LOKI, O DOC

Todo mundo já disse tudo sobre Loki. Vai aí meu comentariozinho inútil. Não estranhem os grandes espaços sem posts: tenho tido problemas para postar aqui. Espero não mais demorar tanto.


[Loki. Capa. Reprodução]

Primeiro longa-metragem produzido pelo Canal Brasil, o documentário Loki [2009] é a cinebiografia de Arnaldo Baptista, um dos mais inventivos nomes já surgidos na cena da música popular brasileira. Gênio é epíteto mais que cabível, ele que, ao lado do irmão Sérgio Dias e de Rita Lee Jones, formou Os Mutantes e reinventou o rock, dando a um ritmo estrangeiro características brasileiras, tornando-o brasileiro, digamos sem meias palavras, praticamente antecipando tudo o que aconteceria depois.

Por si só, o filme, que leva o mesmo nome do mais conhecido álbum-solo de Arnaldo Baptista [Loki], lançado imediatamente após sua saída dOs Mutantes [1974] já teria, tão somente no fato de existir, alguma importância para o público brasileiro interessado em música. Sem rótulos. E vai além. Apoiado em diversos depoimentos de personagens assumidamente fãs do artista, Loki vai fundo ao mostrar um Arnaldo Baptista como jamais se viu. “Ele é arte”, diz um deles, a certa altura. O filme de Paulo Henrique Fontenelle quer recolocar o mutante (uma vez mutante, para sempre mutante) no seu devido e merecido lugar.

Passeiam pelas duas horas de material nomes como Tom Zé, Gilberto Gil, Liminha, Sérgio Dias, Zélia Duncan, Lobão, John Ulhoa, Sean Lennon, Kurt Cobain, Devendra Banhart, Nelson Motta, Rogério Duprat e Lucinha Barbosa, entre outros. Em determinada passagem, o filho do Beatle diz que o mutante tem “alma de criança”. É o que vemos no doc, embora o depoimento não seja óbvio. Alma de criança artista, eu acrescentaria.

Entre imagens feitas especialmente para o documentário (Arnaldo em seu ateliê em Juiz de Fora/MG, entre tintas e pincéis, por exemplo) e várias imagens de diversos acervos, grande parte rara (como quando Os Mutantes se juntaram a Gilberto Gil para defender o Domingo no parque do baiano em festival e quebrar de vez as barreiras que até então separavam o rock da música brasileira), a lacuna sentida, essa sim óbvia, é Rita Lee: não há depoimento dela e todos que vimos o filme já sabíamos que não haveria. E a meu ver, o maior erro de Loki é o grande espaço dado a ela, apesar de sua importância para o cinebiografado, para Os Mutantes e para a música brasileira.

Loki (já disponível em dvd), vencedor de diversos festivais no Brasil e no exterior, exibido e re-exibido pelo Canal Brasil, integrou a programação da 3ª. Mostra Maranhão na Tela, realizada em São Luís no início do mês.

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