O SISTEMA ROSA-CHOQUE

Há muito tempo venho questionando o jornalismo praticado por alguns veículos de comunicação do nosso Estado (se é que ainda podemos chamá-lo de “nosso”). A pergunta é: a que estão se resumindo esses profissionais, que vem prestando desserviços à população?

Tenho alguns amigos e conhecidos trabalhando como funcionários do Sistema Mirante de Comunicação (ou Sistema MC Sarney), e sei que a grande maioria está ali por falta de opção, porque precisa daquele emprego. Mas há também os que, vergonhosamente, vestem a camisa do Sistema, exercendo um jornalismo tendencioso e imoral.

Semana passada, um fato (entre muitos) culminou na indignação que me levou a me manifestar, como cidadã e como escritora. No telejornal das sete, a apresentadora caras & bocas teve o despudor de afirmar que o jornalismo feito pelo Sistema MC Sarney é “isento e imparcial”. Eu entendi mal ou ela falou que o Sistema respeita a democracia e a liberdade de expressão? Deboche, cinismo, ou mais uma jogada para driblar a inteligência do público telespectador? Desliguei a tv, com ânsia de vômito.

Ninguém ignora que eles tem o poder de manipulação da notícia, mas (ainda) não tem forças para fazer a censura ressurgir das cinzas. Ainda bem. E que bom que os meios de comunicação não se restringem ao Sistema. A Internet hoje é uma arma poderosa, para o bem ou para o mal. Através dela, podemos enviar notícias do mundo de cá para pessoas de todos os cantos do planeta: artistas, escritores, jornalistas, intelectuais, formadores de opinião, enfim.

Liberdade de expressão é o que estou exercitando agora, no espaço que me cabe e que ninguém me toma. Democracia é respeitar o voto popular, é saber perder com dignidade, sem revanchismo.

Eu não morava no Maranhão em 2006, quando o legítimo governador foi eleito, e fiquei surpresa com tamanha conquista. Enfim, a democracia havia suplantado a oligarquia. Uma verdadeira revolução para o nosso Estado. Óbvio que “eles” não iriam deixar barato uma derrota estupenda como essa.

Será que o povo já esqueceu que, em 2002, a novíssima governadora (ou usurpadora?) foi impedida de concorrer à Presidência da República devido ao escândalo do “Caso Lunus”, onde ela e seu comparsa receberam inocentes “doações para a campanha eleitoral”? Na época, a notícia estampava os principais jornais do país. Claro que o Dono do Mar deu um jeitinho de apagar o incêndio, com águas de obscuras profundezas.

Então, quem são os imaculados que acusaram o governador eleito pelo povo de “abuso de poder”? Quem mais usa e abusa do poder do que o tirano-mor e sua cria, a ditadora rosa-choque? Após a páscoa, sobrou para os maranhenses, cristãos ou não, a ressurreição da profaníssima trindade: pai, filha e espírito de porco.

Falando em páscoa, cabe lembrar que a campanha da fraternidade deste ano tem como tema Fraternidade e Segurança Pública, e lema “A Paz é Fruto da Justiça”. Que paz será possível então para nós, peixes fora d’água no enlameado Mar do Dono? Como falar em segurança num lugar onde a polícia só engoma a farda e monta em sua imponente cavalaria para proteger o palácio e sua corte? Que fraternidade onde vinganças pessoais se sobrepõem à vontade do povo?

Antes que alguma voz se levante, considero tacanho defender interesses particulares em meio a tamanho desrespeito à verdadeira democracia.

Não defendo ninguém, uma vez que não sou advogada. Como cidadã que acredita e espera por uma nação mais viável, defendo que se faça justiça (cedo ou tarde), palavra pouco conhecida no corrompido dialeto político do nosso país. Até lá, os que merecem a pena máxima continuarão arbitrando por aí.

E já que a ditadora rosa-choque se apropriou indevidamente das rédeas deste pégaso, deixemos que ela brinque um pouquinho com o prometido e ansiado presente do seu papai. Uma hora ela cansa e vai pedir a ele um brinquedo maior.

Enquanto isso, ficamos com a nossa liberdade de expressão. Se não temos democracia, se não detemos o poder soberano, façamos valer o nosso Poder e a nossa intransferível Liberdade.

*

Artigo da minha querida poetamiga Lúcia Santos, recebido por e-mail e enviado às páginas de opinião de alguns jornais ilhéus. Os grifos são dela.

Apostam quanto como vai aparecer algum babaca aí na caixa de comentários dizendo que Lúcia “não pode” dizer nada por conta de seu parentesco com Aziz Santos, ex-secretário de Jackson Lago? Ou que eu mesmo, na condição de ex-assessor da Secretaria de Cultura também não posso fazê-lo?

*

Em seu artigo de segunda-feira no Jornal Pequeno, Joãozinho Ribeiro (ex-secretário de Cultura) também não poupa a rosácea apresentadora de TV do anagrâmico sistema.

*

Não estava em São Luís quando Roseana Sarney tomou “seu” trono de volta. Isso, em parte, explica meu silêncio até aqui. Mas a pena já ‘tá coçando. Por enquanto, vou observando o movimento e penso que Paulinha Lobão na secretaria da Mulher é uma piada de tremendo péssimo gosto. Entre outros/as, né? Em breve tornaremos ao assunto.

12 comentários em “O SISTEMA ROSA-CHOQUE

  1. Como bom socialista, tenho lembrança do governo Sarney, de triste figura na presidência da república. Mas, como bom realista, sei que, de maneira simples,por pressão popular ou o que seja, nada demoverá a perpetuação dos velhos caudilhos & oligarcas nos seus tronos de poder. Solução para tudo isso e mais um pouco??? EDUCAÇÃO, EDUCAÇÃO, EDUCAÇÃO. Oferta de uma educação de qualidade, que a maioria da população brasileira não tem e dificilmente terá.

  2. Fico orgulhoso com as palavras de Lúcia Santos, amiga maravilhosa, e impar dentre as mais capacitadas poetisas que conhecí. Endosso suas palavras e coragem, mesmo sendo paulistano não posso deixar de repudiar a aliança nefasta elítico-coronelista que se estabelece utilizando a “justiça” como matéria de vendeta, e que nunca vai permitir que nosso povo se eduque, pois assim podem exercer o seu reinado facísta e impor o flagelo à nossa nação sem serem incomodados pela consciêcia que sonegam ao impor sem acanhamento nenhum a violência e a degradação social. Parabéns Lúcia sua vóz é o grito engasgado na garganta de muita gente, e sua coragem é coisa que muito dito “macho” não possúe.
    Abraços.
    HAROLDO OLIVEIRA.

  3. Nossa!!!Foi forte e coerente!!!Realmente eu não conhecia esse lado crítico e político de Lúcia Santos, e mais uma vez fico orgulhosa de poder conhecer essa escritora que, como sua poesia diz, mostra o quanto é corajosa, determinada e pouco se preocupa com o que a sociedade acha, explodindo de indignações e desejos. Parabéns Lúcia, você é realmente corajosa.

  4. Li os comentários, Zema, e além desses registrados aqui, recebi muitas mensagens, todas compartilhando da minha (nossa) indignação. Poetas e jornalistas como Fabreu, Ademir Assumpção, Otávio Rodrigues, Luís Inácio Araújo, Celso Borges… compositores como Joãozinho Ribeiro e Sergio Natureza, enfim, dezenas de pessoas se manifestaram favoravelmente, o que prova que nem tudo está perdido. Os que calaram creio que consentiram, de acordo com a máxima popular.
    Obrigada a todos!

  5. Oi, Lúcia. Seu e-mail havia se perdido no meio de tantos outros e só hoje pude lê-la. Quero parabenizá-la pela coragem de suas palavras.
    Um beijo orgulhoso do parceiro,
    Léo Nogueira.

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