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Funk do amor explícito

Amor geral. Capa. Reprodução
Amor geral. Capa. Reprodução

 

Com os dois pés no funk e majoritariamente eletrônico, Amor geral [Sony, 2016], disco novo de Fernanda Abreu, é um disco libertário. De um jeito ou de outro, todas as músicas falam de amor e prazer. Certamente é o trabalho mais erótico e despudorado da cantora.

Outro sim [Fernanda Abreu/ Gabriel Moura/ Jovi Joviniano], que abre o disco – e seu primeiro hit –, vai direto ao ponto, sem falsos moralismos ou meias palavras: “outro marido traído/ outra esposa ansiosa/ outra amante excitante/ querendo dar”.

O tema volta em Double love amor em dose dupla, de Fausto Fawcett [em parceria com Laufer], autor de Kátia Flávia, a godiva do Irajá, um dos maiores sucessos da ex-Blitz. “Não fica se achando/ me cercando insinuando/ perdido em egotrip/ que eu sou sua refém apaixonada/ que nada, meu querido/ meu negócio é double love/ amor em dose dupla/ no meio da cidade nua”, escancara a letra, com citação de Je t’aime moi non plus [Serge Gainsbourg].

O samba é tema do funk Tambor [Fernanda Abreu/ Gabriel Moura/ Jovi Joviniano/ Afrika Bambaataa], com adesão do americano Afrika Bambaataa [Zulu Nation]. À música, que cita o samba-enredo de 1982 do Império Serrano, Bumbum praticumbum prugurundum [Aluísio Machado/ Beto Sem Braço], comparecem os violões de Davi Morais e os teclados de Donatinho, herdeiros de dois reinventores da música brasileira.

Deliciosamente [Fernanda Abreu/ Alexandre Vaz/ Jorge Ailton] e Saber chegar [Fernanda Abreu/ Donatinho/ Tibless/ Play Pires] falam direto ao coração, como começa a letra da primeira: “deliciosamente/ boca, pele e mão/ tudo que se quer dizer/ falar ao coração”. Candidata a hit, Antídoto [Fernanda Abreu] evoca baladas radiofônicas oitentistas.

Se O que ficou [Fernanda Abreu/ Thiago Silva/ Qinho] é a faixa “coração partido” do disco, Por quem [Fernanda Abreu/ Qinho] é “sinal dos tempos”, trazendo os recursos tecnológicos para dentro do jogo (do amor). Valsa do desejo [Fernanda Abreu/ Tuto Ferraz] é explícita, como de resto quase todo o disco: “me olha/ imagina/ pra eu me sentir despida/ me fala/ sussurra/ o que até Deus duvida/ me beija/ de língua/ pra eu me sentir perdida”, provoca, costurada por quarteto de cordas.

“A gente briga mas se ama/ tenta entender o quanto de ódio esconde o amor/ e o quanto de amor tá implícito no ódio/ a gente briga mas se ama/ porque somos condenados a amar”. As contradições do sentimento dão o tom de Amor geral [Fernanda Abreu/ Fausto Fawcett/ Wladimir Gasper], que encerra o disco em clima de reconciliação, ilustrada pelos graves do violão sete cordas de Rodrigo Campello: “mas o que importa é parar/ numa esquina e perceber/ o gigantesco coração do planeta batendo/ Ouçam!/ O coração do mundo batendo/ gigante coração, gigante coração/ do amor geral”.

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Assista o clipe de Outro sim [Fernanda Abreu/ Gabriel Moura/ Jovi Joviniano]:

“O que tá escrito na fita não é o que tá gravado”

“O que tá escrito na fita não é o que tá gravado”. Talvez só quem já gravou cassetes, de vinis ou de FMs, entenda. Só quem já desenhou uma letra miudinha para caber toda informação no “encarte”, os nomes das músicas e o de quem canta e/ou compõe. Só quem rebobinou uma fita usando uma caneta bic. Adoro essa banda, Fábrica de Animais, provavelmente o melhor nome de banda depois de Isca de Polícia.

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Gosto tanto da parente Fernanda D’Umbra (Ribeiro é seu sobrenome de batismo) e do amigo-irmão Marcelo Montenegro, que resolvi trazer para cá esta música, Jogo de dardos, parceria dele com a Fábrica de Animais, da qual ela é vocalista, com o comentário que fiz hoje no facebook.

A ótima notícia do dia (em primeira mão aqui neste blogue) é que a banda lança seu segundo disco ainda este semestre. Intitulado simplesmente Fábrica de Animais, a exemplo do primeiro, o lançamento sai pelo lendário selo Baratos Afins, do Luiz Calanca, tem capa de Angeli e texto de apresentação de Fausto Fawcett.

É mole ou quer mais? Que a espera nos seja breve!