Era uma vez em streaming

Robert De Niro é Noodles em “Era uma vez na América”; clássico de Sergio Leone está disponível em streaming no Belas Artes à La Carte. Reprodução

Obra-prima de Sergio Leone (1929-1989), o épico “Era uma vez na América” (“Once upon a time in America”, EUA/Itália, 1984, 229 minutos) é uma espécie de romance de formação de uma gangue, acompanhando a formação e firmação de um grupo de moleques desde pequenos golpes na vizinhança até roubos monumentais, com doses de ação, tensão e violência que agradam seus apreciadores em telas de qualquer tamanho.

O filme é ambientado em Nova York, na quadra histórica localizada entre a lei seca americana e seu fim, mas mais que acompanhar planos e suas execuções, entre saques, perigos e prazeres, aborda relações de afeto, amizade e amor.

Último filme de Sergio Leone, que faleceria cinco anos depois de seu lançamento e, 12 anos antes, havia recusado a proposta de dirigir “O poderoso chefão” (Francis Ford Coppola, 1972), do que viria a se arrepender, se vale do uso de flashbacks com habilidade, recurso que já tinha sido utilizado com maestria no segundo filme daquela franquia. O tema também evoca aquela recusa: é um filme de gangsters, em que um deles, judeu, volta ao local onde se iniciou na criminalidade para lidar com seu passado, entre fantasmas, dúvidas e arrependimentos.

Presença constante em listas de melhores filmes de todos os tempos, “Era uma vez na América” tem cenas memoráveis, daquelas que conseguem sobreviver para além dos filmes em que estão inseridas, sempre lembradas por cinéfilos, que também não cansam de apontar as atuações exuberantes de Robert De Niro (David Aaronson, o Noodles) e James Woods (Maximilian Bercovicz, o Max) e a trilha sonora de Ennio Morricone.

Para além da brutalidade do contexto narrado no filme, há generosas doses de delicadeza, mesmo – ou deveria dizer justamente? – em meio à violência. Um clássico absoluto que merece ser visto por neófitos e revisto por apreciadores da sétima arte.

Serviço: “Era uma vez na América” está disponível a partir de hoje (27) no Belas Artes à La Carte, serviço de streaming do Cine Petra Belas Artes. Criado no fim de 2019, já conta com cerca de 400 títulos em catálogo. Também estão disponíveis a partir de hoje na plataforma os seguintes títulos: “Henrique V” (The chronicle history of King Henry the Fifth with his battell fought at Agincourt in France, Reino Unido, 1944, direção: Laurence Olivier), “Humor à italiana” (Risate all´italiana, Itália, 1964, direção: Camillo Mastrocinque e Registi Vari) e “Os frutos da paixão” (Les fruits de la passion, França/Japão, 1981, direção: Shuji Terayama).

Amabile, gentile, adorabile

Meu sol iluminado por outro. Retrato: ZR

Obviamente ela não é São Francisco de Assis, tampouco devota, mas destina especial atenção a plantas, cachorros e passarinhos, que cria soltos, vindo estes pousar e bicar em bebedouros que pendura nas janelas do apartamento – conversa com todos eles.

A que, com apreço especial pelo rock’n’roll desde a infância e juventude, em parte passadas na Itália, tem se descoberto igualmente apreciadora de música popular brasileira, com predileção pelo “Clube da esquina”, o disco que Milton Nascimento e Lô Borges lançaram juntos em 1972 – e especialmente pela canção “Um girassol da cor de seu cabelo” (Lô Borges/ Márcio Borges), disparada sua preferida no universo comumente envolvido pelo rótulo MPB –, e por Vanguart, discos que invariavelmente cata em meio à minha (hoje nossa) modesta coleção e bota para tocar por iniciativa própria.

A que, aqui e acolá, se pega cantarolando “quando cheguei, tudo, tudo, tudo estava virado/ apenas viram, me viram” e eu boto todo o “Acabou chorare” (não por acaso lançado no mesmo ano do “Clube da esquina”) para tocar, enquanto lembro que foi isso mesmo: “quando vi você me apaixonei”.

A que às vezes devora livros e HQs que me chegam antes mesmo de eu conseguir folheá-los. A perfeccionista que nunca consegue fazer uma única foto ou sempre acha que um vídeo pode ficar melhor – eu, geralmente sem paciência, quero sempre enviar o primeiro, por força de algum compromisso profissional.

Ano passado, no dia de seu aniversário, estávamos confinados, naquele que até então achávamos que seria o momento mais difícil da pandemia. Escritórios armados em casa, entre trabalho, testes de receitas e muitas fotos das experiências em grupos de família, “loucura, chiclete e som”.

Um ano depois, cá estamos nós, quase na mesma, talvez um pouco mais experientes, sem dúvidas mais conscientes das escolhas que fizemos e fazemos cotidianamente: das séries que maratonamos no streaming a questões menos prosaicas, o equilibrar-se no slackline das finanças.

Mas “o novo sempre vem” e eu espero que o “compositor de destinos” nos permita todos os aniversários juntos e a possibilidade de comemorações menos restritas.

Feliz vida, minha doce Guta!