(MEIO-)DIÁRIO

13/4/2009

Parece bastante apropriado ouvir A voz do Brasil na capital federal, ainda mais em pleno engarrafamento. Assim fomos recepcionados, no aeroporto, pelo amigo Fernando Santos, eu e os colegas de trabalho que vieram à Brasília para uma semana de treinamento, sobre as novas atividades que iremos desenvolver em um projeto.

Há pouco, eu oscilava entre cochilar – havia acordado cedo – e terminar a leitura de Leite derramado, o novo do Chico. Pronto, já tinha assunto para a próxima coluna no jornal. Chico continua em forma, é o que penso, não sem tentar comparar este mais recente volume com Budapeste, o anterior, ou mesmo Benjamim e Estorvo, que li há mais tempo (e preciso recomprar).

No Centro Cultural Missionário, acabei temporariamente sozinho num quarto e, após o jantar, fiquei observando a movimentação.

Senhoras e senhores, com ares de padres e freiras, mas não em trajes de, circulavam em todos os ambientes: na recepção, pelos corredores e escadas e a nos oferecer frutas após a refeição. Uma placa no balcão, fora do refeitório, anunciava, simpática: “Nesta casa se come e se bebe, mas também se lava a louça”. Um grupo de origem não identificada – comitivas de vários países participavam dos mais diversos eventos ou simplesmente se hospedavam ali – se divertia entre jogar dominó, ouvir música desconhecida (e em língua desconhecida) e, penso, aporrinhar uns aos outros.

Subi ao 306, cansado, li uns capítulos de Pornografia, de Witold Gombrowicz, recebi um telefonema de trabalho e amizade e troquei SMSs com minha esposa, de quem já morria de saudades.

Dormi tão cedo que nem vi sua última mensagem. Fui acordado pouco antes de meia noite, por batidas à porta do quarto: minha surdez no ouvido direito (espero que temporária) ainda me permitiu duvidar: serão aqui essas batidas?

Era um baiano com quem dividiria o quarto e com quem ainda troquei duas ou três sonolentas frases antes de um boa noite e do retorno ao travesseiro.

14/4/2009
Manhã

Era engraçado, no início do curso, ver o palestrante dizendo, em vez de GT, abreviando, ou Grupo de Trabalho, dizer GT de trabalho. Por vezes tive que conter o riso.

Após o almoço, subi ao quarto com duas ideias: cochilar um pouco e ler mais um capítulo de Pornografia, o que fiz.

Após escovar os dentes, vi no espelho e tive a impressão, ou confirmei a impressão, não sei, de ter a orelha direita (a do algodão), maior que a esquerda.

14/4/2009
Noite

É noite enquanto escrevo, após ter jantado e falado com minha mulher ao telefone e por internet. Dessa forma por pouco tempo, já que continuamos com problemas com a Velox em nossa residência. Fiquei um tempo no computador, resolvendo umas pendências à distância, e poderia ter passado a limpo trecho do diário, ou mesmo postado um trecho, fazer um meio que diário meio que ao vivo. Mas fui vencido pelo cansaço. Se der, ainda leio um ou dois capítulos do Gombro, se não, é boa noite mesmo!

15/4/2009
Manhã

Hoje é aniversário de Cesar Teixeira.

Amanheço surdo e só aos poucos vou melhorando. Acho que o algodão fica encharcado e vai secando aos poucos.

15/4/2009
Relato do sonho

Pedro Luís autografa meu Ponto enredo, disco mais recente de sua banda, A Parede. Acabo atrapalhado com algum outro compromisso e perco o show do Monobloco, mas à noite, jantamos juntos e tomamos umas.

Sonhei com isso, talvez por ainda não crer que finalmente o Monobloco vai à São Luís. Mas tinha que ser justo quando eu não estou na Ilha?

15/4/2009
Tarde

Chove pela primeira vez desde nossa chegada. E eu, além de surdo de um lado, começo a pensar que gripei de tanto fungar o nariz, além de meu olho esquerdo coçar um tanto.

17/4/2009
Manhã

Diários acabam me enchendo o saco. Não sei por que nunca enjoei de blogar, já que a dinâmica é quase a mesma. Talvez pela simples diferença: desaprendi a escrever à mão, minha letra é horrível e eu sei que terei dificuldades em entendê-la ao passar isso a limpo – para o blogue.

Se não escrevi ontem, ao menos avancei bastante na leitura do ótimo Pornografia – ótimo, mas nada pornográfico, apesar do título –, e o excesso de trabalho tomou conta de todos os que estavam participando do seminário Reciclando Vidas, homônimo ao projeto em que estamos trabalhando, desde já. Integrando o GT de Comunicação, desenvolvemos um blogue, o Transbordo, como exercício para o período de treinamento.

Ontem à noite, via SMS, Graziela me avisava da “disgrassa”: a bigodama voltou. Ela e seu vice 90% honesto, três vezes merda, três vezes “disgrassa”.

Não sonhei, mas antes de dormir, a leitura de Pornografia se misturava em minha cabeça com personagens não do livro, mas uma mulher de bigode e um velho decrépito e barba imunda, sua barba depilada a fogo, uma ficção que não escrevi.

17/4/2009
Manhã

Soube de minha esposa por SMS que o governador não deixaria o palácio e lamentei não estar na Ilha para acompanhar, ao vivo, este momento histórico.

*

[transcrição integral de diário de viagem, escrito por ocasião de minha passagem por Brasília, semana passada]

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