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Palco, o Chão de Lenine

Sobre Chão, show que Lenine apresentou ontem (6) no Teatro Arthur Azevedo

Para os mais puristas, acostumados à acústica de seu violão percussivo, Chão, o show que Lenine apresentou ontem (6) no Teatro Arthur Azevedo, talvez tenha exagerado na eletrônica. Eram ele, revezando-se entre violões, e os com ele produtores do disco que batiza o espetáculo, a turnê, JR Tostoi e Bruno Giorgi, músicos jogando nas mais de onze entre contrabaixos, guitarras, bandolins, computadores e uma pá de instrumentos, equipamentos e toda uma parafernália eletrônica.

Tudo para recriar ao vivo a atmosfera do disco, permeado de efeitos e interferências sonoras não musicais para alguns, barulhos cotidianos: a batida do coração do neto do compositor (ambos estampam a capa de Chão), passos, uma chaleira, motosserra, um canário, cigarras, máquinas de lavar e escrever. No palco, Lenine se sentiu em casa, em espetáculo que está percorrendo o Brasil apenas em teatros, justo pela necessidade de fazer o público sentir-se dentro do som, no caso, (n)a casa do pernambucano.

Chão, show e disco, mostram que, mesmo Lenine sendo hoje um artista extremamente popular graças a várias de suas músicas terem comparecido a trilhas sonoras de novela e programas de tevê outros, seu público não é de se contentar com o fácil, com o óbvio. Daí ele poder se permitir guinadas como a presenciada pelo público ludovicense, que ontem lotou completamente o Arthur Azevedo.

Lenine cantou o repertório inteiro do disco novo e trouxe ao público diversos sucessos da carreira, como Rua da Passagem (Trânsito, parceria com Arnaldo Antunes), A rede (com Lula Queiroga), Leão do Norte, Candeeiro encantado (com Paulo César Pinheiro), Tubi Tupy (com Carlos Rennó) e Jack Soul Brasileiro, entre outras. A ponte (com Lula Queiroga) pareceu feita sob medida para a ilha de São Luís.

Ponte Pernambuco-Maranhão no camarim

Entoando a clássica Não deixe o samba morrer (Edson/ Aloísio), chamou ao palco Alcione, convidada da noite, com quem trocou elogios e interpretou O silêncio das estrelas (parceria de Lenine com Dudu Falcão) e Relampiano (com Paulinho Moska).

No bis, deixou o público cantar Paciência (parceria com Dudu Falcão) – um de seus maiores êxitos – e repetiu Se não for amor eu cegue (parceria com Lula Queiroga), do disco novo.

Aos quase 30 anos de carreira, Lenine segue em plena forma. O amante de orquídeas, a quem já dedicou o título de um disco – Labiata (2008) –, estreou em 1983, com Baque solto, que dividiu com Lula Queiroga. Somente 10 anos depois viria o hoje raro Olho de peixe (1993), um de seus melhores discos, dividido com o percussionista Marcos Suzano. Mas foi O dia em que faremos contato (1996) que o tornou um compositor realmente popular. O álbum, cujo projeto gráfico remete a obras de ficção científica – a faixa-título é assinada por Lenine e Bráulio Tavares, este um autor de –, trouxe músicas como Hoje eu quero sair só (parceria com Mu Chebabi e Caxa Aragão) e Dois olhos negros (de Lula Queiroga) – ambas ficaram de fora do repertório do show em São Luís.

A batucada de Mila

Carioca radicada há tempos no Maranhão, Mila Camões esbanja talento, passeando com desenvoltura pelo repertório de nomes como Hermeto Pascoal, Chico Buarque, Paulo César Pinheiro, Antonio Vieira, entre outros – e aqui falo do que lembrei, de cabeça, imediatamente, ao tentar referendá-la.

Seu nome nunca sei se se grafa com um ou dois “l”: a imagem que colo aí em cima o traz com um, o release da produção, que recebi por e-mail, com dois. Seu disco de estreia, aguardo ansiosamente há tempos. É tanto tempo de gestação que sua gravidez foi mais curta. Digo: já faz bem mais que nove meses que Mila grava, ensaia, regrava, refaz, com carinho de mãe coruja. Um disco que me desperta curiosidade, por não saber mais que do talento dela como elemento, sob direção musical de Celson Mendes – o que quero dizer é: não sei, por exemplo, do repertório, mas certamente vem coisa boa por aí.

Aperitivo: Mila Camões apresenta o show Na batucada da vida nesta sexta (2), às 21h, no Cumidinha de Buteko (Cohajap). A formação do trio que a acompanhará é inusitada para um repertório de samba: o citado Celson Mendes (violão), Fleming (bateria) e Jeff Soares (contrabaixo). Conceito: homenagear a mulher no contexto do samba, passeando por obras de compositores e intérpretes como Arlindo Cruz, Assis Valente, Chico Buarque, Clara Nunes, Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara, Janet de Almeida, Jovelina Pérola Negra, Mônica Salmaso, Paulo César Pinheiro e Wilson das Neves, entre outros e outras.

Maiores informações no blogue do produtor, Celijon Ramos.

“Eu vou pro Rio de Janeiro/ vou ser artista/ vou morar na Lapa”*

A faceira senhorita simpática da foto ao lado se despede temporariamente da Ilha: semana que vem ela entra em estúdio no Rio de Janeiro, acompanhada de feras do naipe de Luciana Rabello (direção musical) e João Lira (arranjos) para gravar um disco inteiramente dedicado à obra de mestre Paulo César Pinheiro.

Hoje (13), Alexandra Nicolas participa de uma roda de samba com muito samba de roda, acompanhada do grupo Argumento, no La Musique (Lagoa, rua da antiga Red), no projeto Favela Chic, a partir das 18h (a produção não informou o valor dos ingressos).

*O título do post são versos de Pra chorar no Rio, parceria de Gildomar Marinho e Ricarte Almeida Santos.