GARIBALDO MOSTRA AO RESTO DO MUNDO A QUE VEIO

Garibaldo e o Resto do Mundo lança disco de estreia em show gratuito hoje, às 19h, no Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande).

ZEMA RIBEIRO
EDITOR DE CULTURA

Uns fatalistas já decretaram sua morte, mas Garibaldo ainda se emocionou ao receber seu disco prensado. A homenagem ao saudoso pinto amarelo da Vila Sésamo é feita por Paulo Henrique Moraes, verdadeira identidade do vocalista e guitarrista da Garibaldo e o Resto do Mundo, uma espécie de super-herói da cena pop independente no Maranhão.

A estreia da banda, que começou de uma ideia de seu vocalista, que inicialmente entrou sozinho em estúdio para só depois virar banda – entenderam? – será lançada em show hoje à noite, a partir das 19h, no Teatro Alcione Nazaré, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, na Praia Grande. O show, previsto para acontecer no Anfiteatro Beto Bittencourt, “um espaço ainda pouco aproveitado”, segundo o próprio, onde o mesmo Paulo Henrique – ou Garibaldo – já ajudou a organizar shows de rock, acabou migrando de palco por motivos de força maior.

Ele se divide entre a Garibaldo e o Resto do Mundo, a Eleonora F. e a Velttenz. Toca, canta e compõe – “letra e música” – nas três bandas. Ricardo Sanchez, gênio das artes gráficas da Ilha capital, assina o projeto gráfico da estreia da primeira, a primeira dessas bandas a ganhar registro em disco. “Ele não toca, mas é como um integrante da banda, ele acompanhou cada fase da gravação. O trabalho que ele fez foi incrível”, derrama-se Paulo Henrique Moraes, que faz questão de explicar: “Eu não toquei todos os instrumentos na gravação, apesar de ter entrado em estúdio sozinho. O Adnon Soares, produtor do disco, foi o grande responsável pela definição dos timbres e sonoridade da banda. Sou muito grato a ele por isso”. Digamos que o que começou como a banda de um homem só mais seu produtor, hoje é a Garibaldo e o Resto do Mundo.

O Debate conversou com Paulo Henrique Moraes, por e-mail.


A arte de Ricardo Sanchez embala o som da Garibaldo e o Resto do Mundo

O Debate – A Garibaldo e o Resto do Mundo é, de certa forma, uma incógnita. A formação está disponível na página da banda no Myspace, mas se perguntássemos quem é a Garibaldo, como você responderia?

Paulo Henrique Moraes – Garibaldo é um personagem que inventei pra mim mesmo para dar vazão a uma produção musical que me acompanha desde o primeiro momento em que entrei em contato com a música pop/indie contemporânea. Eu já toquei, e ainda toco, em outras bandas de rock daqui de São Luis [Eleonora F. e Velttenz], mas sentia que certas músicas e letras que compunha não diziam respeito ao tipo de som que toco com essas bandas; por isso “criei” o Garibaldo, para dar forma e servir de base para a produção e arranjos das músicas. Hoje, depois do som já ter ganhado uma identidade própria, a banda existe e é formada por Pedro Moura [guitarra e vocal], Kiko Lisboa [bateria], que já tocaram em diversas bandas de São Luís, Denis Moraes [contrabaixo], meu irmão e meio que braço direito, e eu [Paulo Henrique Moraes canta e toca guitarra].

O Debate – Daí surgiu então o nome da banda. E por que Garibaldo?

PHM – Nada de mistério: Garibaldo por causa do personagem da Vila Sésamo. Sempre achei insólita a figura daquele pinto amarelo grande [risos]. O Resto do Mundo veio como uma brincadeira: fui para o estúdio antes de a banda existir de fato, portanto gravei ‘sozinho’, apenas com o produtor, Adnon Soares, daí aquela coisa: eu e o resto do mundo…

O Debate – Fala-se bastante em cena independente, mas ela é incipiente no Maranhão, onde quase tudo, sobretudo em se tratando de produção cultural, depende dos poderes públicos. No disco da Garibaldo não há uma logomarca sequer, o que torna a banda um símbolo de independência. De quem dependeu esse disco de estreia?

PHM – Fácil: VONTADE [maiúsculas dele]. E Comprometimento. Sempre, em todas as minhas tentativas de me meter com cultura, seja publicando zines, organizando feira de livro usado, shows de rock, sempre fiz por pura vontade de fazer, nunca dependi de ninguém; eu não abdico de apoios e patrocínios, não me entendam mal, inclusive, pedi apoio para a produção de todos esses projetos, também para o disco, não encontrei ninguém que comprasse a ideia: FIZ! Em São Luis, se tu for depender de alguém pra fazer qualquer coisa, esqueça, ou melhor, faça, com coragem e fé em si.

O Debate – Ricardo Sanchez, um dos grandes talentos do design no Maranhão, é o responsável pelo projeto gráfico do disco. Como se deu esse contato? Que direcionamento e liberdades ele teve?

PHM – Aqui em São Luis todo mundo se conhece, mesmo. Temos, Sanchez e eu, alguns amigos em comum, e já o conhecia dos INÚTEROS, daí entrei em contato com os vários blogs que ele mantém, e, quando vi seus desenhos, quase desacreditei que aquela produção era de alguém de São Luís, tão profissional e talentosa. Mandei uma mensagem via orkut para ele, falei que estava gravando o disco, nos encontramos, conversarmos, descobrimos afinidades, e então fiz a proposta, dei total liberdade para que ele criasse; só queria que o formato do encarte fosse diferente das coisas feitas na cidade. Ele aceitou prontamente. Ele não toca, mas é como um integrante da banda, ele acompanhou cada fase da gravação. O trabalho que ele fez foi incrível.

O Debate – Entre as influências da banda, conforme texto no myspace, estão “mulheres, literatura ocidental, sentimentos… e todas as músicas boas que existem”. Em seu blogue você declarou não gostar de samba, por exemplo. Sem patrulhamentos, entre os sons que você ouve, o que você diria que influencia diretamente a Garibaldo? Ou, entre tudo, o que mais influencia?

PHM – A Garibaldo e o Resto do Mundo nasceu de um tipo de influência musical bem específica: o pop. Pop do tipo que o Pato Fu, o Cake, Brendan Benson fazem, essa coisa rock/experimental/indie mas, sobretudo, pop. Eu mesmo sou influenciado e gosto de um monte de coisa. Quando digo que não gosto de samba, entenda-me, digo que esse tipo de som não é o que mais esteve presente na minha formação musical, não desgosto do gênero por completo, não gosto é do que chamam ‘raiz’. Idolatro Caetano [Veloso], e quase todo mundo que gosto no Brasil, meio que faz, já fez, samba, de alguma forma. Mas sou, por escolha, do rock: do indie inglês a barulheira sueca.

O Debate – Além de cantar e tocar guitarra na Garibaldo e o Resto do Mundo, você está à frente de duas outras bandas, o que te faz assinar, no perfil do tuiter, “sou capela por música”. Você vive de música? Ou tem outra profissão que sustenta os músicos que te habitam?

PHM – Nunca tive pretensão de viver de música. Primeiro porque tenho bom senso, esse negócio de música já é difícil para os grandes, imagine para mim, aqui em São Luís dos cafundós. Trabalho em algo nada a ver com música ou arte. Isso não quer dizer que não tenho um comprometimento sério com a música/arte, levo pra frente todo tipo de criação porque tenho que estar ocupado, sempre, com as coisas que gosto. Tenho planos de lançar livros, de fazer vídeos, de gravar mais discos com minhas bandas, e sei que vou realizá-los uma hora ou outra, sei por que se não fizer, não vai valer a pena nem levantar de manhã.

O Debate – A entrada para o show de lançamento da Garibaldo é franca. Como se deu a parceria com o Centro de Criatividade Odylo Costa, filho?

PHM – O centro de criatividade Odylo Costa, filho sempre foi muito aberto à criação cultural. Mês passado mesmo, vi a primeira peça montada do meu amigo Igor Café, De Assalto, lá. Sempre que solicitei, eles atenderam prontamente. O show vai ser no Teatro Alcione Nazaré [o palco migrou, de última hora, do Anfiteatro Beto Bittencourt, para onde havia sido originalmente agendado].

O Debate – Alguns fatalistas já decretaram há tempos a morte do cd, mas gravar um ainda representa uma emoção grande, imagino. As outras bandas em que você atua estão pensando ou preparando algo nesse sentido?

PHM – É emoção sim. Ver teu esforço materializado no cd é massa! Como falei, estou sempre planejando ou no meio de gente que quer fazer, portanto, vou lançar mais coisas com as outras bandas. A Eleonora F. está fechando repertório, compondo e arranjando as músicas. Temos pretensão de gravar no ano que vem. A Velttenz, já tem myspace com duas faixas, gravamos mais duas em setembro, já já vai estar no site, e estamos gravando mais para um cd também ano que vem.

O Debate – É difícil conciliar tantas propostas e agendas musicais?

PHM – Fácil não é, mas é prazeroso. Assim posso me expressar de diferentes maneiras, através de diferentes sons, além de ser um exercício de criatividade imenso: componho nas três bandas, letra e música, então imagina o quanto tenho que me superar criativamente para poder expressar a linha musical sonora e de temas de cada banda.


Também são de Sanchez as peças promocionais de disco e show

[O Debate, hoje]

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (com Gisa Franco, aos sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM). Coautor de "Chorografia do Maranhão" (Pitomba!, 2018) e autor de "Penúltima página: Cultura no Vias de Fato" (Passagens, 2020). Antifascista.

5 comentários em “GARIBALDO MOSTRA AO RESTO DO MUNDO A QUE VEIO”

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