Arquivo mensal: outubro 2009

SEMANA DE LETRAS… E MÚSICAS!

Logo mais a gente se topa por lá:

Não, não é a tal Praia Grande das Artes, a ação global da cultura. Em vez de efetivas políticas públicas de cultura, alguns dias específicos para se ter cultura. É o que promove o desgoverno de Roseana Sarney. É isso o que merece o povo maranhense? É só isso?

A Pedra Polida, que será a última a tocar, e todas essas bandas, integram a programação da Semana de Letras da UFMA.

É de graça! E o cartaz diz, mas pra quem não sabe onde é: é no palco d’A vida é uma festa!

Presenças ilustres na plateia: Djalma Lúcio, Bruno Azevêdo (ex-Catarina Mina) e André Lucap (que prometeu uma canja). Os dois primeiros estão ensaiando com a Pedra para um show no próximo dia 6 (sexta-feira), dentro do Sessões para o nada. Quem sabe não antecipam uma canja hoje também?

Com o segundo, você pode comprar e pegar o autógrafo em Breganejo Blues, a nova novela do Putaquepariu!

TRIBUNA CULTURAL

por Zema Ribeiro*

SAMBA EM CLIMA JAZZY É PURA FESTA

Minha embaixada chegou, de Nenê Cintra, traz leituras de sambas tendendo ao jazz.


[Minha embaixada chegou. Capa. Reprodução]

Velha e nova guardas. Tradição e modernidade – em certo aspecto. Com mais de 25 anos de carreira, Nenê Cintra faz uma mescla em Minha embaixada chegou [Pôr do Som, 2008]. Entre clássicos de nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil, Assis Valente (autor da faixa título, em medley com outro clássico seu, Brasil pandeiro), Dorival Caymmi e Paulinho da Viola, entre outros, espaço para nomes novos – mas nem tanto, para ouvidos e olhos mais atentos –, como Chico Saraiva, Marcelo Mainieri e a própria Nenê Cintra – autora de Samba da Yara, única faixa que assina no disco.

A cantora, acompanhada de Marcelo “Bola” Mainieri (contrabaixo e arranjos), Mário Carvalho (piano) e Alê Damasceno (bateria), dá ao repertório, composto em sua grande maioria de sambas, um tom jazzy a temas como Timoneiro (Paulinho da Viola/ Hermínio Bello de Carvalho), Dora (Dorival Caymmi), Lapinha (Baden Powell/ Paulo César Pinheiro), Feitiço da Vila (Noel Rosa/ Vadico), Pop wu wei (Gilberto Gil) e os citados temas de Assis Valente, entre outras.

“Essa coisa de riso e de festa, só tem aqui/ baticum, ziriguidum, dois mil e um, só tem aqui”, anuncia O dia em que faremos contato (Lenine/ Bráulio Tavares), outra faixa do disco, a que abre Minha embaixada chegou. Nenê Cintra anuncia o jazz que pauta seu samba, sua festa, sua embaixada.

*Zema Ribeiro escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

[Tribuna do Nordeste, ontem]

TODO DIA ERA DIA DE ÍNDIO

Agora todo dia é dia de poesia. E sorte a nossa: Celso Borges ministrará oficina de poesia na 4ª. Mostra Guajajara de Artes do SESC. Bendita poesia bem dita, é o bonito nome da oficina.

Uns perguntarão: o que tem de Guajajara nisso? Sei não, mas de arte tem bastante.

Bom, não somos todos irmãos? Então, somos todos índios.

Todo dia é dia de poesia.

Todo dia é dia de índio.

Serviço completo aqui.

SAMBA!

Abaixo, letra do samba-enredo proposto à Favela do Samba para o Carnaval 2010, quando a escola do Sacavém homenageará Cesar Teixeira, sobre quem versa meu, modéstia à parte, já lendário TCC.

Em itálico, na letra, citações a obras do artista homenageado.

Ficha técnica da gravação, que pode ser ouvida no myspace deste que vos tecla: Arlindo Carvalho (percussão), João Eudes (violão sete cordas), Léo Capiba (percussão e voz) e Wendell Cosme (cavaquinho).

HINO LATINO (A CESAR O QUE É DE CESAR) (ORAÇÃO FAVELENSE)
Letra: Zema Ribeiro/ Música: Gildomar Marinho

A Favela dá a Cesar
o que é de Cesar na avenida
Feito Cesar canta o povo,
feito Cesar canta a vida

A Favela não fez samba
este ano fez um hino
à bandeira do poeta
Cesar Teixeira
gigante desde menino

Nasceu no Beco das Minas
Ouvindo o som dos tambores
fez de sua arte um instrumento
pra ecoar amores, dores e Dolores

Voz contrária à injustiça
a vida toda, um ideal
Boi da Lua, Flanelinha de avião,
Bandeira de aço, Flor do bem e Flor do mal

Contra a censura, a ditadura, a oligarquia
o poeta jamais se calou
Fez do jornalismo a sua missão
E sua voz no mundo inteiro ecoou

Um artista de quitanda
faz um samba no balcão
Cesar é vida, Cesar é arte,
Cesar é pura emoção

Punhal e rosa na mão
Cesar fez sua Oração
dizendo ao povo latino:
nenhuma luta é em vão

Fez de Faustina Mona Lisa
da Praia Grande
ao Desterro
do Desterro à Praia Grande
não há um beco ou boteco
onde o poeta não ande

Com os amigos sempre à mesa
nessa comemoração
A Favela faz um Carnaval
A Favela faz São João

Punhal e rosa na mão
Cesar fez sua Oração
dizendo ao povo latino:
nenhuma luta é em vão

Banquete das prostitutas,
de mendigos e marginais
nesse imenso Shopping Brazil
na homenagem da Favela
a um coração civil.

Lá na Vila tem Noel
Nossa Favela tem Teixeira
Todo samba bom é imortal
E na Favela vou cantar a vida inteira
(E na Favela vou cantar Cesar Teixeira)

Punhal e rosa na mão
Cesar fez sua Oração
dizendo ao povo latino:
nenhuma luta é em vão

DOMINGO É DIA DE SERESTA

TRIBUNA CULTURAL
por Zema Ribeiro*

A SERESTA ENQUANTO GRANDE MÚSICA

Em Serestando, João Macacão devolve à seresta o status de grande música.


[Serestando. Capa. Reprodução]

Um dos grandes clássicos de Nelson Gonçalves, A volta do boêmio (Adelino Moreira) é título certeiro para a abertura de um disco. Ainda mais em se tratando de um disco de João Macacão, Serestando [2009, Pôr do Som].

Mas de onde volta o intérprete?, alguns poderão perguntar. Se muita gente nunca ouviu falar de João Nicolau de Almeida, nome de batismo do sete cordas que não toca no disco – apesar da pose da capa – é reflexo da pouca importância geralmente dada ao “regional” que acompanha fulano de tal. Ele agora deixa a “cozinha” e assume a frente.

João Macacão acompanhou por mais de vinte anos o seresteiro Silvio Caldas e já tocou com nomes como Orlando Silva, Altamiro Carrilho e Paulo Vanzolini, entre outros. Para não corrermos o mesmo risco, saquem quem o cerca em Serestando: Milton Mori (violão, bandolim, cavaquinho, violão tenor), Zé Barbeiro (violão sete cordas), Anelis Assumpção (coro), Simone Julian (flauta) e Tiquinho (trombone), apenas para citar alguns.

O disco devolve à seresta o status de grande música, mais próxima ao samba e ao choro e mais distante do brega de teclados que, ao menos aqui no Maranhão, também recebe essa denominação. A seleção de repertório é primorosa: entre outros clássicos da música brasileira estão lá Me deixe em paz (Ayrton Amorim/ Monsueto Menezes), Gosto que me enrosco (Sinhô), Ela me beijou (Herivelton Martins/ Arthur Costa), outro clássico de Nelson Gonçalves, Meu caro amigo (Chico Buarque) e Conceição (Jair Amorim/ Dunga), o maior clássico de Cauby Peixoto.

*Zema Ribeiro escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

[Tribuna do Nordeste, hoje]

PROS QUE ESTÃO EM SP

Marcelo Montenegro é um cara por quem guardo um carinho especial. Grande poeta, anseio por seu Hemingway Hotel, inédito. Orfanato Portátil é de cabeceira, tanto o livro quanto o blogue (já ouviram falar em blogue de cabeceira? O do Marcelo é um dos meus). Foi um dos corroteiristas de Descolados, cuja primeira temporada terminou recentemente na MTV (que venha a segunda e que encaixotem logo a primeira em dvds). Nunca nos topamos pessoalmente (em sua vinda à Imperatriz, ano passado, tive que voltar mais cedo à Ilha capital), mas trocamos e-mails com certa frequência: o cabra é um homem-poesia. Dos poucos que conheço.

Abaixo, dica pra quem tá em Sampa, seu Tranqueiras Líricas, espetáculo bonito desde o nome, desde o cartaz, certamente mais ainda ao vivo:

DOMINGO É DIA DE BREGA!

Abaixo, Tribuna Cultural (Tribuna do Nordeste) de domingo passado (11). No mesmo dia, nO Estado do Maranhão, Reuben, que prefacia o Breganejo, escreveu um belíssimo texto (começa “plagiando” Clara Crocodilo; acesso ao link exclusivo para assinantes do jornal) sobre a participação maranhense no FIQ, citado abaixo.

TRIBUNA CULTURAL
por Zema Ribeiro*

CLÁSSICO BREGA BANG BANG

Bruno Azevêdo dá um tapa na mesmice e sacode o cenário literário maranhense.


[Breganejo Blues – Novela Trezoitão. Capa. Reprodução]

Breganejo Blues – Novela Trezoitão [Editora Pitomba, 2009, R$ 15,00 no http://www.bazevedo.blogspot.com], de Bruno Azevêdo, foi lançado no 6º. FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), recentemente realizado em Belo Horizonte/MG. Lançamento em São Luís, terra do autor, deve acontecer em novembro. Merece comemoração: uma salva de foguetes ou “saraivadas de balas pro ar”, como cantou Jorge Ben em Charles, Anjo 45. Umas cervejas no Kabão – um dos cenários da história – também caem bem.

O autor pensa e age rápido e com acidez, como um Tex Willer, já pondo a mão no revolver, o personagem de Bonelli e Galleppini, incidental aqui e acolá no Breganejo, vício do motorista de táxi-detetive que só “faz corno”.

Adailton e Adhaylton, uma dupla breganeja, resolve forjar a morte de um deles para o sucesso. “Suspense! Tiros! Fêmeas fatais!” dão o tom desta comédia literária faroeste urbano, regada à música da dupla protagonista e similares do gênero, que fazem a alegria de quem frequenta a Chopperia Marcelo – outro cenário.

O livro deve agradar a bregas e… bem, no fundo, todo mundo é brega, ao menos um pouco: o amor é brega, a literatura… Bruno Azevêdo, graduado em História pela UFMA e especialista no gênero, se utiliza de coisas tidas por vezes como “anti”-literárias e nos brinda com este pequeno clássico, muito bem vindo em tempos de tanto bom-mocismo em que impera a preocupação única de parecer politicamente correto.

MAIS – Um preview da obra está disponível no blogue do autor: http://www.bazevedo.blogspot.com/; a obra está disponível para download a partir de hoje (11) no site da Mojo Books, editora virtual cuja proposta gira em torno da pergunta: “se música fosse literatura, que história contaria?”

MAIS MAIS – TRECHO

Não faço a mínima idéia de onde começar. Fui até no Bar da Prensa, mas ninguém conhece esse cara. Fui na House, na Metalúrgica, Obs, João Lisboa, Roxy. Até no castelo de Crêiscow e naquela sauna do São Cristóvão…

Le trou.

Como?

Le trou, é “o buraco” em francês. Tem um cara lá que é meu peixe.

Porra, sauna de bicha com nome de buraco em francês, podia ser logo Lê cu.

Cu é pescoço.

Qualé, Miranda. Tá falando francês agora. Virou viado também? E caralho em francês, diz aí, como é que é. Caralhô?

Caralho eu não sei. Vende isso, rapaz.

O lado bom da lógica policial.

Saco a parada. Tu vacilou, Adailton, não contou com isso, não sacou que o cara ia sair do controle.

E agora, Mané?

(página 85)

*Zema Ribeiro escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

DAS COISAS QUE PERMANECEM ATUAIS

Gosto de arte que não careça de explicação, mas deixa eu emitir aqui uns comentários inúteis, já que o grafite aí, do Grupo Nagô, na fachada do Colégio Gonçalves Dias (Av. Kennedy, Bairro de Fátima) fala por si só:


[Foto: Ronald/ Grupo Nagô]

Saquem os versos de Que país é este? (Renato Russo) e Apesar de você (Chico Buarque), lançadas respectivamente em 1987 (Sarney era o presidente da república) e 1970 (censurada pelo regime militar; quando do lançamento em compacto simples o país era governado por Emílio Garrastazu Médici): a turma do Nagô só adaptou-os à realidade contemporânea, com um Sarney encapuzado entre o Congresso Nacional e as palafitas “crescendo sobre a maré”, como poetaria José Chagas.

O Gonçalves Dias, o colégio, não o poeta, já passou pela “reforma roseanista” que botou o “trenzinho da alegria” nos muros de tudo quanto é prédio público. Espero que o trem biônico (a logomarca do (des)governo) não queira fazer a fiação elétrica das favelas do mural de trilhos, derramando uma carga de tinta que deixe no ar um cheiro de arte mais comportada.

Avante, Nagô!

GOLPE DA VIRGINDADE

Conservadores egípcios querem proibir a entrada no país de um produto que promete refazer artificialmente a virgindade feminina.

A enganação é feita na China, custa US$ 30 e serve para as noivas iludirem os pretendentes antes do casamento.

Distribuído pela companhia chinesa Gimino, o produto libera uma substância parecida com o sangue quando é rompido.

No material de divulgação, a empresa recomenda acrescentar alguns gemidos e tudo estará resolvido.

Há quem jure que uma fogosa garota de São Luís não só conseguiu o produto como obteve um resultado tão perfeito que o marido nem desconfiou.

[Pergentino Holanda, no EMA d’hoje, grifo do blogueiro]

“VIVER É QUE É PERIGOSO”

Não conheço a casa nem as bandas, o que poderia soar, er, an, digamos, irresponsável, anti-“jornalístico” ou coisa que o valha.

Mas sou um cara de confiar em opiniões, é claro, baseadas em opiniões anteriores. E o grande cartazista ilhéu Ricardo Sanchez garante: “visite lá, o espaço é bom”, mandou via e-mail.

O cartaz também é bonito paca:

De repente me arrisco. E convido os poucos-mas-fiéis a. Bora?