Arquivo mensal: fevereiro 2012

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por que haverá de em cada de um parque

ânus se erguer alguma aspas estátua aspas para
provar que um herói é igual a qualquer basbaque
que teve medo de ousar responder “não”?

aspas cidadãos aspas poderiam em vez dis
so esquecer(errar é humano;perdoar,
divino)que se aspas o estado aspas diz
“mate” matar é um ato de amor cristão.

“Nada”, em 1944 D C

“pode se contrapor ao argumento da ne
cessidade militar” (generalíssimoe)
e o eco responde “não há defesa

contra a razão” (freud)–a gente paga a despesa
mas não abre a boca. A liberdade não é uma beleza?

&

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um político é um ânus no
qual tudo se sentou exceto o humano

&

Dois poemas de e. e. cummings, traduzidos por Augusto de Campos, em poem(a)s (2011), recém-lançado pela Editora Unicamp, que ano passado também botou na roda uma edição também linda do Ensaios e Anseios Crípticos, de Paulo Leminski.

Nagô

O governo de Roseana Sarney reforma escolas (e prédios públicos em geral) assim: joga uma demão de tinta e aplica a logomarca de sua (indi)gestão.

Assim aconteceu, não pela primeira vez, com o Centro de Ensino Médio Gonçalves Dias. Resultado: a tinta sarneysta apagou a arte do Coletivo Nagô. Arte sim, ou você acha que o grafite não merece o status?

Agora o grupo de artistas voltou à carga, unindo-se à luta dos moradores do Vinhais Velho, ameaçados com a construção da Via Expressa (leiam sobre o assunto no blogue do Tribunal Popular do Judiciário e/ou na página da SMDH). Artistas sim, ou você acha que grafiteiro é bandido, é marginal?

Abaixo, duas fotos do muro, a segunda uma espécie de close da primeira (é ou não é genial?). Quem quiser sacar a arte in loco, é só passar ali pela Av. Kennedy, na altura da entrada do Bairro de Fátima.

Vinhais Velho resiste...

 

... e o Coletivo Nagô une-se à luta

Mané Rabo

Há alguns dias convidei os poucos mas fieis leitores deste blogue para os lançamentos dos documentários Mané Rabo, de Beto Matuck, e Reisado Careta Encanto da Terra, de Paloma Sá.

Suas exibições aconteceram na Casa de Nhozinho (Rua Portugal, Praia Grande) para uma grande plateia. O fundo daquele museu de cultura popular fica na Rua de Nazaré, onde imaginei que aconteceria a sessão. Ao chegar e me deparar com as cadeiras dispostas para a banda da Rua Portugal, suspeitei que algo não seria bacana. Não pelos filmes, obviamente. Explico: o pré-carnaval comia solto do lado de fora e, por vezes, o desfile de blocos atrapalhou (impediu) os presentes de ouvir determinadas passagens. Uma luz refletia na tela, o que prejudicava mesmo as imagens.

Estávamos eu e meu professor-amigo-irmão Francisco Colombo e resistimos até coisa de 10, quinze minutos do segundo filme. Saímos pela metade por conta desses atrapalhos, não sei se falhas da produção ou da Secretaria de Estado da Cultura, a quem pertence o prédio-palco dos lançamentos, que organiza o (pré-)carnaval de rua na área e de quem o primeiro doc recebeu recursos através de edital.

O lance é o seguinte: a quem não (alô, Fabreu!), e a quem como eu, estava na plateia prejudicada pelo barulho, o Papoético oferece nova chance, ao menos em se tratando do primeiro curta-metragem (tomara que Paulão organize numa outra quinta a re-exibição do filme de Paloma, que joga luzes sobre uma manifestação cultural de Caxias, município do interior do Maranhão).

Mané Rabo ganha nova sessão amanhã (2), às 19h, no Chico Discos, charmosíssimo misto de bar e sebo nos altos das esquinas de Treze de Maio e Afogados, no centro da capital maranhense.

Após a exibição haverá debate-papo com o cineasta Beto Matuck.

“Mané Rabo era amo do bumba boi de Costa de Mão de Cururupu. Beto Matuck conviveu com o brincante dede a infância, tornando-se amigo do mestre, recentemente falecido. O filme é tocante, em razão da amizade que envolvia o cineasta e Mané Rabo, uma personalidade fascinante, homem simples e dotado de grande talento poético, como fica evidenciado através de suas emocionantes toadas, que permeiam o filme. Trabalho sensível e profundo, com nuances de grande sensibilidade estética”, afirma Paulo Melo Sousa, o Paulão, no e-mail de divulgação da tertúlia.

Com o prejuízo do barulho externo que marcou a sessão inaugural do belo trabalho, é o que posso dizer em relação a Mané Rabo: belas imagens em um belo trabalho de edição. Vale ver e rever.

Em tempo: no Papoético do dia 16 de fevereiro Flávio Reis lança Guerrilhas, seu novo livro, coletânea de artigos publicados ao longo dos últimos 10 anos na imprensa maranhense com uns inéditos de bônus, antologia de bombons venenosos por que passeia por diversos temas, o que merece um post só para tratar do assunto, vocês não perdem por esperar. Anotem nas agendas!