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Tarde de violência na Sete de Setembro

 

Quando estacionei o carro, já havia uma aglomeração na esquina. A caminho de uma loja de eletrônicos, encontrei um homem sangrando. Corpulento, cerca de 1,80m. Era o agressor, saberia mais tarde. O agredido eu veria depois, na calçada de uma loja: um coreano franzino. Não havia sido o único a apanhar. O motivo? O cliente que o agrediu queria nota fiscal na compra de uma caneta, me contou um camelô.

O clima era de tensão, como se os que estão ali todos os dias aguardassem a volta do homem, com reforços. “Todo dia a polícia passa aqui nesse horário. Hoje não aparece ninguém”, lamentou um camelô. Um rapaz de bermuda branca e sem camisa, passava para lá e para cá, um pedaço de pau transformado em porrete na mão. Outro, trajando um abadá, tentava dissuadi-lo de suas intenções.

Comentários xenofóbicos já eram ouvidos aqui e ali. “A gente pra entrar na terra desse povo é uma frescura; agora eles chegam aqui e ainda querem botar banca”, disse uma senhora.

De repente a correria e brasileiros e coreanos trocavam todo tipo de agressões: socos, chutes, pontapés. Um policial à paisana deu três tiros pra cima, tentando conter a turba enfurecida. “Esse policial veio só gastar bala”, um flanelinha fez pouco caso.

Filmei poucos segundos da ocorrência, interrompido pela memória entupida do celular, além do medo de bala perdida, de porrete, da ira de algum dos envolvidos na confusão.

Lamentamos os linchados e linchadores nossos de cada dia, mas querer resolver toda questão no braço é inaceitável. Está errado o comerciante estrangeiro que não fornece nota fiscal, ainda que pela venda de uma caneta? Sim, está. Mas há mecanismos legais para resolver a questão. Voltar à lei de Talião, da qual nunca saímos, é que não pode.

Carregue seu ídolo no peito

Meu talentosíssimo amigo-irmão Bruno Galvão, mais conhecido nas rodas de samba como Bruno Nagô, iniciou uma série de camisas pintadas à mão: caricaturas de grandes artistas e personalidades outras. Se uma imagem vale mais que mil palavras, saquem o talento do moço:

O gênio Cartola no traço do gênio Bruno Galvão

 As camisas não são feitas em série: o artista pinta uma a uma, o que as torna peças únicas. Não sei ainda o preço, mas deve ficar em torno de R$ 35,00. Encomendas no bruno.nago@yahoo.com.br. Eu, que tenho na sala de casa um Cartola pintado por ele (depois pendurarei acá uma foto da reprodução da capa de Verde que te quero rosa) e em breve andarei com este Cartola aí no peito (como padrinho da iniciativa a primeira tinha que ser minha, né?), já encomendei-lhe um Leminski.

Em breve Bruno Galvão montará um blogue para expor sua produção, que não se restringe a camisas e telas. Ele também desenha, grafita e aceita convites para trampos na área, oficinas e quetais. Tão esperando o quê pra escrever pro hombre?