Arquivo mensal: maio 2009

DE EDIÇÕES

Ainda em janeiro, a convite de Tairone Carneiro, escrevi uma matéria sobre o Clube do Choro Recebe para a Revista Brasil Centro Norte.

Trocamos alguns e-mails por conta de meu texto estar “poético demais, crônica demais” para a revista. Depois de um tempo, resolvi que não editaria uma linha e passei-lhe o contato de uma amiga radialista, que poderia escrever em meu lugar. Meu texto não entraria. Acabou entrando, após uma super-edição.

Hoje, recebi o link da versão online da revista. Aqui você pode ver o texto editado, onde eles aproveitaram algumas fotos. O original, com todas as fotos que enviei para a revista, segue abaixo e também pode ser lido no Overmundo (lá, com a mudança do site, pendurei só uma imagem).

Outro dia, sobre edições, Ronaldo Bressane também escreveu.

O texto é defasado, afinal de contas é de janeiro: Mestre Vieira já subiu, o Clube do Choro Recebe, sábado (23) chega a 81 edições (um ano e oito meses) etc., etc., etc. É mais ou menos isso.

*

CLUBE DO CHORO: BOA MÚSICA EM SÃO LUÍS

Com um ano e meio de existência e cerca de 70 saraus realizados, Clube do Choro Recebe reacendeu o movimento chorístico em São Luís do Maranhão.

texto e fotos: Zema Ribeiro*

Ricarte Almeida Santos, há 18 anos à frente do dominical Chorinhos e Chorões (Rádio Universidade FM, 106,9MHz), recebeu o epíteto de “embaixador do choro no Maranhão” em 2006, quando o Instrumental Pixinguinha recebeu no Prêmio Universidade, o troféu de melhor disco instrumental naquele ano, por sua estreia, Choros maranhenses. Trata(va)-se de feito inédito: um disco de choros gravado no Maranhão e todo composto por maranhenses: os próprios integrantes do grupo e alguns amigos, já subidos. Nos agradecimentos pela premiação, Juca do Cavaco – ou teria sido Raimundo Luiz (bandolim)? – saiu-se com essa.

A graça acabou pegando e amigos saudavam Ricarte como “o embaixador”. O sociólogo e radialista é quem assina o texto de apresentação do disco: “Tenho certeza que Pixinguinha está orgulhoso por emprestar seu nome ao grupo”, diz, a certa altura. O missivista é um dos fundadores do Clube do Choro do Maranhão e um dos maiores responsáveis pela onda que se formou após atirar uma pedra nas águas estagnadas da cena instrumental em São Luís.

À frente do projeto Clube do Choro Recebe, já definitivamente consolidado no cenário e no calendário cultural da capital maranhense, Ricarte simplesmente fez acontecer. “Tudo conspirava a favor. Havia uma casa agradável, músicos e cantores ávidos por um espaço digno e o público está sempre esperando por uma coisa boa”, explica. Dessa conjunção nasceu a ideia dos saraus semanais no Restaurante Chico Canhoto, no Residencial São Domingos (Cohama), a casa a que o produtor se refere.

“Um dia o Paulinho Pedra Azul veio à São Luís e ele gosta de se reunir com músicos, trocar ideias, informações. Levamos ele ao Canhoto e convidamos um bocado de chorões, divulgamos isso no boca a boca e lotamos o restaurante. No sábado seguinte, o público voltou, queria música de qualidade. O Regional Tira-Teima, que já se reunia no restaurante para tocar, sem maiores pretensões, recebeu o cantor Léo Spirro e esse foi o estalo”, conta Ricarte. Era 1º. de setembro de 2007. De lá para cá, sábado após sábado, com raríssimas exceções, o Clube do Choro Recebe tem promovido uma riquíssima experiência: um grupo anfitrião recebe um convidado – um(a) cantor(a), um(a) instrumentista ou, mais raramente, um outro grupo – e em seguida abrem-se espaço para as canjas, onde músicos se encontram e tocam na base do improviso, onde surgem as coisas mais inusitadas e belas dos saraus. Ricarte resume: “Nenhum sábado é igual a outro”.

UMA VASSOURADA NA MESMICE – Como disse o músico Guinga sobre o grupo carioca Tira-Poeira, quando do surgimento deste, o Clube do Choro Recebe é, em São Luís, uma vassourada na mesmice. Em quase um ano e meio de atividades, o projeto tem, para os padrões da Ilha do Amor, vida longa para um acontecimento periódico que não se ampara no colo de verbas públicas. “Já tentamos, várias vezes, apoio da Secretaria de Estado da Cultura, sem sucesso. Por um lado, penso até que isso é bom, pois garante a independência do projeto, de seus produtores, enfim, de todos os envolvidos. Por outro lado, temos apoios que, embora modestos, são de pessoas e empresas que acreditam na iniciativa e desejam sua continuidade. A gente nem chama de patrocinadores, chama de parceiros, de simpatizantes”, comenta Ricarte sobre a sustentabilidade do projeto.

O sarau musical semanal já influenciou também a formação de novos grupamentos de choro em São Luís. Caso do Choro Pungado, um dos mais inventivos grupos de choro, quiçá do país, cuja proposta inicial era mesclar o chorinho aos ritmos da cultura popular do Maranhão. Choro com bumba-meu-boi, tambor de crioula, cacuriá, lelê, tambor de mina, tribo de índio, baralho e o que mais pintar.

O grupo surgiu quando o cantor Bruno Batista foi se apresentar no projeto e vários músicos se reuniram para acompanhá-lo: o encontro de Luiz Jr. (violões de seis e sete cordas e viola caipira), Luiz Cláudio (percussão), João Neto (flauta) e Rui Mário (sanfona) recebeu o nome de Quartetaço, por conta da música Aço, de Batista. Ao grupo, depois, juntou-se Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho), prodígio, então com 14 anos, e o nome mudou, por conta da proposta inovadora.

TODOS OS CHORÕES – O fato é que, do mais novo – o Choro Pungado – ao mais antigo grupamento de choro de São Luís – o Regional Tira-Teima, que, com outra formação executou, por exemplo, o antológico Lances de agora, de Chico Maranhão, gravado na sacristia da Igreja do Desterro em 1978 – todos os grupos de choro em atividade na ilha do bumba-meu-boi – agora ilha do Choro, por que não? – já se apresentaram no palco do Clube do Choro Recebe: Instrumental Pixinguinha, Um a Zero, Os Cinco Companheiros, Chorando Calado, Toque Brasileiro, Choro Elétrico, Urubu Malandro, Os Madrilenos, SL Tubones…

Pelo palco já passaram diversos artistas – o projeto conseguiu, com pequenos apoios, trazer também artistas de outros estados e do interior do Maranhão: Léo Capiba, Chico Maranhão, Cesar Teixeira, Flávia Bittencourt (maranhense radicada no Rio), Lena Machado, Fátima Passarinho, Roberto Brandão, Tutuca, Daffé, Djalma Chaves, Josias Sobrinho, Naeno (Piauí), Pedro Molusco (Brasília), Eduardo Jr. (Brasília), Antonio Vieira, Joãozinho Ribeiro, Espinha de Bacalhau, João Pedro Borges, Eudes Américo, Patativa, Fhátima Santos (Ceará), Paulo Piratta, Célia Maria, Marconi Rezende, Adão Camilo, Chiquinho França, Criolina (duo maranhense radicado em São Paulo), Augusto Pellegrini, Chico Nô, Milla Camões, enfim, os nomes são muitos.

Para o compositor Chico Saldanha, outro que já se apresentou por lá – pré-lançou Emaranhado (2007), seu mais recente trabalho, no Clube do Choro Recebe – “criou-se aqui um clima favorável. Eu gosto muito de cantar aqui, as pessoas vem, prestam atenção, vem para ouvir boa música e sabem que vão encontrar isso aqui”, afirma.

Se é música boa, Ricarte anuncia. O inteligente slogan de seu programa de rádio, “pra gente de qualidade”, bem poderia ser usado também no projeto. Ele, que tem recebido propostas de músicos de todo o Brasil, dá a dica aos que desejarem se apresentar naquele palco: “Há artistas com uma carreira consolidada, cujo trabalho já é conhecido. Há outros bons nomes surgindo. A dica é virem prestigiar o projeto, dar uma canja”.

Juca do Cavaco, um dos mais prosaicos músicos que desfilam por ali, integra o Instrumental Pixinguinha, o Urubu Malandro e o Regional Os Madrilenos, é também o mais, digamos, pedagógico. Sempre que toca, conta histórias sobre a origem dos choros ou de seus nomes, quem compôs o quê, além de causos engraçados. Como a que presenciamos, de um habitué das canjas: “perguntamos a ele: ‘Qual é o tom?’. E ele: ‘qualquer um, só não pode ser muito acelerado’”. Em São Luís do Maranhão, o Clube do Choro é também o clube do riso.

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[O Instrumental Pixinguinha foi o primeiro grupo maranhense de choro a gravar um cd]


[Na platéia do Clube do Choro Recebe o encontro dos geniais João Pedro Borges e Benjamin Taubkin]


[O jovem compositor Bruno Batista também já passou pelo palco do Clube do Choro Recebe]


[Léo Capiba: talento no pandeiro, na voz e no sorriso]


[Encontro de bambas na plateia: o flautista Zezé Alves, entre os compositores Cesar Teixeira (E) e Chico Saldanha]


[Ex-integrante da Camerata Carioca, o maranhense João Pedro Borges se apresenta no Clube do Choro Recebe]


[O Urubu Malandro tem a presença ilustre de Mestre Antonio Vieira em sua formação]


[Mestre Vieira canta e conta causos no Clube do Choro Recebe]


[O produtor Ricarte Almeida Santos anuncia mais uma edição do Clube do Choro Recebe]


[Lena Machado, grata revelação da música brasileira, canta e encanta no Clube do Choro Recebe]


[O improviso das canjas permite encontros como o de Fátima Passarinho e Chico Maranhão]

*Zema Ribeiro é assessor de imprensa do Clube do Choro do Maranhão

TRIBUTO A SÉRGIO SAMPAIO

Infelizmente esse título não anuncia um show homônimo. É o do texto abaixo, que deveria ter sido publicado no Tribuna do Nordeste de ontem. Como mandei o texto após o prazo limite, acabou não rolando. Penduro aqui. Domingo que vem a gente volta ao jornal.

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Tribuna Cultural presta merecida homenagem ao compositor capixaba Sérgio Sampaio, falecido há 15 anos.

Erroneamente tido como compositor de uma música só, a mais que clássica Eu quero é botar meu bloco na rua (faixa título de seu disco de 1973), Sérgio Sampaio é um dos mais importantes e interessantes compositores brasileiros em todos os tempos. Capixaba da mesma Cachoeiro do Itapemirim que deu ao Brasil Roberto Carlos, o autor de Tem que acontecer (faixa título do disco de 1976, anos depois regravada por Zeca Baleiro) deixou vasta obra que ainda hoje influencia outros artistas da MPB.

Nascido em 13 de abril de 1947, sua carreira se inicia meio que por acaso: radialista prático em sua cidade natal, Sampaio desce à “cidade maravilhosa cheia de encantos mil” para acompanhar Odibar (parceiro de Paulo Diniz no clássico Quero voltar prá Bahia) em um teste para cantor em uma gravadora que tinha Raul Seixas como diretor artístico. O “maluco beleza” acabou se interessando pela obra do “maldito” e, com ele, Edy Star e Miriam Batucada, gravaria o antológico Sociedade da Grã Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez (1971), um verdadeiro escracho fonográfico.

Dois anos depois era a vez de Sérgio Sampaio lançar Eu quero é botar meu bloco na rua (1973), seu maior sucesso radiofônico, que viria a batizar também sua hoje esgotada biografia, de Rodrigo Moreira (Edições Muiraquitã, 2001). Sérgio Sampaio lançou ainda Tem que acontecer (1976), disco de forte acento chorístico, com nomes como Abel Ferreira (clarinete), Altamiro Carrilho (flauta) e Joel Nascimento (bandolim) entre os instrumentistas, e Sinceramente (1982), onde ficava clara sua repulsa aos padrões mercadológicos a que nunca cedeu.

Morreu praticamente esquecido em 15 de maio de 1994. Em 1998, artistas admiradores de sua obra realizaram o belo tributo póstumo Balaio do Sampaio, que reuniu nomes como Chico César, Zeca Baleiro, Lenine, João Bosco, João Nogueira, Zizi Possi, Jards Macalé, Luiz Melodia e Elba Ramalho, entre outros.

Em 2005, Zeca Baleiro, fã confesso, lançou pela Saravá Discos, Cruel, belíssimo disco póstumo, onde a banda do maranhense acrescentou instrumentos em gravações de voz e violão deixadas pelo cantor capixaba que tem sido objeto de culto de bandas como Cérebro Eletrônico (que cita Sérgio Sampaio em Pareço moderno, faixa título de seu mais recente trabalho, e tem uma música cujo título é o nome do compositor) e Tangos e Outras Delícias (boa cover conterrânea, vide YouTube). Sinceramente, único título que ainda não teve re-lançamento em formato digital, está pronto e deve ser (re-)lançado em breve também pela Saravá.

A obra de Sérgio Sampaio permanece viva, atualíssima e mais que nunca merecedora de audição e culto. Como ele mesmo cantava: “um livro de poesia na gaveta/ não adianta nada/ lugar de poesia é na calçada/ lugar de quadro é na exposição/ lugar de música é no rádio” (Cada lugar na sua coisa).

EM COMPANHIA DA MÚSICA DE SÉRGIO SAMPAIO


[Depois de escrever o texto abaixo, achei a foto que cito. O texto já ‘tava pronto. A foto, tirei daqui]

Hoje às 20h participo do Companhia da Música com meu amigo Gilberto Mineiro. O programa vai ao ar ao vivo na Rádio Universidade FM, 106,9MHz, e pode ser ouvido no site da emissora.

Entre um monte de ideias que tive sobre o que tocar no programa de um cara antenado como é Gilberto Mineiro, optei por prestar (novamente) um tributo a um dos mais geniais nomes da música brasileira: Sérgio Sampaio, que exatamente amanhã (15) completará 15 anos de falecido.

Em abril de 2007, quando Sampaio teria completado 60 anos se fosse vivo, entrevistei diversos nomes ligados ao universo do gênio de Cachoeiro do Itapemirim (a mesma cidade capixaba que também deu ao Brasil Roberto Carlos): Rodrigo Moreira (autor da biografia Eu quero é botar meu bloco na rua, Edições Muiraquitã, 2001, esgotada), Sérgio Natureza (amigo e parceiro), Zeca Baleiro (que por sua Saravá Discos lançou o póstumo e belíssimo Cruel, 2005), Celso Borges (poeta maranhense confessadamente influenciado por Sérgio Sampaio) e Bruna Beber (poeta carioca idem). A ideia era escrever sobre Sampaio aproveitando aquela data. Acabou não rolando e as entrevistas estão guardadas para um texto quando do lançamento de Sinceramente (1982), o último disco lançado por Sampaio, o único que ainda não chegou ao formato digital (embora todos os outros estejam esgotados). Já está tudo pronto e a Saravá Discos deverá (re-)lançá-lo em breve.

Ainda lembro o dia em que, com 12 ou 13 anos, lendo uma revista semanal, deparei com uma foto em p&b de Sérgio Sampaio: camisa de botão meio aberta no peito, cabelos ao vento, calça e chinela de dedo, talvez um cigarro na mão ou na boca. Havia ali algo de rebeldia, o que me levou a “ir com a cara” daquele sujeito de quem, até então, eu não havia ouvido música nenhuma. Ou talvez já tivesse ouvido Eu quero é botar meu bloco na rua, erroneamente tida como “a única música de Sérgio Sampaio”. Talvez tenha sido de fato seu único sucesso radiofônico. Talvez.

Bom, não sei ainda exatamente o que vou tocar. Isso a gente vê na hora. Mas vou levar todos os discos de Sampaio pro estúdio: Sociedade da Grã Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez (1971, com Edy Star, Míriam Batucada e Raul Seixas), Eu quero é botar meu bloco na rua (1973), Tem que acontecer (1976), Sinceramente (1982), Cruel (2005, póstumo) e uma coletânea de raridades que tenho, incluindo as músicas que ele fez para Roberto Carlos, “reclamando” que o ídolo nunca gravou uma música dele e a que ele fez para Nelson Gonçalves, outro ídolo, chamada História de boêmio.

Ouçam (Sérgio Sampaio)!: Companhia da Música. Tributo a Sérgio Sampaio. Com Gilberto Mineiro e este blogueiro, hoje (14), às 20h, na Rádio Universidade FM, 106,9MHz.

MPM NA DELEGACIA

Musicaso de Polícia no Maranhão: a MPM na página policial. Que tristeza, meu Deus! Que vergonha!

Os caras se encontram para discutir “os rumos da música local“, em reunião provavelmente a portas fechadas (olha que costumo receber divulgação de “eventos” desse porte) e acabam escancarados na página policial. Que merda!

Espero que não seja o caminho da delegacia o rumo tomado pela MPM, digo, pela música popular maranhense.

CHITA GESTÃO

Eu brinco com o nome da Chita Discos, o selo de Chico César que lançou, entre outros, o Compacto e simples, single com duas músicas do compositor, “bregas”, tirando sarro com a música brega (sem aspas) brasileira.

Bom, mas não é disso que eu quero falar. Eu havia recebido um e-mail da amiga Francinne Amarante dando conta da posse de Chico César como Diretor Executivo da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope). Não havia noticiado o fato ainda por não ter conversado com Lau Siqueira, que até onde eu sabia era o presidente da FUNC de lá (isso é didático, para os amigos de São Luís).

Troquei um e-mail com Lau, que disse já estar fora da Funjope há certo tempo e parabenizando Chico César. Aí eu colo aqui um dos e-mails que Francinne me mandou, o texto de Chico César, por ocasião da posse, todo em minúsculas, como recebi:

excelentíssimo senhor prefeito ricardo coutinho, vice-prefeito luciano agra, colegas artistas e jornalistas:

minha cidade me chama e eu atendo seu chamado. atento, não como o soldado às armas mas feito o amante à amada. terei crescido a ponto de esta que me viu menino colocar-me a seus serviços? sejam quais forem tais incumbências sei que não poderei cumpri-las sozinho. vejo-me como um elemento dinamizador das forças vivas da cultura da cidade através de sua fundação cultural. primeiro, no estímulo a um mergulho radical de auto-reconhecimento em todas as áreas artísticas no município. e depois propondo o diálogo com outros municípios do estado e também com outras capitais do país. claro que é de fundamental importância aproximar as ações culturais com a sub-secretaria de cultura do governo do estado e do ministério da cultura, com quem já mantivemos contato.

este é um governo de orientação socialista, socializante. uma fundação cultural com missão e status de secretaria de cultura não pode ser um balcão de negócios da área do entretenimento. isso seria amesquinhar o seu papel. pretendo aproximar nosso trabalho com a educação e a ação social. a cidade precisa ser agente e não apenas expectador.

no início dos anos 80, sob governos conservadores experimentamos o exercício da guerrilha cultural em diversas frentes, como “projeto fala bairros”, musiclube da paraíba, movimento dos escritores independentes. tínhamos no teatro lima penante o projeto “vamos comer teatro” e ao lado um irrequieto nac – núcleo de artes contemporâneas. dessa época também recordo a explosão dos quadrinhos e uma efervescente movementação em torno do cinema. nas ações governamentais destaco projeto araponga, projeto gazi de sá, projeto boca da noite.

as condições eram adversas e tanta coisa ocorria. hoje é diferente. a sociedade avançou e aqui estamos, à frente da capital de nosso estado com tantas possibilidades. venho não pelo poder mas pelo prazer de servir à amada, de interferir, de catalisar. antes de terminar, cito escurinho, um pernambucano de catolé do rocha: você me diz que o problema é dinheiro mas eu lhe digo que o que falta é coragem”. pois essa coragem encontro no coletivo da cidade que me chama. e eu atento, atendo.

(chico césar)

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E penduro também o link para a notícia que dá conta da posse, direto do paraiba.com.br. Interessante observar o termo que finaliza o texto, antes da fonte da notícia.

A Paraíba avança assumindo sua paraibanidade. O Maranhão retrocede negando sua maranhensidade.

UP GRADE NA TRIBUNA

Só depois que enviei o texto abaixo à Tribuna do Nordeste (Tribuna Cultural de ontem), soube que está tudo certo para o re-lançamento da estreia de Cláudia Cunha pela Biscoito Fino. Deve rolar até junho (fiquem ligados no blogue que a gente avisa).

Responde à roda venceu o Prêmio Brasken Cultura e Arte 2007, o mesmo que garantiu o disco de Márcia Castro, sobre o que já escrevemos aqui.

A primeira tiragem, de 2.000 cópias, está esgotada. Vou tocar alguma coisa do disco no Cia. da Música desta quinta-feira (Rádio Universidade FM, 106,9MHz, 20h), a convite de Gilberto Mineiro. Aí é só esperar a nova fornada e adquirir o seu. Vale muitíssimo a pena.

*

PARÁ A BAHIA

Paraense radicada na Bahia, Cláudia Cunha apresenta o inspirado Responde à roda.


[Responde à roda. Capa. Reprodução]

É colorida a música de Cláudia Cunha, paraense radicada na Bahia, cuja adoção fica explicitada em Responde à roda [2008, independente], aberto com Din Don (Rodolfo Stroeter), com versos em homenagem a mestres baianos, os capoeiristas Pastinha e Bimba e o percussionista Naná Vasconcelos: “Din Don vi mestre Pastinha/ din don corri pra jogar/ din don na cidade baixa/ din don eu quero chegar/ (…)/ Din don lá vem mestre Bimba/ din don querendo tocar/ din don Naná tá tocando/ din don eu quero chegar”.

O disco, vencedor do Prêmio Braskem Cultura e Arte 2007, traz compositores como Paulo César Pinheiro (Ganga-Zumbi, parceria com Sérgio Santos, violonista que assina a produção do disco), Zé Renato, Joyce (parceiros em Pra você gostar de mim, samba em que ele divide o vocal com Cláudia Cunha), Manuela Rodrigues (Cabe um tanto e a faixa-título, parceria com a cantora), Tom Zé (a inspirada releitura do clássico Quando eu era sem ninguém), Egberto Gismonti e Geraldo Carneiro (parceiros em Auto-retrato), Hermínio Bello de Carvalho, Roberto Mendes (parceiros em Seu moço, com participação especial deste último em letra que tira onda com a escravidão em inspirada história de amor). Além da faixa-título, Cláudia Cunha assina Baião dividido (com Rafael Dumont) e No girar de Alice.

Além do canto preciso – colorido – de Cláudia Cunha, um time de ótimos instrumentistas Responde à roda: entre outros, Ramiro Musotto (percussão), Toninho Ferragutti (acordeon), Zeca Assumpção (baixo acústico), Tutty Moreno (lendário baterista de Caetano Veloso ainda na década de 60), Léa Freire (flauta), Nailor Proveta (clarinete), Luciano Salvador Bahia (violão e arranjos), Swami Jr. (violão de sete cordas) e André Mehmari (piano).

O colorido do canto da moça é como ela canta Tom Zé (aos que têm um quê de São Tomé): “e toda meia-noite/ eu sonho com você/ se você duvidar/ posso até sonhar pra você ver”. Ouça e creia!

PRESENTÃO


[Graziela em biscuit por Thábita Freitas. Foto: TF]

Minha esposa aniversariou sábado (9). Reunimos, na casa da mãe dela, alguns amigos e familiares, comemos, bebemos, jogamos conversa fora até tarde, enfim, nos confraternizamos em torno de uma pessoa que tanto queremos bem.

Nossa amiga Graciane (que aniversariou dia 4 e comemorou dia 8, vide foto abaixo) deu a ela de presente a boneca da foto acima: uma reprodução caricatural de Graziela de que gostei muito. Na imagem, o endereço de e-mail de Thábita (o telefone é 9604-2717), a moça que faz a boneca-obra-de-arte, digo. Quem quiser encomendar uma (para dar de presente ou se presentear), basta enviar um e-mail e acertar preço, envio de uma foto etc.

É ou não é um presentão?


[No aniversário de Graciane, da esquerda para a direita: em pé: Neta, a aniversariante e Laura; sentados: Nilra, Graziela, o blogueiro, Aglesson, Jordânia e Núbia. Foto: Brunete]

“EMARANHANDO EM SAMPA”

Todo mundo que acompanha esse blogue sabe que Ademir Assunção, Celso Borges e Zeca Baleiro são três caras que eu respeito pra caramba.

Pois bem: os três estarão amanhã no projeto Parcerias, que tem idealização e curadoria do primeiro e traz bate-papo do segundo com o terceiro, além de show do terceiro. É a segunda edição do projeto. Estou ansioso para ouvir as gravações.

Mais vocês ficam sabendo no blogue do Ademir. Eu, se estivesse em Sampa, não perderia isso por nada.

O título do post eu tirei da música Devoluto, que está no mais recente livro-disco de CB, Música. A letra é de Sérgio Natureza, musicada por Kléber Albuquerque, que a canta.

A letra, lindíssima, tem versos que traduzem bem o “estrangeiro” maranhense por “lá onde o umbigo habita/ cantigas são-luísadas/ cá, montes de poemas/ em maldição bendita/ (…)/ alcantarei meus versos/ ainda que tardios/ aos povos do universo/ legarei os meus desvios/ sou mais um tripulante/ no imenso do vazio/ me penso retirante/ e cada vez mais fico/ emaranhando em sampa/ as teias fio a fio/ eu sou o mar voltando/ pras nascentes do rio”.

Só se ouvindo pode crer em tanta beleza. Em música, há também Americana, letra de CB inspirada em Bob Dylan (veja o clipe abaixo) e musicada por Zeca Baleiro (em Música ainda com participações de Fernando Abreu e Vitor Ramil), que certamente deverá cantá-la no encontro histórico cujo serviço o e-flyer abaixo dá.

"EMARANHANDO EM SAMPA"

Todo mundo que acompanha esse blogue sabe que Ademir Assunção, Celso Borges e Zeca Baleiro são três caras que eu respeito pra caramba.

Pois bem: os três estarão amanhã no projeto Parcerias, que tem idealização e curadoria do primeiro e traz bate-papo do segundo com o terceiro, além de show do terceiro. É a segunda edição do projeto. Estou ansioso para ouvir as gravações.

Mais vocês ficam sabendo no blogue do Ademir. Eu, se estivesse em Sampa, não perderia isso por nada.

O título do post eu tirei da música Devoluto, que está no mais recente livro-disco de CB, Música. A letra é de Sérgio Natureza, musicada por Kléber Albuquerque, que a canta.

A letra, lindíssima, tem versos que traduzem bem o “estrangeiro” maranhense por “lá onde o umbigo habita/ cantigas são-luísadas/ cá, montes de poemas/ em maldição bendita/ (…)/ alcantarei meus versos/ ainda que tardios/ aos povos do universo/ legarei os meus desvios/ sou mais um tripulante/ no imenso do vazio/ me penso retirante/ e cada vez mais fico/ emaranhando em sampa/ as teias fio a fio/ eu sou o mar voltando/ pras nascentes do rio”.

Só se ouvindo pode crer em tanta beleza. Em música, há também Americana, letra de CB inspirada em Bob Dylan (veja o clipe abaixo) e musicada por Zeca Baleiro (em Música ainda com participações de Fernando Abreu e Vitor Ramil), que certamente deverá cantá-la no encontro histórico cujo serviço o e-flyer abaixo dá.

HOJE, AMANHÃ E QUINTA QUE VEM

HOJE:

AMANHÃ:

Dacio e Nivia, grandes amigos de mestre Vieira, organizam um festão na Praça da Faustina, em sua homenagem. O encontro de amigos leva o nome de O Sermão Antoniológico do Velho Moleque e começa às 10 da matina.

Haverá exposições (desenhos, pintura, xilogravura e artesanato), rodas de capoeira, tambor de crioula (“minha terra tem tambor de crioula/ a tua não tem“) e samba (Tribo do Samba Estação Primeira) e apresentação de artistas maranhenses. Depois, Nivia, Dacio e toda a turma seguem para o Clube do Choro, onde Vieira recebe mais homenagens.

Para quem não os conhece: Nivia, historiadora, estava pesquisando Seu Vieira quando o menino travesso subiu; Dacio é certamente a figura que mais conviveu com o Mestre em seus últimos anos de vida: todos os dias Vieira dava o ar da graça em sua banca de revistas no estacionamento da Praia Grande.

Quem quiser saber mais sobre a festa: (98) 8151-2433 (Nivia Saraiva) ou 9976-1635 (Dacio Melo).

QUINTA QUE VEM:

Este que vos escreve conversa ao vivo com Gilberto Mineiro no Companhia da Música, às 20h, na Rádio Universidade FM. Detalhes, dou daqui pra lá. Ouçam!