura nas placas de inauguração das obras, mas está lá para quem quiser ver e ouvir. Fossem os meios de comunicação mais dispostos ao aprofundamento e os ouvintes em geral mais curiosos, o trombonista seria merecidamente mais conhecido.

De Chico Science a Gal Costa, passando por Chico César e Zeca Baleiro, além de Elza Soares, Marcelo Jeneci, Jorge Benjor, Seu Jorge, Gilberto Gil, João Donato, Tom Zé, Erasmo Carlos, Nando Reis, Skank, Tião Carvalho e Papete, entre outros, além de bandas que integra/ou – Professor Antena, Clube do Balanço, Karnak e Funk Como Le Gusta –, pelo leque é possível perceber a abrangência de seu trombone elegante.

"Trombonesia". Capa. Reprodução. Arte de Gian La Barbera
“Trombonesia”. Capa. Reprodução. Arte de Gian La Barbera

Tiquinho acaba de lançar o aguardado e merecido disco solo de estreia, “Trombonesia”, título que evoca o encontro de seu conteúdo: o trombone do mago com a poesia, pelas vozes dos dub poets André Abujamra, Celso Borges, Chico César, Fernanda Takai e Zeca Baleiro, convidados mais que especiais que contribuem para o brilho e a brisa dessa tertúlia poético-musical. O álbum foi realizado através do Edital de Apoio à Criação Artística – Linguagem Reggae – da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

““Trombonesia” não é apenas o nome do álbum, mas uma palavra que nasce para unir sons, artes e estilos, sem usar de estereótipos ou padrões definidos”, afirma ele, ao mesmo tempo ourives e alquimista. Produzido por BiD, gravado ao vivo no estúdio Space Blues por Alexandre Fontanetti, e mixado por Victor Rice, todos magos em seus ofícios, o disco é arejado e ensolarado, com ecos de nomes como Don Drummond, Joseph Cameron, Nambo Robinson, Rico Rodriguez e Vin Gordon, para citar alguns de seus colegas de instrumento, em cujas fontes certamente Tiquinho bebeu para embriagar-nos.

Se aqueles foram fundamentais para o que acabamos por chamar de “clima” ou “mística natural” do reggae jamaicano, Tiquinho navega com desenvoltura por estes m/ares, aproximando Jamaica e Brasil – o sopro do paulista de Bauru nos leva a voar e pousar precisamente em São Luís do Maranhão, não à toa alcunhada Jamaica brasileira.

Mas tudo isto é pouco para tentar entender, explicar, rotular ou traduzir sua sonoridade (o que, na verdade, é tarefa impossível): ao mesmo tempo você está em um clube de reggae, em uma festa de sound system, em um baile black. O tempo é tema recorrente no repertório e os tons afogueados do projeto gráfico (de Gian Paolo La Barbera) ajudam a entender imediatamente que a coisa é quente.

Tiquinho assina todas as composições e arranjos do disco, em que é acompanhado por Edu SattaJah (contrabaixo elétrico e acústico), Rogério Rochlitz (piano acústico, órgão Hammond e piano elétrico), Che Alexandre Caparroz (bateria) e Simone Sou (percussão em “Oriente-se”). Em tempos de “duelo de eu e ego” (como salienta Chico César no canto falado de “Oriente-se”) “Trombonesia” é uma lufada de alegria, beleza e inteligência, estes ingredientes de brasilidade que alguns tristes andam querendo caçar nestes tempos de trevas – que Maestro Tiquinho e suas boas companhias teimam em iluminar. Para sorte e felicidade nossa! Jah bless!

Serviço: lançamento de “Trombonesia“, disco solo de estreia de Maestro Tiquinho. Dia 30 em todas as plataformas digitais.

Live solidária celebra Dia Nacional dos Bancários em São Luís

[release]

Com transmissão pelo youtube e TV Guará, a data comemorativa terá apresentações do Quarteto Crivador, Chico Chinês e Serrinha do Maranhão (do Samba de Iaiá) e Tom Cléber

Entre o final de 2018 e início de 2019 o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Maranhão (Seeb/MA), popularmente conhecido como Sindicato dos Bancários, aprofundou a incorporação da dimensão cultural às lutas travadas cotidianamente pela categoria. Nascia assim, à época, o projeto RicoChoroComVida Pra Luta, que levou ao palco de sua sede social (Av. Gal. Arthur Carvalho, 3.000, Turu), diversos nomes da música instrumental e da música popular produzida no Maranhão, que por motivos de força maior, estacionou em apenas uma temporada.

Revivendo aquele momento, importante para a categoria, para a classe artística e para a sociedade em geral, é nesse clima que será comemorado o Dia Nacional dos Bancários no Maranhão. O estúdio da TV Guará (canal 23 na tevê aberta) receberá, no próximo dia 29 de agosto (sábado), às 20h, um sarau musical em formato de live, como recomendam o bom senso e os cuidados com a saúde e segurança de todos em tempos de pandemia – cantores, instrumentistas, profissionais envolvidos, a categoria homenageada e o público em geral.

O sarau musical seguirá o modelo estabelecido pelos projetos RicoChoroComVida na Praça e Pra Luta, com uma formação instrumental abrindo a noite e depois acompanhando importantes nomes de nossa música popular. A transmissão será ao vivo – a partir do estúdio da TV Guará, sem a presença de público – pelo canal do sindicato no youtube e pela TV Guará, simultaneamente e com tradução em Libras, garantindo a acessibilidade cultural. A produção é de RicoChoro Produções Culturais. A live terá apresentação de Ricarte Almeida Santos.

O anfitrião da noite festiva será o Quarteto Crivador, formado por Rui Mário (sanfona), Marquinho Carcará (percuteria), Luiz Jr. Maranhão (violão sete cordas) e Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho). O grupo ganha o reforço dos percussionistas Marcos Paulo e Vinicius Filho, para abrilhantar ainda mais a festa.

Os convidados do Crivador serão os cantores Serrinha e Chico Chinês (do Samba de Iaiá) e Tom Cléber (foto), numa noite que promete, no cardápio musical, o melhor do choro, do samba e da música popular brasileira.

O Quarteto Crivador. Foto: divulgação
O Quarteto Crivador. Foto: divulgação

Atrações – Crivador é o nome de um dos três tambores da parelha do tambor de crioula. O nome foi escolhido pela característica do grupo, de mesclar o choro e outras vertentes da música instrumental brasileira a ritmos da cultura popular do Maranhão. Originalmente o quarteto tem o bandolinista Wendell de la Salles em sua formação.

O cantor Tom Cleber. Foto: divulgação
O cantor Tom Cleber. Foto: divulgação

Tom Cléber – Nascido em São João dos Patos, no interior do Maranhão, o ídolo romântico Tom Cléber está acostumado a grandes plateias, vendagens consideráveis de discos e hits de rádio, no Maranhão e fora dele, entre releituras de clássicos populares e composições autorais.

O cantor Serrinha do Maranhão. Foto: divulgação
O cantor Serrinha do Maranhão. Foto: divulgação

Serrinha – Serrinha do Maranhão fez fama na década de 1990, a partir da Madre Deus, à frente do grupo Serrinha e Companhia, muito requisitado nas rodas de samba e pagode da ilha. Gravou o disco “Na palma da mão”, contando com a participação especial do sambista Jorge Aragão, autor de “Uns e alguns”, faixa de abertura do disco, cujo refrão acabou intitulando o trabalho, que conta com as participações especiais do Regional Tira-Teima e Zeca do Cavaco, que empresta sua voz ao clássico “Das cinzas à paixão”, de Cesar Teixeira.

O cantor e percussionista Chico Chinês. Foto: divulgação
O cantor e percussionista Chico Chinês. Foto: divulgação

Chico Chinês – Os olhos puxados deram a ele o apelido de Chinês, com que ficou conhecido nas rodas de samba da capital maranhense, principalmente como integrante do grupo Espinha de Bacalhau. O percussionista é pai do bandolinista e cavaquinhista Robertinho Chinês.

Festa solidária – “Sem dúvida, será um show de atrações e de solidariedade. Em razão da pandemia, pela primeira vez a festa será online, mas a animação e qualidade de sempre estarão presentes, ainda mais com esse objetivo de ajudar o próximo e preservar vidas. Bancários, bancárias e a sociedade em geral, prestigiem!”, convidou o Presidente do Seeb/MA Eloy Natan. A live tem caráter solidário e a arrecadação será destinada ao Instituto Antonio Brunno, de apoio a pacientes com câncer. Haverá sorteio de brindes para bancários em dia com suas obrigações sindicais.

Dia dos Bancários – O Dia Nacional dos Bancários é celebrado em 28 de agosto desde 1951. A data foi escolhida após uma grande assembleia da categoria, que reivindicava aumento salarial após 69 dias de paralisação – uma das mais longas e vitoriosas da história.

Serviço

O quê: live/sarau musical em comemoração ao Dia Nacional dos Bancários
Quem: Quarteto Crivador, Chico Chinês e Serrinha do Maranhão (do Samba de Iaiá) e Tom Cléber
Quando: dia 29 de agosto (sábado), às 20h
Onde: transmissão pelo canal do Seeb/MA no youtube e pela TV Guará (canal 23 da tevê aberta)
Quanto: evento gratuito e online. As doações arrecadadas serão destinadas ao Instituto Antonio Brunno.

O caçador de groove e seu cacuriá eletrônico

[escrevi o release a convite de Thierry Castelo]

“Saudades do São João, né, minha filha?”. A pergunta virou meme. E memes, hoje em dia, ditam nossos humores – ou dizem respeito sobre eles. A pandemia de coronavírus legará à humanidade – ou ao menos à nação que se aglomerava pelos arraiais Maranhão afora – o primeiro mês de junho sem eles, os arraiais. Será uma experiência inédita ver artistas solo e grupos de bumba meu boi e tambor de crioula, entre outras manifestações típicas (não apenas do) período nas lives que viraram moda durante o isolamento social.

Sem se apresentar em palcos há três meses, o baterista Thierry Castelo (Criolina, Grupo Afrôs, Baré de Casco e Tiago Máci, entre outros) dedicou ao cacuriá, e particularmente ao Cacuriá de Dona Teté, o mais famoso do mundo, sua nova música. Administrado pelo Laboratório de Expressões Artísticas do Maranhão (Laborarte) desde o falecimento de sua frontwoman, a dança tem origem no cruzamento entre sacro e profano dos cantos e batuques tocados a caixa das festas do Divino Espírito Santo e é uma paixão de infância do músico, que apresenta igual desenvoltura entre as baquetas no palco e o gingado e a malemolência do cordão nos terreiros e arraiais.

Do encontro e reencontro com o cacuriá, Thierry se pergunta, desde sempre, como duas caixas do Divino e melodias simples têm tanto poder. “O cacuriá transformou a minha vida e principalmente a minha forma de ver a música e seu poder sobre o corpo e a mente das pessoas”, declara. Seu trabalho de pesquisa com os ritmos da cultura popular do Maranhão resultaram em um pseudônimo, o “Caçador de groove”, que ele assumiu para mergulhar numa música que atravessa os séculos e com que apresenta este seu Baticuriá.

O baterista Thierry, que assina letra, música e arranjos, também toca guitarras (com João Simas), teclados (com João Vitor Carvalho) e programações. O single foi gravado, mixado e masterizado no Deu na Telha Audiolab pelo músico João Simas e será disponibilizado nas plataformas de streaming neste sábado, 13 de junho, dia de Santo Antonio, não à toa o santo casamenteiro: ao ritmo ancestral do cacuriá, com samples da voz de dona Almeirice (nome de batismo da lendária e saudosa Teté), casa-se a eletrônica do baticu, sonoridade moderna de festas do tipo rave, que evoca a pegada das festas de aparelhagem do tecnobrega do vizinho Pará. O resultado é uma experiência sonora única, que alia tradição e modernidade sem forçar a barra.

Zema Ribeiro lança o livro “Penúltima Página” reunindo entrevistas e textos do jornal Vias de Fato

[release por Celso Borges]

Penúltima página. Capa. Reprodução
Penúltima página. Capa. Reprodução

O jornalista foi editor de cultura do periódico que circulou mensalmente em São Luís entre 2009 e 2016. A obra traz 14 entrevistas com artistas e personalidades maranhenses publicadas na página de cultura do jornal, além de seis textos. “Penúltima Página” tem orelha assinada por Jotabê Medeiros, prefácio de Flávio Reis e edição e projeto gráfico de Isis Rost. O lançamento será na terça, dia 11, no Chico Discos, centro da cidade.

O Vias de Fato foi um jornal mensal fundado em 2009 pelos jornalistas Emílio Azevedo e Cesar Teixeira, a pedagoga Alice Pires e o fotógrafo Altemar Moraes. Naquele ano teve início uma experiência ímpar de jornalismo combativo, próximo a movimentos sociais e sindicatos e, sobretudo, aberto à colaboração de professores, ativistas sociais, sindicalistas e artistas. O jornal deixou de circular mensalmente em 2016 e nos três anos seguintes teve algumas edições com periodicidade irregular.

““Penúltima Página” surge da ideia de celebrar os 10 anos que o Vias de Fato teria completado ano passado. O livro apresenta um panorama despretensioso da cultura do Maranhão durante o período em que colaborei com a editoria de cultura do jornal e sai graças aos esforços dos amigos que compraram exemplares antecipados a fim de garantir a impressão de parte da tiragem”, afirma Zema Ribeiro, que é jornalista cultural e atual diretor da Escola de Música Lilah Lisboa. Assina o principal blog cultural da cidade onde se apresenta como “um homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais”.

“Era um outro momento, em relação ao obscurantismo galopante de nossos dias, e por lá desfilaram vários nomes, em geral uma rapaziada mais próxima do experimental, do escracho e não da reverência, do combate e não da submissão. Zema escreve bem, tem lastro de leituras, agilidade e curiosidade para encarar as dificuldades de fazer jornalismo cultural numa terra pouco afeita a debates e críticas”, afirma o professor do departamento de Sociologia e Antropologia da UFMA Flávio Reis, no prefácio do livro.

O livro começa com uma entrevista de Paulo Melo Sousa, jornalista, poeta e articulador cultural, então às voltas com a experiência do Papoético, uma roda de conversas que acontecia no Chico Discos, local de reunião de alguns boêmios inveterados da cidade. A partir daí, temos uma sucessão de compositores (Gildomar Marinho, Bruno Batista, Marcos Magah e Henrique Menezes); de gente do cinema (Frederico Machado, Mavi Simão, Francisco Colombo, Paulo Blitos); do teatro (Lauande Ayres); da literatura (Bruno Azevedo, Celso Borges e Reuben, então editores da revista Pitomba!); e das cantoras Flávia Bittencourt, Lena Machado e Patativa, além de nomes da militância sindical e dos direitos humanos (Novarck Oliveira e Ricarte Almeida Santos).

“Penúltima Página” inclui também textos sobre os 30 anos do disco “Fulejo”, de Dércio Marques, o lançamento de “Baratão 66”, um quadrinho anárquico de Bruno Azevêdo e Luciano Irrthum, e uma enquete, feita com 11 pessoas ligadas ao meio musical, sobre os 12 discos mais importantes da música maranhense, realizada em 2013, quando se comemoravam os 35 anos do lançamento dos discos “Bandeira de Aço”, de Papete, e “Lances de Agora”, de Chico Maranhão.

A obra marca o quarto lançamento do selo Passagens, de Isis Rost, que abraçou a ideia da edição do livro com entusiasmo, reuniu material fotográfico e elaborou o projeto gráfico. A editora disponibiliza gratuitamente as versões em e-book em seu site.

Serviço

O quê: noite de autógrafos de “Penúltima Página: Cultura no Vias de Fato” (Editora Passagens), de Zema Ribeiro
Quando: dia 11 de fevereiro (terça-feira), às 19h
Onde: Chico Discos (esquina da rua dos Afogados com São João, Centro)
Apoio cultural: Equatorial Energia

Tássia Campos e Ana Marques reverenciam Adriana Calcanhotto e Marisa Monte em “Onde andarás”

[release]

O show no Clube do Chico passeará por diversas fases das obras de duas das mais importantes cantoras e compositoras surgidas no Brasil nos últimos 30 anos

Desde o final da década de 1980, Marisa Monte e Adriana Calcanhoto consolidaram-se como duas das mais talentosas cantoras e compositoras surgidas no Brasil em todos os tempos. A carioca estreou em disco em 1988, com a explosão do hit Bem que se quis, versão de Nelson Mota para E po’ che fa’ (Pino Daniele); a gaúcha, dois anos depois, com Enguiço, disco do hit Naquela estação (Caetano Veloso/ João Donato/ Ronaldo Bastos), a que compareciam ainda regravações de nomes tão diversos como o conterrâneo Lupicínio Rodrigues, além de Eduardo Dussek e Roberto Carlos.

Não é exagero dizer que influenciaram todo mundo que veio depois, como o fizeram Gal Costa e Maria Bethânia mais de 20 anos antes. Versáteis, Adriana Calcanhotto e Marisa Monte seguiram trilhas distintas, mas com obras com traços em comum: a permanente qualidade de seus discos e shows, as carreiras paralelas (Marisa com os Tribalistas e Adriana com o Partimpim, voltado ao público infantil, mas também encantando adultos), a constante presença na programação do rádio e o permanente diálogo com a poesia – Marisa trouxe Eça de Queiroz para sua Amor, I love you (parceria com Carlinhos Brown), Adriana musicou Ferreira Gullar e Mário de Sá-Carneiro e é parceira de Antônio Cícero.

Adriana Calcanhotto e Marisa Monte serão lembradas em um show dedicado a seus repertórios. As talentosas Tássia Campos e Ana Marques irão passear por várias fases de suas carreiras, entre grandes sucessos e músicas menos conhecidas. Na ocasião serão acompanhadas por Jhoie Araújo (violão sete cordas), Rui Mário (sanfona e teclado) e Richard (bateria).

Tássia Campos tem seu nome reconhecido como uma das cantoras mais requisitadas da cena MPB de São Luís. Tem no currículo, entre outros, os troféus “Revelação” e “Show do ano” (com o Trio 123), do extinto Prêmio Universidade FM, então a maior honraria da música produzida no Maranhão. Ana Marques, sócia-proprietária do Clube do Chico, reservava seus dotes artísticos apenas para amigos, em jam sessions após os shows da casa, mas resolveu, agora, colocar seu talento a serviço do público em geral. Já não era sem tempo.

Onde andarás, que dá título ao show, é parceria de Caetano Veloso com o poeta maranhense Ferreira Gullar (1930-2016). A música já foi gravada por ambas, além de pelo próprio Caetano e pela irmã Maria Bethânia. Outros números do repertório da homenagem a Adriana Calcanhotto e Marisa Monte são Clandestino (Mano Chao), Esquadros (Adriana Calcanhotto), Inverno (Adriana Calcanhotto) – gravadas por Adriana Calcanhotto –, Balança pema (Jorge Benjor), Dança da solidão (Paulinho da Viola) e Na estrada (Carlinhos Brown/ Marisa Monte/ Nando Reis) – gravadas por Marisa Monte. No fim das contas, o show, além de uma homenagem a elas, é também um tributo a seus parceiros e a compositores eternizados em suas vozes.

Serviço

Divulgação
Divulgação

O show Onde andarás – Homenagem a Adriana Calcanhotto e Marisa Monte acontece no Clube do Chico (R. Uirapuru, 17, Parque Shalon), dia 2 de agosto (sexta), às 21h. Os ingressos custam R$ 20,00 (antecipados; R$ 25,00 na hora). Reservas pelo telefone: (98) 98113-5547.

RicoChoro ComVida na Praça estreia nova temporada com choro e guitarrada

[release]

Mestre Solano é o convidado da primeira edição do projeto este ano; apresentações acontecem até novembro em diversas praças de São Luís

A estreia da quarta temporada de RicoChoro ComVida na Praça acontecerá dia 20 de julho (sábado), às 19h, na Praça da Fé (Casa do Maranhão, Praia Grande). O projeto, idealizado e produzido por Ricarte Almeida Santos, segue firme no propósito de estimular o encontro entre diversas linguagens musicais brasileiras, entre o instrumental e o cantado. Este ano abre espaço também para a poesia.

O projeto é uma realização de Eurica Produções, Girassol Produções Artísticas e RicoChoro Produções Culturais, com patrocínio de TVN, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão. Em 2019 RicoChoro ComVida na Praça terá cinco edições e acontece até novembro. Toda a programação (veja completa ao fim do post) é gratuita.

Outra novidade nesta temporada de RicoChoro ComVida na Praça é a parceria com a Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo. Às vésperas das apresentações de convidados nacionais, haverá rodas de conversa com os artistas, que serão realizadas nas dependências da Emem. “Para nós é uma alegria estabelecer essa parceria. A Emem é um símbolo de qualidade na formação sólida de diversos talentos nossos. Por exemplo, os integrantes do Caçoeira, todos foram alunos da Escola de Música”, celebra Ricarte.

Em caricatura de Nuna Neto, o homenageado da temporada, o compositor Joãozinho Ribeiro
Em caricatura de Nuna Neto, o homenageado da temporada, o compositor Joãozinho Ribeiro

Ano Joãozinho – A partir deste ano, RicoChoro ComVida na Praça passa também a homenagear uma personalidade do Choro no Maranhão. Em 2019 o escolhido é o poeta e compositor Joãozinho Ribeiro, que celebra 40 anos de carreira. Samba e choro são dois gêneros de destaque no repertório do artista, que, nos moldes do projeto, percorreu diversas comunidades da ilha de São Luís entre os anos de 2002 e 2003 com o projeto “Samba da Minha Terra”.

O requisitado e talentoso DJ Franklin. Foto: divulgação
O requisitado e talentoso DJ Franklin. Foto: divulgação

O mímico Gilson César inaugurará as performances poéticas na temporada. Foto: divulgação
O mímico Gilson César inaugurará as performances poéticas na temporada. Foto: divulgação

A primeira edição terá como convidados o DJ Franklin, desde sempre um dos mais requisitados da Ilha, e performance poética com o mímico Gilson César. “Eles ajudam a criar uma ambiência, um clima, mas são parte do espetáculo. Queremos que as pessoas curtam música, poesia, num exercício de vivência comum, ocupando espaços públicos, dando nossa modesta contribuição para os esforços de revitalização da cidade que têm sido anunciados”, comenta Ricarte.

O Regional Caçoeira: rede de pescar ritmos. Foto: divulgação
O Regional Caçoeira: rede de pescar ritmos. Foto: divulgação

O grupo anfitrião da noite será o Regional Caçoeira, formado por João Eudes (violão sete cordas), Lee Fan (flauta e saxofone), Wanderson Silva (percussão) e Wendell Cosme (bandolim e cavaquinho), jovens virtuoses que há algum tempo ganharam notoriedade na cena musical da cidade, figuras fáceis em fichas técnicas de shows e discos de diversos artistas maranhenses.

A rede de pesca que empresta nome ao grupo alude ao passeio por diversos gêneros que o quarteto faz a cada apresentação, sobretudo mesclando o Choro a ritmos da cultura popular do Maranhão. Um balanço – para novamente lembrar do mar, do Maranhão – inigualável.

Mestre Solano, o rei da guitarrada, com mais de 60 anos de carreira. Foto: divulgação
Mestre Solano, o rei da guitarrada, com mais de 60 anos de carreira. Foto: divulgação

Choro e guitarrada – O grande convidado do sarau de estreia é Mestre Solano, o rei da guitarrada, direto do Pará. Ele lançou em setembro passado o cd “As guitarradas de um mestre”, em que, além do gênero que lhe dá título, passeia por cumbia, merengue, calipso, carimbó e bolero, entre outros. Aos 63 anos de carreira, com 17 álbuns lançados, o artista promete uma noite dançante.

“Americana” (Frank Carlos), também já gravada por nomes como Alípio Martins e Arnaldo Antunes, é seu maior hit, gravado por ele na década de 1980, na formação Solano e Seu Conjunto, e regravado no novo disco.

Mestre Solano nasceu em Abaetetuba – “terra morena de garotas de valor”, como canta o conterrâneo Pinduca –, onde ainda na infância começou a “arranhar” um banjo. Depois mudou-se para a capital Belém, onde ingressou no Corpo de Bombeiros, tendo sido músico da corporação militar.

Acessibilidade — Todas as edições de RicoChoro ComVida na Praça garantem a presença confortável de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. O projeto garante banheiros acessíveis, assentos preferenciais com sinalização, audiodescrição e tradução simultânea em libras.

Serviço

Sarau

O quê: estreia da temporada 2019 de RicoChoro ComVida na Praça
Quando: dia 20 de julho (sábado), às 19h
Onde: Praça da Fé (Casa do Maranhão, Praia Grande)
Quem: Gilson César, DJ Franklin, Regional Caçoeira e Mestre Solano (Pará)
Quanto: grátis
Patrocínio: TVN, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão
Realização: Eurica Produções, Girassol Produções Artísticas e RicoChoro Produções Culturais

Roda de conversa

O quê: Roda de conversa
Quando: dia 19 de julho (sexta-feira), às 16h
Onde: Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo (Rua da Estrela, 363, Praia Grande)
Quem: Mestre Solano e Ricarte Almeida Santos
Quanto: grátis
Patrocínio: TVN, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão
Realização: Eurica Produções, Girassol Produções Artísticas e RicoChoro Produções Culturais

Programação completa (sempre às 19h)

20 de julho

Local: Praça da Fé (Casa do Maranhão, Praia Grande)
Grupo anfitrião: Regional Caçoeira
Artista convidado: Mestre Solano (Pará)
Dj: Franklin
Poesia: Gilson César

24 de agosto

Local: Praça do Letrado (Vinhais)
Grupo anfitrião: Mano’s Trio
Artista convidado: Chiquinho França
Dj: Pedro Dread Lock
Poesia: Mano Magrão

21 de setembro

Local: Praça Carlos de Lima (Lagoa da Jansen)
Grupo anfitrião: Quarteto Buriti
Artistas convidados: Paulão e Mila Camões
Dj: Victor Hugo
Poesia: Áurea Maria

19 de outubro

Local: Largo da Igreja do Desterro
Grupo anfitrião: Trítono Trio
Artistas convidados: Cláudio Lima e Célia Maria
Dj: Vanessa Serra
Poesia: Rosa Ewerton

9 de novembro

Local: Praça Gonçalves Dias (Centro)
Grupo anfitrião: Quarteto Crivador
Artista convidado: Messias Britto (Bahia)
Participação especial: Joãozinho Ribeiro (homenageado da temporada)
Dj: Joaquim Zion
Poesia: Celso Borges

Tralha musical na trilha da cidade

[a convite de Ronaldo Rodrigues escrevi o release oficial do Chorinho da Tralha, grupo que vem fazendo e acontecendo na cena musical da ilha]

Foto: divulgação

Tralha é como costumeiramente chamamos tudo aquilo que não serve mais, que está ali pelos cantos apenas ocupando espaço. A expressão empresta nome à Feira da Tralha, charmoso misto de sebo e bar instalado no Edifício Colonial, pela Rua Godofredo Viana, quase esquina com Sol, nas imediações do Teatro Arthur Azevedo, no Centro de São Luís do Maranhão.

Ali, a tralha que já não serve a alguém pode passar a servir a outros interessados, entre livros, cds, dvds e vinis. Na mão de outro, a tralha de um pode virar ouro puro. Foi neste ambiente, entre paralelepípedos, gente e histórias que floresceu o Regional Chorinho da Tralha.

A partir do retorno de Ronaldo Rodrigues (bandolim) à ilha natal, após temporada no Rio de Janeiro, se aperfeiçoando no instrumento, ele reuniu na mesma formação os talentos de João Eudes (violão sete cordas), João Neto (flauta) – que cursou mestrado em Belo Horizonte/MG –, Gabriela Flor (pandeiro) – paulista radicada na Ilha – e Gustavo Belan (cavaquinho) – mineiro que fixou residência na capital maranhense. Os três primeiros constam da galeria da Chorografia do Maranhão, que compila 52 entrevistas com instrumentistas de Choro nascidos ou radicados no Maranhão, livro de Ricarte Almeida Santos, Rivânio Almeida Santos e Zema Ribeiro.

O grupo começou a sentar praça por ali aos domingos, na virada da manhã pra tarde. Não tardou para o lugar virar point, parada dominical obrigatória. Lugar de re/encontro de amigos, familiares, de conhecer gente nova, de fazer novos amigos, na comunhão que só a música proporciona.

Correndo o chapéu, ajudando a superar o velho clichê de que “choro é música de velho” – portanto, “tralha” –, o Chorinho da Tralha renova o repertório de nomes como Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Waldir Azevedo, Jacob do Bandolim, Chiquinha Gonzaga, Honorino Lopes e muitos outros, em programa regado a cerveja gelada, mocotó, feijoada, sururu e bode no leite de coco.

O Chorinho da Tralha, formado em sua maioria por músicos que acabaram por se tornar maranhenses por sua paixão pelo lugar, ou que saíram e voltaram ao Maranhão de origem, renovam a importância de uma autêntica roda de Choro, com sensibilidade na escolha do repertório, qualidade na execução e gentileza no atendimento aos pedidos por vezes embriagados.

Do palco original, a calçada do misto de sebo e bar que acabou por lhes emprestar o nome, o Chorinho da Tralha começa aos poucos a alçar outros voos. A depender da soma dos talentos individuais, do carisma e da devoção aos grandes mestres desta grande música, certamente vão longe. É pelo que torcem os habitués da Feira da Tralha. Com uma condição: que sempre estejam de volta aos domingos!

Espetáculo “Todo camburão tem um pouco de navio negreiro” terá quatro apresentações em São Luís

[release]

Circulação do grupo cearense Nóis de Teatro tem patrocínio da Petrobras e acontece de 6 a 9 de dezembro em praças da capital. Apresentações têm tradução simultânea em Libras.

Foto: Luiz Alves

Foto: Luiz Alves

Foto: Augusto Oliveira

Foto: Augusto Oliveira

A discussão sobre a criminalização e perseguição da juventude negra nas periferias brasileiras dá o tom do espetáculo “Todo camburão tem um pouco de navio negreiro”, com que o grupo Nóis de Teatro, de Fortaleza/CE, circula por São Luís, com quatro apresentações gratuitas em praças da capital maranhense. A circulação tem patrocínio da Petrobras e Ministério da Cultura/ Governo Federal. As apresentações têm tradução simultânea em Libras.

O espetáculo é dividido em três atos e conta a história de Natanael, uma espécie de anti-herói nascido na periferia, inserido num brutal sistema de opressão e violência, realidade comum a muitos brasileiros, que, aos 18 anos, resolve ingressar nas fileiras da polícia militar. Este ator-narrador é o grande foco de “Todo camburão tem um pouco de navio negreiro” e sua dramaturgia épica, algo como uma “tragédia afro”, é cerzida por elementos alegóricos e representativos do movimento negro no Brasil e no mundo, além de diversas referências à mitologia dos orixás.

A montagem do espetáculo do Nóis de Teatro se baseia em visitas realizadas a comunidades quilombolas do Ceará e do Maranhão, além de terreiros de umbanda e candomblé, e dialogando com movimentos sociais que pautam questões da população negra. O grupo tem sede na periferia da capital cearense, na Comunidade de Granja Lisboa, Território de Paz do Grande Bom Jardim.

Trajetória – Com 16 anos de fundação, o grupo Nóis de Teatro tem construído uma ação continuada no que diz respeito à circulação de espetáculos, oferta de cursos, intercâmbios e oficinas de teatro e percussão, contribuindo de forma significativa para a formação de plateia, incentivando crianças e jovens ao fazer artístico e à reflexão, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e menos violenta.

“Todo camburão tem um pouco de navio negreiro” venceu o Prêmio Funarte de Arte Negra, o que garantiu o trabalho de pesquisa, construção e montagem do espetáculo. Dirigida por Murilo Ramos, a peça tem concepção geral, dramaturgia e assistência de direção de Altemar Di Monteiro, que também integra o elenco, que se completa com Jefferson Saldanha, Doroteia Ferreira, Kelly Enne Saldanha, Henrique Gonzaga, Amanda Freire e Maurício Rodrigues. A produção local é de Andressa Cabral, da Mará Cult Produções.

Serviço

Em São Luís, o espetáculo será apresentado dias 6 (Praça Nauro Machado, Praia Grande), 7 (Praça dos Catraieiros, Casa do Maranhão, Praia Grande), 8 (Praça da Ressurreição, Anjo da Guarda) e 9 de dezembro (Largo do Desterro), sempre às 19h. Todas as apresentações são gratuitas. Dias 6 e 7 de dezembro, das 9h às 13h, o grupo realiza uma oficina para artistas da cidade, no Teatro Itapicuraíba (Anjo da Guarda). Dia 8, no mesmo local e horário, acontece um encontro com um grupo local, para intercâmbio e oficina.

FICHA TÉCNICA

Coordenação Geral – Altemar Di Monteiro
Direção ­– Murillo Ramos
Dramaturgia e Assistência de Direção – Altemar Di Monteiro
Elenco – Doroteia Ferreira, Kelly Enne Saldanha, Altemar Di Monteiro, Henrique Gonzaga, Amanda Freire, Carlos Magno Rodrigues e Maurício Rodrigues
Contrarregragem – Bruno Sodré, Nayana Santos e Edna Freire
Cenografia – Jefferson Saldanha
Figurino ­– Miguel Campelo
Bonecos – Carlos César
Adereços – Pádua Oliveira
Maquiagem – Kelly Enne Saldanha
Preparação Vocal – Danilo Souto
Preparação Canto – Juliana Veras
Produção – Nóis de Teatro

Todo mundo vai pedir bis

[baita honra e responsabilidade escrever este release a pedido de Cláudio Lima]

Cada mesa é um palco é um verso de Bis, bolero de Cesar Teixeira, que dá título ao segundo disco do cantor Cláudio Lima, lançado em 2006, dividido com o pianista baiano radicado nos Estados Unidos Rubens Salles.

A música conta a história de um artista entre o ofício e o amor e o verso evoca diversas leituras. Cada mesa é um palco foi o título escolhido para o show que Cláudio Lima (voz), Rubens Salles (piano) e Luiz Cláudio (percussão) apresentam no próximo dia 9 de junho (sábado), às 20h, no Buriteco Café (Rua Portugal, Praia Grande). Os ingressos – à venda no local – custam R$ 20,00.

A curiosidade é que o disco nunca teve show de lançamento. “Posso dizer que vou finalmente lançar meu segundo disco, depois de ter lançado o terceiro”, diverte-se Cláudio Lima, que além de Cada mesa é um palco, lançou também Cláudio Lima (2001) e Rosa dos ventos (2017).

Os discos de Cláudio Lima são profundamente marcados pelo flerte com a música eletrônica e com uma criteriosa seleção de repertório. Ao disco – e ao show – Cada mesa é um palco comparecem nomes como o citado Cesar Teixeira, além de Bruno Batista, Tom Zé, Luiz Gonzaga, Herivelto Martins e Tom Jobim, entre outros.

O show reunirá no palco três virtuoses: Cláudio Lima é hoje reconhecidamente um dos maiores intérpretes da música popular produzida no Maranhão, tendo-se aventurado com desenvoltura como compositor em seu disco mais recente; Rubens Salles é pianista aclamado internacionalmente, com sua mistura de jazz, world music e a ginga brasileira, com os discos Munderno e Liquid Gravity Plus na bagagem; e o paraense radicado no Maranhão Luiz Cláudio é um de nossos mais requisitados percussionistas, atualmente desenvolvendo um trabalho solo, já tendo emprestado seu talento ao trabalho de nomes como Cesar Teixeira (Shopping Brazil), Ceumar (Dindinha), Lena Machado (Samba de Minha Aldeia) e Zeca Baleiro (Vô Imbolá), entre muitos outros.

O espetáculo terá apresentação única, aproveitando a passagem de Rubens Salles por São Luís. O set list será focado em Cada mesa é um palco, mas Cláudio Lima passeará pelo repertório de seus outros discos, lembrando músicas como Black is the color of my true love’s hair (tradicional canção folk, gravada por Nina Simone), do primeiro, além de umas poucas que não figuram em seus discos, caso de My valentine (Paul McCartney). Ao longo da apresentação haverá espaço também para Rubens e Luiz Cláudio exibirem seu virtuosismo, num diálogo-duelo entre piano e percussão.

Sobre o encontro do trio no palco, Cláudio Lima relembra: “foi Luiz Cláudio quem me apresentou a Rubens Salles, em 2003, em São Paulo. A gente tentou montar uma banda, foi o começo de tudo. A banda acabou não dando certo e pouco tempo depois veio o Cada mesa é um palco”. É a primeira vez que os três artistas se apresentam juntos.

Alterando o verso final da música que dá título ao segundo disco de Cláudio Lima, podemos antecipar do show Cada mesa é um palco: quando a noite terminar e a cortina fechar, todo mundo vai pedir bis.

Serviço

O quê: show Cada mesa é um palco
Quem: Cláudio Lima (voz), Rubens Salles (piano) e Luiz Cláudio (percussão)
Quando: dia 9 de junho (sábado), às 20h
Onde: Buriteco Café (Rua Portugal, Praia Grande)
Quanto: R$ 20,00 (ingresso individual)

Cheiro de música

[release]

Batalhão de Rosas. Capa. Reprodução

 

Se música tem perfume, a de Lena Machado tem aroma de liberdade. As flores sempre marcaram presença em sua trajetória musical, iniciada em 2006, com Canção de Vida, título tomado emprestado de verso de Oração Latina, hino de Cesar Teixeira – compositor mais frequente no repertório de seus álbuns.

Em Samba de Minha Aldeia (2009), uma flor enfeitava o cabelo da moça da capa, a própria cantora. No aguardado Batalhão de Rosas (2018), as flores voltam ao centro das atenções. “Por meu destino encantado, eu vim/ venço o inimigo pra me sagrar/ os pés feridos de anjo noturno/ mas cheguei pra representar”, anuncia a letra da faixa-título, de Bruno Batista.

Vida e obra se confundem na coerência desta artista-cidadã, senhora de seus destinos, enquanto mulher e cantora, que tem dedicado seus trabalhos, nos campos social e artístico, a tornar o mundo melhor – ou ao menos mais leve o fardo da existência.

Após Canção de Vida, cujo repertório era dedicado a canções emblemáticas dos movimentos sociais brasileiros, e Samba de Minha Aldeia, inteiramente dedicado ao samba produzido por compositores maranhenses, Lena Machado alça, em Batalhão de Rosas, seu mais ousado desabrochar – em se tratando de arte tudo é possível, até mesmo uma flor desabrochar várias vezes.

Liberdade, palavra e sentimento tão necessários nestes tempos, é chave para entendermos o quão à vontade Lena Machado se sentiu para proporcionar a seu fã-clube – que certamente dirá que valeu a pena esperar (tanto) após ouvir o álbum – o prazer proporcionado por esta dúzia de canções, escolhidas a dedo, ouvidos, alma e coração.

Lena Machado grava gente daqui e de fora, entre músicas conhecidas e inéditas (Preta, de Fernanda Preta e Camila Cutrim, e Sete Ervas, de André da Mata e Zé Katimba), num passeio pelo Brasil e sua diversidade rítmica, em arranjos que deixam à mostra a herança ancestral da negritude africana com tempero latino que molda os ritmos da cultura popular do Maranhão, aqui tão bem desenhados por sua bela voz e emoldurados pelos inspirados arranjos de Wendell Cosme (cavaco, produção, direção musical e, com a cantora, seleção de repertório), Wesley Sousa (teclado, piano) e Israel Dantas (violão).

O time de músicos se completa, numa ponte São Luís-Rio de Janeiro, com Camilo Mariano (bateria), Jamil Joanes (contrabaixo), Jorginho do Trompete, JP (percussão), Marcelo Braga (saxofone), Pretinho da Serrinha (percussão), Rui Mário (acordeom) e Wanderson Silva (percussão), além dos vocais de Rohni Grato, Gil Costa e Cassiano Sobrinho, e as participações especiais de Nicolas Krassik (violino em Namorada do Cangaço, de Cesar Teixeira), Rogério Caetano (violão sete cordas em Caminho de Pescador, de Henrique Menezes, Flanelinha de Avião, de Cesar Teixeira, e Sete Ervas) e Yassir Chediak (viola caipira em Sete Ervas). À beleza musical se soma a do projeto gráfico, de Ronilson Freire, sobre fotos de Rivanio Almeida Santos, que capturam a cantora em meio às belezas naturais da praia do Caúra, em São José de Ribamar/MA.

Cabe destacar as compositoras mulheres – importante redundar, ainda mais no plural – de parte do repertório: Didã (Banca de Honestidade), Fernanda Preta e Camila Cutrim (Preta) e Alessandra Leão (Bom Dia).

“Deus brinca no mar maresia/ nadando num peixe e na pedra/ se brota semente não mente/ somente poeta e poesia”, diz a letra de De Deus (Bené Fonteles), sintetizando as reverências e referências ao sagrado – inserida aí a própria música – no trabalho de Lena Machado. “A noite é um quadro negro/ que ensina mais que a luz/ havia virtude em Judas/ havia vício em Jesus”, subverte a letra de Duas Ilhas (Zeca Baleiro e Swami Jr.), num disco em que a subversão é também uma marca, com as músicas quase sempre transformando-se (desabrochando?) durante sua execução, não raro hibridizando gêneros.

Sete Ervas, que encerra Batalhão de Rosas, resume o espírito do disco, a fé e a força (e a força da fé) da intérprete: “já falei que comigo ninguém pode/ sou pimenta, alecrim, manjericão/ quem tentar me atrasar leva sacode/ foi meu Pai quem firmou meus pés no chão”. Pés no chão e “a alma em pleno voo” (como na letra de Asas da Paixão, de Joãozinho Ribeiro, que abre o disco) e o coração “um passarinho solto” (como em Namorada do Cangaço).

Para cheirar com os ouvidos e perfumar a alma e o coração.