Arquivo mensal: fevereiro 2009

CASTELO FAZ (?)


[Paliativo total. A pessimáquina não ajuda, mas é asfalto novo (sonrisal: bateu água, derreteu!) dum lado e doutro e a água (es)correndo ao meio. Foto: Zema Ribeiro]

Os que acompanham este blogue sabem que, apesar de não votar em São Luís, declarei voto em Flávio Dino, caso votasse. Não é(ra) o ideal, mas era o tangível, àquele momento, para a ilha.

Castelo venceu as eleições. E eu poderia estar contente pelo “experiente” estar trabalhando. Como no conserto da vala localizada na esquina das ruas 21 de abril com Castro Alves, onde moro, na Vila Passos. O buraco, mais velho que aquela posição, era referência quando dava o endereço a amigos: “em frente à vala tal”.

São 22h17min enquanto escrevo o presente post. Acabo de chegar em casa. Tive que dar uma volta para poder passar, a rua interditada por cones, “homens trabalhando”. Homens consertando a tal vala, mais que velha, mais que citada.

Eu poderia dizer que é verdadeiro o slogan de campanha de Castelo: fez, faz. Mas tanto fez, tanto faz. Entra prefeito, sai prefeito, os engenheiros parecem não mudar. Ou não mudam as concepções dos mesmos. Não adianta largar asfalto – sobre a água corrente, diga-se – e pensar que o problema está resolvido. O buraco é mais embaixo, para ficarmos em outra sabedoria popular. Seria necessário um trabalho mais profundo, algo que garantisse o escoamento das águas.

As ruas na Vila Passos – sobretudo a 21 de abril, que passa na lateral de nosso apartamento, e a Padre Anchieta, onde moram meus sogros – enchem facilmente quando uma chuva é mais grossa ou mais demorada. Desde sua fundação o bairro sofre com sérios problemas de drenagem: a água invade as casas provocando perdas e levando doenças. Não sei a idade do bairro e não tenho saco nem tempo para ir pesquisar agora, mas só a Igreja de Nossa Senhora das Graças já tem bem mais que 50 anos.

Querem apostar? Não dou um mês para estarmos novamente com o velho problema diante de nossos olhos e narizes.

DE ORGULHOS (OU NÃO)

Um comentário sobre a recente indicação de Joelma e Chimbinha (sim, o casal de frente da Calypso) ao Nobel da Paz, “incitava” (ou tentava) os paraenses a sentir orgulho disso. Bobagem! O maranhense Sarney (PMDB-AP) acaba de ser eleito presidente do senado (em minúsculas mesmo) e eu não me sinto nem um tiquinho orgulhoso disso.

MEME

Instruções: 1 Colocar o link de quem te indicou para o meme. 2 Escrever estas regras antes do seu meme pra deixar a brincadeira mais clara. 3 Contar os seis fatos aleatórios sobre você. 4 Indicar seis blogueiros para continuar o meme. 5 Não avisar os blogueiros indicados (essa regra não constava entre as que recebi; resolvi acrescentá-la a partir dos comentários que Gilda, que me indicou, fazia ao final da brincadeira, no blogue dela).

Já que já disse quem me indicou, vamos à brincadeira:

1 Não gosto da velocidade com que as coisas andam acontecendo no mundo. Não sou viciado em tecnologia. Não fico atrás do último lançamento de, por exemplo, celular para comprar só para ter “o da moda” e tal (botei os três num só tópico por achar que estão relacionados, ok?).

2 Só me interesso por cadernos, seções ou colunas de cultura em jornais e/ou revistas. Há determinados assuntos sobre os quais prefiro simplesmente não ler. Não chegam a me dar azia, falta é tempo e paciência mesmo. Não necessariamente nessa ordem…

3 Sou a prova viva de que casamento engorda. E isso é ótimo…

4 Concordo com o que Oscar Wilde diz em A alma do homem sob o socialismo: “A Arte nunca deveria aspirar à popularidade, mas o público deve aspirar a se tornar artístico. Há nisso uma diferença muito ampla”. Não vejo, na declaração (e menos ainda em sua reprodução), “nariz empinado”, arrogância ou arrotos de intelectualidade. E pela coisa não ser tão simples assim, penso que essa é, modestamente, uma das minhas missões, seja em blogue, jornal, papo de boteco ou qualquer outro espaço.

5 Essa podia ser juntada ao tópico anterior: em bares que têm (o acento permanece ou não nas novas regras?) minha simpatia, costumo presentear proprietários com cópias de discos com músicas que gosto, justamente na intenção de ouvi-las quando beber por lá. E mais: de que os outros ouçam, estando eu ou não. Às vezes funciona. Às vezes…

6 Não gosto de ouvir música em computador e entre os hábitos antigos que cultivo estão comprar discos e livros.

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Blogueiros indicados (em ordem alfabética): Bruna Castelo Branco, Donna Oliveira, Gisele Brasil, João Paulo Cuenca, Kamila Mesquita (aniversariante de hoje: parabéns, querida!) e Marcelo Montenegro.

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Lembro que há quase dez anos, quando comecei a usar (de modo bastante limitado) internet, eu, reles estagiário do Banco do Nordeste (valeu o aprendizado, turma! Quem sabe eu volte a ser bancário um dia…), e-mails com brincadeiras do tipo costumavam circular: questionários que perguntavam desde nome completo até idade e outras coisas impublicáveis eram recebidos e enviados quase na velocidade com que caixas autenticavam documentos.

É, gente: pura falta do que fazer, risos. Nossa programação (a)normal ainda continua interrompida… E para não participar de um meme sem saber do que se tratava: meme é, em resumo, cópia, descobri aqui.

Gildoca, valeu!

VOLTANDO…

Acabei sumindo mesmo durante o FSM. Depois conto. Voltando aos poucos, deixo vocês com o texto de ontem do Tribuna do Nordeste (que eu havia deixado pronto antes de viajar). Daqui a pouquinho as coisas voltam ao (a)normal. Até!

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ALEGRIA CONTAGIANTE

Pautada na alegria, estreia do grupo carioca Fino Coletivo alia letras inteligentes a melodias dançantes, em reinvenções de funk e samba.


[Fino Coletivo. Capa. Reprodução]

Num tempo em que na música brasileira parece impossível se dançar ao som de letras inteligentes – como se os cérebros dos ouvintes fossem incapazes de executar duas tarefas aparentemente simples ao mesmo tempo – é chegado, em Boa hora, esta estreia do Fino Coletivo, em disco homônimo (2007, Dubas Music, R$ 26,90 em http://www.mubi.com.br).

A exemplo de Wado, seu ex-integrante alagoano, a banda esteve em São Luís recentemente, por ocasião do Laboratório Internacional de Mídias Livres – o show da banda carioca aconteceu sexta-feira passada, 23, na Praça Nauro Machado (Praia Grande). Deu sorte que apesar da chuva o público se manteve fiel para vê-los/ouvi-los tocar debaixo do maior temporal, este missivista incluso.

Adriano Siri (voz), Alvinho Cabral (guitarra, violão, voz), Alvinho Lancelotti (voz), Daniel Medeiros (contrabaixo, programações, voz) e Marcus Cesar (bateria) reinventam o samba e o funk – “tarja preta”, como avisa uma das faixas, de autoria de Wado (guitarra, voz) que, como Lucas Margutti (VJ, DJ), integrava a formação que gravou o disco – e com eles a alegria. Deles e nossa.

Se a gente só reclama da falta de inteligência na música brasileira contemporânea – e em seus ouvintes, principalmente, seja em casa, na rua, no trabalho ou no coletivo –, o Fino é uma grata surpresa. Como diz a letra de Uma raiz, uma flor (Wado/ Alvinho Cabral/ Georges Bourdokan – sim, o colunista da Caros Amigos), certamente não sobre eles, mas muito apropriadamente: “não diga que as estrelas estão mortas/ só porque o céu está nublado”.

[Tribuna Cultural, 1º./2/2009]