O habitante de Pasárgada

Dedico este post a Celso Borges, Fernando Abreu, Franklin Douglas, Rogério Tomaz Jr. e Lena Machado (que vez em quando cantarola trechos do poema de Manuel Bandeira musicado por Gilberto Gil e, antes, Paulo Diniz — em versões diferentes).

Via Ramon Mello.

“Esclarecimentos”

Um lacaio do Sistema Mirante não está fazendo o dever de casa. Dizer que nunca ouviu falar deste blogueiro, modéstia à parte, das quatro uma: ou está mentindo, ou é desinformado, ou é analfabeto ou não lê o próprio jornal em que escreve.

Ser crítico do domínio oligárquico sarneysta no Maranhão nunca me impediu de escrever nO Estado do Maranhão. Uma seleta de textos meus publicados no Caderno Alternativo (o acesso aos links do jornal se dá por meio de senha para assinantes): Uma receita surpreendente (2.ago.2009), A volta – em grande estilo – de Reinaldo Moraes (26.jul.2009), Poesia chapada em livro (14.jun.2009), Estrelando um compositor (22.maio.2009), Benedito Lacerda resgatado em quatro CDs (29.jul.2008), Maria Preá estréia em cd com roteiro maranhense (25.set.2007), Rebelião independente: as zonas de Ademir Assunção (10.set.2005).

As páginas de moda ou o colunismo social de bajulação lhe cairiam melhor que as de política: para quem já elogiou até o “novo visual” da patroa, faltou também assistir sua propaganda no horário eleitoral gratuito: este blogue(iro) apareceu por lá, segundo a então candidata, integrando uma campanha contra o Maranhão. Nem contra o Maranhão, nem contra a realização de shows internacionais na capital, como uns e outros, analfabetos, mentirosos, mal-intencionados, ou tudo isso ao mesmo tempo, querem fazer crer. Repito: produtores trazem o que querem e/ou o que podem, o público vai se quiser e/ou puder. A intenção do meu texto De covers e letras miúdas, repito, foi esclarecer aos que me leem aspectos que julguei obscuros na divulgação dos shows de Creedence Clearwater Revisited e Sweden’s Waterloo.

Abaixo, notas de esclarecimento e da redação publicadas na edição de hoje de O Debate.

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A respeito da matéria publicada ontem (27), no Jornal O Debate, sob o título “De covers e letras miúdas”, que destaca um possível “desleixo” na propaganda do show a ser realizado no dia 19 de novembro, em São Luís, promovido pelo Grupo ICEP e pela Lamparina Produções, convém esclarecer:

1. A Banda Creedence Clearwater está em sua segunda formação, mas com dois membros da formação original. O projeto Revisited existe desde 1995, e é um novo capítulo na história da banda. Não há produção autoral de novas músicas, mas a iniciativa privilegia os grandes sucessos. Um CD duplo gravado ao vivo durante a turnê está a caminho de ser premiado com o disco de platina, algo raro nestes tempos de consumo musical via web.

2. Quanto ao ABBA – The Show, a banda que está em turnê pela América Latina e que fará uma apresentação em São Luís, traz dois membros da formação original do ABBA, assim como membros da Orquestra Sinfônica de Londres. O espetáculo que será apresentado é um musical autorizado que conta a história do quarteto.

3. A comunicação do evento – com publicidade da agência 712 e assessoria de imprensa da CORES – Comunicação e Responsabilidade Social – tem trabalhado o aspecto de espetáculo da apresentação. O que o público de São Luís verá é uma grande composição cênica, musical e histórica sobre uma banda que embalou gerações. Em nenhum momento isto foi negado ou omitido. Como o anúncio do show foi feito há menos de um mês, ainda teremos tempo para esclarecer todas e quaisquer dúvidas que surgirem a respeito.

Estamos cientes de que, no cenário local, seu trabalho como jornalista de cultura engrandece todo um setor.

Todos os envolvidos no processo estão empenhados em dar a maior transparência possível a este evento, certos de que outros shows deste porte virão e de que podemos contar com o seu domínio do tema e com a sua habilidade em comunicar ao seu público toda a diversidade que propomos para espetáculos e shows em São Luís.

Respeitosamente,
Grupo ICEP e Lamparina Produções,
CORES – Comunicação e Responsabilidade Social.

NOTA DA REDAÇÃO

1. Em nenhum momento contestamos a originalidade ou não da banda/projeto Creedence Clearwater Revisited: o que questiona-se é a divulgação apenas do primeiro nome, o que, entendemos, leva o público a confundir a banda/projeto dos remanescentes da formação original com a Creedence Clearwater Revival.

2. A nota de esclarecimento não informa aos leitores – como a propaganda do espetáculo também não o faz – que “Abba – The Show” é o nome do espetáculo que será apresentado em São Luís pelo grupo Sweden’s Waterloo, que tem em sua formação dois membros da banda de apoio da formação original do Abba, que autoriza o uso de seu nome/marca pelo grupo em questão. Isso, em nosso entender, também pode induzir o público ao erro.

3. A página de Cultura de O Debate está à disposição para cumprir sua função: a de bem informar ao público sobre o assunto que lhe dá nome.

Saudações,
Zema Ribeiro
Editor de Cultura

"Esclarecimentos"

Um lacaio do Sistema Mirante não está fazendo o dever de casa. Dizer que nunca ouviu falar deste blogueiro, modéstia à parte, das quatro uma: ou está mentindo, ou é desinformado, ou é analfabeto ou não lê o próprio jornal em que escreve.

Ser crítico do domínio oligárquico sarneysta no Maranhão nunca me impediu de escrever nO Estado do Maranhão. Uma seleta de textos meus publicados no Caderno Alternativo (o acesso aos links do jornal se dá por meio de senha para assinantes): Uma receita surpreendente (2.ago.2009), A volta – em grande estilo – de Reinaldo Moraes (26.jul.2009), Poesia chapada em livro (14.jun.2009), Estrelando um compositor (22.maio.2009), Benedito Lacerda resgatado em quatro CDs (29.jul.2008), Maria Preá estréia em cd com roteiro maranhense (25.set.2007), Rebelião independente: as zonas de Ademir Assunção (10.set.2005).

As páginas de moda ou o colunismo social de bajulação lhe cairiam melhor que as de política: para quem já elogiou até o “novo visual” da patroa, faltou também assistir sua propaganda no horário eleitoral gratuito: este blogue(iro) apareceu por lá, segundo a então candidata, integrando uma campanha contra o Maranhão. Nem contra o Maranhão, nem contra a realização de shows internacionais na capital, como uns e outros, analfabetos, mentirosos, mal-intencionados, ou tudo isso ao mesmo tempo, querem fazer crer. Repito: produtores trazem o que querem e/ou o que podem, o público vai se quiser e/ou puder. A intenção do meu texto De covers e letras miúdas, repito, foi esclarecer aos que me leem aspectos que julguei obscuros na divulgação dos shows de Creedence Clearwater Revisited e Sweden’s Waterloo.

Abaixo, notas de esclarecimento e da redação publicadas na edição de hoje de O Debate.

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A respeito da matéria publicada ontem (27), no Jornal O Debate, sob o título “De covers e letras miúdas”, que destaca um possível “desleixo” na propaganda do show a ser realizado no dia 19 de novembro, em São Luís, promovido pelo Grupo ICEP e pela Lamparina Produções, convém esclarecer:

1. A Banda Creedence Clearwater está em sua segunda formação, mas com dois membros da formação original. O projeto Revisited existe desde 1995, e é um novo capítulo na história da banda. Não há produção autoral de novas músicas, mas a iniciativa privilegia os grandes sucessos. Um CD duplo gravado ao vivo durante a turnê está a caminho de ser premiado com o disco de platina, algo raro nestes tempos de consumo musical via web.

2. Quanto ao ABBA – The Show, a banda que está em turnê pela América Latina e que fará uma apresentação em São Luís, traz dois membros da formação original do ABBA, assim como membros da Orquestra Sinfônica de Londres. O espetáculo que será apresentado é um musical autorizado que conta a história do quarteto.

3. A comunicação do evento – com publicidade da agência 712 e assessoria de imprensa da CORES – Comunicação e Responsabilidade Social – tem trabalhado o aspecto de espetáculo da apresentação. O que o público de São Luís verá é uma grande composição cênica, musical e histórica sobre uma banda que embalou gerações. Em nenhum momento isto foi negado ou omitido. Como o anúncio do show foi feito há menos de um mês, ainda teremos tempo para esclarecer todas e quaisquer dúvidas que surgirem a respeito.

Estamos cientes de que, no cenário local, seu trabalho como jornalista de cultura engrandece todo um setor.

Todos os envolvidos no processo estão empenhados em dar a maior transparência possível a este evento, certos de que outros shows deste porte virão e de que podemos contar com o seu domínio do tema e com a sua habilidade em comunicar ao seu público toda a diversidade que propomos para espetáculos e shows em São Luís.

Respeitosamente,
Grupo ICEP e Lamparina Produções,
CORES – Comunicação e Responsabilidade Social.

NOTA DA REDAÇÃO

1. Em nenhum momento contestamos a originalidade ou não da banda/projeto Creedence Clearwater Revisited: o que questiona-se é a divulgação apenas do primeiro nome, o que, entendemos, leva o público a confundir a banda/projeto dos remanescentes da formação original com a Creedence Clearwater Revival.

2. A nota de esclarecimento não informa aos leitores – como a propaganda do espetáculo também não o faz – que “Abba – The Show” é o nome do espetáculo que será apresentado em São Luís pelo grupo Sweden’s Waterloo, que tem em sua formação dois membros da banda de apoio da formação original do Abba, que autoriza o uso de seu nome/marca pelo grupo em questão. Isso, em nosso entender, também pode induzir o público ao erro.

3. A página de Cultura de O Debate está à disposição para cumprir sua função: a de bem informar ao público sobre o assunto que lhe dá nome.

Saudações,
Zema Ribeiro
Editor de Cultura

Aperreio: realidade maranhense

Documentário de Doty Luz e Humberto Capucci terá primeira exibição pública hoje em São Luís. O curta-metragem foi selecionado para a mostra competitiva do Festival Amazônia Doc 2010, na categoria Documentário. O Debate entrevistou o cineasta Humberto Capucci.

ZEMA RIBEIRO
EDITOR DE CULTURA
FOTOS: DIVULGAÇÃO

Expressão bastante usada pelo povo maranhense para descrever situações de extrema dificuldade, Aperreio dá nome ao documentário em que os cineastas Doty Luz e Humberto Capucci registram a interferência das mudanças climáticas na vida de populações do interior do Maranhão. Eles rodaram por diversos municípios do Estado e imprimiram ao curta-metragem a poesia e a sabedoria populares. O filme propõe uma reflexão sobre o modelo de desenvolvimento vigente por estas plagas: o que defende os grandes projetos como “a salvação” – esta, no entanto, nunca chega, a não ser aos pequenos grupos que vêm obtendo lucros e vantagens com suas implementações ao longo dos anos.

Os versos do poeta e compositor Joãozinho Ribeiro em Saiba, rapaz, podem bem traduzir o aperreio das populações do Maranhão, tanto quem aparece no documentário de Capucci e Luz, quanto quem não: “quando a seca não mata/ a chuva arrasa”. O Maranhão foi um dos estados brasileiros que mais sofreu com as enchentes nos dois últimos anos, período retratado por Aperreio.

O documentário foi rodado em digital mini-DV e tem 20 minutos de duração. A produção é da Café Cuxá Filmes, que tem como sócios os dois cineastas. Juntos, eles assinam roteiro e direção. Capucci é também responsável por edição, montagem e fotografia. Larissa Abreu Resende é a produtora executiva, Jeander Ribeiro assina a arte gráfica e à trilha sonora comparecem Dona Elza e Caixeiros da Dança do Caroço de Tutóia, Bumba-meu-boi de Boa Vista dos Pinhos e Mestre Patinho.

O documentário, que tem apoio da organização internacional Oxfam, é uma realização do Comitê de Monitoramento das Políticas Voltadas às Enchentes no Maranhão, composto por diversas entidades e organizações maranhenses de defesa, promoção e proteção dos direitos humanos – Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), Cáritas Brasileira Regional Maranhão, União Estadual por Moradia Popular, Associação Agroecológica Tijupá e Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), entre outras.

Aperreio terá sua primeira exibição pública hoje em São Luís: a sessão acontece às 19h, no Cine Ímpar, na sede do jornal O Imparcial (Rua Assis Chateaubriand, Renascença, por trás do Tropical Shopping), com entrada gratuita. O curta-metragem foi selecionado para a mostra competitiva, na categoria Documentário, do segundo Amazônia Doc – Festival Pan Amazônico de Cinema, que acontece de 3 a 14 de novembro em Belém/PA.


O cineasta Humberto Capucci capta imagens de Dona Elza do Caroço de Tutóia para Aperreio

ENTREVISTA: HUMBERTO CAPUCCI

Paulista de Jacareí, Humberto Rezende Capucci tem 32 anos e atuou por 14 anos no Conselho Indigenista Missionário, de onde se desligou em meados de 2009. Pelo CIMI já passou pelos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. Atualmente morando em São Luís, produziu seu primeiro documentário em 2008, relatando um intercâmbio entre povos indígenas maranhenses e os povos Truká e Xucuru, em Pernambuco. Em 2009 sua produtora deu início à produção de um documentário sobre os caçadores e coletores Awá Guajá, povo nômade do interior do Maranhão, em risco de extinção. O documentário, já pré-lançado está em fase de finalização. Leia a seguir os melhores trechos da entrevista que Humberto Capucci concedeu aO Debate, por e-mail.

O Debate – Ano passado você se desligou do CIMI para se dedicar mais à Café Cuxá?

Humberto Capucci – Sim. Em 2008, ainda no CIMI, produzi meu primeiro documentário, registrando uma viagem de intercâmbio entre os povos indígenas do Maranhão e os povos Truká e Xucuru em Pernambuco. No início de 2009 começamos a filmar um documentário sobre o povo Awá Guajá, que ainda vive sem contato nas matas do Maranhão e corre sérios riscos de ser extinto. Esse documentário, mesmo já tendo sido pré-lançado, está sendo finalizado agora e em breve entra no circuito. A partir do segundo semestre de 2009 fui me desligando do CIMI e me dedicando cada vez mais à Café Cuxá. Nesse ano produzi mais dois vídeos: Festa do Ceveiro, do povo Krepyn Kateye, e Encontro, do povo Krenye. Ainda no final de 2009 começamos as gravações de um vídeo que eu chamaria de documentário didático, sobre o Estatuto dos Povos Indígenas, esse também recém finalizado.

O Debate – Embora sejam exceções, cineastas como Murilo Santos e Francisco Colombo têm denunciado as mazelas maranhenses em suas obras. O primeiro é documentarista reconhecido nacionalmente e tem um profundo envolvimento com as causas e bandeiras dos movimentos sociais maranhenses; o segundo, embora tenda mais à ficção, ainda assim documenta questões como a exploração do trabalho infantil e a violência urbana. Onde você se localizaria na produção cinematográfica maranhense?

Humberto Capucci – Nem ouso me comparar a esses caras. Eu sou mais militante do que cineasta. Acredito que eles chegaram às questões sociais através do cinema. Eu cheguei ao cinema através da luta social.


Cena de Aperreio: morador em frente a uma casa parcialmente destruída pelas enchentes

O Debate – Aperreio traz o drama dos maranhenses traduzido na música de Joãozinho Ribeiro: “quando a seca não mata/ a chuva arrasa”. O filme parte de uma “encomenda” de um conjunto de organizações do movimento social que compõem o Comitê de Monitoramento das Políticas Voltadas às Enchentes no Maranhão. No entanto, não dá a ideia, a quem assiste, de ser um filme institucional, ou ao menos não meramente institucional, como os que em geral vemos por aí. Você já pensava em fazer um filme que fosse além? Que pode concorrer em festivais Brasil afora?

Humberto Capucci – Na verdade a ideia não era fazer filme que pudesse concorrer em festivais. O que houve desde início, e é uma preocupação que tenho em todo trabalho, foi o cuidado de produzir um documentário que extrapole o nosso público. Se eu quero falar de problemas sociais, não adianta falar para as pessoas que vivem esses problemas e nem para as pessoas que trabalham junto a essas populações. Nesse sentido, se faço um filme com cara institucional, ele tende a ser visto apenas por essas pessoas. Por isso tentamos fazer um filme que despertasse a atenção de todos. Pra ganhar gente pro nosso lado. O que aconteceu é que despertou também a atenção dos festivais. Mas isso já foi uma grande surpresa.

O Debate – A trajetória de Aperreio se inicia hoje (28) com sua primeira exibição pública [às 19h, no Cine Ímpar, auditório do jornal O Imparcial, no Renascença, por trás do Tropical Shopping] e prossegue em outros espaços de exibição [o filme foi selecionado para a mostra competitiva do Festival Amazônia Doc, em novembro, em Belém/PA]. Quais as tuas expectativas particulares para Aperreio?

Humberto Capucci – A grande expectativa que tenho, de fato, é que ele cumpra seu objetivo inicial: ser um instrumento de apoio no trabalho de formação das entidades que encomendaram o filme, junto às comunidades onde atuam. Essa discussão sobre mudanças climáticas, aquecimento global e, principalmente, o modelo de desenvolvimento em questão é fundamental. E acredito que Aperreio contribuirá para levantar e aprofundar essas discussões.


Casas alagadas em Arari/MA em cena de Aperreio

Ficha Técnica

Categoria: Documentário > Formato: Digital Mini-DV > Duração: 20 minutos > Produção: Café Cuxá Filmes > Realização: Comitê de Monitoramento das Políticas voltadas às enchentes no Maranhão > Apoio: Oxfam Internacional > Ano: 2010 > Roteiro: Doty Luz e Humberto Capucci > Direção: Doty Luz e Humberto Capucci > Produção Executiva: Larissa Abreu Resende > Edição, Montagem e Fotografia: Humberto Capucci > Arte Gráfica: Jeander Ribeiro > Trilha Sonora: Dona Elza e Caixeiros da Dança do Caroço, Bumba- meu- Boi de Boa Vista dos Pinhos e Mestre Patinho > Contatos: cafecuxafilmes@hotmail.com, (98) 8194-2366 e/ou (98) 8191-9451

[O Debate, hoje]

De covers e letras miúdas

“Desleixo” na propaganda omite informações importantes ao público de São Luís sobre bandas que tocarão na cidade em novembro.

Formada por Doug ‘Cosmo’ Clifford (contrabaixo), Stu Cook (bateria), John Tristao (voz, guitarra), Steve Gunner (guitarra, teclado) e Elliot Easton (guitarra), a banda Creedence Clearwater Revisited é que virá à São Luís no dia da bandeira, 19 de novembro. Na banda, formada em 1995, só os dois primeiros são remanescentes da formação original da Creedence Clearwater Revival, liderada por John Fogerty, em carreira solo desde o início dos anos 1970.


Abba. Fernando.

Abba The Show é formado por Katja Nord (voz), Camilla Hedrén (voz), Ulf Andersson (saxofone) e Roger Palm (bateria). As duas primeiras lembram vocal e visualmente as Abba girls da formação original; os dois últimos são instrumentistas que acompanharam o quarteto original em discos e shows. O grupo será acompanhado por membros da Orquestra Sinfônica de Londres (e não a orquestra inteira, como também faz crer a propaganda).

Depois do sucesso do show dos Scorpions alardeou-se que a capital maranhense havia definitivamente entrado na rota dos shows internacionais. Mais atrações chegam agora em novembro. A produção local, através das propagandas, no entanto, deveria deixar as coisas mais claras, para que os fã-clubes locais não comprem gato por lebre: a Creedence Clearwater Revisited está sendo divulgada apenas como Creedence e em Abba The Show as duas últimas palavras parecem as letras miúdas que em geral não lemos ao assinar contratos.

Em outras capitais já aconteceram prisões de produtores por propaganda enganosa. Aos poucos-mas-fieis leitores deste blogue, resta recomendar redobrada atenção. E desejar, a quem for, um ótimo show, sabendo, é claro, do que realmente se trata.

[Este post é ilustrado por vídeos das bandas originais]

Seminários


Arte de Cesar Teixeira

Estive hoje pela manhã na abertura do Seminário Estadual do Provita/MA, que tem suas peças de divulgação feitas em cima desta belíssima Pietà (Piedade) de Cesar Teixeira, também talentosíssimo artista plástico (confiram mensalmente suas charges no Vias de Fato). Sou fã. Realizado pela Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) e Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Cidadania (Sedihc), com apoio da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH-PR), o seminário prossegue até amanhã e sua programação completa pode ser acessada no Ponte Aérea São Luís.


Arte de Zema Ribeiro

O Grupo de Estudos, Pesquisa e Debates em Serviço Social e Movimentos Sociais (Gserms), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas (PPGPP) e ao Departamento de Serviço Social (DESES) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), realiza dias 3, 4 e 5 de novembro o seminário Estudos e pesquisas sobre as transformações contemporâneas da sociedade capitalista, sistema de controle social e a incidência no Serviço Social e o colóquio As transformações contemporâneas no Maranhão. Programação completa, inscrições e maiores informações no site do Gserms.

Cenas da cidade


Em tempos de eleição ainda… muro na Avenida Beira Mar. Foto: Graziela Nunes


Muro em frente à Praça Catulo da Paixão Cearense, em frente ao gigante da Vila Passos, o Estádio Nhozinho Santos. Foto: Zema Ribeiro

CENAS DA CIDADE 2

(OU: O “CANDIDATO DA EDUCAÇÃO” NÃO SABE O LUGAR DA VÍRGULA)


Um dos vários outdoors em que Wellington do Curso agradece a votação que o deixou na segunda suplência da Câmara Federal. Foto: Zema Ribeiro

Clique sobre as imagens para ampliá-las.

DISCOTECA BÁSICA

NO Debate de hoje (21, com extras do blogue):

LANCES DE AGORA (1978)

Clássico de Chico Maranhão lançado pela gravadora Marcus Pereira foi gravado na sacristia da Igreja do Desterro, bairro do centro histórico ludovicense.

ZEMA RIBEIRO
EDITOR DE CULTURA


Lances de Agora. Capa. Reprodução. É nítida a “montagem”: já tentaram escanear uma capa de vinil? A assinatura é da ex-dona (óbvio que comprei meu exemplar num sebo), que ganhou o disco do próprio “compositor e cantor”.

Clássico de Chico Maranhão, gravado em quatro dias na sacristia da Igreja do Desterro, em São Luís do Maranhão, Lances de Agora, de 1978, foi disponibilizado para download ontem (20), no blogue Música Maranhense, editado pelo estudante de História Victor Hugo.

Lances de Agora foi lançado pela gravadora Marcus Pereira, antes um escritório de publicidade, responsável por descobrir ao Brasil, além de Maranhão, outros nomes importantíssimos da música popular brasileira, como Canhoto da Paraíba, Cartola, Dércio Marques, Diana Pequeno, Doroty Marques, Papete e Renato Teixeira, entre outros. Em pouco mais de dez anos de atividade, a gravadora lançou mais de cem títulos. Endividado, Marcus Pereira viria a se suicidar.

Toda a discografia de Chico Maranhão lançada pela gravadora permanece inédita em cd, o que inclui títulos belíssimos e hoje disputados a tapa em sebos Brasil afora, como Gabriela (1974) e Fonte Nova (1980). Lances de Agora (1978) tem 11 faixas, todas de autoria de Chico Maranhão e conhecidíssimas do público maranhense: Meu samba choro (regravada por Célia Maria), Lances de Agora, Ponto de fuga (regravada por Cristina Buarque e Flávia Bittencourt), Cirano (faixa de Gabriela, reapresentada em Lances de Agora por Maranhão), Mulher, Frevo do Barulho, Boi, meu menino, Velho amigo poeta (homenagem ao poeta Nauro Machado, então vizinho de Maranhão), Ponta d’Areia (do verso “caranguejeira namorando a parede”, que eu considero um dos mais bonitos da história da música brasileira, popular ou impopular), Vassourinha meaçaba (regravada por Flávia Bittencourt) e Pastorinha (indiscutível hit, ao menos em períodos juninos maranhenses).

Com formação completamente diversa da contemporânea, Chico Maranhão – que formou-se na mesma turma abandonada por outro Chico, o Buarque, na Faculdade de Arquitetura da USP – foi acompanhado no disco pelo Tira-Teima, que entre outros, contava com os talentos de Ubiratan Souza (violões, percussão), Arlindo Carvalho (percussão), Antonio Vieira (percussão), o único já falecido entre os músicos do plantel original de Maranhão, Chico Saldanha (violão), Sérgio Habibe (flauta) e Paulo Trabulsi (cavaquinho), então com apenas 17 anos de idade, único remanescente do Regional.

Clássico absoluto, repito, Lances de Agora é um disco por cuja reedição breve torcemos imensamente. Enquanto ela não chega, o download, além de recomendável, é simplesmente obrigatório.


Reprodução da contracapa. Cá no blogue o leitor ganha, de bônus, a ficha técnica do disco.

SÓ AQUI NO BLOGUE

Chico Maranhão assina todas as letras e músicas de Lances de Agora. Gosto de absolutamente todas (assim como gosto de absolutamente todas as músicas de Maranhão). Abaixo, letras, só para os leitores entenderem em parte (entendam completamente ao ouvirem o disco depois de baixá-lo) o que Marcus Pereira queria dizer, ao se referir a Maranhão, com “Inovador, como poucos, nos seus temas, na estrutura literária de suas letras” (abaixo transcritas como no encarta do disco).

CIRANO
Chico Maranhão

Cirano sorria, tossia, sorria, tossia, sorria
acendia o cigarro sentado sem graça
numa poça d’água da velha calçada
defronte à vidraça,
da nova vitrine, sorrindo pensava
soltando fumaça,
que embora a cabeça, pareça hoje em dia
quem pensa sua pança vadia, vazia…
De quem já fez tudo na vida
já foi de pular corda
fazer samba de roda, já foi de por gaiola, já foi
foi menino de roça, que foi
descobrindo, descobrindo
que a barriga prá se encher precisa brigar
e o salário da comida
nunca sobra prá depois.
Cirano, Cirano foi rei da sua vontade
tinha tanta coragem prá ser um Bonaparte
mas na história da arte só foi
só foi alfaiate que foi,
costurando, costurando, dando ponto
e pro freguês mais um desconto
e foi sabendo portanto
e foi sabendo que tinha que viver do esforço
da peça do pano do dinheiro do moço
do corte, do vinco, da calça, do bolso, da bossa
da prova, do esboço,
da fantasia e da moda,
da freguesa que concorda sem saber porque,
do molde, aquele molde que mudou
do novelo e do linho
da agulha que o tempo enferruja
da luta sem conta, do amigo que encontra
no caminho,
da hora, do ajudante intrigante
Sabia do roubo
e com segurança que o tempo avança
e o que é velho descansa
na breve lembrança do povo.
Mas o que Cirano não sabia
era do golpe que o homem recebe
daqueles que nada conseguem
do aço e do ferro que fere
o peito de quem se apercebe
da luta da greve do viver.

VELHO AMIGO POETA
Chico Maranhão

Velho amigo poeta, bom dia pra ti,
nesta manhã incerta, onde eu aprendi
que a vida é qualquer embarcação
sobre o mar da tormenta da paixão,
como vai o teu riacho de aluvião,
onde os barcos são pedras de carvão,
que acende assando o pão
da poesia irmão,
me conta como vão os teus pezinhos de romão,
e aquele mamoeiro macho sem razão,
que embaixo a seiva mata tuas
impingens com algodão…
Caro amigo poeta um beijo pra ti,
como vai meu colega, como vais aí?
como vai tua casa, teu clangor,
como vai tua paz interior,
como vai o teu porão de raro explendor,
onde um lenhador,
carpinteiro é dada a arrumação do fogo incendiador,
do rumo das caldeiras mortas do nosso motor,
senhor dos parreirais de brasa e de calor,
amigo, irmão, papai, pequena lágrima de amor…
Como vai teu filho, teu querido filho,
teu retrato de criança, ramo dum buquê da infância,
a rolar pelo capim, a correr pelo capim, a brincar
pelo capim.
Me conta de lá,
dos teus rios onde as margens correm pra beber,
me conta de lá,
dos teus mares onde as ondas são de cabarés,
me conta de lá,
dos teus olhos onde as covas são da viuvês…
me conta de lá,
das pitangas do ingá,
do cupim, da mambira do camurupim
da guariba do papa-capim,
dos garités…
das travessias que não davam pé.
Como vão os torqueses de nervos à cata do coração?
Como vão as toalhas de mesa dos fins de conversas
da Viana Vaz?
Como vai nosso sonho de linho, gomado a ferro
morno, um tostãozinho?
como vão as sandálias que calças com arte,
fivela pra fora da parte
da perna da calça, a única causa que tens no chão.

PONTA D’AREIA
Chico Maranhão

Eh, Ponta D’Areia, há muito tempo que eu
não te vejo não…

Capim verdinho levantando na cerca,
asfalto preto travessando a areia,
parede roxa quando nasce afundeia,
água na coxa, trepadeira na telha
fogo na boca, mecanismo na veia,
surra o cachorro, peixe seco na grelha,
morrendo pouco, cada dia na mesma… na mesa.

Eh Ponta D’Areia…

Caranguejeira namorando a parede,
moça bonita desarmando a rede,
nasceu de novo palmeirinha contente,
viva o caroço que sustenta a gente,
olho no prato, esperança na frente,
olha o borralho esquentando o ausente,
morrendo pouco, cada dia depende da trempe.

Pequena América da minha pobreza,
adormecida na própria natureza,
numa esquina brasileira surpresa,
nasceu menina comendo farinha seca
no fundo… no fundo… no fundo da nossa cabeça.

POR QUE VOLTO ATRÁS E VOTO EM DILMA, PARA NÃO VOLTAR PARA TRÁS

Antes, um aviso: isto não é jornalismo.

Outro: esta é a minha opinião, carregada de emoção, imperfeita como o próprio cenário político que se descortina.

E só mais um, este sim necessário: além do escritor Fernando Morais dizendo os porquês de votar em Dilma e não em Serra, ilustram este post charges do gênio Carlos Latuff, sigam-no os bons!

Com o fígado tomado de raiva e ódio após o resultado do primeiro turno das eleições 2010 cheguei a declarar voto em branco cá neste blogue. A razão é bastante simples: 45, o número do PSDB, o número do candidato José Serra, eu não digito nem em telefones; e Dilma Rousseff e Lula, do PT, foram, em grande parte, os responsáveis por Roseana Sarney ter liquidado a fatura contra as oposições, aqui no Maranhão, já na manhã seguinte ao pleito – há indícios de fraude que estão sendo investigados, sabe-se lá quando teremos os resultados, rima involuntária.

Eu, que desde que me entendo por gente, sempre tive uma clara e publicamente exposta postura antissarneysta, não poderia engolir este casamento, dos longos beijos que unem a barba de Lula ao bigode de Sarney. Teria levantado a voz quando o padre dissesse o tradicional “fale agora ou cale-se para sempre”, se eu tivesse sido convidado para “essa festa podre”.

Muita gente opinou sobre minha posição e me alertou sobre votos em branco, nulos e/ou abstenções, minhas três dúvidas iniciais, na verdade. Fui criticado, inclusive, por diversos amigos, por não optar por Dilma. “O Brasil é maior que o Maranhão” (minha raiva com o resultado local não deveria amesquinhar minha compreensão sobre a disputa no plano nacional), “a nossa preocupação tem que ser, para além do Brasil, com a América Latina” (sobre as relações do Brasil com os países e governos vizinhos) e “quem viveu a ditadura militar não pode retroceder e permitir que Serra chegue ao poder” (sobre a falta de participação popular nas gestões tucanas).

A ditadura militar acabou em 1985, em cujo dezembro eu completava apenas quatro anos de idade, mas com estes argumentos, apenas alguns dos que me foram apresentados, concordo – afinal de contas, a História está aí para isso mesmo. Prometi, a cada um, repensar. E dizia-lhes, há poucos dias talvez até em tom de brincadeira: vocês têm até o dia 30 – véspera do 2º. turno – para me convencer.

Não me agrada a ideia de ir para as ruas pedir votos para Dilma, justamente por essa relação nojenta e desnecessária com José Sarney & família. Por isso uso o espaço deste blogue como um pequeno palanque virtual e peço aos poucos-mas-fieis leitores, atenção. O assunto é chato, mas é sério. E quem me acompanha sabe que nunca me furtei a discussões para além de “cultura”, nossa principauta, sempre que isso se fez necessário.

Somos chamados à responsabilidade e esta não é pequena. Dia após dia tenho pensado e repensado no cenário. E faço, publicamente, a opção por Dilma Rousseff para dar meu voto no próximo dia das bruxas – sem trocadilhos infames, por favor! Militantes petistas – da banda que havia decidido por apoiar Flávio Dino (PCdoB) nas eleições estaduais aqui –, militantes dos movimentos sociais e amigos pessoais – não raro as mesmas pessoas figurando nos três grupos –, além da vulgar campanha de José Serra só tem reafirmado esta minha convicção.

A declaração de voto em Dilma, que eu já fazia aqui e ali, para um e outro, em mesas de bar, no trânsito, no trabalho, ou por onde mais eu tenha andado, e por onde mais eu andar, até o dia das eleições, se dá um dia depois de um manifesto de artistas pró-Dilma. Ali estão nomes que, de uma forma ou de outra, têm influência na formação deste humilde blogueiro: Chico Buarque, Ziraldo, Oscar Niemeyer, Leonardo Boff, Beth Carvalho, entre muitos outros. Mas não só por isso.

Com todas as falhas e limitações do governo Lula, basta compararmos e veremos que seus oito anos foram melhores que os oito anos FHCistas. Dilma é a continuidade de Lula. Serra é a continuidade de Fernando Henrique Cardoso e sua política privatista, do neoliberalismo, do Estado mínimo, da insignificância ou ausência de políticas sociais.

Se ficarmos na, digamos, “especialidade” desse blogue, basta compararmos as gestões de Francisco Weffort, ministro da Cultura de FHC, e Gilberto Gil e Juca Ferreira, ministros da Cultura de Lula. A partir do primeiro baiano o Brasil teve, de fato, um Ministério da Cultura de verdade – o MinC, antes um departamento do Ministério da Educação (que até hoje traz o C de Cultura na sigla MEC), é um dos mais jovens ministérios brasileiros, só tendo surgido em 1985. Mas só com Lula é que a Cultura começou a ter a dimensão que hoje tem, sendo pensada inclusive como elemento da agenda econômica, como elemento gerador de emprego e renda e, portanto, de dignidade, cidadania e direitos. Fora muitas outras áreas…

Poderia ter sido melhor? Sem sombra de dúvidas. Aliás, meu amigo Rogério Tomaz Jr., do Conexão Brasília-Maranhão, está escrevendo a série Coisas que o PSDB quer apagar da história. Lá se tem uma visão mais ampla no quesito “comparação entre os dois governos”, o demotucano e o petista.

O debate eleitoral foi da pior qualidade já desde o primeiro turno. Plínio de Arruda Sampaio (PSol), candidato em quem votei na ocasião, era quem garantia alguma qualidade às discussões entre os presidenciáveis – e não falo somente dos programas no formato moderador-candidatos. Agora temos Dilma, Serra e a polêmica do aborto. É muito pouco para o Brasil.

Sobre o assunto: não se trata de fulano ou beltrano serem contra ou a favor do aborto. E descriminalizar o aborto não significa torná-lo obrigatório. E assim como o casamento homossexual, a maconha etc. Isto é, todos os dias, em clínicas clandestinas, em fundos de quintal, mulheres morrem ao realizar abortos “ilegais”. Isso é o que acontece! É fato! É questão de saúde pública, merece o debate, mas não pelo viés religioso, o mais raso possível, como tem acontecido.

Voltando a Sarney: o blogueiro, candidato derrotado ao Senado e colunista do Jornal Pequeno José Reinaldo Tavares, declarou no veículo – há tempos um diário tucano, basta observarmos sua cobertura pró-João Castelo – que votará em José Serra, em artigo intitulado “Votar em Serra é votar contra Sarney” [Geral, página 2, segunda-feira, 18 de outubro de 2010]. Ingenuidade? Tolice? Cinismo?

Se já é perfeita a definição dada ao senador do Amapá pelo deputado federal Domingos Dutra (PT), segundo o qual José Sarney é um “camaleão”, cabe-lhe ainda melhor, a carapuça de “polvo”: o pai da governadora Roseana Sarney tem tentáculos espalhados para onde quer que nos viremos, em todas as esferas de poder – executivo, legislativo, judiciário, meios de comunicação etc. Acredita mesmo José Reinaldo que a vitória de Serra significaria a morte política do imortal? Ou alguém aí duvida que, uma vez Serra eleito presidente – toc, toc, toc na madeira, isola! –, ainda não será dessa vez que veremos Sarney na oposição?

Como liderança do PSB, partido da base aliada do presidente Lula, o ex-marido de Alexandra Tavares deveria declarar apoio a Dilma. No máximo se omitir. Ou, com a declaração de voto em Serra, ser responsabilizado por isso (infidelidade partidária?). Político nascido sob as hostes sarneystas, ungido pelo oligarca, de quem foi ministro dos Transportes quando aquele era presidente da República (1985-1990), José Reinaldo Tavares rompeu com a família Sarney, mas não por motivos ideológicos: uma briga de comadres, entre as “cozinhas” das “vizinhas”, sua ex-mulher e a governadora Roseana Sarney, foi a responsável por essa ruptura, que levou e leva alguns a enxergá-lo como um arauto do combate à oligarquia.

Alguns tucanos certamente me acusarão de patrulhamento ideológico. Mas é impossível negar que José Reinaldo tenha prestado um desserviço ao debate político com seu artigo, sobretudo quando o encerra, panfletariamente: “Votar em Dilma é votar em Sarney. Serra para presidente!!!”

Estamos longe de um cenário ideal. O fator Marina, no primeiro turno, acabou sendo útil ao demotucano Serra, alçando-o ao segundo turno. A eleição tornou-se plebiscitária. Entre as duas opções que se colocam – continuar no rumo iniciado por Lula ou retroceder ao neoliberalismo FHCista – estou com Dilma! Continuo bem longe de Sarney. E Serra nunca!

O LIVRO É GUIA E INSTRUMENTO DA SABEDORIA

[O Debate de ontemanteontem, sábadomingo, 16/17 de outubro de 2010. Problemas na diagramação da página “truncaram” o texto, que teve alguns trechos omitidos. Abaixo, a íntegra da entrevista]

De autoria do patrono José Louzeiro, este é o lema da IV Feira do Livro de São Luís, que acontece de 12 a 21 de novembro, nas praças Maria Aragão e Gonçalves Dias, Espaço Cultural e Semed (Rua Rio Branco). O Debate entrevistou José Maria Paixão Filho, o Professor Paixão, que coordena o maior evento literário do Maranhão.

ZEMA RIBEIRO
EDITOR DE CULTURA

José Maria Paixão Filho é formado em Ciências Contábeis pela UFMA, tem mestrado em Economia com especialização em Comércio Exterior, dentro da área de Economia – assim ele se curriculou à reportagem. Desde 2009 o professor do Uniceuma é o Coordenador da Feira do Livro de São Luís. A FELIS, sua sigla-alcunha, chega à sua quarta edição este ano, a segunda na gestão do tucano João Castelo na Prefeitura de São Luís e de Euclides Moreira Neto como presidente da Fundação Municipal de Cultura (FUNC) – o equivalente a secretário municipal de Cultura, guardadas as devidas proporções.

Apesar da pouca idade a FELIS já é considerada “o maior evento literário do Estado”. Sofreu duras críticas, inclusive por parte deste repórter, ano passado, quando foi diminuída. Professor Paixão, como é simplesmente chamado, culpa o pouco tempo que teve para realizá-la: “Sofremos um grande desafio, pois quando eu tive essa notícia era julho, e eu havia chegado em junho para fazer o PPA, e só depois fomos fazer a Feira. Foi muito complicado trabalhar a Feira do Livro ano passado”, justifica(-se).

A IV FELIS acontece dentro de menos de um mês, entre os dias 12 e 21 de novembro, nas praças Maria Aragão e Gonçalves Dias, Espaço Cultural e no prédio da Secretaria Municipal de Educação (Semed, Rua Rio Branco, Centro, próximo ao par de praças), que se transformará na Casa do Professor, com palestras voltadas a este público durante toda a Feira.

O Debate conversou com o Professor Paixão no gabinete da presidência da FUNC, cuja sede fica em frente à Fonte do Ribeirão, um dos cartões postais da capital maranhense – como vários outros, bastante maltratado pelo descaso. Era uma manhã de terça-feira ensolarada por sobre o abrigo da serpente. Euclides Moreira Neto estava no Gabinete, despachando, e vez por outra, forneceu alguma informação ao entrevistado, cuja idade não revelou, entre um sorriso e um “a minha calvície não diz tanto”. Simpático, fala como um professor, quase sempre fazendo uma pergunta para ele mesmo responder em seguida. Quase sempre fala em primeira pessoa e vez por outra emenda temas, como a adivinhar as próximas perguntas do repórter – dos espinhosos, como a relação com o Governo do Estado, escapou diplomaticamente.


O professor Paixão recebeu a reportagem de O Debate na sede da FUNC. Foto: ZR

O Debate – Como você chegou a coordenador da Feira do Livro de São Luís?

Professor Paixão – Eu vim para a FUNC agora na gestão do professor Euclides. Na verdade eu vim para fazer o PPA. Fiz o PPA da FUNC e ele gentilmente me convidou para ser coordenador da Feira do Livro. No início eu disse pra ele, pois achava que a Feira era uma coisa altamente suntuosa, artística, o gestor anterior tinha sempre essa tendência, a arte estava bem pronunciada dentro do processo, e eu de repente disse a Euclides: ‘eu não sei mexer com isso’. Ele disse que não: ‘administrar você sabe. Então você consegue fazer a Feira do Livro’. Sofremos um grande desafio, pois quando eu tive essa notícia era julho, e eu havia chegado em junho para fazer o PPA, e só depois fomos fazer a Feira. Foi muito complicado trabalhar a Feira do Livro ano passado. Tivemos que escutar muito as pessoas que já eram parceiros e já tinham comprometimento de seus orçamentos. Mas os grandes parceiros, como SESC, Semed, Vale e UFMA estiveram presentes e não nos abandonaram de uma Feira para outra, de uma gestão para outra. Por que isso tem que ser dito: a coisa muda totalmente, há uma ruptura, o que é complicado.

O Debate – Poderíamos dizer que o Professor Paixão cuida da parte administrativa, da parte mais burocrática da Feira do Livro?

Prof. Paixão – Eu trato de tudo, tudo da Feira do Livro.

O Debate – Inclusive da questão artística, programação?

Prof. Paixão – Aí é o seguinte: nós temos as equipes: equipe de programação, cenografia, montagem, trabalhamos com nossos arquitetos, assessoria técnica. Cada pessoa tem uma função. As funções são distribuídas, a área de comunicação também. Essas funções a gente vem trabalhando desde março, alimentando todo processo.

O Debate – A gente tem percebido no Brasil, em outras capitais, onde existe essa tradição de feiras literárias, que as feiras têm se tornado grandes festas, inclusive com caráter internacional, e isso ainda não é percebido aqui em São Luís, ou é feito de forma muito tímida. Há alguma perspectiva para a Feira do Livro de São Luís nesse sentido?

Prof. Paixão – É o tipo da coisa: quando você fala festa, complica um pouco, né? Eu fui agora para Belém e realmente foi uma festa. Por que nós tínhamos lá diariamente um show de Gilberto Gil com um show de Ivete Sangalo, num dia; no outro dia tinha Preta Gil com não sei quem. Então, cada dia tinha dois cantores diferentes, quer dizer, a Feira é impulsionada pelo artístico. Havia a necessidade de dez da noite parar a feira e começar o show artístico lá fora. A Feira estava sempre movimentada. Não estou falando mal da Feira, pelo contrário: é uma grande Feira, a Feira de Belém, tanto que eu convidei a coordenadora geral de lá para vir dar uma palestra sobre a Feira de Belém, ela será uma das palestrantes esse ano. E também é muito rico na Feira deles, o processo que eles trabalham lá é totalmente diferente da gente. Se você verificar Rio Grande do Sul, verificar Belém, não vamos botar São Paulo, que é bienal, mas se você verificar as feiras de livro, realmente, o quê que acontece?: os patrocínios são muitos. Nós não trabalhamos com patrocínios, trabalhamos com um correalizador chamado SESC, que é muito forte, e nós trabalhamos com a Prefeitura, e a Vale, que também dá uma ajuda pra gente todo ano. Então, quer dizer, se você olhar a nossa camisa dos patrocinadores, são muito poucos. Lá não, eles fazem questão de participar da Feira do Livro. Agora, isso vem de quanto tempo?: 56 anos no Rio Grande do Sul, Belém, não ‘tou lembrado [“15 anos”, refresca Euclides]. Nós estamos com quatro anos, temos um espaço muito pequeno em comparação com as outras Feiras: no Rio Grande do Sul é feito no meio da rua, tem uma área fechada totalmente, com hangares do antigo porto, que é uma coisa maravilhosa, eles usam um espaço imenso. Belém: tem um hangar maravilhoso, com auditórios para mil pessoas, 500 pessoas, todo modulado. O quê que nós temos aqui, em espaços? A [praça] Maria Aragão e o Espaço Cultural para realizar a Feira do Livro. Outro espaço nós não temos disponível. Pela Prefeitura, né? Ano passado, até nisso sofremos um pouco, na questão de não ter mais nomes para trazer para a Feira. Esse ano não, estamos trabalhando já com as agendas, os patrocínios. Como eu falo para você, o nosso copatrocinador é o SESC…

O Debate – [Interrompendo] Foi percebida uma diminuição na Feira ano passado em comparação com as duas anteriores.

Prof. Paixão – [Devolvendo a interrupção] Sobre…

O Debate – Por exemplo, os stands de livreiros ficaram no Espaço Cultural, a programação foi diminuída, a praça Maria Aragão ficou praticamente só com stands institucionais. Cito de memória, mas isso, de certa forma, já está explicado pela questão do pouco tempo que vocês tiveram…

Prof. Paixão – [Interrompendo novamente] Não, e esse ano o projeto é o mesmo. Se você soubesse, ano passado, a resistência de colocar aqueles livreiros dentro do Espaço Cultural. Foi 15 dias antes de acontecer a Feira. Foram resistentes. Quando voltaram de Belém, foi que disseram ‘agora a gente vai participar da Feira’. Detalhe: não cobramos nada para os livreiros [“eles não pagaram um centavo”, interrompe Euclides, de sua mesa, o entrevistado pega o gancho:], eles não pagaram um centavo pra gente. E ficaram numa disposição bem parecida com esta aqui [aponta um esboço arquitetônico com a disposição dos stands no Espaço Cultural], dentro do Espaço Cultural e aqui ficaram os institucionais [aponta no croqui a Praça Maria Aragão]. Os espaços eram pagos anteriormente. O que se tem de notícia é que custavam mil e oitocentos reais por livreiro. Ano passado não cobramos nada e amanhã terei uma conversa com eles sobre questões de espaço. Por que nós temos não só a ALEM, que é a Associação de Livreiros do Estado do Maranhão, nós temos também os independentes que vêm e querem um espaço pra eles e a gente acha interessante fazer esse compasso, de livreiros independentes com livreiros maranhenses. Por que deixar os institucionais na praça? Achei interessante até para não aglomerar, como acontecia na primeira a na segunda Feira: esses livreiros aqui [aponta novamente o croqui], junto com os institucionais, era muito apertado, não se tinha espaço. Aí veio a minha veia artística. Qual foi a ideia que eu tive? Deixar somente os institucionais e não tirar o efeito da praça ser uma praça. Eu acho que a praça Maria Aragão tem que ficar com o aspecto que é uma praça. Até para os arquitetos, eu peço espaço. Olha como tá aqui o palco do SESC, bem separado [aponta, no croqui, a distância entre o palco do SESC e o palco “natural” da praça Maria Aragão], por que se tiver um evento aqui de última hora, a gente tem como abrigar. Nós temos três pracinhas, então ‘tá bem distribuído. Esse ano ‘tá mais tranquilo, os projetos saíram cedo, desde março nós estamos trabalhando na Feira, já passamos alguns nomes [que integrarão a programação] para nossos parceiros.

O Debate – Qual o orçamento da Feira para este ano?

Prof. Paixão – Na verdade, estou fechando. Tenho uma previsão de 2 milhões e 400 mil reais. Uma previsão. Com os impostos.

O Debate – São oito dias?

Prof. Paixão – Dez dias. Dez dias de Feira.

O Debate – Já teve um momento de as pessoas fazerem suas inscrições, apresentarem seus projetos, o que já está confirmado?

Prof. Paixão – Teve as convocatórias. De palestras, ‘tá lotado. Palestras internas, ‘tá lotado. As externas faltam só confirmar com os parceiros de São Luís para poderem ajudar na questão dos honorários dos palestrantes externos. Eu tenho que fazer primeiro umas colocações para tu poderes entender essa questão de palestras. Eu fiz inserção, esse ano, socialmente falando, da questão do surdo-mudo, do cego, dos meninos de risco [sic]. A Biblioteca Municipal do Bairro de Fátima tem um trabalho junto com uma ONG de lá sobre meninos de risco, e também incluí, achei interessante, nas Feiras que visitei, a questão da literatura de cordel, que é muito pobre no Maranhão. Então eu ‘tou trazendo aqui o [poeta popular] Arievaldo Viana. Aqui temos alguns nomes que eu posso passar para você, mas não fechado, en passant [frisando]: [o repórter global] Caco Barcelos, [o educador] Celso Antunes, [o poeta e contista] Fabrício Carpinejar, Pedro Bandeira, na literatura infantil, Marcio Vassalo, na parte de educação, Sofiane Labidi, que é de São Luís, e vem falar sobre outra preocupação que eu tive. Como nosso tema esse ano é o livro, então eu tive a preocupação de pegar uma história do livro desde quando surgiu até os dias atuais. O que é de atual? E-books. A Feira será aberta com uma palestra sobre e-books e uma discussão literária no Café Literário com os literatos, Sofiane Labidi enquanto literato, sobre e-books, no sábado a palestra e domingo a discussão literária, e Antonio Albino Rubim [professor da UFBA], que é da Bahia, e os palestrantes graduados, professores, doutores, mestres de São Luís também estão aqui. Espero que a gente consiga fechar, por que os valores [dos cachês dos palestrantes] são altos. A gente tem que trabalhar bem o “quem pode fazer o quê”: a Prefeitura sozinha não pode trabalhar a Feira. Ela banca a Feira. O orçamento da Feira, pode se dizer, é Prefeitura, é a Prefeitura quem paga. Mas nós temos o copatrocinador SESC, que é um grande parceiro [volta a enfatizar], Semed, Vale, UFMA, são grandes parceiros que nós temos.

O Debate – Antigamente havia uma diferenciação entre artistas locais e artistas nacionais. Qual era a notícia que chegava pra gente? Falo da gestão anterior, as duas primeiras Feiras: o autor nacional vinha, com tudo bancado e recebia um cachê alto. Os autores locais acabavam ocupando o espaço da Feira, que é importante, para lançar seus livros, mas simplesmente para divulgar seus trabalhos, não tinha cachê. A gestão atual pensa em modificar isso?

Prof. Paixão – Nós já pagamos cachê ano passado.

O Debate – Qual a sua opinião sobre iniciativas como a Feira do Livro do Shopping, que está acontecendo no São Luís Shopping [até ontem, 17], iniciativa da ALEM?

Prof. Paixão – Maravilha! Estou sentindo muito é que não tenham me comunicado. Se tivessem me comunicado eu teria dado minhas ideias e teríamos frutificado isso daí. Eles estão sempre com a gente aqui. Desde março que a ALEM está com a gente. E é uma maravilha. Eu acho que eles estão certos. Eles têm que fazer o nome deles, e não é só esperando Feira do Livro de São Luís. Estão corretíssimos. E que eles façam isso não só uma vez: num shopping, numa praia, num local, num sítio…

O Debate – Como é a participação do Governo do Estado na Feira do Livro de São Luís?

Prof. Paixão – Nenhuma. Nenhuma. Eu procuro… [interrompe-se] Desculpa. Eu falo nenhuma, mas eu procuro e pelo menos na questão da educação a Seduc sempre vem. Eu falo nenhuma assim, de uma ajuda maior.

O Debate – Na verdade seria uma obrigação. A Feira tem só quatro edições, está indo para a quarta, aliás, mas já é o mais importante evento da área no Maranhão…

Prof. Paixão – Sabemos que há questões políticas muito envolvidas em tudo isso, mas não sou a pessoa mais indicada para responder isso. O Governo do Estado, como a Governadora Roseana fez com Imperatriz, ela bancou a Feira do Livro de Imperatriz. O Governo do Maranhão, não só a governadora Roseana, esquece a Feira do Livro de São Luís. A Seduc eu acho até que meio que se sente na obrigação de vir. Não estou falando da Secretaria de Educação: estou falando do Governo do Estado, nesse aspecto. Nós temos tanta coisa bonita feita pelo Governo do Maranhão, e no momento em que isso poderia ser exposto numa Feira do Livro, não se tem essa abertura.

O Debate – Fora palestrantes, o que já temos, de nível nacional, confirmado? Soube da confirmação do patrono José Louzeiro [jornalista, roteirista e escritor maranhense radicado há décadas no Rio de Janeiro, autor de Pixote e Lúcio Flávio, entre outros]. E outros autores?

Prof. Paixão – É isso que eu ‘tou te falando aqui. Tem essa relação que eu te disse, desses autores aqui, que vêm, José Louzeiro também. Só isso daqui enche a Feira. Se trouxer um desses por dia, entendeu? Eu tenho um nome nacional por dia, é importante. Nós tivemos três nomes nacionais, eu acho, ano passado, na Feira, e olhe lá, foi a maior dificuldade. Foi Maria do Socorro Aragão, que até está fazendo um projeto aqui em São Luís, está sendo homenageada, acho que vou convidá-la novamente para vir. Foi o [cantor, compositor e escritor] Chico César, [um representante d]a Feira do Rio Grande do Sul também esteve aqui, falando sobre a Feira do Livro do Rio Grande do Sul, de cabeça eu me lembro esses três, de nacionais, mas tivemos outros nomes, com certeza, mas não com aquele nome forte, de encher auditório. Por que a história das pessoas é encher o auditório. Mas às vezes isso é complicado. Eu tive com [o presidente da FUNC] Euclides [Moreira Neto] ano passado no Rio de Janeiro, falando com Ferreira Gullar sobre a Feira, foi quando ele aceitou ser patrono. Infelizmente ele não pode vir, por não viajar mais de avião, e tentamos falar muito com Chico Buarque de Holanda, para lançar o livro dele aqui. Não tivemos condições de falar com ele. Existem alguns imbróglios, que a gente não chega nem na assessora. Ela atendeu uma vez a gente, dizendo que a gente ligasse dia tal, fizemos todos os contatos, nada. Não respondem, nem por e-mail, nem por telefone, nem por nada. Então, tem uns complicadores. A gente vai atrás das pessoas, as pessoas não querem. Esse ano, na verdade, eu acho que é outra Feira; era incipiente para a gestão e, na verdade, esse ano, o professor Euclides pegou o rumo, eu também peguei o mesmo rumo de entendimento de Feira… vamos ter falhas? Sempre teremos, disso ninguém tem dúvidas, é normal, do processo. Não sei se você ‘tá sabendo, nosso tema é o livro e a frase, que o Zé Louzeiro, eu pedi para ele mesmo fazer a frase para mim, sobre o livro, e ele escreveu “O livro é guia e instrumento da sabedoria”, lema da Feira.

O Debate – Além de Louzeiro, quem serão os homenageados da Feira?

Prof. Paixão – Os homenageados da Feira são Maria Aragão, pelos seus 100 anos e pelo seu trabalho na área médica e política; da AML foram indicados por eles dois nomes: Carlos de Lima e José Maria Ramos Martins, que este ano completa 90 anos; na área artística será homenageado Reinaldo Farah; na área da pedagogia e pesquisa Rosa Mochel; e na área médica e religiosa João Mohana. Estas serão as nossas homenagens desse ano.

GARIBALDO MOSTRA AO RESTO DO MUNDO A QUE VEIO

Garibaldo e o Resto do Mundo lança disco de estreia em show gratuito hoje, às 19h, no Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande).

ZEMA RIBEIRO
EDITOR DE CULTURA

Uns fatalistas já decretaram sua morte, mas Garibaldo ainda se emocionou ao receber seu disco prensado. A homenagem ao saudoso pinto amarelo da Vila Sésamo é feita por Paulo Henrique Moraes, verdadeira identidade do vocalista e guitarrista da Garibaldo e o Resto do Mundo, uma espécie de super-herói da cena pop independente no Maranhão.

A estreia da banda, que começou de uma ideia de seu vocalista, que inicialmente entrou sozinho em estúdio para só depois virar banda – entenderam? – será lançada em show hoje à noite, a partir das 19h, no Teatro Alcione Nazaré, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, na Praia Grande. O show, previsto para acontecer no Anfiteatro Beto Bittencourt, “um espaço ainda pouco aproveitado”, segundo o próprio, onde o mesmo Paulo Henrique – ou Garibaldo – já ajudou a organizar shows de rock, acabou migrando de palco por motivos de força maior.

Ele se divide entre a Garibaldo e o Resto do Mundo, a Eleonora F. e a Velttenz. Toca, canta e compõe – “letra e música” – nas três bandas. Ricardo Sanchez, gênio das artes gráficas da Ilha capital, assina o projeto gráfico da estreia da primeira, a primeira dessas bandas a ganhar registro em disco. “Ele não toca, mas é como um integrante da banda, ele acompanhou cada fase da gravação. O trabalho que ele fez foi incrível”, derrama-se Paulo Henrique Moraes, que faz questão de explicar: “Eu não toquei todos os instrumentos na gravação, apesar de ter entrado em estúdio sozinho. O Adnon Soares, produtor do disco, foi o grande responsável pela definição dos timbres e sonoridade da banda. Sou muito grato a ele por isso”. Digamos que o que começou como a banda de um homem só mais seu produtor, hoje é a Garibaldo e o Resto do Mundo.

O Debate conversou com Paulo Henrique Moraes, por e-mail.


A arte de Ricardo Sanchez embala o som da Garibaldo e o Resto do Mundo

O Debate – A Garibaldo e o Resto do Mundo é, de certa forma, uma incógnita. A formação está disponível na página da banda no Myspace, mas se perguntássemos quem é a Garibaldo, como você responderia?

Paulo Henrique Moraes – Garibaldo é um personagem que inventei pra mim mesmo para dar vazão a uma produção musical que me acompanha desde o primeiro momento em que entrei em contato com a música pop/indie contemporânea. Eu já toquei, e ainda toco, em outras bandas de rock daqui de São Luis [Eleonora F. e Velttenz], mas sentia que certas músicas e letras que compunha não diziam respeito ao tipo de som que toco com essas bandas; por isso “criei” o Garibaldo, para dar forma e servir de base para a produção e arranjos das músicas. Hoje, depois do som já ter ganhado uma identidade própria, a banda existe e é formada por Pedro Moura [guitarra e vocal], Kiko Lisboa [bateria], que já tocaram em diversas bandas de São Luís, Denis Moraes [contrabaixo], meu irmão e meio que braço direito, e eu [Paulo Henrique Moraes canta e toca guitarra].

O Debate – Daí surgiu então o nome da banda. E por que Garibaldo?

PHM – Nada de mistério: Garibaldo por causa do personagem da Vila Sésamo. Sempre achei insólita a figura daquele pinto amarelo grande [risos]. O Resto do Mundo veio como uma brincadeira: fui para o estúdio antes de a banda existir de fato, portanto gravei ‘sozinho’, apenas com o produtor, Adnon Soares, daí aquela coisa: eu e o resto do mundo…

O Debate – Fala-se bastante em cena independente, mas ela é incipiente no Maranhão, onde quase tudo, sobretudo em se tratando de produção cultural, depende dos poderes públicos. No disco da Garibaldo não há uma logomarca sequer, o que torna a banda um símbolo de independência. De quem dependeu esse disco de estreia?

PHM – Fácil: VONTADE [maiúsculas dele]. E Comprometimento. Sempre, em todas as minhas tentativas de me meter com cultura, seja publicando zines, organizando feira de livro usado, shows de rock, sempre fiz por pura vontade de fazer, nunca dependi de ninguém; eu não abdico de apoios e patrocínios, não me entendam mal, inclusive, pedi apoio para a produção de todos esses projetos, também para o disco, não encontrei ninguém que comprasse a ideia: FIZ! Em São Luis, se tu for depender de alguém pra fazer qualquer coisa, esqueça, ou melhor, faça, com coragem e fé em si.

O Debate – Ricardo Sanchez, um dos grandes talentos do design no Maranhão, é o responsável pelo projeto gráfico do disco. Como se deu esse contato? Que direcionamento e liberdades ele teve?

PHM – Aqui em São Luis todo mundo se conhece, mesmo. Temos, Sanchez e eu, alguns amigos em comum, e já o conhecia dos INÚTEROS, daí entrei em contato com os vários blogs que ele mantém, e, quando vi seus desenhos, quase desacreditei que aquela produção era de alguém de São Luís, tão profissional e talentosa. Mandei uma mensagem via orkut para ele, falei que estava gravando o disco, nos encontramos, conversarmos, descobrimos afinidades, e então fiz a proposta, dei total liberdade para que ele criasse; só queria que o formato do encarte fosse diferente das coisas feitas na cidade. Ele aceitou prontamente. Ele não toca, mas é como um integrante da banda, ele acompanhou cada fase da gravação. O trabalho que ele fez foi incrível.

O Debate – Entre as influências da banda, conforme texto no myspace, estão “mulheres, literatura ocidental, sentimentos… e todas as músicas boas que existem”. Em seu blogue você declarou não gostar de samba, por exemplo. Sem patrulhamentos, entre os sons que você ouve, o que você diria que influencia diretamente a Garibaldo? Ou, entre tudo, o que mais influencia?

PHM – A Garibaldo e o Resto do Mundo nasceu de um tipo de influência musical bem específica: o pop. Pop do tipo que o Pato Fu, o Cake, Brendan Benson fazem, essa coisa rock/experimental/indie mas, sobretudo, pop. Eu mesmo sou influenciado e gosto de um monte de coisa. Quando digo que não gosto de samba, entenda-me, digo que esse tipo de som não é o que mais esteve presente na minha formação musical, não desgosto do gênero por completo, não gosto é do que chamam ‘raiz’. Idolatro Caetano [Veloso], e quase todo mundo que gosto no Brasil, meio que faz, já fez, samba, de alguma forma. Mas sou, por escolha, do rock: do indie inglês a barulheira sueca.

O Debate – Além de cantar e tocar guitarra na Garibaldo e o Resto do Mundo, você está à frente de duas outras bandas, o que te faz assinar, no perfil do tuiter, “sou capela por música”. Você vive de música? Ou tem outra profissão que sustenta os músicos que te habitam?

PHM – Nunca tive pretensão de viver de música. Primeiro porque tenho bom senso, esse negócio de música já é difícil para os grandes, imagine para mim, aqui em São Luís dos cafundós. Trabalho em algo nada a ver com música ou arte. Isso não quer dizer que não tenho um comprometimento sério com a música/arte, levo pra frente todo tipo de criação porque tenho que estar ocupado, sempre, com as coisas que gosto. Tenho planos de lançar livros, de fazer vídeos, de gravar mais discos com minhas bandas, e sei que vou realizá-los uma hora ou outra, sei por que se não fizer, não vai valer a pena nem levantar de manhã.

O Debate – A entrada para o show de lançamento da Garibaldo é franca. Como se deu a parceria com o Centro de Criatividade Odylo Costa, filho?

PHM – O centro de criatividade Odylo Costa, filho sempre foi muito aberto à criação cultural. Mês passado mesmo, vi a primeira peça montada do meu amigo Igor Café, De Assalto, lá. Sempre que solicitei, eles atenderam prontamente. O show vai ser no Teatro Alcione Nazaré [o palco migrou, de última hora, do Anfiteatro Beto Bittencourt, para onde havia sido originalmente agendado].

O Debate – Alguns fatalistas já decretaram há tempos a morte do cd, mas gravar um ainda representa uma emoção grande, imagino. As outras bandas em que você atua estão pensando ou preparando algo nesse sentido?

PHM – É emoção sim. Ver teu esforço materializado no cd é massa! Como falei, estou sempre planejando ou no meio de gente que quer fazer, portanto, vou lançar mais coisas com as outras bandas. A Eleonora F. está fechando repertório, compondo e arranjando as músicas. Temos pretensão de gravar no ano que vem. A Velttenz, já tem myspace com duas faixas, gravamos mais duas em setembro, já já vai estar no site, e estamos gravando mais para um cd também ano que vem.

O Debate – É difícil conciliar tantas propostas e agendas musicais?

PHM – Fácil não é, mas é prazeroso. Assim posso me expressar de diferentes maneiras, através de diferentes sons, além de ser um exercício de criatividade imenso: componho nas três bandas, letra e música, então imagina o quanto tenho que me superar criativamente para poder expressar a linha musical sonora e de temas de cada banda.


Também são de Sanchez as peças promocionais de disco e show

[O Debate, hoje]