Palco Mundo e a alegria do reencontro com a boa música

O Gabriel Grossi Quarteto. Foto: Zema Ribeiro

O baixista Nema Antunes dedicou seu show a seus pares de instrumento Arthur Maia (1962-2018) e Mauro Sérgio, falecido ano passado, vítima de covid-19. Com ele, no palco, um sexteto formado no Maranhão, para a apresentação, incluindo dois integrantes do Quarteto Buriti – de que o contrabaixista Mauro Sérgio, ex-professor da Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo, fez parte: Ronald Nascimento (bateria) e Daniel Cavalcanti (trompete e flugelhorn), este também professor da Emem. Ao piano, Marcelo Carvalho, autor de um dos números instrumentais do roteiro, gravado por Nema em “Plúmbeo”, seu disco mais novo. O grupo se completava com Israel Dantas (guitarra), Ricardo Mendes (saxofone) e Renato Serra (teclado) e demonstrou, ao longo da apresentação, que a prática leva à perfeição, tal a qualidade da performance.

Era o show de abertura do Palco Mundo 2022, projeto que integra o circuito Lençóis Jazz e Blues Festival, normalmente realizado em paralelo ao evento, no segundo semestre, com apresentações em Barreirinhas e São Luís. Nenhuma das seis atrações do line up dos dois dias do evento é novidade na produção de Tutuca Viana: todos já se apresentaram em edições anteriores do LJBF. Mas valeu a pena o reencontro de artistas com a plateia, sentimento recíproco traduzido em palavras ouvidas tanto no palco como entre o público.

Os artistas celebravam esse reencontro, após dois anos de lives e esporádicas apresentações presenciais. Não sei se isso potencializou a ranzinzice do repórter, cada vez menos tolerante com aqueles que vão a teatros para ver o show através da tela do smartphone ou que aproveitam qualquer intervalo para ver ou ouvir, obviamente sem fones de ouvido, para azar da vizinhança, o último vídeo do tik tok ou a última mensagem de áudio enviada no grupo da família. Depois não me venham reclamar de Zé da Chave, que obviamente chegou na metade da primeira apresentação, instalou-se na frisa mais próxima à direita do palco e atacou com seu molho.

A apresentação seguinte era do gaitista brasiliense Gabriel Grossi, acompanhado por Eduardo Farias (piano e teclados), Michael Pipoquinha (baixo) e Sérgio Machado (bateria), outro super grupo.

O show foi pautado no repertório de seu disco mais recente, “Re disc cover”, um trocadilho esperto que joga com o fato de ser um disco de releituras de clássicos do pop rock das décadas de 1960 a 90 e sua redescoberta, seja por um público mais jovem, seja por amantes da música instrumental brasileira com pouca relação com bandas como Oasis, Nirvana, Queen e Jackson 5, entre outras – em maio do ano passado ele conversou com Gisa Franco e este repórter, no Balaio Cultural, da Rádio Timbira AM, sobre o álbum.

Grossi se entrega completamente no palco, entre despir o repertório das letras que estamos acostumados a cantar e vesti-lo com sua gaita, quase à beira do esgotamento físico: seu rosto se avermelha, os joelhos dobram, e entre um solo e outro dos músicos que lhe acompanham, muitos goles d’água, para dar conta do recado. De “Isn’t she lovely”, de Stevie Wonder, passando por “Smells like teen spirit”, do Nirvana, “Wonderwall”, do Oasis, “Ben”, do Jackson 5, “Message in a bottle”, do Police, e “Another one bites the dust”, do Queen. Ao reafirmar o prazer de estar em São Luís e falar da força da cultura do Maranhão, lembrou-se que a ilha do amor é também a Jamaica brasileira, antes de atacar de “Redemption song”, de Bob Marley.

Foi o grande show da noite, numa noite de três grandes shows. A quinta-feira seria encerrada com a apresentação do majestoso Filó Machado, setentão paulista mais conhecido e respeitado fora do Brasil, como tantos de nossos gênios. Cantor, compositor, arranjador e multi-instrumentista, apresentou um show autoral, em que prestou homenagens a “Vadeco” (o título da música remete a seu professor de violão), e lembrou a importância do aprendizado oferecido pela experiência de tocar na noite, em bares e boates.

“Se eu não tivesse tido essa experiência, agora eu estaria nervoso, me perguntando o que fazer”, disse, senhor da situação e arrancando risos e aplausos da plateia. Quando um roadie assomou ao palco para corrigir uma sobra de frequência no violão de Felipe Machado (seu neto, que cantou dois bonitos sambas autorais), ele tornou a divertir o público: “eu sou curioso. Eu fiquei vendo aqui e até esqueci de vocês”, disse, para mais gargalhadas. E continuou, num jogo de melismas e onomatopeias repetido pelo público, elogiado pelo artista. Nessa brincadeira, cantou sem o microfone, sempre acompanhado pelo público, e assim, desceu do palco e deu uma volta ao redor da plateia até retornar para junto do grupo que o acompanhava, que se completava com o mesmo baterista de Gabriel Grossi, Sérgio Machado (seu filho), Fábio Leandro (piano e teclados), Carlinhos Noronha (baixo) e Jota P (saxofones).

A programação do Palco Mundo continua hoje (25), a partir das 19h, com apresentações de Gabriela Marques, Bebê Kramer e Arismar do Espírito Santo. A entrada é gratuita e as pulseiras de acesso ao teatro podem ser retiradas na bilheteria, desde as 14h de hoje, sugerindo-se a troca por um quilo de alimento não perecível. A arrecadação será doada à ONG ludovicense Pouso Obras Sociais.

Partitura e sentimento

O Trítono Trio executará peças de Carlos Gomes e Julio Reis. Foto: divulgação

 

Mesmo que odeie A voz do Brasil, qualquer brasileiro certamente já ouviu sua vinheta de abertura, da ópera O Guarani, de Carlos Gomes [1836-1896], o mais destacado nome brasileiro do gênero. Por outro lado, o pianista Julio Reis [1863-1933] segue praticamente desconhecido.

Os dois compositores estão no programa do concerto que o Trítono Trio apresenta hoje (18), às 19h, de graça, no Teatro Alcione Nazareth (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho), na programação do projeto Sesc Partituras.

Carlos Gomes e Julio Reis já faziam parte das referências de Israel Dantas (violão), Robertinho Chinês (bandolim) e Rui Mário (sanfona). “Já conhecíamos esses compositores. Na verdade, tínhamos que escolher um repertório que combinasse com o trio e que tivesse uma formação parecida. Foi muito difícil encontrar uma música com a nossa formação, mas conseguimos encontrar uma forma para que o trio pudesse se encaixar, tocar de acordo com cada partitura que escolhemos. Vai haver uma dinâmica bem diferente, tipo violão e sanfona, bandolim solo e violão solo”, comentou o sanfoneiro ao blogue.

Em 2013 15 peças até então inéditas de Julio Reis foram registradas pelo pianista João Bittencourt no disco João Bittencourt apresenta Julio Reis, disponível para download gratuito no site que celebrou o sesquicentenário do compositor, com encarte fartamente “ilustrado” com a história de cada peça. Idyllio – Valsa, por exemplo, é dedicada ao escritor Coelho Neto [1864-1934], com quem era costumeiro frequentador de cafés como a Confeitaria Colombo. O maranhense “muito auxiliou Julio Reis em suas primeiras publicações de artigos em revistas do Rio de Janeiro”, como informa Roberto Bürgel, no encarte do disco, em texto sobre a citada faixa.

A atividade de crítico de Julio Reis talvez ajude a explicar, ao menos em parte, o esquecimento a que foi relegado. Era mordaz, e “em uma de suas crônicas, ao comentar a famosa sala de espera do Cinema Odeon [onde Nazareth tocava e à qual dedicou uma de suas mais conhecidas composições], Julio Reis elogiou a pequena orquestra do maestro Eduardo Andreozzi (1982-1979) e disse que sonhava com o dia em que os tangos e maxixes seriam banidos dos salões”, comenta Roberto Bürgel em texto sobre Cafageste [sic], que abre o disco. E continua: “no entanto, assim como Ernesto Nazareth [1863-1934] escrupulosamente evitava o termo “maxixe” em suas obras, mas cedia às suas tentações rítmicas, também Julio Reis acabou se rendendo ao tango brasileiro e compôs à la Nazareth”.

Rui Mário revela que o grupo ficou sabendo do Sesc Partituras através de amigos. “Fizemos uma pesquisa no site do Sesc, apresentamos uma proposta e nos colocamos à disposição. Depois de um tempo recebemos a notícia de que nossa proposta tinha passado e que iríamos participar. Ficamos muito felizes”, afirmou.

Sobre o repertório do concerto, com duração aproximada de uma hora, ele elogia a versatilidade dos compositores. “As músicas são bem interessantes, com um grau de complexidade altíssimo, uma linguagem com um amplo leque de possibilidades. As melodias nos trazem um pouco daquilo que os compositores estavam sentindo”, garante.

*

Confiram João Bittencourt em Passo miúdo [1913], Idyllio – Valsa [1895], Meu sonho [1900] e Cafageste [1918], todas de Julio Reis:

RicoChoro ComVida se consolida no calendário cultural de São Luís

Próxima edição do projeto acontecerá 3 de outubro, no Barulhinho Bom

O passeio de Célia Maria acompanhada pelo Trítono Trio, então um quinteto. Foto: Rivanio Almeida Santos
O passeio de Célia Maria acompanhada pelo Trítono Trio, então um quinteto. Foto: Rivanio Almeida Santos

 

O DJ Pedro Sobrinho registrou a emoção com o convite. Jornalista de formação, escreveu em seu blogue, dois dias após a segunda edição de RicoChoro ComVida (sábado, 5 de setembro): “um momento de realização pessoal e profissional”, declarou, agradecendo ao produtor Ricarte Almeida Santos a oportunidade de participar do projeto, num texto que acaba por se transformar em um manifesto contra os preconceitos que puristas têm por DJs.

Célia Maria e os integrantes do Trítono Trio também registraram deferências ao produtor, no palco do Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande), que abriga a temporada – mais cinco apresentações estão previstas até dezembro de 2015, a próxima tendo como atrações o grupo Urubu Malandro, a cantora Alexandra Nicolas (interpretando repertório consagrado por Carmen Miranda) e o DJ Joaquim Zion, mas isto é assunto para outro texto, específico sobre a noite de 3 de outubro próximo.

Rui Mário (sanfona) destacou a importância do projeto para a valorização da música e dos músicos do Maranhão, não só do choro. O Trítono Trio, completado por Robertinho Chinês (bandolim) e Israel Dantas (violão), na ocasião substituído por Luiz Jr. (violão sete cordas), recebeu os reforços de Ronald Nascimento (bateria) e Mauro Sérgio (contrabaixo). O resultado foi um repertório refinado em execuções idem. Nada de conformismo ou mesmice. Tico-tico no fubá (Zequinha de Abreu), por exemplo, ganhou ares de tango, sem perder a essência da música ligeira que exige habilidade e técnica apuradas de quem encara o desafio de tocá-la.

Célia Maria agradou o público ao mesclar em seu repertório, clássicos do cancioneiro nacional, músicas de seu disco de estreia e do próximo disco, ainda sem data de lançamento. Entre outras, A banca do distinto (Billy Blanco), um libelo contra o racismo, Ingredientes do samba (Antonio Vieira), Milhões de uns (Joãozinho Ribeiro), ambas de seu disco de estreia, Saiba, rapaz (Joãozinho Ribeiro), música que cantou no disco de estreia do compositor, Adeus, Billie (Cesar Teixeira), inédita que está em seu disco novo, que cita a diva jazz Holiday, e Balança pema (Jorge Benjor).

As canjas, inspiradas, contaram com as presenças de Paulo Trabulsi (cavaquinho), Luiz Cláudio (percussão) e Alberto Trabulsi (voz e violão). A exemplo da primeira edição, certamente as canjas dão ideia das edições futuras – nenhuma é igual a outra. Esta contou inclusive com a canja surpresa do mineiro Paulinho Pedra Azul, que havia feito show no Teatro Arthur Azevedo na quinta-feira anterior, celebrando os 30 anos de namoro com a capital aniversariante. Entre choros seus e de Godofredo Guedes, pai de Beto Guedes, além do clássico Jardim da fantasia, o artista não poupou elogios ao projeto e à militância chorona de seu idealizador, produtor e apresentador, além dos músicos que o acompanharam, de improviso, dizendo-se feliz em estar ali. A plateia foi ao delírio.

Com patrocínio da Fundação Municipal de Cultura (Func), Gabinete do Deputado Bira do Pindaré, TVN e Galeteria Ilha Super, apoio do Restaurante Barulhinho Bom, Calado e Corrêa Advogados Associados, Sonora Studio, Clube do Choro do Maranhão, Gráfica Dunas, Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt e Musika S.A. Produções Artísticas e produção de RicoMar Produções Artísticas, RicoChoro ComVida já está consolidado no calendário cultural de São Luís: o projeto manteve um bom público, mesmo com a programação gratuita alusiva ao aniversário da capital que já acontecia na cidade.

Segunda edição de RicoChoro ComVida gera grandes expectativas

[release]

Célia Maria, considerada a “voz de ouro” do Maranhão, será acompanhada pelo Trítono Trio. Noite terá ainda discotecagem de Pedro Sobrinho

Robertinho Chinês (cavaquinho e bandolim), Rui Mário (sanfona) e Israel Dantas (violão), o Trítono Trio. Foto: divulgação
Robertinho Chinês (cavaquinho e bandolim), Rui Mário (sanfona) e Israel Dantas (violão), o Trítono Trio. Foto: divulgação

 

É grande a expectativa para a segunda edição de RicoChoro ComVida. Com edições mensais até o fim do ano no Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande) e produção de Ricarte Almeida Santos, o projeto pretende repetir o sucesso da edição inaugural, quando o restaurante ficou completamente lotado.

Desta vez os convidados são o Trítono Trio, a cantora Célia Maria e o DJ Pedro Sobrinho. O primeiro é formado pelos virtuoses Israel Dantas (violão), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho) e Rui Mário (sanfona). A eles somam-se o talento de Mauro Sérgio (contrabaixo) e Ronald Nascimento (bateria). Sim, o trio vira um quinteto nesta ocasião.

“Na verdade, eles são nossos convidados. Junto deles podemos explorar mais sonoridades para nossa música, pelo fato de compartilharem de ideias iguais às nossas”, explica Robertinho Chinês. “Somos três solistas, precisaríamos de outros instrumentos que dessem uma cor diferente para nosso trabalho. Assim decidimos que teríamos a opção de eventualmente esse trio se tornar um quinteto, dando até uma dinâmica nas nossas apresentações. Então os convidamos, dois grandes e maravilhosos músicos”, completa Rui Mário.

O repertório promete: composições próprias e releituras de clássicos do choro e da música brasileira. Dominguinhos, Hermeto Pascoal, Ivan Lins, João do Vale, Zequinha de Abreu, Egberto Gismonti, Tom Jobim e Sivuca estão no cardápio do grupo.

O "dejota" Pedro Sobrinho. Foto: divulgação
O “dejota” Pedro Sobrinho. Foto: Fafá Lago

Discotecagem – Antes, o DJ Pedro Sobrinho aquece o público. Antenado, “plugado”, como se chama o programa de rádio que apresenta, ele é um dos mais requisitados “dejotas” – como ele mesmo brinca de aportuguesar a sigla de disc jockey – da ilha. Na ocasião, em sua seleção sempre calcada em pesquisa, samba rock dos anos 1960 e 70, remixes de bossa nova, samba e choro, sem fugir da essência do RicoChoro ComVida.

“Pela grandeza, é um evento de que tenho o maior prazer de participar. Agradeço o convite do seu idealizador Ricarte Almeida Santos. Espero que a plateia ouça e se divirta com esse repertório, criado especialmente para aquecer esse projeto mensal que valoriza o músico maranhense e o choro, esse patrimônio genuinamente brasileiro”, declarou Pedro Sobrinho.

Voz de ouro – Formada na escola dos programas de auditório de rádios do Maranhão, Célia Maria ganhou o nome artístico justamente ao se apresentar em um pela primeira vez: com medo de ser reconhecida, Cecília Bruce dos Reis usou o nome artístico que a acompanha até hoje. Chegou a cantar nas rádios Nacional e Mayrink Veiga, nos programas de César de Alencar e Abelardo Barbosa, o Chacrinha.

A diva Célia Maria. Foto: Ton Bezerra
A diva Célia Maria. Foto: Ton Bezerra

No mítico Zicartola conheceu e cantou ao lado de figuras como Zé Kéti, João do Vale, Paulinho da Viola e Jackson do Pandeiro, entre outros. Conhecida como “a voz de ouro” do Maranhão, Célia Maria tem um disco gravado, o homônimo Célia Maria (2001). Naquele ano, deu ao compositor Joãozinho Ribeiro o prêmio Universidade FM de melhor composição, pelo choro Milhões de uns, com arranjo de Ubiratan Sousa.

Atualmente prepara seu segundo disco, inteiramente dedicado a sambistas da Madre Deus. O trabalho tem produção e direção musical do violonista Luiz Jr. Participou das coletâneas Memória – Música do Maranhão (1997) e Antoniologia Vieira (2001), este último lembrado entre os 12 discos mais importantes da música do Maranhão, em enquete do jornal Vias de Fato junto a produtores, radialistas, jornalistas, djs, escritores e pesquisadores. Em Milhões de uns – vol. 1, estreia fonográfica de Joãozinho Ribeiro, interpreta o choro Saiba, rapaz.

Os músicos do Trítono Trio derretem-se em elogios à diva. “Já tive a honra de acompanhá-la algumas vezes e gravar no seu cd que está em fase de elaboração. Dona Célia é uma grande dama da música, é sempre uma satisfação e um aprendizado acompanhá-la”, revelou Robertinho Chinês. “Ficamos muito felizes em saber que iríamos acompanhar essa grande cantora, grande intérprete, de uma sensibilidade rítmica e melódica incrível. A responsabilidade é imensa, mas também, vai ser um encontro maravilhoso, onde vamos fazer de tudo para que o show seja um grande espetáculo”, prometeu Rui Mário.

RicoChoro ComVida tem patrocínio da Fundação Municipal de Cultura (Func), Gabinete do Deputado Bira do Pindaré e TVN, apoio do Restaurante Barulhinho Bom, Calado e Corrêa Advogados Associados, Sonora Studio, Clube do Choro do Maranhão, Gráfica Dunas, Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt e Musika S.A. Produções Artísticas e produção de RicoMar Produções Artísticas.

Serviço

O quê: RicoChoro ComVida
Quem: Trítono Trio, Célia Maria e DJ Pedro Sobrinho
Quando: 5 de setembro (sábado), às 18h
Quanto: R$ 20,00 (metade para estudantes com carteira e demais casos previstos em lei). R$ 120,00 (mesa para quatro lugares. Venda antecipada pelo telefone (98) 988265617)
Onde: Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande)
Patrocínio: Fundação Municipal de Cultura (Func), Gabinete do Deputado Bira do Pindaré e TVN
Apoio: Restaurante Barulhinho Bom, Calado e Corrêa Advogados Associados, Sonora Studio, Clube do Choro do Maranhão, Gráfica Dunas, Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt e Musika S.A. Produções Artísticas
Produção: RicoMar Produções Artísticas
Maiores informações: (98) 988265617, 981920111 e/ou 991668162

RicoChoro ComVida (sobre a edição passada e a próxima)

[Escrevi no Medium os dois textos abaixo; rependuro-os aqui (com pequeníssimas edições), caso você não tenha lido lá, para ir entrando no clima…]

MAGIA MARCA ESTREIA DE RICOCHORO COMVIDA

Foto: Rivanio Almeida Santos

Uma alta dose de expectativa foi gerada em torno da estreia do projeto RicoChoro ComVida, desde seu anúncio. Em parte explicada pela orfandade musical deixada pelo saudoso Clube do Choro Recebe, realizado entre 2007 e 2010, também produzido por Ricarte Almeida Santos — para alguns o novo projeto é uma continuidade daquele.

A proposta e a dinâmica são quase as mesmas, sobretudo o diálogo entre o choro e ritmos da cultura popular maranhense e outras vertentes musicais, através do encontro de instrumentistas e cantores e, agora, DJs.

O Barulhinho Bom, palco da nova empreitada, estava completamente lotado para a inauguração do RicoChoro ComVida. As expectativas foram todas superadas em uma noite carregada de magia.

Entre vinis e o laptop, o DJ Franklin abriu os caminhos, os trabalhos, as trilhas da noite, tocando o melhor do samba e do choro, entre nomes como Paulinho da Viola, Cartola, Nourival Bahia, Clara Nunes, Nelson Cavaquinho e outros bambas. Ficou até fácil para o quarteto formado por João Neto (flauta), Luiz Cláudio (percussão), Luiz Jr. (violão sete cordas) e Wendell Cosme (bandolim e cavaquinho).

Fácil é modo de dizer, que música é trabalho duro e sério, e o quarteto inaugural do projeto passeou por um repertório de choros clássicos, entre nomes como Pixinguinha e Waldir Azevedo, incidentando, aqui e ali, sutilmente, a ginga e a malemolência da cultura popular do Maranhão.

Luiz Jr. pegou o microfone e ao declarar a emoção de estar ali, foi às lágrimas. “Eu me sinto honrado em estar aqui. Muito obrigado ao Ricarte, um eterno batalhador do choro e da nossa música. Esse projeto traduz a minha luta de quase 30 anos, pois tenho orgulho de dizer que me dedico exclusivamente à música, que é justamente o reconhecimento da nossa música”, declarou, antes de voltar ao ofício.

O convidado da noite era o cantor Cláudio Lima, que cantou sentado, obrigado por um aparelho ortopédico que trazia na perna esquerda. Esbanjou versatilidade, passeando por nomes como Cesar Teixeira, Marcos Magah, Acsa Serafim, Celso Borges, Alê Muniz e Bruno Batista, entre outros. O adjetivo “visceral” não é nenhum exagero: sentindo fortes dores durante a apresentação, o artista levou o show até o final, foi elegante ao negar o bis — “eu emendei tudo, por que com a perna desse jeito, sair e voltar ia dar trabalho”, disse sorrindo — e saiu do palco para o hospital.

Um momento muito aguardado do RicoChoro ComVida era também o das canjas, algo outrora tradicional no Clube do Choro Recebe: é o momento em que instrumentistas e cantores da plateia sobem ao palco, para uma jam sem ensaio. É a hora dos encontros, dos improvisos e de novo deleite da plateia. Sábado passado deram o ar da graça Serra de Almeida (flauta), Paulo Trabulsi (cavaquinho), Osmar do Trombone, Osmar Jr. (saxofone) e Zé Carlos (pandeiro), além da cantora Célia Maria, próxima convidada do projeto, na edição de 5 de setembro, véspera de feriado.

Produtor e apresentador da empreitada, Ricarte Almeida Santos agradeceu aos deuses da música e aos patrocinadores (Fundação Municipal de Cultura e Gabinete do Deputado Bira do Pindaré), apoiadores (Restaurante Barulhinho Bom, Calado e Corrêa Advogados Associados, Sonora Studio, Clube do Choro do Maranhão, Gráfica Dunas, Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt e Musika S.A. Produções Artísticas) e equipe de produção (RicoMar Produções Artísticas).

Quem achou pouco, talvez tenha razão, ainda mais que, ao contrário do semanal Clube do Choro Recebe, RicoChoro ComVida terá periodicidade mensal. Mas no fim da noite, o DJ Franklin já começou a abrir os caminhos, as trilhas para a próxima edição. Como diria o filho do chorão Godofredo: “quando entrar setembro”…

Veja fotos da edição inaugural de RicoChoro ComVida aqui.

*

VOCÊ SABE O QUE É TRÍTONO?

Trítono? No dicionário é o “intervalo de três tons”. É um conceito musical, mas mesmo na música, pode ir além. E vai. É quando se juntam Israel Dantas (violão), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho) e Rui Mário (sanfona): é o Trítono Trio.

Foto: Divulgação

A formação é recente na cena musical instrumental da cidade, mas somadas as trajetórias individuais de cada um, é possível falar em vasta bagagem e experiência de sobra, talento idem.

O Trítono Trio surgiu espontaneamente, nos intervalos de ensaios, shows e gravações em que seus membros se encontravam, com esta formação oportunizando a cada músico mostrar suas veias de instrumentista — de acompanhamento ou solista –, arranjador e compositor.

Vindo de searas diferentes da música, os componentes do Trítono Trio apresentam ao público suas releituras para clássicos e músicas menos conhecidas do repertório do choro e da música popular brasileira, além de composições próprias, com influências do jazz, da bossa nova, do baião e de ritmos da cultura popular do Maranhão.

Somados aos talentos de Ronald Nascimento (bateria) e Mauro Sérgio (contrabaixo acústico), o Trítono Trio é o grupo anfitrião da próxima edição do projeto RicoChoro ComVida, que acontecerá dia 5 de setembro (sábado), às 18h, no Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande).

A trinca de ases com dois coringas receberá a dama Célia Maria, dona de um timbre inconfundível, desfilando sucessos de artistas do Maranhão e do Brasil, entre choro, bolero, samba canção, bossa nova e música popular brasileira em geral.

RicoChoro ComVida tem produção de RicoMar Produções Artísticas, patrocínio de Fundação Municipal de Cultura (Func) e Gabinete do Deputado Bira do Pindaré, e apoio de Barulhinho Bom, Clube do Choro do Maranhão, Gráfica Dunas, Músika S.A. Produções Artísticas, Calado e Corrêa Advogados Associados, Sonora Studio e Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt.

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