Nome: Letieres Leite. Sobrenome: gênio

Letieres Leite. Foto Márcio Lima. Revista Continente. Reprodução

O baiano Letieres Leite (8/12/1959-27/10/2021), homem-música inventor da Orkestra Rumpilezz, é um nome absolutamente fundamental para a música brasileira, ao menos para quem se liga em fichas técnicas, coisa cada vez mais rara, num tempo em que as plataformas digitais mal dizem quem canta determinada música, quanto mais quem compõe, arranja ou toca instrumentos.

Com trajetória acadêmica iniciada nas artes plásticas, Letieres começou a aprender música de forma autodidata, tendo aprofundado seus estudos na área frequentando o Franz Schubert Konservatorium, em Viena.

Daniela Mercury, Davi Moraes, Didá Banda Feminina, Elza Soares, Goma-Laca, Ivete Sangalo, Lenine, Ligiana, Márcia Castro, Marco Lobo, Maria Bethânia, Marilda Santanna, Ná Ozzetti, Orkestra Rumpilezz, Serena Assumpção, Zé Manoel e Zé Miguel Wisnik são alguns dos nomes com quem o maestro t(r)ocou, entre arranjador, compositor e instrumentista (percussão, flautas e saxofones).

Certa feita o maestro passou por São Luís, em companhia da cantora Ligiana. Levei-os ao Bar do Léo. Estavam curtindo férias e não queriam holofotes, tanto que não fiz foto, nem escrevi uma nota sobre a viagem e o encontro. Bebemos juntos e conversamos um bocado. A cantora estava gestando “Floresta”, seu segundo disco, cujo título homenageia sua avó paterna, e tem arranjos e direção musical de Letieres.

Recordo a enorme alegria que foi para ele, ao chegar ao museu da música encravado no hortomercado do Vinhais, pouco após apresentá-lo a Leonildo Peixoto Martins, proprietário do estabelecimento, reverenciando-o merecidamente, como o gigante que era, Léo sacar de sua vastíssima coleção o “disco vermelho” de Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz. Ele jamais imaginaria se ouvir ali.

Mas antes, lembro também que, a caminho do bar, ela reclamou de um lojista que se recusou a repetir uma música de um disco que ouvia. Era o “Bandeira de aço” (Discos Marcus Pereira, 1978), de Papete. Ainda no carro, comentei: “quando chegarmos onde estamos indo, você vai ouvir essa música quantas vezes quiser”; palavra que cumpri com a ajuda da simpatia que Léo devota a quem quer – na verdade, a quem demonstra interesse por boa música.

Nem lembro quantas vezes pedimos e fomos atendidos pelo dj residente, como brincalhonamente refiro-me a Léo – as sequências não têm a mesma graça quando ele não está no bar: a certa altura, Letieres Leite batucava na mesa o “Boi de Catirina” (Ronaldo Mota), já anotando mentalmente, e comentando com Ligiana, ideias para o arranjo da regravação do clássico que ela acabou fazendo em “Floresta” (2013).

Tive a honra de assistir, presencialmente, a uma demonstração da genialidade do maestro.

Uma resposta para “Nome: Letieres Leite. Sobrenome: gênio”

diga lá! não precisa concordar com o blogue. comentários grosseiros e/ou anônimos serão apagados

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: