ONTEM

Na condição de assessor de imprensa do Clube do Choro do Maranhão evito (mas não muito, é verdade) tecer comentários sobre as atrações do projeto Clube do Choro Recebe ou mesmo pendurar aqui neste blogue os releases produzidos para os meios de comunicação.

Quando o faço, já disse várias vezes: nenhum sábado é igual a outro. Não apenas pela variedade de convidados. Há ocasiões em que não posso, no entanto, furtar-me de compartilhar alguns bons momentos passados sábado após sábado no Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama).


[Foto: Ivo Segura]

Ontem, Josias Sobrinho [foto] voltava ao palco do projeto. Coincidência ou não, o compositor piauiense Naeno juntou-se à plateia durante a apresentação, ele que dividiu o palco com o maranhense, da primeira vez que o autor de De Cajari pra capital se apresentou ali, em 2007. Naeno, depois, brindaria o público presente com uma canja, mas isso é outro assunto – Ricarte inclusive revelou, em público, a vontade de levá-lo novamente ao projeto, como convidado; eu, lembrei que devo texto sobre o seu bom novo disco.

O Instrumental Pixinguinha, com formação improvisada, dava conta do recado no primeiro show da noite. Cheguei atrasado, mas a tempo de ver Ricarte anunciando, em inglês, Black ball, Bola preta, clássico de Jacob do Bandolim, entre outras executadas por, da direita para a esquerda, Wanderson (pandeiro), Henrique Jr. (violão), Juca do Cavaco, Ricardo Focca (bandolim) e João Neto (flauta), o flautista e o cavaquinhista aniversariante os únicos pixingas originais.

Josias Sobrinho, anunciado pelo apresentador do projeto como um grande compositor brasileiro, o que de fato é, iniciou sua apresentação, executando ao violão, com o acompanhamento do regional sem Focca, Naquele tempo (Pixinguinha/ Benedito Lacerda), música que “eu tocava muito isso em casa quando estudava flauta e talvez tenha levado Neto [o flautista, seu sobrinho] a se interessar por música, pelo instrumento. Não podia deixar de, nessa ocasião, tocá-la”, explicou, antes de emendar O Meu guri (Chico Buarque).

Se há uma palavra que possa traduzir a noite, além das óbvias magia e beleza, é humildade. Do posto de um dos maiores compositores maranhenses – e brasileiros, como antes bem dissera Ricarte – Josias, ontem, foi intérprete. Cantou Gago apaixonado (Noel Rosa), Samba de um minuto (Rodrigo Maranhão), A semente (Felipão/ Roxinho/ Tião Miranda/ Valmir da Purificação), sucesso de Bezerra da Silva, entre outras, e contou com a familiar participação especial de sua esposa, Lenita Pinheiro, que mandou bem em Maura (Oswaldo Melodia, pai de um Luiz de mesmo sobrenome) e Interessa? (Carvalhinho), do repertório do mais novo de Roberta Sá.

Só ao final, Josias cantou suas De Cajari pra capital e Terra de Noel. Provocado para um bis pela plateia, cantou Obsessão (Mirabeau/ Milton de Oliveira) e sua Dente de ouro, título de seu mais recente disco (2005). O compositor, ontem intérprete – de si mesmo, inclusive –, estava contente e satisfeito. O público presente também.

Deixei o choro em meio às canjas – Naeno, Cacá, Eudes Américo (convidado da semana que vem, ao lado de Chico Saldanha, Os Madrilenos como anfitriões) e Léo Capiba, que ia subir ao palco quando o táxi chegou para me levar dali ao Bar do Léo, para uma estica agradabilíssima com gente querida: Andréia, Salim e Joãozinho Ribeiro, que riscando o mapa do Brasil pré-II Conferência Nacional de Cultura, há tempos não via.

Nós seis – comigo estavam Graziela e mamãe – só deixamos meu bar predileto quando as portas de rolo desceram.

2 comentários em “ONTEM

  1. é verdade blogueiro,
    vc embora suspeito só fala a verdade sobre o choro, sobre o léo, sbre a música, sobre as artes (todas elas) e sobre a cultura. não necessariamente nessa ordem. mas tudo junto.
    /falar em léo ele pediu pra gente espalhar que hoje ele abre, já que amanhã éferiado. faz isso zema. eu até vou passar lá hoje.
    abs

  2. obrigado pelas palavras elogiosas, carinhosas e também suspeitas, risos.

    recado dado: vou avisar os chegados.

    ainda de carona, passar lá hoje é complicado. acho que vou logo esperar chegarem os discos da cabelo de maria.

    abração!

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