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Pra encher a caveira!

Sempre que ouço falar em algo relativo à cultura mexicana algumas coisas me vêm à cabeça.

Uma cena de uma comédia romântica em que o personagem de Adam Sandler, em plena lua de mel, é (per)seguido por um grupo de mariachis e, perdendo a paciência, distribui um couvert artístico às avessas: paga para não ser perturbado, quer apenas conversar com sua esposa.

Lembro também da piada recorrente, que afirma terem os restaurantes mexicanos a melhor comida, ao contrário da música ao vivo. E do finado Miguelitos, cuja cozinha era especializada nas iguarias do país de Frida Kahlo – saudades, micheladas!

Incrivelmente lembro também de uma camisa que usei, com dois ratos trajando sombreiros, qual Ligeirinho – arriba!, arriba!, arriba! – com a inscrição, embaixo: México 86, quando o país sediou pela segunda vez uma Copa do Mundo de futebol.

Segunda-feira (2) é feriado no Brasil: dia de finados. Nunca tive o costume de visitar cemitérios ou acender velas, embora lembre meus mortos (e não apenas esse dia). Em Olinda, há alguns anos, toquei o mármore do túmulo de Dom Helder Câmara, que fica em uma igreja na cidade pernambucana, e estranhamente considerei o ato algo importante da viagem – como se fosse parte do “turismo” que teimo em fazer mesmo quando viajo “a trabalho”, se é que me entendem. Também confesso a vontade de, um dia, visitar a sepultura de Sérgio Sampaio. Mas são exceções.

De resto, o Dia de Finados é como uma data marcada no calendário em que todos seríamos obrigados a ser tristes – o que nunca aceitei direito. Quando criança, lembro ainda, nem música se podia ouvir.

Na contramão de minhas lembranças, a festa Viva la Muerte acontece hoje (30), às 19h, no Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande), festejando, por mais contraditório que possa parecer, o Dia dos Mortos, feriado celebrado a 1º. de novembro na América Latina – quando no Brasil o calendário marca o Dia de Todos os Santos.

Música ao vivo com Los Mariachis de Virgulino (o grupo General Virgulino convertido especialmente para a ocasião) e o DJ Jorge Choairy. Os convidados que desejarem serão caracterizados com maquiagem neon inspirada nas caveiras mexicanas.

O make up temático será feito por Luciano Teixeira e Camila Abreu. A festa tem produção da Carruagem Produções, que tem primado por festas temáticas na capital maranhense, prestando agora sua reverência à data, reconhecida em 2003 Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade pela Unesco.

“A morte tem tanta certeza que vai te pegar que te dá uma vida inteira de vantagem”, diz o dito popular mexicano. Enquanto seu dia não chega, que tal aproveitar?

Divulgação
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César Nascimento “na base da chinela”

Jeremias Alves. Quadrante/ Divulgação
Jeremias Alves. Quadrante/ Divulgação

 

Nem só do São João “oficial” vive o período em São Luís. Com diversos arraiais tomando conta das praças da cidade, o que leva produtores a realizar shows com porta paga entrando em bola dividida pelo público?

Descontada a paixão envolvida e os eventuais prejuízos, o saldo é positivo para a cidade (e, torcemos, para os artistas e produtores que se arriscam), que se permite oferecer um cardápio alternativo. Notícias recentes dão conta de acontecimentos tão diversos como o pré-lançamento de Alice ainda, segundo disco de Nathália Ferro, em show realizado ontem (25) no Amsterdam Music Pub, ou ainda do recital Gente é pra brilhar, com leituras em russo e português de poemas de Vladimir Maiakóvski, também ontem, no Museu Russo.

Outro que entra no racha junino é o cantor e compositor César Nascimento, maranhense nascido no Piauí e radicado no Rio de Janeiro. Ele reencontra o público da terra que lhe inspirou Reggae sanfonado e Ilha magnética, para citarmos dois clássicos de sua lavra, em show hoje (26), às 21h, no Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande). os ingressos custam R$ 20,00 e podem ser adquiridos no local.

Em show batizado simplesmente Arrasta-pé, nome do EP homônimo que lança na ocasião, ele promete evocar Jackson do Pandeiro em noite Na base da chinela, verso-título de parceria do paraibano com Rosil Cavalcanti. Além de repertório autoral, a exemplo das dançantes Serenin e Ciúme, entre outras, César Nascimento lembrará outros mestres, referência para sua carreira: João do Vale e Luiz Gonzaga, fechando com Jackson a tríade sacrossanta da música nordestina, além de nomes como João Chiador e os recém-falecidos Humberto de Maracanã e Donato Alves.

Respondendo à pergunta que abre o post, a produtora Letycia Oliveira contou ao blogue que o show partiu de uma ideia de César Nascimento e Pedro Sobrinho fazerem algo juntos. “Eles pensaram num evento que aliasse estrutura e qualidade de atendimento. O Barulhinho Bom tem isso, é um local agradável e bonito, um casarão no Centro Histórico, sem falar na segurança e tranquilidade, além de ser uma apresentação única. Há espaço para tudo e todos no São João”, disse.

César Nascimento (voz e violão) será acompanhado por Moisés Mota (bateria), Mauro Sérgio (contrabaixo) e Marcelo Rebelo (teclado). “Patrocínio: fitas 3M”, brincou ao telefone depois de o repórter observar as iniciais dos músicos da banda. Ele revelou ainda seu próximo projeto: “vou gravar um disco de reggae”. Ele entende do riscado: que o digam suas Reggae sanfonado, Bolha de sabão e Maguinha do Sá Viana, todas hits do rádio maranhense até bem pouco tempo.

A abertura da festa promete aquecer as solas das sandálias, com discotecagem de Pedro Sobrinho, que promete uma mescla de coco, ciranda, dub, xote e xaxado, temperados pelas pitadas eletrônicas que fazem dele um dos mais requisitados “dê-jotas” da Ilha. E antes de César Nascimento subir ao palco, prepara-lhe o terreno o trio General Virgulino, formado por Daniel Pereira (voz e violão), Chico Carvalho (percussão) e Pieter-Jan Coninx (violino), o último, sócio-proprietário da casa que abriga o Arrasta-pé.