ANTEONTEM GORDO

Tribuna Cultural do domingo gordo de carnaval, Tribuna do Nordeste de anteontem, já anunciada antes por aqui.

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ALMA BRASILEIRÍSSIMA

Ana Salvagni dedica seu terceiro disco à obra de Hekel Tavares, importante compositor alagoano, infelizmente pouco conhecido do grande público.


[Alma Cabocla. Capa. Reprodução]

Alma Cabocla [Vai Ouvindo, 2008, R$ 26,90 no MUBI, http://www.mubi.com.br] é, como raros discos hoje em dia, irretocável. As músicas de Hekel Tavares – seu subtítulo – ganham cores novas e, espera-se, novos e merecidos holofotes na bela voz de Ana Salvagni.

Hekel Tavares (1896-1969) é compositor alagoano infelizmente pouco conhecido, embora seja autor de pelo menos dois clássicos da música brasileira: Você – mais conhecida pelo nome de Penas do Tiê e pela polêmica envolvendo Fagner, que gravou-a com a participação de sua madrinha Nara Leão como sendo um “folclore alagoano”, portanto de domínio público – e Favela, gravada, entre outros, pelo mineiro Ataulfo Alves.

Ambas as músicas, parcerias com Nair Mesquita e Joracy Camargo, respectivamente, estão em Alma Cabocla, mergulho profundo na obra do compositor alagoano, que permite descobrirmos verdadeiras pérolas, casos das animadas Bia Tá Tá (Hekel Tavares e Jorge D’Altavilla), coco que abre o disco, e “Eu vi…”, ou das tristonhas – mas nem por isso menos belas – Dedo Mindinho (Hekel Tavares e Luiz Peixoto) e Lavandeirinha (Hekel Tavares e Olegário Mariano), entre outras.

As 16 faixas de Alma Cabocla apresentam um Hekel Tavares interiorano, sertanejo, no bom sentido, popular, idem – o compositor dedicou-se também à música erudita. Para mergulhar nesse universo, Ana Salvagni cerca-se de talentosos amigos: Edmilson Capelupi (cavaquinho e violão de 7 cordas), Toninho Ferragutti (acordeom), Swami Jr. (violão de 7 cordas), Toninho Carrasqueira (flauta), seu esposo Paulo Freire (viola), Paulo Braga (piano), Renato Braz (voz em Lavandeirinha e Moleque Namorador), Nailor Proveta (clarinete), Filó Machado (violão e voz em Favela), entre outros.

Como se não bastasse a música, Alma Cabocla está embalado em belíssimo projeto gráfico, que remete aos ares em que foram compostas As Músicas de Hekel Tavares. De pés descalços, Ana Salvagni caminha na capa. Que sejam mais passos para que a obra do importante compositor seja enfim (re-)conhecida como merece. Ainda que tardiamente.

2 comentários em “ANTEONTEM GORDO

  1. que bela capa essa, hein?!maravilha mesmo… (incluido, claro, a Ana, mas não só ela, óbvio!)vou atrás de escutar a moça…

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