Arquivo mensal: abril 2010

SET LIST

Se foi simplesmente ducaray a Santa Levada, às vésperas do feriadão da Semana Santa, esta Set List, às vésperas de outro feriado, promete. Os deejays Franklin e Pedro Sobrinho recebem a deejaya Josy D’Jah.

Ela, com cinco anos de experiência nas pick-ups, especializada em reggae, e no vinil.

Deejaya de Jah, o negócio promete!

O FLAUTISTA E A RATARIA

O velho flautista sanguinário está de volta
e a rataria reunida em sua volta
pra blindar o sangue negro em seus cristais,
pra transformar nossas riquezas em seus quintais.

Como um demônio, ele, lá do fundo do esgoto;
no senado ele é o chefão mais poderoso.
Ele sola o sofrimento que magoa lá no fundo,
ratos e mais ratos, como cresce o latifúndio!

O camponês enfurecido precisa romper a cerca,
a Mirante embrutecida xinga as camponesas.
Pelo flautista a rataria é seduzida:
para sua filha o poder puxou do Boizinho Barrica.

Era presente de natal, mas foi de páscoa simplesmente:
o estado embrulhado em papel de presente.
Isso é que é pai! Ferrabrás, super-amigo da filha:
o flautista e a mulher maravilha.

Veja só quantos artistas seguidores:
depois da festa a permissão aos roedores
para encher a pança com as sobras ofertadas no banquete
Butica, macaxeira, chama o flautista de peixe.

Ele é mais, ele quer mais:
dono do mar, do Maranhão,
ele é o cão, é o satanás,
ele é o anjo que o onipotente expulsou do céu,
ele é o fel, ele é a morte, ele é o juiz, você é o réu,
ele é amigo do ex-operário líder do ABC,
ele é do PMDB, ele é da base do PT,
ele é o carrasco número um da plebe,
quando ele toca a flauta a rataria toda segue.

Ratos!
Sei que o solo do flautista,
a marcha fúnebre dos pobres,
o maestro da oligarquia.

Ratos!
Dor, sofrimento,
a cor de quem mais sofre
falso juramento.

Eu vejo ratos!
Ratos, eu vejo!

A flauta tem poder,
o fautista é poderoso,
estourando tampas e mais tampas pesadas de esgoto,
infestando a cidade com bandidos, pilantras,
traidores, vigaristas e a filha, a virgindade santa.

Guerreira? Ah, ah, é brincadeira!
Guerreira é a mãe que tampa sem carteira, é carvoeira.
Vê o futuro dos seus filhos jogados ao chão,
sujo de carvão, pulando cancão

Ele é o cão de bigode,
ele é a morte,
é tudo que…
Ele é amigo do João que comandou a operação Tigre,
que matou gente inocente, não bandido grande
como aqueles que compõem sua própria gangue.

Ele é o sangue coagulado, escarrado, em DP
após sessões e mais sessões de tortura em você.
Ele é o choro da mãe preta que ninguém consola,
ele é o pai daquela que deixou seu filho sem escola.

Ele voltou, pois o Lago apodreceu,
ele voltou para o palácio abraçado com Tadeu.
Vai de uísque? Não!
Vai de café? Vai dar fé!
Então pega o Cafeteira e traz pro Zé.

Ele é de fé, eu boto é fé! Não!
Então me escuta, ele é parceiro do basquetebol da CUFA,
mas me chama de bandido, preto louco insano
Eu não preciso usar colete pra ouvido, mano.
Declaro guerra, eu sou favela, eu sou a fera mais ferida!
Não sou rato pra seguir esse tipo de flautista.

*

Transcrevi a letra acima do cd Quilombo Urbano – 20 anos de correria e periferia, que meu amigo Bruno Galvão me emprestou. Talvez haja algum erro, omissão ou coisa que o valha (não sei por exemplo, quem é o autor da pérola; quem tiver contribuições/correções traga-a(s) na caixa de comentários aí embaixo). Valho-me dela, embora nem saiba se a música está no set list do show, para convidar os poucos-mas-fieis leitores deste blogue para a gravação do DVD do grupo Gíria Vermelha, nesta quinta-feira (15), a partir das 20h, no Bar do Porto (Praia Grande):

ARTE NO OLHO DA RUA

O sebo e livraria Poeme-se (Rua João Gualberto, 52, Praia Grande), do meu amigo Riba, comemora 22 anos e os seus frequentadores, ou não, ganham um presentaço.

Amanhã (14), às 19h, em frente ao Poeme-se: lançamento dos livros Nagô Abioton (Paulo Melo Sousa e Márcio Vasconcelos), Paisagens possíveis (Josoaldo Lima Rego) e Belle Epoque (Celso Borges). Recital poético com Robson Diniz, André Bandeira e Karine Alves. Apresentações musicais de Daffé, Manoel Mota, Alê Muniz, Zé Maria Medeiros e discotecagem (vinil) com Paulo du Vale. Performance teatral da Tapete Criações Cênicas (companhia vizinha do Poeme-se). Haverá ainda exibição de filmes e vídeos, sebo e brechó.

A entrada é franca. Maiores informações: (98) 8151-3131, 3232-4068 e/ou 3227-0079.

VOCÊ NA CONTINUUM

A bela Continuum, revista editada pelo Instituto Itaú Cultural, com versões impressa e eletrônica, está recebendo trabalhos para seleção e publicação em seu próximo número.

A sessão Deadline é dedicada a estudantes de graduação, que deverão abordar em matéria o tema periferia. O projeto deve ser enviado até 18 de abril e a construção da matéria terá acompanhamento de profissional do instituto.

A Área Livre é sessão aberta a qualquer interessado. Para ambas as seções, regulamento, inscrição e maiores informações no site da revista. Participe!

NÃO BATO CABEÇA

Divertida: Não bato cabeça, de Wilson Zara e Mauro Izzy, em animação de Jean Feres e Nuna Gomes.

A agenda de Zara pode ser conferida em seu site.

&

TRIBUNA

Com a não circulação do jornal Tribuna do Nordeste no último dia 4, este texto acabou saindo ontem, 11, na Tribuna Cultural, quando pela primeira vez publicamos também este “caça-patrocinador”:

UM ACHADO

Dia desses, matando um sanduíche de madrugada, no Filipinho, depois da Santa Levada, conversava com o já amigo Glaubinho, a quem conhecia apenas de vista e de todo mundo falar bem. Ele comentou de uma foto minha, que tinha visto e tal. E mandou-me, por orkut, o registro abaixo, histórico, que já deve ter uns sete, oito anos.

Este blogueiro, o jornalista e poeta Cunha Santos, o poeta e músico Zé Maria Medeiros e o jornalista e percussionista Gutemberg Bogéa em Carolina/MA. Viajávamos num microônibus, bebemos de São Luís até o destino (e lá, óbvio, continuamos bebendo), onde iríamos fazer umas matérias e paramos num posto para “matar a broca” (notem o pastel na mão de Zé Maria).

MIRANTE SEM JUÍZO

Tem caras que eu respeito muito e com quem muito tenho aprendido ao longo de tantos anos de convivência. Acho que figuras como Celso Borges, Eduardo Júlio, Fernando Abreu, Francisco Colombo (intervalo coluna social do blogue: recém-papai: sua linda filhinha Catarina nasceu no último dia 7) e Reuben da Cunha Rocha, entre outros, deveriam ter um blogue. Como não têm, a gente vez em quando reproduz coisas deles aqui.

Uma amiga minha havia comentado o tremendo lapso de um repórter micareta, ops, miranteano, ao propagandear o show de Alcione na Ilha (na Praça Maria Aragão, quarta-feira passada, 7), ao comentar as diversas participações especiais que a “marrom” teria na ocasião. Ri muito e tuitei.

Abaixo, texto recebido por e-mail do poeta, jornalista e querido amigo Eduardo Júlio sobre o episódio.

MIRANTE SEM JUÍZO

Alguns repórteres da TV Mirante parecem ter perdido o juízo. Há mais ou menos dois meses afirmaram categoricamente que Dubai fica na Índia e que o Haiti se localiza na África. Isso, com o aval do editor, já que as reportagens não foram transmitidas ao vivo. Nesta semana, foi a vez de um repórter numa chamada ao vivo confundir Simoninha – um dos mais celebrados artistas da nova música brasileira, filho de Wilson Simonal – com Simony, aquela que integrou o Balão Mágico e foi capa da Playboy e da Sexy. A chamada divulgava o show que Alcione fez na Praça Maria Aragão, oportunidade em que gravou um DVD em São Luís. Simoninha foi um dos convidados da cantora maranhense.

Dizem que a confusão foi grande na redação da TV Mirante e que a cabeça do repórter em questão está por um triz. Talvez os repórteres da TV Mirante tenham faltado a aulas de geografia no ginásio ou conheçam o mundo somente por meio da programação da Rede Globo, o que é mais provável.

Agora podemos imaginar a seguinte situação caso Simony tivesse participado do show da Alcione. Ela cantaria com apoio de playback três antigos sucessos do grupo que dominou o cenário infantil brasileiro na era pré-Xuxa dos anos 80. No camarim, o marido ou ex-marido traficante da artista estaria cortejado por socialites maranhenses. No final, alguns fãs mais ardorosos de Simony levariam exemplares intactos da Playboy e da Sexy para ela autografar. Um deles provavelmente seria o repórter da Mirante, que não teve o trabalho (mínimo) de ler a pauta.

Eduardo Júlio é poeta e jornalista

BARBA: CANAL!

A Barba Branca (acima em registro feito durante o reveião em que eles tocaram no Chamamaré: eu tava lá mas a foto não é minha, foi tirada do orkut da banda) toca neste domingo (11), a partir das 17h, no Bar Canal (Praia Grande, ao lado do Terminal de Integração).

Lembro do repertório da banda, quando os (ou)vi ao vivo (há dois ou três anos?): clássicos do reggae. Tinha hora em que eu parecia estar em uma discotecagem. Tipo, é cover, mas é cover do bom!

E o show é grátis!

BIOTÔNICO: PRO CÉREBRO FICAR FORTE

Outro dia minha mulher reclamou: Zema, essa foto de Celso Borges aparece muito em teu blogue. Tu não tem outra não?

Ela tava falando da foto que o Carllos Boselli fez de CB nalgum Londrix e que tenho usado constantemente para divulgar os feitos do poetamigo.

Bueno, para divulgar sua turnê nordestina, já usei outra (vide post abaixo), que recebi do Luciano Sá, do BNB, por e-mail.

E agora repito a aí acima para redizer: o Biotônico, com Celso Borges, Zeca Baleiro e Otávio Rodrigues, estreia dia 11 de abril na rádio Uol e no site do cantor.

Biotônico, o fortificante do seu rádio, é um programa à moda antiga, com curiosidades, bate-papo, aforismos, poesia, música, jingles, informação, leveza, bom humor, receitas, simpatias, adágios, frases de pára-choque e muito mais, não necessariamente nessa ordem.

TURNÊ NORDESTINA

Jornalista, poeta e letrista, Celso Borges (foto) apresenta seu espetáculo poético-musical A posição da poesia é oposição em três Centros Culturais Banco do Nordeste: CCBNB-Cariri, em Juazeiro do Norte/CE, dia 8 (quinta-feira); CCBNB-Sousa/PB, dia 9 (sexta); e CCBNB-Fortaleza/CE, dia 10 (sábado), sempre às 19h. O espetáculo integra o programa Literatura em revista e tem entrada franca.

No espetáculo, com duração aproximada de 45 minutos, Celso Borges (voz, poesia) será acompanhado de Christian Portela (guitarra) e lerá-dirá-declamará-cantará-gritará poemas de seus três mais recentes trabalhos: Belle epoque (2010), Música (2006) e XXI (2000), todos lançados no formato livro-disco, aliando o poema no papel ao suporte áudio.

DOM PEDRITO, O FENÔMENO

Eu sonhei que ganhei a promoção do McDonald’s e viajei com meu pai para ver Brasil x Portugal na África do Sul. Foi uma emoção muito grande e entrei segurando a mão de Robinho, o craque do Santos, o meu time. E lá na Copa, quando tava no gramado, eu lembrei da primeira vez que entrei num campo de futebol. Fui ver a despedida do Robinho na Vila Belmiro, em 2005, quando ele foi jogar na Europa. Eu tava com o uniforme completo do Santos e entrei junto com um monte de meninos. Mas aí eu comecei a chorar e um moço da organização me levou para a mamãe. Naquele dia o Santos deu de 4 x 3 no Figueirense e o Robinho veio se despedir da torcida bem na frente da gente. Eu achei ele tão grande! Aí o papai me disse que era porque eu tava acostumado a ver os jogadores só pela televisão. Mas no meu sonho de craque eu não fiquei com medo e segurei bem forte na mão do Robinho. Depois o Brasil ganhou de 2 x 0 e é claro que o Robinho fez um gol. Ele recebeu a bola do Kaká, deu um monte de pedalada e chutou direto na rede.

*

A amiga Vania Barros me mandou o e-mail e eu cheguei a este texto de Dom Pedrito ou Pedro Antonio de Oliveira Borges (7 anos, São Luís/MA), com que ele concorre a uma passagem com acompanhante para ver a Copa do Mundo na África do Sul.

Para quem não conhece, Dom Pedrito é filho de nosso querido poetamigo Celso Borges e de nossa querida jornalistamiga Andréa Oliveira e saca tudo de futebol. E tudo, aqui, não é exagero!

Já votei! E recomendo aos amigos fazer o mesmo. Vamos realizar o sonho do garoto prodígio? Para votar, aqui.

DOMINGO DE PÁSCOA

Não sei se o Tribuna do Nordeste (e nossa coluna Tribuna Cultural, com ele) circulou domingo passado.

Abaixo, o texto que mandei para lá, comentariozinho tardio sobre o mais recente título da videografia de Zeca Baleiro, que este ano já deve lançar Concerto, disco que gravou ao vivo também, em que ao lado dos violonistas Tuco Marcondes e Swami Jr., interpreta sucessos e inéditas de sua autoria e hits alheios, de Elton John a Chico Maranhão.

ZECA BALEIRO: AO VIVO EM CORES OU P&B

Zeca Baleiro repagina em vídeo ao vivo as músicas dos dois volumes de O coração do homem bomba.

Com 13 anos de carreira – se considerarmos Por onde andará Stephen Fry?, seu disco de estreia, de 1997, seu marco zero – Zeca Baleiro é um dos artistas brasileiros com a mais vasta videografia, isto se ele não for realmente o número um no assunto.

Numa média de um DVD a cada dois anos, incluindo um show dividido com Raimundo Fagner, O coração do homem bomba ao vivo – Ao vivo mesmo [2009, MZA Music/ Canal Brasil/ Ponto de Bala, 124 minutos, R$ 36,80] é o sexto título. A direção é de Paulo Henrique Fontenelle, que também dirigiu, para o Canal Brasil, o premiadíssimo Loki, sobre o eterno mutante Arnaldo Baptista.

A exemplo do disco, lançado em dois volumes em 2008, o DVD de O coração do homem bomba é dividido em duas partes: show (gravado ao vivo no Music Hall, Belo Horizonte, em 27 de junho de 2009) e estúdio (gravado ao vivo no estúdio YB, São Paulo, em 22 de junho de 2009).

Na primeira parte, as canções dO coração do homem bomba – Volume 1, “a festa”, algumas inéditas da lavra de Baleiro e alguns achados; na segunda, o repertório de Volume 2, “a ressaca da festa”, segundo depoimento do showman – a cada show e/ou DVD, o epíteto se confirma.

Entre as inéditas, Dinheiro, Daslu, que recomenda a quem não sabe o que fazer com tanto dinheiro enfiar na rima óbvia, e Ê vida vã, que anuncia o destino dos jornais, do que nem essa coluna escapa: “Ê vida vã/ o jornal de hoje/ é o papel de embrulho de amanhã”.

Entre os achados, o Coco do trava-língua (Cachimbinho e Geraldo Mousinho), de letra quilométrica e difícil de cantar e Uma loira (Hervê Cordovil), atendendo a reclamações de loiras sobre a onipresença de morenas nas letras de Zeca Baleiro. “Realmente, a música popular é injusta com as loiras. Ao menos no Brasil, por que na Suécia elas devem ser muito cantadas”, diz, brincalhão.

O “lado” show, de plateia eminentemente feminina, é filmado em cores; o estúdio, em p&b, garante o clima introspectivo, menos festivo, de Volume 2. Nele, a presença de mais parceiros, nas composições: Wado (Era), Kleber Albuquerque (Tevê), Totonho (Você se foi), Emily Dickinson (I’m nobody, poema musicado por Zeca Baleiro) e Chico César (Eu detesto coca-light).