MARIA: UMA VIDA PELA VIDA

Estive ontem (10) à noite na Praça Maria Aragão, prestigiando a homenagem à médica comunista que batiza a praça. Maria José Camargo Aragão (foto) teria completado cem anos ontem, não tivesse subido a 23 de julho de 1991.

Não pude participar dos outros momentos da celebração, que teve vasta programação no Memorial homônimo; ao chegar à praça, Josias Sobrinho já cantava. Fiquei até Cesar Teixeira cantar um samba – que eu não conhecia – em homenagem à Maria, sua amiga pessoal: “Maria sonhou/ que cada estrela no céu/ era um pedaço de pão/ nunca mais faltou constelação/ a quem estendesse o chapéu” – reproduzo de memória, a eterna e irresponsável falta de caneta & bloquinho ou gravador & máquina fotográfica.

“Não vou falar de Maria, mulher firme, de postura, que nunca se curvou aos poderosos. Só lembrar que ela topava qualquer parada, inclusive tomar uma pinga em qualquer feira da cidade”, disse, antes, o homenageado pela Favela do Samba este ano – em 1989, Maria Aragão foi o tema do enredo da escola, que ficou com o vice-campeonato.

Vi e ouvi coisas boas e ruins e não entrarei no mérito da questão. Destaco as apresentações que já citei – ouvi Josias cantar Engenho de Flores e Três Potes, ambas dele, e Cesar desfilar sambas seus, inéditos, em sua apresentação notadamente apropriada ao período carnavalesco –, além da do grupo Divina Batucada, que me impressionou pelo repertório: uma música de Patativa, outra de Cristóvão Alô Brasil, outra ainda, provavelmente autoral, em cuja letra o grupo saudava outro, madredivino também, Os Fuzileiros da Fuzarca.

Além da ameaça de chuva – um chuvisco fino ainda teimou em cair rapidamente, mas nem de longe ameaçou a festa – a pouca divulgação pode ter contribuído para certo esvaziamento da Praça Maria Aragão. Ao menos o público presente estava atento, sabia o porquê de estar ali.

Quem parecia não saber o porquê de estar ali era o locutor, que eu não conhecia – e se conhecia, não consegui identificar ou lembrar. Além de “narrar” a noite como se fosse um locutor de rodeio ou futebol, esticando as sílabas dos nomes das atrações como se fosse um “segura peão!” ou um prolongado grito de gol da seleção brasileira em final de copa do mundo. Além de identificar – ou tentar – profissionais de mídia que cobriam o evento (o que, creio, fica bastante chato para quem está assistindo – “o bom julgador por si julga os outros”).

Entre mais acertos e pequenos erros, comuns até, a parceria entre o Instituto Maria Aragão e a Prefeitura de São Luís/Fundação Municipal de Cultura prestou uma bonita e mais que merecida homenagem a esta ilustre maranhense, mulher-exemplo que muito merece nossa admiração. Da constelação que habita, deve ter gostado do que viu e ouviu. Para o que não, deve ter mandado uma bela “porra!”.

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