SÓ O AMOR CONSTRÓI

[Comentariozinho sobre o novo disco de Kléber Albuquerque (e sua Miniorkestra de Polkapunk) publicado domingo passado, 18 de abril, na Tribuna Cultural, Tribuna do Nordeste]

ECLÉTICO, SIM! HERMÉTICO, NÃO!

Quinto disco do artista passeia com desenvoltura por diferentes gêneros, confirmando-o como um dos mais versáteis e talentosos da música brasileira contemporânea.


[Só o amor constrói. Capa. Reprodução]

Compositor, cantor e instrumentista, Kléber Albuquerque, paulista de Santo André, se junta à Miniorkestra de Polkapunk – André Bedurê (contrabaixo), Estevan Sinkovitz (guitarra, bandolim), Gustavo Souza (bateria, lateria) e Paulo Souza (serrote) – para confirmar ser um dos mais interessantes artistas da música brasileira surgidos nos últimos tempos – estreou em disco em 1997, com um álbum cujo título leva o número de seu RG. Em Só o amor constrói [Sete Sóis/ Tratore, 2009, R$ 24,80], passeia eclético por gêneros e parceiros, entre inéditas e releituras, autorais ou não.

A faixa-título, de clima abolerado, tem forte apelo popular. Não chega a brega, embora não negue as influências e assim possa soar para alguns, e conta com trechos do livro Amor, estreia do ótimo escritor André Sant’anna (também autor, entre outros, de Sexo e O paraíso é bem bacana), declamados pelo próprio – que reaparece na faixa Já não tenho medo.

Também merecem destaque, entre as inéditas, o pós-samba Seis horas (parceria com Adolar Marin), Cala frio (parceria com o poeta Isac Ruiz), balada triste entoada pela voz solitária e belíssima de Renato Braz, e o rock Sete faces (parceria com Chico César). Entre as releituras, Esquadros (Adriana Calcanhotto) vira um ska aceleradíssimo, Logradouro (parceria com Rafael Altério) lembra a gravação original do compositor, em seu O centro está em todas as partes (2003), Dia de estrelas (parceria com Élio Camalle), já registrada por Rubi em Paisagem humana (2006), Futebol para principiantes – gravada pela baiana Márcia Castro em Pecadinhos (2007), sua estreia – aproxima-se da bossa nova, e Tevê, parceria com Zeca Baleiro, já registrada pelo maranhense em O coração do homem-bomba (2008).

O projeto gráfico do disco é assinado pelo próprio compositor, todo composto por prosaicas fotografias tiradas com telefone celular. Dono de timbre único, com sua voz docemente “estranha”, Kléber Albuquerque está longe de ser um poeta do óbvio, embora sua obra não seja hermética – eclética, sim!, no bom sentido – e bem pudesse tocar no rádio, por estas plagas e além.

diga lá! não precisa concordar com o blogue. comentários grosseiros e/ou anônimos serão apagados

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s