SÃO LUÍS: ILHA DOS APAGÕES

Comemorando meus 28 anos de idade, completados sábado passado (19), acabei não indo ao show de minha amiga Lena Machado, que integrava a programação da 3ª. Feira Estadual de Economia Solidária e Agricultura Familiar, na Praça da Casa do Maranhão.

Qual não foi minha surpresa, ao encontrá-la ontem (21), fico sabendo que o show simplesmente não aconteceu.

Um apagão, dia desses, deixou o Sudeste inteiro no escuro, suficiente para que a imprensa da região falasse (e tivesse eco em blogues, twitters etc.) durante um bom tempo – aliás, até hoje ainda se fala nisso, não é?

Calma! Não estou dizendo que a Praia Grande é o Sudeste. Mas, guardadas as devidas proporções, soa estranho o silêncio de nossos meios de comunicação – embora confesse que minha leitura deles está defasada – sobre estes pequenos apagões que têm incomodado aqueles que buscam bons espetáculos, gratuitos, na Ilha.

Se não, uma pequena retrospectiva da feira que cito acima:

a) quinta-feira, dia 17: blecaute geral. Passei dirigindo pela Avenida Beira Mar e o cenário completamente escuro dava até medo. Resultado: não aconteceu o show de Célia Sampaio e Bloco Afro Akomabu, programado para o primeiro dia da Feira. Pensando que a Cemar seria capaz de sanar os problemas, adiou-se a apresentação para o dia seguinte;

b) sexta-feira, dia 18: qual não foi a surpresa, novo apagão. Quem ainda conseguiu se apresentar foi o Tambor de Crioula de Mestre Apolônio, dada a característica acústica dessa manifestação cultural. Célia e o Akomabu, dependendo de som, palco e luz, novamente não puderam fazer seu show;

c) sábado, dia 19: nem preciso dizer que Lena Machado e Os Pregoeiros também não conseguiram fazer seu show pelos mesmos motivos dos dois dias anteriores.

Seria cômico se não fosse trágico, para soar clichêzão mesmo, como têm se tornado clichês os apagões em eventos em São Luís: três dias de Feira de Economia Solidária e a organização não consegue resolver o problema dos apagões? Parece brincadeira! – para se ter uma ideia, o Governo do Maranhão tinha, no material publicitário do evento, três bandeiras “viva” de suas secretarias de estado (Agricultura, pecuária e pesca; Desenvolvimento agrário; e Trabalho – a Economia Solidária “caiu” desta última). O mesmo governo que gasta dinheiro com propaganda festejando o crescimento da Alumar, empresa privada – o que deixa claro (ao contrário da Praia Grande nos três dias de Feira) que modelo lhe interessa.

Não esqueçamos também dos constantes apagões ocorridos durante a 3ª. Feira do Livro de São Luís, realizada mês passado.

Enquanto a Feira (e a Praia Grande) ficava(m) no escuro, os holofotes do acontecimento iluminavam o governo: a participação do secretário de Estado do Trabalho José Antonio Heluy nas feiras regionais (que antecederam a estadual) e da governadora na feira estadual foram frisadas nas poucas matérias publicadas sobre o evento, tanto em jornais sarneystas (acesso mediante senha para assinantes) quanto nos ditos oposicionistas.

Na Feira de Economia Solidária, os resultados foram desastrosos: os grupos produtivos solidários tiveram comercialização pífia. As atividades de formação aconteciam pela manhã e em parte da tarde; a comercialização dos produtos tinha início por volta de 16h e era interrompida por volta das 18h, quando se iniciavam os apagões.

Solidariedade e seriedade têm alguma semelhança: uma tem que ser tratada com a outra. Ainda não é o que acontece, infelizmente.

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