Uma masterclass de responsa

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Cansado de telas, com a vida se resumindo a lives e que tais, acabo esquecendo de ver shows, debates, peças, filmes, olimpíadas, seja de gente amiga, seja de artistas de minha admiração, quando não as duas coisas juntas.

Tela, tela, tela sobre tela: a prorrogação indefinida do isolamento social decorrente da pandemia de covid-19 acabou, em certa medida, resumindo a vida a aparelhos de televisão, computadores e smartphones. É por ali que você fica sabendo de tudo, do noticiário sobre o novo (velho?) coronavírus, política, olimpíadas etc.

Até mesmo o chope após essas lives (isto quando não as perdemos), para aquela aguardada e merecida resenha com os amigos, tem sido mediado por uma tela: em geral, trocam-se mensagens comentando tal coisa, um amigo de um lado, outro de outro, cada qual bebericando o que mais lhe agrada no conforto de suas residências.

Já já – sei que escrevo em cima da hora –, às 15h, tem o lendário Otávio Rodrigues, vulgo Doctor Reggae, um de meus professores, de rádio, mas não só, no que eu chamaria de “aula-espetáculo”, sem nenhum receio de exagerar. A masterclass de Doc acontece na twitch @centroculturalolido, com acesso gratuito.

Para quem não conhece, Otávio Rodrigues é um dos pioneiros na divulgação e consolidação da música jamaicana no Brasil. Criou e apresentou programas como “Disco reggae” e “Bumba beat”, além do pioneiro “Roots rock reggae”, em 1982, o primeiro no dial brasileiro dedicado ao gênero from Jamaica, que foi ao ar pela Excelsior FM, de São Paulo, com direção de Maurício Kubrusly.

Foi Otávio Rodrigues quem grafou pela primeira vez na imprensa do Brasil a expressão “Jamaica brasileira”, com que São Luís viria a se tornar conhecida; em 1988 ele veio pela primeira vez ao Maranhão, onde acabaria morando uma época, escrever uma reportagem sobre o reggae por estas bandas para a revista Trip.

Na live de daqui a pouco, Doc vai rolar o fino, com alguns sons que ajudaram a escrever a história de quase cinco décadas de reggae no Brasil.

Que a pandemia seja superada e logo possamos voltar a frequentar os clubes de reggae como estávamos acostumados – até por que, aqui no Maranhão, se dança reggae agarradinho, algo que as regras de segurança sanitária ainda não permitem.

Jah bless!

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p.s.: em tempo: por falar em reggae (e cultura negra), hoje, às 19h, no Giro Nordeste, estarei na bancada, representando a Rádio Timbira AM, integro a bancada do programa, que entrevista Lazzo Matumbi, que amanhã disponibiliza, nas plataformas de streaming, seu novo disco, “Àjò” (lê-se “Ajô”), com que celebra seus 40 anos de carreira. A transmissão do Giro Nordeste acontece pela TVE Bahia e um pool de emissoras públicas nordestinas.

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (com Gisa Franco, aos sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM). Coautor de "Chorografia do Maranhão" (Pitomba!, 2018) e autor de "Penúltima página: Cultura no Vias de Fato" (Passagens, 2020). Antifascista.

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