Arquivo mensal: setembro 2011

Elza na tela do Maranhão na Tela

Elton Medeiros conta que João da Baiana foi preso diversas vezes pelo simples motivo de andar nas ruas com um pandeiro na mão. No início do século XX isso era sinônimo de vadiagem. Até que um dia, um senador seu amigo deu-lhe um pandeiro e escreveu uma dedicatória no couro, indicando quem tinha sido o autor do mimo. O pandeiro passou a, além de instrumento, servir de documento a João da Baiana.

Elza Soares revela que um dia sonhou ser prostituta. Na inocência de criança ou adolescente, ouvira a mãe de uma conhecida acusá-la de e ouvir um “sou. Sou prostituta, sim. Sou linda, gostosa, maravilhosa”. Para a futura cantora, ser prostituta era isso. “Era tudo o que eu queria ser. Eu achava que tinha encontrado minha profissão”, conta, divertindo-se e a todos nós.

Estes são dois depoimentos marcantes em Elza [documentário, 2008, Brasil, 82min., direção: Izabel Jaguaribe e Ernesto Baldan], que conta ainda com nomes como Caetano Veloso, Maria Bethania, Jorge Benjor, o violonista João de Aquino, o antropólogo Hermano Vianna, Mart’nália, Paulinho da Viola, José Miguel Wisnik e outros.

Bela homenagem a uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos, o filme poderia ser menor, sem prejuízo ao conteúdo. O encontro com Maria Bethania, em que elas desfilam sambas de roda acompanhadas de um pandeiro, é longo e cansativo, com uma troca de elogios quiçá desnecessária. Noutro momento, Jorge Benjor canta Jorge de Capadócia sozinho, com Elza Soares entrando apenas ao final.

O filme foi exibido ontem, dentro da programação do Maranhão na Tela, no estacionamento da Praia Grande. A exibição foi prejudicada pela iluminação normal do lugar, o burburinho dos passantes, um dos pagodes que infestam o lugar irrompendo antes do fim do filme, a falta de cadeiras e o início antecipado da sessão – quando cheguei, pouco antes das 19h30min, horário anunciado nos folders com a programação, o filme já havia começado. Vi todo o resto em pé.

Penso que a produção poderia potencializar o uso das duas salas onde também está acontecendo o Maranhão na Tela: o Cine Praia Grande, que tem uma programação mais cheia, e o Teatro Alcione Nazaré, que não mais terá sessões a partir de segunda-feira – o festival acontece até sexta (16).

Hoje tem Natimorto [drama, 2009, Brasil, 92min., direção: Paulo Machline], baseado no livro de Lourenço Mutarelli, com o próprio de protagonista.

Doc didático reconta história do rock brasileiro, ainda que de forma superficial

Rock brasileiro – História em imagens [documentário, Brasil, 2009, 70min., direção: Bernardo Palmeiro], exibido ontem (9) no Maranhão na Tela, traça um panorama da cena rock no Brasil desde o seu início até os dias atuais. Do nascimento, entre a Jovem Guarda e a Tropicália, com Roberto e Erasmo Carlos, Gilberto Gil e Os Mutantes, passando por Novos Baianos e Raul Seixas – talvez o nome mais importante do gênero no Brasil até aqui –, até a falta de rebeldia e excesso de emotividade de nomes contemporâneos como Fresno e NX Zero.

É um filme linear e extremamente didático, perfeito para iniciantes no assunto – o filme foi feito para uso em escolas, fico sabendo depois da sessão. A montagem tem seus defeitos, com excesso de branco nos cortes e “colagens” das imagens anunciadas no título – fala-se, por exemplo, em Secos & Molhados, e fotos de Ney Matogrosso, João Ricardo e Gerson Conrad, integrantes do revolucionário conjunto, sobrepõem-se umas às outras, tentando em vão uma unidade. Incomodam também as capas de discos de Raul Seixas passando em frente ao depoimento de Charles Gavin (ex-baterista de Ira! e Titãs, responsável pelo relançamento em cd de discos fundamentais da música brasileira, hoje apresentador de programas sobre música no Canal Brasil).

Outro defeito pode ter sido justo a falta de recorte: impossível cumprir a promessa do título em pouco mais de uma hora de filme. O assunto dá muito pano pra manga e nomes importantes são esquecidos ou subestimados. Tim Maia, por exemplo, tem sua importância para o rock nacional, seja ao ensinar Roberto e Erasmo a tocar violão, seja ao influenciar Os Mutantes – “Qualquer semelhança com Tim Maia é mera coincidência”, nos avisam Rita e os irmãos Baptista no encarte do Jardim Elétrico (1971) –; Chico Science parece ser apenas mais um, surgido nos anos 1990. Não é. Francisco Ciência – como o chamaria um radical Ariano Suassuna – é o responsável pelo último movimento da música brasileira, o manguebeat, uma personalidade importantíssima no panorama da música brasileira recente.

Pitty, num depoimento que soa meio arrogante, diz algo como “não é por eu ser baiana que eu tenho que colocar um berimbau no rock”, referindo-se ao hibridismo que muitos tentaram, sem sucesso – ou com sucesso e sem qualidade. Acerta a moça ao dizer que na Nação Zumbi isso soa(va) natural, sem forçar a barra – eu acrescentaria aí o mundo livre s/a, para ficar apenas em mais um nome do movimento pernambucano. Lobão e Lulu Santos, gostemos ou não, são outros dois nomes simplesmente “esquecidos”. Vivas à lembrança de Júlio Barroso e sua Gang 90.

Embora o filme não traga imagens raras não deixa de ser pelo menos engraçado analisar o figurino de astros como Cazuza – com uma calça coladíssima num Rock in Rio – e/ou as bermudas e camisas coloridas d’Os Paralamas do Sucesso – noutro. Ou no mesmo. Ou num Hollywood Rock, sei lá.

Embora reconheçamos as dificuldades para se conseguir falar com determinados artistas, a voz em off do narrador é recurso que poderia facilmente ser dispensado com mais depoimentos. Os de Liminha são um capítulo à parte: tendo tocado com Os Mutantes, produziu discos d’Os Paralamas do Sucesso, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Nação Zumbi, entre outros. Ele, quase a própria história do rock brasileiro.

Malditos cartunistas, benditos Daniéis

Era de se esperar que boa parte da plateia (pequena) passasse quase todo o filme gargalhando. Malditos cartunistas [documentário, Brasil, 2010, 93min., direção: Daniel Garcia e Daniel Paiva], exibido anteontem (7) no Teatro Alcione Nazaré (Maranhão na Tela), conta com depoimentos importantes de cartunistas, chargistas, quadrinhistas, desenhistas, tiristas – “existe isso?”, um deles se pergunta –, ou tudo isso ao mesmo tempo. Ou, antes de tudo isso, simplesmente humoristas.

De Jaguar e Ziraldo (O Pasquim) a Ota (Mad), passando por Angeli (Chiclete com Banana), Adão Iturrusgarai (Aline), Allan Sieber (Vida de estagiário), Glauco (Abobrinhas da Brasilônia) em sua última entrevista (foi assassinado em março do ano passado junto ao filho Raoni; a eles o filme é dedicado), Laerte (Piratas do Tietê), André Dahmer (Malvados), Lourenço Mutarelli (creditado como o desenhista que abandonou os quadrinhos para se dedicar à literatura), Chiquinha (única mulher do grupo) e Maurício de Souza (Turma da Mônica), entre outros.

O pai de Cascão, Cebolinha e Magali, aliás, destoa dos demais da turma, por ter sido o primeiro a assumir um padrão industrial de produção: muitas das histórias de Maurício de Souza – para não dizer quase todas – hoje são criadas por profissionais contratados por seu estúdio, que há muito já nem se dedica mais exclusivamente aos gibis. Mas disso já sabíamos, antes mesmo de assistir o documentário. O que não tira o brilho do filme. Nem a importância do desenhista.

A maldição dos cartunistas sugerida pelo título é relativa: com Chiclete com Banana Angeli chegou a vender quase 200 mil exemplares da revista em bancas nos anos 1980 e hoje publica tiras na Folha de S. Paulo, como outros noutros jornais; Ziraldo é apresentador de tevê e teve diversos personagens seus levados à telinha (O menino maluquinho, Pererê), Reinaldo era Ótima Bernardes (entre outros personagens) no global Casseta & Planeta Urgente!, vários deles têm sistematicamente sido (re-)publicados em edições de bolso pela L&PM e vários etc.

Os depoimentos de Malditos cartunistas são hilários, constantes a auto-tiração de sarro, a auto-ironia, o rir da própria desgraça (antes de desenhar a própria e/ou a alheia). Os olhares sempre bem humorados acerca de diversas temáticas: a profissão em si, cultura, humor, política, poder, dinheiro, sexo, machismo, censura (engana-se quem pensa que acabou com o fim da ditadura)…

Mutarelli é o mais engraçado, mesmo que não quisesse. Confessa chutar “manicure” quando indagado sobre sua profissão ao preencher fichas em hotéis; e diz que convidado para um evento como cartunista “me pagaram 300 paus; pouco depois, fui como escritor, recebi um pau e 600”; o mais careta, sem graça e, por que não?, sério é Maurício de Souza, em uma imponente “mesa de chefe” – antes, a câmera passeia por seus estúdios, com uma funcionária explicando o passo-a-passo da feitura da Turma da Mônica até os gibis chegarem às mãos de seus filhos. Sobre os cenários, aliás, vale destacar: prestem bem atenção neles e nos trajes de nossas personalidades. Estantes, pilhas de livros, mesas e pranchetas de trabalho, computadores, lixo e camisas com motivos animados nos ajudam a entender um pouco melhor o universo dessas figuras.

São vários “humoristas” falando sobre as mesmas coisas, depoimentos em sequência, um aceso na bagana do outro, mas não acerta quem pensa em cansaço, enfado ou sono durante a sessão – isso seria como acreditar que “quadrinhos são coisa de criança”.  O doc mostra (explicitamente) que não.

Se nem os próprios cartunistas se levam tão a sério, imagine a sociedade em geral: quadrinhos ou são “coisa de criança” ou são apenas para serem vistos e lidos, uma risada rápida e acabou. Ledo engano. Muitas vezes um cartoon, uma charge, uma tira, nos fazem compreender melhor determinada situação, apesar de uma página ou mais, com matéria(s) sobre o assunto, no mesmo jornal. É a tradução risonha do “uma imagem vale mais que mil palavras” – se vier com legenda ou balões, então…

Levando a sério quem ri e tira sarro de si mesmo o tempo todo durante as entrevistas, Malditos cartunistas joga luz em personalidades importantes, quase sempre marginalizadas, em geral rotuladas de produtores de “sub-cultura” ou coisa que o valha. A estrutura do filme em si é simples: depoimentos, depoimentos e mais depoimentos, no melhor esquema “faça você mesmo”. Certamente muito material ficou de fora e as figuraças que desfilam pela tela bem poderiam falar mais e mais e mais. O filme não angariou recursos públicos – é dos raros em que não vemos as logomarcas de sempre no início da projeção – e deve ter saído barato. Entre aspas: seus realizadores também desenham e, fãs do elenco, o que deve ter facilitado um pouco as coisas, pagaram tudo do próprio bolso, às próprias custas s. a., mestre Itamar.

O doc resgata até mesmo um fato ocorrido em Porto Alegre, quando a prefeitura financiou uma revista de funcionários da municipalidade. Anos depois a cena é engraçada, um apresentador de tevê rotulando os editores de pornógrafos, defendendo a moral e os bons costumes, os “réus” nervosos, defendendo seu ponto de vista. Adão respondeu a processo durante anos pelo episódio. E a Prefeitura Municipal da capital gaúcha desde então não mais financiou a produção/publicação de quadrinhos.

Ainda durante a sessão impossível não lembrar de filmes, digamos, correlatos: Wood & Stock e Dossiê Rê Bordosa, baseados em personagens de Angeli. Bom seria um doc para cada um dos malditos entrevistados. Oxalá!

Deixo os poucos-mas-fieis leitores com o trailer do documentário.

A quem interessar possa, haverá outra sessão de Malditos cartunistas no Maranhão na Tela (programação completa aqui; chegar com meia hora de antecedência para retirada de ingressos, gratuitos, na bilheteria): dia 15 (quinta-feira), às 21h, no Cine Praia Grande.

Um show de Tássia Campos não é só um show de Tássia Campos

Seja pela pá de atrações, especialíssimas, além de Tássia Campos em si (o que já valeria o ingresso): participações de Dicy Rocha e Milla Camões e discotecagem do Dj Franklin e Rádio Zion e poesia de Lúcia Santos. Bem acompanhada a moça, uma das belas vozes com que o Maranhão tem nos presenteado ao longo dos últimos anos.

Seja pelo repertório, longe do óbvio, com nomes como Carlos Careqa, Kléber Albuquerque, Otto, José Miguel Wisnik e Itamar Assumpção, entre outros, alguns deles com nomes garantidos no disco de estreia, que Tássia Campos está gravando e, torço, logo deve chegar às nossas mãos e ouvidos, sempre ávidos de boa música.

Ou você ainda acha que um show de Tássia Campos é só um show de Tássia Campos?

São Luís e os outros 400

“Cidade és minha paisagem / feita de tempo e de mim / de tudo aquilo que somos / e o que seremos, enfim”.
 
O que será que lateja no coração de uma cidade às vésperas de se tornar quatrocentona, cercada de celebrações que não disfarçam uma disputa sem precedentes ou pudores pela sua direção política para os próximos anos? O que será que anda nas cabeças e nas bocas dos seus habitantes, confinados no breu da escuridão da cidadania, reduzida a manifestação solitária de uma cabine eleitoral, por meio de uma convocação obrigatória a cada quatro anos?
 
“Debaixo da ponte há um mundo / feito de gente esquecida / crianças queixando infâncias / infâncias queixando a vida”.
 
É desta cidade que não está nos postais destinados aos turistas que nos visitam, nem nas propagandas milionárias pagas com dinheiro público veiculadas a cada minuto nos meios de comunicação privados, que falamos. Da cidade dos becos e ladeiras, das palafitas e palmeiras, dos subúrbios e sobrados, que insistem em compartilhar a geografia humana de outros desenhos urbanos, excluídos das pranchetas dos planejadores do seu destino, para mergulhá-la numa insana especulação imobiliária, verticalizando a vida, entregue a sanha desenfreada dos automóveis.
 
“Um mundo dentro da ponte / desafiando a cidade / amarga sobre os instantes / as suas necessidades”.
 
A São Luís de um milhão de habitantes, que comemora oficialmente esta semana seus 399 anos, é uma cidade, sobretudo, excludente e desigual; despossuída do mínimo de políticas públicas voltadas para os grandes problemas que afligem a imensa maioria de sua população. O transporte de massas, decente e seguro, o saneamento básico e a água de qualidade, disponíveis principalmente para a população que vive nos grandes aglomerados urbanos que circundam a cidade, com toda a certeza, são os maiores desafios a exigirem urgentes soluções.
 
“A ponte que une dois lados / separa muitos caminhos / por cima, uns vão pisando / debaixo, outros sozinhos”.
 
A qualidade de vida nestas circunstâncias, até mesmo dos abastados é duvidosa, que dirá da imensa maioria dos habitantes da Ilha de Upaon-Açu, excluída dos processos decisórios e da condução dos seus próprios destinos, diante da falência das formas de representação política que já não representam mais nada no plano institucional, a não ser os interesses econômicos de gestores e parlamentares cada vez mais enterrados no mar de lama da corrupção, com seus tentáculos abarcando todas as entranhas dos podres poderes da nossa República Federativa.
 
“Calçando os pés com a esperança / agasalhada no escuro / entrando na fila imensa / que espera pelo futuro”.
 
E por falar em representação política, em recente artigo publicado na Folha de São Paulo, na edição de 19/6/2011, intitulado Você no Parlamento, Oded Grajew, presenteou os leitores com a seguinte e notável reflexão:
 
“Os países que possuem os melhores indicadores de qualidade de vida são aqueles em que a democracia participativa mais avançou, nos quais a sociedade e as organizações sociais mais participam nas decisões e no acompanhamento das políticas públicas, fazendo prevalecer o interesse público acima dos interesses corporativos”.
 
Manchete do Jornal Pequeno deste último domingo, 04/09: Brasileiros organizam nas redes sociais ‘O DIA DA INDIGNAÇÂO’, programado para o 7 de setembro próximo. Quem sabe, poderá se transformar num grande momento para expressarmos nas ruas e avenidas deste País todo descontentamento da população contra o perigoso rumo que a nação está tomando, ajoelhada e perplexa diante do caos da corrupção; uns, acomodados pelo conformismo do discurso apocalíptico, enquanto outros justificando suas omissões pela inevitabilidade do particularismo de suas conveniências.
 
Nestas circunstâncias, cabe lembrar e fazer valer o providencial e atualíssimo discurso do líder negro e religioso Martin Luther King:
 
“O que mais preocupa não é o grito dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.
 
[Com o texto acima, de Joãozinho Ribeiro, publicado na edição de segunda-feira (5) no Jornal Pequeno, este blogue presta sua homenagem à capital maranhense, tão maltratada pelos gestores públicos. Terá a Ilha-capital algo a comemorar? Os trechos em negrito-itálico são de poema (o livro Paisagem feita de tempo) e música (o choro Milhões de uns) do poeta-compositor-colunista]

Roberto Costa, o herege

O deputado Roberto Costa
O deputado Roberto Costa, gemedor-cantador
Afilhado político do senador 90% honesto João Alberto e, “tal pai, tal filho”, servo fiel da oligarquia Sarney, o deputado estadual Roberto Costa (PMDB), em Um canto-gemido por São Luís, procura vangloriar-se dos “feitos”de seu grupo político pela capital maranhense. Cai em contradição ao evocar os versos de Oração Latina, hino adotado por trabalhadores e movimentos sociais do Maranhão, de autoria de Cesar Teixeira. Uma heresia.

O discurso do deputado é raso. Tenta apenas “defender” o grupo Sarney e “atacar” o grupo Castelo e, quiçá, o ex-neo-sarneysta-agora-nem-sei-o-quê Tadeu Palácio. Inteligente, aliás, a pergunta recebida por e-mail do ator Uimar Jr.: “Um Palácio, um Castelo… o que será que vem agora?”, referindo-se ao pleito municipal vindouro. Mas tergiverso.

O texto – na falta de termo mais adequado para definir aquele amontoado de palavras sem sentido – é, segundo o deputado, sua homenagem antecipada aos 399 anos que São Luís completa quinta-feira que vem. Seu artigo é finalizado com um arrogante “tenho dito”, como se o parlamentar fosse algum dono da verdade.

Outra heresia é colocar Cesar Teixeira e José Sarney na mesma linha, entre “os nossos vultos históricos, os escritores e poetas, os compositores, cantores e outros artistas que contribuíram e emolduram a nossa Athenas Brasileira”.

Entra em contradição e blasfêmia também o Jornal Pequeno, com larga trajetória de combate ao sarneysmo – mesmo quando isso significa, por exemplo, “legitimar” (ou tentar) a gestão Castelo –, ao garantir espaço privilegiado para o peemedebista vociferar seu vazio.

Prescrições – Hino adotado, nunca imposto, Oração Latina deve ser usada em manifestações legítimas por causas idem: greves de professores, policiais e outras categorias, em acampamentos de quilombolas, indígenas e sem-terra, contra os governos Castelo, Roseana, Dilma e/ou quaisquer governos, empresas, grupos etc. que violem os direitos humanos, tenham as mãos sujas de corrupção, e não só. Enfim, bons motivos, legítimos, não faltam.

A quem malsiná-la e/ou a seu compositor, recomendamos sabão neutro (nem castelista, nem sarneysta): antes, lavem a boca e as mãos.

Clipping

Dando um sinal de vida, duas materinhas que andei publicando por aí, estes dias.

Com Emílio Azevedo entrevistei Ricarte Almeida Santos (visto acima em clique deste que vos bafeja) para o Vias de Fato de agosto. Íntegra da entrevista aqui.

E para o Jornal Pequeno escrevi sobre as reivindicações de parte da população luziense por uma estrada de 62 km, que conduz os moradores do povoado Campo Grande à sede e vice-versa. A matéria saiu domingo (4) no JP, também com fotos minhas (acima, cruzes sinalizam mortes ocorridas em acidentes no citado percurso). Versão pré-edição aqui.

Começa amanhã

e vai até domingo que vem:

Programação completa (grátis, sempre a partir das 17h, exceto onde se indica horário diferente): dia 4 (domingo): ritual da morte do Boi, com participação do grupo de pagode Toque Maneiro > dia 5 (segunda-feira): derrubada do mourão, com morte dos bichos e apresentações culturais de grupos da comunidade > dia 6 (terça): feijoada, a partir das 14h, e apresentações de grupos culturais, a partir das 20h > dia 7 (quarta): som mecânico na sede do Boi e apresentações de grupos da comunidade > dia 9 (sexta): seresta com o grupo Os Manos > dia 10 (sábado): apresentação do Boi Brilho da Terra e Tambor que Amanhece, a partir das 23h > dia 11 (domingo): Festa das Torcedoras com seresta ao vivo com o grupo Os Manos.

Olha a Pitomba! Leia a Pitomba!!!

Os bróders Bruno Azevêdo, Celso Borges e Reuben da Cunha Rocha editam a revista Pitomba, cujo segundo número será lançado hoje, às 19h, no Bar do Porto (Praia Grande), com entrada franca (a revista será vendida por R$ 5,00).

Aos editores (os dois primeiros estarão no lançamento, Reuben está em SP), que assinam quadrinhos, poemas, traduções e manifestos, juntam-se bons nomes como Marilia de la Roche (fotos), Rafael Rosa (quadrinhos), Flávio Reis (artigo), Luís Inácio, Micheliny Verunschk, Carlos Loria, Tazio Zambi e Dyl Pires (poemas), entre outros.

Este blogue fica bastante contente com a chegada do segundo número da Pitomba às paradas e lhe deseja vida longa!

Há tempos com a revista em mãos, eu já devia ter escrito algo sobre. Voltaremos a ela, que motivos não faltam. Por enquanto, deixo vocês com o material de divulgação que recebi por e-mail. Roam!:

Mais no Overmundo.

Flores, letras & músicas: um buquê de emoções

As flores de Fernando Mendonça não são de plástico, mas não morrem. Eram o jardim suspenso nas paredes a perfumar nossos olhos – os ouvidos também o seriam, em sequência. Cuidado, flores!, a exposição, preparava o terreno, fértil, como adubo para poesia & música, com que nos depararíamos em instantes.

O poeta Fernando Abreu diz um poema e Nosly, violão em punho, ouve, a plateia pequena, idem. Ao fim, o músico entoa uma versão musicada do texto lido pelo primeiro. Monótono? De jeito nenhum.

"Para uma grande dama": na versão musicada por Nosly, o poeta Fernando Abreu desfila um rosário de estrelas cinematográficas
Letra & Música, show de bolso poético-musical, como entrega o título, apresentado pelos parceiros ontem (31), no Cine Ímpar – subaproveitado espaço para se fazer arte em São Luís – não ficou, no entanto, na sequência poema-versão musicada/cantada.
 
Fernando Abreu leu poemas de aliado involuntário [Êxodus, 2011] e Nosly revezou-se entre músicas inéditas – parcerias de ambos – e canções gravadas em seu disco mais recente, Parador [2011], entre as quais Você vai me procurar (mais uma parceria deles), Versos perdidos (Nosly, Zeca Baleiro e Fausto Nilo) e a faixa-título (Nosly, Gerude e Luiz Lobo).
 
Esta última, cantada por eles mais a poeta Lúcia Santos, convidada especial da noite, que despiu as lentes verdes dos olhos da atriz pornô – primeiro poema que leu ao subir ao palco – e declamou mais alguns poemas do livro novo do letrista. O refrão, ensinado na hora por Nosly ao público, que certamente já o conhecia, foi cantado em uníssono pelos presentes.
 
O espetáculo é curto e tem sabor de quero mais. Inevitável, em casa, re-mergulhar no livro e disco que se fundem no palco para dar origem a Letra & Música. Olhos, ouvidos, mente e coração agradecem.