Novo disco de Fito Paez tem versão e dueto com Chico Buarque

SYLVIA COLOMBO
DE BUENOS AIRES
DA FOLHA.COM

Os primeiros acordes sugerem um tango a la Astor Piazzolla (1921-1992). Logo, porém, vêm versos familiares, mas em outra língua: “amó aquella vez como se fuese ultima/ besó a su mujer como se fuese ultima”.

O músico argentino Fito Paez

Construcción, versão portenha para o clássico de Chico Buarque, é o carro-chefe de Canciones para Aliens, novo disco do argentino Fito Paez, 49, que acaba de ser lançado no Brasil.

Chico surge também em outra faixa. Dessa vez de viva-voz. Faz um duo com Fito em Tango (Promesas de Amor), composição do japonês Ryuichi Sakamoto.

“Já tinha ouvido Chico cantando em espanhol e achava fantástico. No disco soa como quem se aventura num outro terreno, mas com seu estilo, sem perder a identidade”, diz o argentino à Folha.

Não é de hoje que Fito realiza intercâmbios com a música popular brasileira. Gravou uma versão de Track, Track, dos Paralamas do Sucesso, e teve sua Un Vestido y un Amor imortalizada por Caetano Veloso no álbum Fina Estampa.

“O Brasil é essencial no meu trabalho. Busco muita inspiração ali e acho que a troca tem aumentado.”

O álbum traz também outras versões. A ideia da reunião de reinterpretações surgiu quando foi convidado para gravar um bolero do mexicano Armando Manzanero para uma coletânea.

A partir daí começou a escolher faixas que gostaria de regravar. “Não é um álbum conceitual. As escolhas foram todas subjetivas”.

Estão no disco músicas do norte-americano Marvin Gaye (Baila por Ahí), do francês Jacques Brel (Ne me Quitte Pas), do argentino Charly Garcia (Yo no Quiero Volverme tan Loco) e do chileno Victor Jara (Te Recuerdo Amanda), entre outras.

Fito conta que não teve problemas com relação a direitos autorais, exceto com a viúva de John Lennon, Yoko Ono, que vetou uma versão de Across the Universe [grifo do blogue].

Sobre o músico Luis Alberto Spinetta, morto em fevereiro, declara que a Argentina perdeu alguém da envergadura de um Caetano Veloso para o Brasil. “Nós mesmos não chegamos a compreender ainda a riqueza de seu legado. É algo que vai ser descoberto com o tempo. É um poeta do rock. E nos deixou um baú cheio de tesouro”, completa.