Semana Noel Rosa


Ilustração: Mauricio Benega

“Em dezembro, o amigo Noel Rosa, já tuberculoso (tinha apenas 24 anos de idade) ,viajou para Belo Horizonte em busca de recuperação. Quando Almirante ia iniciar uma série de programas sobre Noel na Rádio Tupi, no início dos anos 50, escreveu para o compositor mineiro Rômulo Paes, pedindo subsídios sobre a passagem dele pela cidade. A resposta veio imediatamente:

“Chegou Noel no mês de agosto de 1934 [Rômulo se enganou. Foi no fim de dezembro]. Hospedou-se na casa do seu tio, que morava na Rua Silva Jardim, bairro da Floresta, perto da estação da Central do Brasil. Veio a fim de reestabelecer-se, pois o nosso clima é bom para o tratamento da sua enfermidade (estava fraco do pulmão).

Mas nada demoveu o boêmio Noel das noitadas alegres, junto à turma do Rádio, que, em 1934, estava começando a gostar de samba. Até os grã-finos, que tinham medo quando se falava em música do morro. Na turma de Rádio de Minas Gerais daquele tempo, havia vários estudantes universitários: Nélson Orsini, Paulo Lessa, Saulo Diniz, Mário Serra, Roberto Cesti, Tancredinho, José Vaz e outros.

Passou Noel quatro meses e meio entre nós, no bar do Cine Brasil, onde havia um piano velho e onde a turma tomava os seus chopes. Um dia apareceu lá o Hervê Cordovil e ele e Noel fizeram aquele samba Triste cuíca. Noel escreveu a letra num maço de cigarros Liberty Ovaes. Numa outra noite, Noel cantou a noite inteira na Praça Tiradentes, ponto elegante da capital mineira, e, quando caminhava para a Rua Silva Jardim, ‘capotou’ debaixo do Viaduto Floresta. Dormiu com o violão ao lado. Chegou o guarda e quis prendê-lo: “Mas, seu guarda, eu sou o Noel Rosa!” ‘Não tem importância. O senhor está preso. Cadê os documentos?’ Noel meteu a mão no bolso e tirou a letra do samba João-ninguém. O guarda meditou, olhou para os lados e pediu: ‘Dá um ré maior’, tirando uma flautinha do bolso e tocando, em seguida, o choro Os pintinhos no terreiro. Ficaram lá até as nove da manhã.

Ele cantava muito na Rádio Mineira. Quanto não estava no microfone, ia para o telefone passar trotes.”

&

Com o trecho acima (p. 106), extraído de No tempo de Almirante / Uma história do rádio e da MPB [Lumiar Editora/Chediak Arte & Comunicação, 2005], de Sérgio Cabral, inicio a, vamos chamar assim, Semana Noel Rosa (que terá uns doze dias). Escreverei cá no blogue, vez em quando até a data do tributo, sobre o gênio que, subido aos 26 do primeiro tempo, completaria 100 anos no próximo dia 11 de dezembro, data em que receberá merecida e especialíssima homenagem de Cesar Teixeira, Chico Saldanha, Joãozinho Ribeiro e Josias Sobrinho, no show Noel, Rosa secular, sobre o que também daremos detalhes por aqui.

diga lá! não precisa concordar com o blogue. comentários grosseiros e/ou anônimos serão apagados

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s