Um duplo (re)play feminino

Homem de vícios antigos, este blogue, completa hoje (28) 14 ininterruptos anos no ar.

Em clima de retrospectiva, ligeira e possível, mas anunciando novidades, torno a duas mulheres sobre cujas obras já escrevi por aqui.

Titane canta Elomar – Na estrada das areias de ouro. Capa. Reprodução

A primeira, a cantora mineira Titane e seu disco mais novo, Titane canta Elomar – Na estrada das areias de ouro, sobre o qual escrevi para a coluna Emaranhado, no site do Itaú Cultural, e cuja entrevista publiquei cá no blogue. A novidade é que desde ontem o disco está disponível nas plataformas de streaming, vale ouvir.

A segunda, Monique Moraes, diretora e roteirista de Mulheres que transformam a ilha, em cuja sessão de estreia tive a satisfação de estar presente. A novidade é que o documentário está disponível no youtube para quem quiser ver/rever:

O poder transformador

Mulheres que transformam a ilha. Cartaz. Reprodução

 

A estreia do documentário Mulheres que transformam a ilha lotou duas sessões no Cine Praia Grande (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande), na noite de hoje (30). Não é pouca coisa.

Temas urgentes, empoderamento, autonomia e protagonismo femininos são levados à tela de maneira didática, com pitadas de bom humor e muita sabedoria: em um filme majoritariamente feito por mulheres, as mulheres têm vez e voz.

Filme feito por mulheres, mas não (apenas) para mulheres: nós, homens, temos muito o que aprender ali. O documentário de 32 minutos é tecido a partir das percepções e falas de empreendedoras sociais que atuam em São Luís, em diversos segmentos.

“Ser mulher e ser negra é ser vista por dois véus: o véu do machismo e o véu do racismo”, aponta, de cara, uma das entrevistadas. Outra comenta o risco pedagógico da desistência: se uma empreendedora desiste, não está apenas desistindo, pode estar fazendo outras mulheres desistirem, deixarem de acreditar em seu potencial. “Eu estou com 66 anos, eu faço o que eu quero, o que eu gosto, eu me governo”, afirma outra.

Há relatos tristes, como o de uma mulher, em um município do interior do Maranhão, que foi impedida pelo marido de continuar em uma atividade nos moldes das reveladas pelo filme, pois isto estaria prejudicando os afazeres domésticos. O equilíbrio na divisão de tarefas advogado pela representante da ONU entrevistada poderia resolver essa questão, realidade infelizmente ainda mais comum do que se imagina.

Mulheres que transformam a ilha tem direção e roteiro de Monique Moraes, bacharel em Administração pela UFMA. A equipe técnica do filme se completa com Quilana Viégas (fotografia), Ingrid Barros (fotografia) e Luiza Fernandes (edição e roteiro).

A exemplo das mulheres, negócios e histórias trazidos à tela, Mulheres que transformam a ilha envolveu uma rede de colaboradores para sua realização, incluindo parcerias. A TV Assembleia (uma das parceiras) deveria exibi-lo, ampliando seu alcance (o filme será disponibilizado no youtube, no canal Su casa, mi causa), pois é um filme que merece ser visto por mais gente.

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Veja o teaser:

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