Arquivo mensal: setembro 2009

CELSO BORGES NO CINEMA

Sessão imperdível.

Música é cinema. Cinema é música. Musicenas = cinemúsica.

“Everything we do is music” (Cage apud Borges, Celso Borges).

Serviço: A posição da poesia é oposição, show de poemúsica com Celso Borges. Dia 18 (sexta-feira), às 22h, no Cine Praia Grande (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande). Ingressos: R$ 8,00.

JORNALISMO EM REDES DE ALTA VELOCIDADE

Palestra com o Prof. Dr. Elias Machado, do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Lançamento de seu livro Jornalismo Digital em Bases de Dados (Editora Calandra).

Dia 17 (quinta-feira), às 18h, no auditório da Ufma Virtual, no Ceb Velho, atrás da Biblioteca Central. Informações: Departamento de Comunicação Social: (98) 3301-8430.

II CONFERÊNCIA NACIONAL E VALE CULTURA EM DISCUSSÃO EM SÃO LUÍS

Dois acontecimentos importantes agitam o calendário cultural em São Luís. Para quem sente falta dos debates de outrora, se liguem:

1) dia 17 (quinta), das 14h às 17h, no Auditório do Banco do Nordeste do Brasil (Rua de Santana, 465, Centro): videoconferência sobre a II Conferência Nacional de Cultura. Apresentação do texto-base e regimento interno da II CNC, por Joãozinho Ribeiro, ex-Secretário de Estado da Cultura do Maranhão, Coordenador da II CNC. Na ocasião serão esclarecidas dúvidas relacionadas à organização das conferências municipais, intermunicipais e estaduais de cultura. A apresentação acontece a partir de Brasília e será transmitida simultaneamente para todas as capitais nordestinas. Interessados em participar devem enviar e-mail com nome, RG e localidade de origem para o e-mail videoconferenciacnc@gmail.com. Outras dúvidas podem ser tiradas pelo telefone (81) 3194-1300.

2) dia 18 (sexta), às 9h, no Auditório Arnaldo Ferreira, da Associação Comercial do Maranhão (Praça Benedito Leite, Centro): audiência pública debaterá o projeto de lei nº. 5798/09, do Governo Federal, que institui o Vale Cultura. Com o deputado federal Flávio Dino (PCdoB). Interessados em participar devem confirmar presença pelo e-mail susan@flaviodino.com.br

DORINE: ANDRÉ GORZ E O AMOR – UMA CARTA E UMA HISTÓRIA

“Ao longo dos três meses que se seguiram, pensamos em casamento. Eu tinha objeções de princípio, ideológicas. Para mim o casamento era uma instituição burguesa; eu considerava que ele codificava juridicamente e socializava uma relação que, sendo de amor, ligava a duas pessoas no que elas tinham de menos social. A relação jurídica tinha a tendência, e até mesmo a missão, de se tornar autônoma no que se refere à experiência e aos sentimentos dos parceiros. Eu dizia: “O que nos prova que, em dez ou vinte anos, nosso pacto para a vida inteira corresponderá ao desejo do que teremos nos tornado?”.

“A sua resposta era incontornável: “Se você se une a alguém para a vida inteira, os dois estão pondo em comum sua vida e deixarão de fazer o que divide ou contraria a união. A construção do casal é um projeto comum aos dois, e vocês nunca terminarão de confirmá-lo, de adaptá-lo e de reorientá-lo em função das situações que forem mudando. Nós seremos o que fizermos juntos”. (páginas 16-17).

“Você dizia que tinha se unido a alguém que não podia viver sem escrever, e sabia que quem quer ser escritor precisa se isolar, tomar notas a qualquer hora do dia ou da noite; que seu trabalho com a linguagem continua mesmo depois de largar o lápis, e pode inesperadamente se apossar dele por completo, bem no meio de uma refeição ou de uma conversa. “Se eu pelo menos pudesse saber o que se passa na sua cabeça”, você dizia às vezes, diante de meus longos devaneios em silêncio. Mas você também sabia disso porque você mesma já tinha passado por isso: um fluxo de palavras procurando o arranjo mais cristalino; fiapos de frases continuamente remanejados; começos de idéias que ameaçavam desvanecer se uma senha ou um símbolo não conseguisse fixá-las na memória. Amar um escritor é amar que ele escreva, dizia você. “Então escreva!””. (páginas 27-28).

[André Gorz, Carta a D. – História de um amor, Annablume/Cosac Naify, 2008].

Uma carta – as capas do livro imitam um envelope, trazendo uma foto do casal na primeira orelha – o último escrito de André Gorz. Obra tocante, comovente. “Já tinham mais de oitenta anos quando ele escreve esta carta de amor, que anuncia a morte escolhida pelos dois a 22 de setembro de 2007. Partiram juntos porque não seria possível para ele viver um segundo sequer sem a presença dela”. (Ecléa Bosi, na segunda orelha)

*

“André Gorz é um dos mais importantes intelectuais da atualidade. Filósofo e jornalista, sua produção bibliográfica inclui quase duas dezenas de livros (oito deles já publicados no Brasil), centenas de artigos e de entrevistas, que versam sobre os mais relevantes temas da teoria social e da política contemporânea. (…). Nasceu em Viena, na Áustria, em fevereiro de 1923 (…).

“Radicou-se na França após o fim da Segunda Guerra Mundial, onde adotou o pseudônimo de André Gorz, com o qual ficou mundialmente famoso. (…). Seus primeiros livros, publicados a partir de 1958, são importantes contribuições ao chamado marxismo-existencialista francês do pós-guerra.

“O marxismo-existencialista é uma corrente teórico-filosófica que valoriza a autonomia do indivíduo e se contrapõe às correntes teóricas que dão prioridade às instituições e estruturas sociais. É uma corrente de pensamento que se assenta, em grande medida, nas teorias de Jean-Paul Sartre e Karl Marx. Marx e Sartre são, de fato, os autores que mais parecem ter influenciado o pensamento de André Gorz; e não apenas no início de sua formação. No entanto, sua teoria social transcende a influência dos mestres e mostra-se bastante original, sobretudo em capacidade de detectar a dinâmica das mudanças contemporâneas”.

[Posfácio (páginas 73-74), por Josué Pereira da Silva, professor de sociologia no IFCH/Unicamp. Autor de André Gorz: Trabalho e política (Annablume/Fapesp, 2002) e organizador da coletânea André Gorz e seus críticos (Annablume, 2006)]

CARLINHOS VELOZ: FURTO “SEM SIMILAR”

Músico Carlinhos Veloz teve objetos furtados do carro. Pede-se ampla divulgação.

O cantor e compositor Carlinhos Veloz teve, na madrugada do aniversário de São Luís, os seguintes objetos furtados de seu veículo: cd-player First Line com porta USB e leitor de cartão SD, uma mochila em couro claro polonês (comprada pelo músico há 11 anos, em Paris), um violão japonês de marca Takamine, cortado especialmente para canhotos, e sua carteira com todos os documentos (habilitação, RG, título de eleitor, carteira de compositor e cartões de crédito), em nome de Luiz Carlos Alves da Silva e Carlinhos Veloz.

Notemos que os objetos furtados não têm similar em São Luís, o que em tese, torna fácil sua recuperação. Carlinhos Veloz havia chegado em seu apartamento de madrugada, após se apresentar na praça Maria Aragão. Os ladrões invadiram o condomínio afastando a cerca elétrica nos fundos do prédio e pulando o muro fora do alcance da visão do vigia que estava na guarita, cortaram a capota que cobre a carroceria e retiraram os objetos listados. O artista só perceberia o furto pela manhã, a caminho de uma entrevista que daria à TV Mirante, em seu jornal matinal.

A intenção deste post é ajudar este grande artista a recuperar os objetos que lhe foram subtraídos. Pedimos aos leitores multiplicar essas informações. Ao tempo em que torcemos pela agilidade da polícia – continua em greve?

CARLINHOS VELOZ: FURTO "SEM SIMILAR"

Músico Carlinhos Veloz teve objetos furtados do carro. Pede-se ampla divulgação.

O cantor e compositor Carlinhos Veloz teve, na madrugada do aniversário de São Luís, os seguintes objetos furtados de seu veículo: cd-player First Line com porta USB e leitor de cartão SD, uma mochila em couro claro polonês (comprada pelo músico há 11 anos, em Paris), um violão japonês de marca Takamine, cortado especialmente para canhotos, e sua carteira com todos os documentos (habilitação, RG, título de eleitor, carteira de compositor e cartões de crédito), em nome de Luiz Carlos Alves da Silva e Carlinhos Veloz.

Notemos que os objetos furtados não têm similar em São Luís, o que em tese, torna fácil sua recuperação. Carlinhos Veloz havia chegado em seu apartamento de madrugada, após se apresentar na praça Maria Aragão. Os ladrões invadiram o condomínio afastando a cerca elétrica nos fundos do prédio e pulando o muro fora do alcance da visão do vigia que estava na guarita, cortaram a capota que cobre a carroceria e retiraram os objetos listados. O artista só perceberia o furto pela manhã, a caminho de uma entrevista que daria à TV Mirante, em seu jornal matinal.

A intenção deste post é ajudar este grande artista a recuperar os objetos que lhe foram subtraídos. Pedimos aos leitores multiplicar essas informações. Ao tempo em que torcemos pela agilidade da polícia – continua em greve?

AFASTEM AS NAVALHAS!

[Demorei bastante a escrever sobre este disco que vale muito a pena. Ouçam! Confiram!]

AS DORES ELEGANTES DE NAENO

Compositor piauiense apresenta repertório dolorido com elegância em novo disco.


[Rindo ou chorando. Capa. Reprodução]

Um dos artistas piauienses selecionados em alguma edição passada do Rumos Itaú Cultural – Música, ali, em um cd onde apareciam artistas maranhenses e do estado vizinho, tomei conhecimento do compositor Naeno, entre nomes como Cesar Teixeira, Rosa Reis, Cacuriá de Dona Teté, Narguilé Hidromecânico, César Nascimento e a banda Boca de Lobo.

Dele não conhecia, até então, mais que as duas músicas ali registradas, que me agradam bastante. Agora ele me reaparece, chorão, em Rindo ou chorando [independente, 2008], trabalho inspirado que faz jus à “dor elegante” dos gênios Paulo Leminski e Itamar Assumpção.

From the United States of Piauí, como cantaria outro compositor, Naeno tem lugar garantido entre os grandes nomes da fossa brasileira: não faria feio tocando numa roda com nomes como Dolores Duran, Antonio Maria e Orlando Silva – não que careça morrer, “poeta bom, meu bem, poeta morto”, nada disso: é bem possível nas vitrolas do Bar do Léo. Afastai as navalhas: o amor é bonito, mas dói como uma quase rima.

Rindo ou chorando, o título, é verso tirado de Sempre te amei: “por toda parte rindo ou chorando/ chorando ou rindo te seguirei/ dizendo mesmo de quando em quando/ formosa, eu sempre, sempre te amei”. Mesmo rindo, a música de Naeno é dor, mas não a óbvia rima batida de amor e flor e quetais.

Entre o choro e o tango, irmãos em lamentos, sempre com sotaque nordestino – sua marca –, Naeno assina todo o repertório. A citada Sempre te amei em parceria com Jônatas Batista, Não termina em parceria com Glauco Luz e Pastor amoroso, música sua para poema do português Fernando Pessoa.

Para quem acha que “o Piauí tanto faz” ou, menos mal, parou em Torquato Neto, Naeno é um pedaço dessa geografia sentimental que precisa ser aprendida e descoberta por todos.

[Tribuna Cultural, Tribuna do Nordeste, hoje]

PELOS JORNAIS O DIA CHEGA*

Na coluna Hoje é dia de…, assinada por Ubiratan Teixeira, sob o título Será que não merecemos?, leio o seguinte: “Numa equação tão simples não encontro nenhuma justificativa racional para só o Rio e São Paulo ficaram [sic] com as delícias culturais deste ano França/Brasil; nem historicamente, nem culturalmente” (O Estado do Maranhão, 4/9/2009, Caderno Alternativo, página 6).

Concordo com o cronista, talvez não pelas mesmas razões. A gestão Jackson Lago/ Joãozinho Ribeiro, que respectivamente ocuparam, entre janeiro/2007 e meados de abril/2009, os leitores deste blogue certamente lembram, o governo do Estado e a Secretaria de Estado da Cultura, tinha inúmeras atividades previstas para o Ano da França no Brasil, entre 21 de abril (data da abertura oficial do Ano Fr-Br) e 15 de novembro (data oficial de encerramento), passando pelo ponto alto, ao menos para a nossa capital, 8 de setembro, quando a cidade muito provavelmente receberia a visita do presidente francês Nicolas Sarkozy, que estará no Brasil um dia antes, para as comemorações do dia da independência brasileira – em agenda oficial que integra o calendário do Ano Fr-Br.

Na sanha de desconstrução de toda a gestão anterior – que chegou inclusive a visitar a França em missão de Estado – a gestão Roseana/ Bulcão, pouco ou nada fez para que se mantivesse minimamente um calendário do Ano Fr-Br em São Luís, única capital brasileira fundada por franceses (há controvérsias), portanto, palco natural e fundamental para o Ano Fr-Br.

A governadora biônica Roseana Sarney (e, portanto, Bulcão, seu secretário de Estado da Cultura) foi devolvida a “seu” trono por meio do voto de uns poucos juízes do TSE, em episódio já bastante conhecido por todos. Com menos de dois anos para se preocupar com “coisas mais úteis” – incluindo as próximas eleições e 65 hospitais por construir e inaugurar – a turma não consegue pensar num ano Fr-Br nem do ponto de vista meramente eleitoreiro – como sempre foi tratada a cultura nas gestões roseanistas: um Festival Internacional de Música (eleito ponto alto do Ano Fr-Br pela gestão anterior), entre outros acontecimentos que certamente encantariam mesmo quem “mal fala o português”, poderiam encher o cofo sarneysta de votos.

Também hoje, leio no Jornal Pequeno: Cultura do MA torna inadimplentes artistas em débito com a instituição (Jornal Pequeno, página 4, Geral, 4/9/2009). O texto, assinado pela Secom – a Secretaria de Estado de Comunicação Social – é uma piada. De mau gosto. A começar pelo título, já que a Cultura do Maranhão, em si, jamais poderá tornar alguém inadimplente, vocês entendem. A Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão, sim; a Secma, sua sigla, idem.

É corretíssimo tornar qualquer devedor um inadimplente: “comprou”, não pagou, “eu vou botar teu nome no SPC”, como já diz há muito a letra do pagode. Não houve, porém, qualquer tentativa de contato com quaisquer artistas contemplados/as nas últimas edições do Plano Fonográfico – de que trata a matéria – lançadas e concluídas as etapas de seleção, em 2007 e 2008, cabe lembrar, durante a gestão Jackson/ Joãozinho. Duas perguntas: a) a Secma só tem problemas com artistas contemplados/as nas edições de 2007 e 2008 do plano fonográfico?; e b) não teria sido mais ético procurar os/as artistas antes de publicar uma nota – paga – num jornal (hoje só li o JP e O Estado, mas, em se tratando de nota paga, a coisa deve ter ido às páginas de outros jornais ludovicenses), mesmo sem citar os nomes dos “inadimplentes”?

Conheço pelo menos uma artista contemplada, que elaborou um trabalho primoroso: concluída a gravação do disco – etapa contemplada pelo edital –, a cantora está “correndo atrás” – junto a iniciativa privada, de amigos, e tirando do próprio bolso – das etapas de prensagem e projeto gráfico para lançar o disco ainda esse ano. A artista só foi saber que está “inadimplente” lendo o Jornal Pequeno de hoje: “a própria Secretaria [de Estado da Cultura do Maranhão] cria dificuldades para a prestação de contas, que já tentei fazer várias vezes: há uma série de itens obrigatórios, que devemos ou preencher ou providenciar cópias de documentos ou levar”, disse-me. Entre a pá de itens obrigatórios, uma cópia de um contrato, nunca recebido pela cantora. “Os recursos foram aplicados naquilo que estavam previstos, tenho todas as notas e já tentei apresentá-las à Secretaria não só uma vez”, reitera a artista.

A íntegra do primeiro parágrafo do texto da Secom, republicado, creio que na íntegra, no JP de hoje: “A secretaria de Estado da Cultura (Secma) desenvolve, por meio da Superintendência de Ação e Difusão Cultural (SADC), editais culturais de apoio à produção literária (plano editorial) e fonográfico (Plano Fonográfico), este último em apoio à gravação, prensagem e capa de CDs. Ao longo de mais de 20 anos muitos foram os artistas já beneficiados com o patrocínio do Governo do Estado na edição de livros e produção de discos.”

Os verbos deveriam aparecer aí, no pretérito: a Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão não lançou sequer um edital em 2009. Nem para plano editorial ou fonográfico, sequer para a seleção de manifestações culturais que comporiam a programação do período junino na Ilha capital, menos ainda para a celebração de convênios com prefeituras do interior para a dinamização dessa grande festa popular.

As obras selecionadas no Plano Editorial 2007 somam falhas das gestões anterior (integrada pelo blogueiro) e atual e as mais de 20 obras selecionadas em nove categorias ainda encontram-se “no prelo”. Para a seleção de 60 Pontos de Cultura (o edital foi lançado ainda em fins de 2007), que contemplarão (ou contemplariam?) as 32 regiões administrativas do Estado, a segunda etapa de julgamento dos projetos – este blogueiro integrou uma das comissões de avaliação – foi simplesmente anulada. Cancelada. Nem os integrantes das comissões – que trabalharam – receberam o pagamento devido pelos trabalhos, nem os que apresentaram projetos sabem quando/se serão contemplados. Sobre o assunto já encaminhei diversos e-mails ao MinC, que também não se pronuncia.

Continua o texto da Secom publicado no JP (que não trata desse edital de Pontos de Cultura, fruto de convênio MinC/Secma): “Dessa forma, todo artista contemplado nos editais acima citados ficam impossibilitados de participarem de qualquer edital ou processo equivalente para contratação em apresentações ou eventos coordenados pela Secretaria da Cultura”. Uma pergunta e duas leituras são possíveis: a) o que seria um “processo equivalente” a um edital?; b) aguardem! Em breve, a Secma lançará editais públicos (seja lá para o que for!); e c) caso algum apaniguado tenha sido contemplado em qualquer edital supra, impossibilitado está de participar de editais vindouros.

Eu quero é ver!

[Texto escrito às pressas e cheio de raiva – Raiva é energia! (Reuben) – na manhã de hoje. O título é plural do verso inicial de Letras negras (Geraldo Azevedo/ Fausto Nilo): “Pelo jornal o dia chega/ com as letras negras/ do que está por vir”]

SEM SABER O QUE FAZER SÁBADO?

WORKSHOP

Recém inaugurada, a loja Harmônica Instrumentos Musicais (no edifício Executive Center, Rua Quéops, nº. 12, Renascença, entre a Back Beat e a Toca da Empada) promove neste sábado (5), às 19h30min, um workshop de guitarra com o instrumentista maranhense Ozielzinho, já em 2009 finalista do Guitar Idol, em Londres. O evento tem entrada franca. Mais no canal do músico no Youtube ou pelos telefones (98) 3235-0602, 8115-6880 e/ou 8821-8601.

CHORO

Projeto que completou dois anos de atividades em 1º. de setembro, o Clube do Choro Recebe, em sua 93ª. edição, neste sábado (5), às 19h30min, leva ao palco do Restaurante Chico Canhoto o Instrumental Pixinguinha (acima em foto do blogueiro) e o cantor Tutuca. Mais aqui.

JAZZ

O Jayr Torres Trio (acima em foto de Fafá) repete a dose neste sábado (5) no Da Gema. Jayr Torres (guitarra), Carlos Raqueth (contrabaixo) e Isaías Alves (bateria) começam o jazz às 22h e o couvert artístico custa apenas R$ 5,00. Mais no blogue do Celijon.

POESIA

Celso Borges apresenta o recital de poemúsica A posição da poesia é oposição. Acompanhado dos músicos Christian Portela (guitarra) e Luiz Cláudio (percussão), com a participação da poeta Lúcia Santos, o poeta e jornalista maranhense leva ao palco cerca de 20 poemúsicas de seus livros-cds XXI (2000) e Música (2006). O show acontece sábado (5), às 22h, na Maloca. Mais aqui.

PAULINHO PEDRA AZUL: SÃO LUÍS EM DUAS SESSÕES


[Jardim da fantasia (1982), a estreia. Capa. Reprodução]

Ali pela segunda metade da década de 90 do século passado, quando passei a colecionar discos com mais afinco – eu tinha uns poucos vinis e a partir do cd é que passei a comprar discos com mais frequência, economizando qualquer trocado para adquirir este ou aquele título que me interessava mais – procurava sem cansar um disco de Paulinho Pedra Azul, de início por causa de uma música cujo nome eu sequer sabia.

Já havia dado de cara com o disco em diversas prateleiras, relançamento no formato cd, e nunca me dava conta de que se tratava dele. O rádio ainda era para mim a maior fonte de informação – nunca fui muito fã de televisão e a internet ainda não era realidade em minha vida. Sim, eu sempre vivi no Maranhão, onde as coisas demoram a chegar e com a internet não foi diferente, ao menos para mim.

Um dia acabei adquirindo um disco de Renato Teixeira & Pena Branca e Xavantinho, gravado Ao vivo em Tatuí. Pus o cd para tocar e lá estava a música que eu tanto procurava: Jardim da fantasia, de Paulinho Pedra Azul. Só ali fui descobrir o verdadeiro título da música, que eu chamava, de mim para mim, de Bem te vi, e assim a procurava nas capas dos discos do músico mineiro que ia encontrando em lojas e sebos.

Daí a voltar a uma dessas lojas – ou sebo, não lembro bem – foi um pulo e comprei o, descobriria depois, disco de estreia de Paulinho Pedra Azul, que contava com a participação especial de Diana Pequeno – outra cantora que admiro bastante, por onde anda? – e onde o músico interpretava, além de temas autorais, composições de Fagner e Godofredo Guedes.

O blá blá blá todo aí em cima é para dizer que Paulinho Pedra Azul volta à São Luís depois de dois anos, idade do Clube do Choro Recebe, projeto que surgiu praticamente por conta daquela vinda do músico mineiro à Ilha, e de sua necessidade de trocar informações e experiências, de dialogar, enfim, com outros músicos, o que sempre procura fazer por onde passa.

Não é de hoje a relação do músico mineiro que carrega a cidade natal no sobrenome com a capital maranhense. Little Paul Blue Stone – nome que bem lhe poderia ter sido o artístico já que, como quase todo músico que tenha iniciado a carreira na década de 60 do século passado, o autor de Jardim da fantasia, ainda seu maior sucesso, também foi um dia cover dos Beatles, na banda The Giants, onde começou – acaba de lançar seu 21º. disco de carreira, Lavando a alma.

Se não há outra Jardim da fantasia, Paulinho Pedra Azul não foi parar no limbo dos one-hit-wonders – que são tantos – ou daqueles que, tendo ao menos dois hits, desatam a lançar o mesmo disco a cada ano que passa: greatest hits, the best of, as dez mais, os grandes sucessos, melhores momentos, ao vivo, acústico e similares.

Em Lavando a alma, Paulinho Pedra Azul nos apresenta sua faceta poeta – algo não novo aos que acompanham seu trabalho desde sempre ou a qualquer tempo – deixando a cargo de Paulo Henrique as melodias: todo o disco é assinado por eles em parceria. Parceria, aliás, batiza a faixa que encerra o trabalho. Marcelo Jiran é o coringa que acompanha Paulinho Pedra Azul, aparecendo em todas as faixas pilotando os mais variados instrumentos. É Jiran quem acompanhará Pedra Azul no show que ele faz em São Luís, nesta quinta (3) e sexta-feira (4), no Teatro Arthur Azevedo, às 21h, com produção de Leandro Gomes – o homem que “sempre” traz o mineiro à Ilha.

Lavando a alma, o disco, refaz paisagens sonoras a que já estão acostumados os fãs de Pedra Azul. O ar interiorano, certa melancolia, música para tocar a alma e o coração. Ou melhor, para lavar a alma e o coração. No show, o repertório do disco e alguns de seus grandes sucessos. Chatos: não precisam gritar por Jardim da fantasia tão logo o artista suba ao palco. Sempre rola; basta esperar.


[Lavando a alma (2008), o mais recente. Capa. Reprodução]

CB AGITANDO A ILHA

OU: A POSIÇÃO DA POESIA É OPOSIÇÃO

Confesso: sempre senti uma inveja (da boa inveja) da turma de Sampa, que acompanho por alguns dos blogues listados ao lado (Ademir, Joca, Bressane, Xico, Marcelo Montenegro etc., etc.), por conta da movimentação que sempre acontece por lá: lançamentos de livros, recitais, shows de música, peças, mostras etc., etc.

Ainda lembro o dia em que vi CB pela primeira vez: num tempo em que eu ainda usava cheques, quase completamente liso, o poeta estava de passagem pela cidade natal, apresentando XXI, então seu novo livro-disco, deixando alguns exemplares no Poeme-se (Rua João Gualberto, 52, Praia Grande). A obra, de belo projeto gráfico, coletânea de poemas seus com fotografias de Eduardo Júlio e poemas/músicas declamados/cantadas por poetas da terrinha despertou meu interesse. Lembro como se fosse hoje: custava exatamente R$ 21,00, o valor exato que eu trazia na carteira (passe escolar garantiria a minha volta para casa). Paguei à vista (achei que seria sacanagem dar um cheque ao artista) e garanti meu autógrafo, “Pro Zé Maria” etc., que eu só seria Zema dali a um ano, mais ou menos.

Sei lá como, provavelmente pela minha cara de pau de mandar e-mail pra quem eu não conheço, tornei-me amigo de CB. Amizade verdadeira e carinhosa. Um dos caras que eu amo, CB. A notícia de sua volta à Ilha me deixou alegre. Teria o amigo por perto e, finalmente, poderia vê-lo fazendo o que (também) fazia em Sampa.

Pois bem, depois da mudança, de abrir as caixas, de re-arrumar os livros e os discos nas estantes do novo endereço, CB começa a agitar a Ilha: neste sábado (5), às 22h, na Maloca (Lagoa). Maiores detalhes na imagem abaixo, clica que amplia.

Nem na imagem nem no e-mail que recebi há infos sobre o preço do ingresso. Seja lá quanto for, vale muitíssimo a pena. Portanto: não percam!