CONTROL

Ontem à noite, em casa, a luz da sala apagada, vi Control [Inglaterra/EUA, 2007], em cópia que me foi passada pelo amigo André. O filme, ambientado na Inglaterra anos 70, é rodado em p&b, e mostra a trajetória de Ian Curtis, vocalista do Joy Division, que se suicidou aos 23 anos, em 18 de maio de 1980, véspera da banda inglesa partir para a sua primeira turnê nos Estados Unidos.

É um documentário, dirigido por Anton Corbijn, fotógrafo responsável por clássicos cliques da banda em atividade – depois da morte de Curtis, os remanescentes fundariam o New Order, a meu ver, sem o mesmo sucesso –, baseado em Touching from a Distance, livro escrito pela viúva do vocalista, Deborah Curtis (ou simplesmente Debbie), com quem teve Nathalie, filha única.

Cerca de duas horas com Curtis e banda (e mulheres), num daqueles filmes cujo final você já conhece: todo mundo sabe que Ian Curtis vai se enforcar. Não há tédio (além do de Curtis em seu desespero e insatisfação com o sucesso rápido) nem banalização do cinebiografado. Há rock’n roll (é Joy Division!), sexo (na única cena explícita Curtis e sua amante Annik Honoré aparecem sob um cobertor e ele termina chorando, remorso por trair a quem ama?) e drogas (sim, Curtis carrega vidros de remédios nas viagens, mas tentando conter surtos epiléticos), mais trilha sonora (Sex Pistols, banda que levou Curtis a tomar o rumo que tomou – ser artista, não suicida –, David Bowie, Buzzcocks, Iggy Pop – suicidou-se ao som de –, entre outros) que diálogos.

Sam Riley, desconhecido ator que encarna (literalmente) Ian Curtis, também é cantor e guarda com ele incrível semelhança, física, nos trejeitos de palco/dança e, possivelmente, até nos ataques.

Como todo suicida – pretensão do blogueiro – o artista deixou várias perguntas sem resposta, inclusive os motivos que o levaram a se enforcar. Arrisco o fato de não ter conseguido lidar com a rápida ascensão, o sucesso, a fama, o que hoje chamariam, insossamente de “o fato de ser celebridade”, palavrinha banalizada. Justo por que era um artista, de fato.

Pseudoartistas saem aos montes de programas de tevê, todos os dias. Todos bastante longe da genialidade de um Ian Curtis ou outros exemplos que poderíamos citar aqui aos montes. Pena, nenhum se enforcando. Ao contrário, abastecendo rádios e tevês (e portamalas de carros de malas) a cada dia com mais porcaria visual-sonora, por vezes provocando em nós, instintos suicidas (justo para não ver/ouvir aquilo).

Hoje de manhã, tomei café ao som de Joy Division.

3 comentários em “CONTROL

  1. Zema, ainda não tive a oportunidade de ver esse filme. O Joy, era minha banda preferida. Comprava uma garrafa de vinho, uns medicinais e ficava ouvindo. Quanto aos mediocres, eles não se matam, eles se alimentam de elogios. Os Mediocres nunca dizem basta. Nunca se enforcam, nem abrem o gáz. Grande texto, Zema. Abraço forte.

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