Arquivo da tag: nelson oliveira

Um breve encontro com Carrapa do Cavaquinho

A trabalho em Brasília/DF dei de cara com um rosto familiar. A memória funcionou ligeiro e eu gritei, ainda de dentro do carro, “Carrapa!”. Suponho que assustei o senhor que dedilhava um cavaquinho dentro de um Uno Mille, num estacionamento, enquanto Fernando manobrava o carro em que estávamos. Meti a mão na maçaneta e avisei-o que continuasse a manobra, pois eu precisava falar com o músico. Desci antes dele terminar e encarei o sol quente e vento frio da capital federal enquanto me apresentava a Carrapa do Cavaquinho (ao instrumento que lhe dá sobrenome no vídeo que abre este post), músico brasiliense infelizmente ainda pouco conhecido fora dali. Pouco conhecido para alguns muitos; para mim, uma lenda viva.

Ao ouvir meu nome, ele disse não ser estranho, sabe-se lá se por gentileza ou qualquer outro motivo. O fato é que tenho seu em casa, um disco solo autografado, além de um do Liga-Tripa, ouçam o que lhes digo, o melhor grupo surgido em Brasília que já ouvi. Este disco, dividido com o Choro Livre, grupo de choro, como o nome entrega, está autografado a mim pelos membros do Liga-Tripa, de quem também tenho cópia do vinil Informal Ao Vivo, gravado por eles em 1988 em algum teatro da cidade.

Nunca tinha estado com nenhum deles: os autógrafos me foram conseguidos por amigos comuns, Glauco Barreto, também músico, de extremo bom gosto, talvez em articulação com o jornalista-músico Nelson Oliveira, a poeta Noélia Ribeiro e quiçá alguns outros.

Conversei uns poucos minutos com Carrapa do Cavaquinho e ao ser indagado por ele, “você tá no facebook?”, respondi passando todos os meus contatos. “Um dia chegando em São Luís te procuro”, prometeu.

Perguntei se o Liga-Tripa ainda tocava no Café da Rua Oito, onde eu sabia, há alguns anos, que eles se apresentavam mensalmente, se na primeira ou última quinta-feira do mês já não lembro. Ele disse que o café já nem existe mais.

Os três discos acima citados, difíceis de encontrar, recomendo procura e audição aos poucos mas fieis leitores deste blogue. Torço para que o Liga-Tripa volte a gravar, certamente têm coisas novas para mostrar, mas preferi não perguntar isso a Carrapa.

Despedi-me com outro aperto de mão e ainda pude ouvir umas notas do cavaquinho que ele empunhava, gastando o tempo da espera por alguém, o que também fazíamos eu e Fernando, ali, por perto de meio-dia. Do carro em que estava, ainda vi Carrapa guardar no quebra-sol o papel em que lhe dei anotados meus contatos, o blogueiro desleixado nunca carrega cartões de visita ou máquina fotográfica.

Jô e Pedrosa, a quem esperávamos, chegaram. Estacionado imediatamente atrás do de Carrapa, o carro conduzido por Fernando andou e eu ainda acenei para ele num último cumprimento, rumo ao almoço.