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Ao propor ‘ruptura’, Lobinho expõe contradições

Lobinho em pele (ou bigode) de Sarney. Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado (com intervenção de Zema Ribeiro)
Lobinho em pele (ou bigode) de Sarney. Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado (com intervenção de Zema Ribeiro)

Exemplos existem aos montes de filhos rebeldes, com ou sem causa, que por discordâncias radicais na maneira de os pais conduzirem as coisas em casa – ou por motivos outros – deixam o conforto do lar dos genitores para arriscarem-se em aventuras longe dali.

De dentro não há ruptura possível, no máximo divergências pontuais, passíveis de solução via diálogo – ou não. Candidato da oligarquia Sarney nas eleições que se avizinham, o senador Edison Lobão Filho, vulgo Lobinho, fala em ruptura com o grupo político a que pertence, em matéria veiculada hoje pelo jornal Valor Econômico (Candidato dos Sarney propõe ‘ruptura’, link para assinantes com senha e/ou leitores cadastrados).

O dono do Sistema Difusora parece já ensaiado por marqueteiros e desfila diversos jargões na tentativa de antecipar-se ao período de angariar votos, a campanha propriamente dita, oficialmente ainda não iniciada, mas já tendo atingido o baixo nível típico do que os maranhenses costumam ver no período, some-se aí a propaganda eleitoral gratuita em rádio e tevê, além do “jornalismo” cometido nos meios de comunicação tradicionais – sobretudo de sua propriedade e de aliados – e nos blogues (regiamente pagos).

Herdeiro político do pai, o ministro das Minas e Energia Edison Lobão, Lobinho ocupa uma cadeira no Senado sem ter movido um músculo sequer para tanto. Não precisou nem sorrir. Como romper com o grupo que lhe deu tudo o que Lobinho tem?

Como ele não tem “críticas profundas à forma de gestão de Roseana” e, caso eleito, governaria de forma “completamente diferente”? Afinal de contas, Lobinho é “o novo”, “a ruptura”, ou não?

O postulante ao Palácio dos Leões fala em governar o Maranhão como se gerencia uma empresa. Disso ele pode até entender, mas devagar com o andor: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Uma empresa visa lucro e pouco importa a realidade do entorno ou as condições de quem nela trabalha, desde que seus donos possam dormir tranquilos depois de analisar as planilhas de mais um dia e confraternizar-se em restaurantes finos, com drinques cujas doses valem, cada, bem mais que um mês de trabalho de seus operários.

Mas isto já acontece, talvez me digam os poucos mas fiéis leitores. Logo, não haveria ruptura. Não me parece ser este o destino desejado por quem vive por aqui.

PT de Sarney deixa Marlon Botão de fora da propaganda eleitoral gratuita

A dobradinha Lula/Sarney é a principal responsável pela atual esquizofrenia do Partido dos Trabalhadores. Se a situação já é(ra) muito ruim no plano nacional, o quadro piora se nos detivermos ao Maranhão, onde o PT sempre se caracterizou pelo combate à oligarquia local.

Em 2010 o Diretório Nacional do partido do então presidente da República passou por cima de tudo e todos, impondo apoio do PT à então candidata Roseana Sarney, filha do presidente do Senado, contrariando a maioria local, que havia decidido pelo apoio à Flávio Dino (PCdoB) para a disputa pelo Governo do Maranhão. Dois anos depois foi fácil ter a maioria, com vitória folgada do ex-comunista e atual vice-governador do Maranhão Washington Oliveira sobre o deputado estadual Bira do Pindaré, com o cearense disputando as eleições com apoio da oligarquia que um dia combateu (ou ao menos dizia combater).

E se digo que a dobradinha Lula/Sarney foi a principal responsável por isso, não estranhem: não é a única. Vantagens individuais, cafezinhos, anuidades, empregos e promessas outras também deram uma ajudinha.

A questão agora é que não dá para falar pura e simplesmente que Fulano de Tal é candidato do PT. É necessário esclarecer que Beltrano é candidato do PT antissarney e Ciclano é candidato do sarno-PT.

Explico: este blogue, por exemplo, apoia a candidatura de Nelsinho, do PT antissarneyista. O número dele é 13.555, a quem interessar possa. Outro candidato do mesmo campo, digo, do PT antioligárquico, é Marlon Botão, 13.200, outro bom nome para a Câmara Municipal. O primeiro é professor de educação física das redes públicas municipal e estadual, mestre de Capoeira, ligado ao Laborarte; o segundo, Relações Públicas, com atuação em assessorias no movimento sindical. Mas, bem, isto aqui não é horário eleitoral gratuito nem este blogue recebe para fazer propaganda, vamos ao que interessa.

Recebo, estupefato, a notícia de que Marlon Botão teve seu programa de tevê censurado na primeira semana de propaganda eleitoral gratuita. O motivo: não querer atrelar seu nome ao do candidato à prefeito da oligarquia Sarney, o citado Washington Oliveira, tido como “cerca velha”, à boca miúda, por diversos outros nomes que, no entanto, não tiveram a coragem e a postura de Marlon Botão, Nelsinho e uns poucos outros, de não pedir votos ao vice-governador que quer ser prefeito.

Ambos têm apoio do deputado estadual Bira do Pindaré, outro nome do PT que não se rendeu ao modus operandi oligárquico, o que certamente incomoda bastante as hostes petistas. “Sarney sabe que temos o apoio do deputado federal Domingos Dutra e do deputado estadual Bira do Pindaré e quer impedir a nossa presença na Câmara dos Vereadores”, analisa Marlon Botão no texto que recebi por e-mail de um amigo comum.

O diretório municipal do PT em São Luís havia sido notificado sábado (18) para garantir a participação do candidato no horário eleitoral; no sábado seguinte (25), ontem, o notificado foi Marlon Botão, pelo “juiz Fernando Mendonça, nos autos da Representação 87211/2012, proposta pela Coligação “Juntos por São Luís”, para responder, em 24 horas, sobre o pedido de retirada de matérias do seu site de campanha com a concessão de direito de resposta e aplicação de multas”, também de acordo com o texto recebido por e-mail.

A coligação alega que a responsabilidade pela gravação dos programas é do PT. Marlon Botão diz que outros candidatos o fizeram por conta própria, incluindo a gravação de externas. Cabe lembrar que o candidato é sócio de uma produtora e tem condições de elaborar seu próprio material. Ele disse que não aceitará censura e que irá lutar por seu direito (veja a seguir o programa censurado).