Obituário: Laurentino Sacramento

Foto: Fran Gomes
Foto: Frame de vídeo/ Fran Gomes no Facebook/ Reprodução

Fundador do Lelê de São Simão – povoado de Rosário/MA –, Laurentino Sacramento faleceu por volta de meio dia de ontem (10), aos 81 anos, e foi sepultado na manhã de hoje (11). Sofria de Mal de Parkinson e estava com os órgãos vitais bastante comprometidos, inclusive há muito andava encurvado, em decorrência de problemas na coluna vertebral.

Discípulo do mestre, o violonista Fran Gomes, que ao longo dos últimos 14 anos acompanhou-o nas apresentações da dança, lamentou a perda em uma rede social: “A cultura de Rosário/MA acaba de perder um grande baluarte. [Laurentino] Era uma figura simples, como tinha que ser, amante da cultura popular. Descanse em paz, mestre, cantador, paizão”.

Sua subida é uma perda irreparável para a cultura popular do Maranhão. Mestre de uma dança singular, Louro, como era conhecido entre os mais íntimos, tinha a mesma estatura artística de uma Elza (da dança do Caroço de Tutóia), de uma Teté (do Cacuriá a que deu nome), de um Felipe (do Tambor de Crioula a que deu nome), de um Donato Alves (do bumba meu boi de Axixá), para ficarmos em uns poucos exemplos de mestres saudosos e fundamentais.

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Em tempo: lamentável a cobertura zero dispensada à perda pelos meios de comunicação maranhense. Fui alcançado pela notícia ruim ontem à noite, no aeroporto de Brasília/DF, via tuiter. Obrigado, Raydenisson Sá e Fran Gomes!

A notícia

Eu era um molecote que sequer tinha idade para tomar cerveja e, portanto, não bebia. Mas estava no bar, o saudoso Giovani, saudoso o bar, o ex-proprietário ainda está entre nós, em Rosário/MA, acompanhado de uns tios. Fran Gomes, atração da casa entre o fim de tarde e início da noite, certamente não lembra do episódio e nem teria por que.

Ele se apresentava, voz e violão, no local. Nossa mesa era próxima do palco. Eu, regado a refrigerante e com um conhecimento razoável de música brasileira para um garoto de minha idade, 14 anos?, 15?, 16?, adivinhava compositores e intérpretes das músicas com que ele agraciava o público presente, além de pedir-lhe músicas, algumas atendidas, outras não.

Talvez já “invocado” com minha “saliência”, a certa altura Fran Gomes lançou-me uma espécie de desafio: disse que ia tocar uma música que eu não conhecia. Duvidei. Dito e feito. Cantou a música abaixo, de Celso Viáfora e Vicente Barreto, pela qual apaixonei-me à primeira audição e, à época, não sosseguei até tê-la em disco em minha modesta coleção.

Um hino em tempo em que índios já não são salvos por guardas marinhos, muito pelo contrário.