Arquivo mensal: outubro 2008

HOJE

Ó: A turma só confirmou depois do cartaz pronto, daí não tem o nome da Pedra Polida, mas eles vão tocar. Então: é Saint Louis Rock n Blues e Pedra Polida. E show da PP é sempre um acontecimento, quem já viu ao vivo sabe do que ‘tou falando. Quem ainda não viu, taí uma chance, clica no cartaz pra saber mais.

VIDA REAL

Ex-detento mata inimigo a facada na Rua da Matança

Vítima foi levada em carro-de-mão para o hospital

Por motivos ainda não esclarecidos pela polícia, o ex-presidiário conhecido como Edvaldo assassinou com uma facada no peito, depois de rápida discussão, Luís Carlos Costa Machado (36 anos, Travessa da Matança, Anil). A vítima ainda foi socorrida e levada em um carro-de-mão para o Posto de Saúde do bairro, mas morreu no caminho.

O crime ocorreu no início da tarde de ontem, na Rua da Matança e o acusado teria contado com a ajuda de um traficante identificado por “Joelma” para praticar o homicídio. A polícia foi informada que Maranhão, como a vítima era conhecida, era filho de um homem conhecido como “João Ladrão“, porém, as causas e circunstâncias que levaram ao assassinato ainda estão sendo investigadas. O corpo de Maranhão deu entrada no IML às 18h. Inquérito para apurar o crime foi instaurado na Delegacia do 3º DP (Radional).

[Jornal Pequeno de hoje, p. 16. Grifos do blogueiro]

O E-MAIL DA NOITE

From: reuben da cunha rocha reubencr@gmail.com
Date: 2008/10/14
Subject: BaixaCultura no ar!
To: baixacultura@gmail.com

Queridos,

Esse aqui é pra avisar que após um mês de testes (antecedendo, claro, meses e meses de testes que virão), cooptação de mão-de-obra barata e reuniões editoriais etílicas, o BaixaCultura está oficialmente no ar.

Aqui, ó: http://baixacultura.org/

Colo abaixo o texto de apresentação do site.

Espero que todos curtam a idéia, colaborem, divulguem, e também que estejam todos bem.

r.

BaixaCultura?

“Journalism is about human reaction and criminal enterprise“. (Warren Ellis, Transmetropolitan.)

Jornalismo cultural voltado para produtos que podem ser consumidos (apreciados, fruídos, curtidos mesmo) na rede.

A vasta discussão em torno das possíveis e impossíveis mudanças na forma de se praticar (fazer, distribuir, consumir) cultura após a popularização das mídias digitais também nos interessa, e muito.

Você sabe: Download. Pirataria. Copyleft. Produção Independente. Contra-Indústria. Todas essas coisas que ajudam a construir uma cultura anárquica e gratuita (ou, no mínimo, mais acessível).

BaixaCultura é editado por Leonardo Foletto e Reuben da Cunha Rocha, mas espera que role colaboração duma pá de gente!

SER OU NÃO SER? GAYS A QUESTÃO

“Se as pessoas discutissem política como discutem futebol, talvez vivêssemos num país melhor”. Quando minha namorada disse-me isso, dias atrás, concordei discordando: o que ia mudar seria somente a freqüência, mas as discussões continuariam rasas. Em geral – em geral, repito – as pessoas discutem futebol de forma apaixonada, se ligando apenas em torcer pelo time A ou B, X ou Y. E discutem política assim também: se o político – na verdade, geralmente discutem o “candidato”, não o “político” ou “a política” – A é melhor que o B e fico por aqui para não baixar a outro nível do debate: se A pode lhes dar algo mais que B etc.

Um ouvido no rádio, o resto dos sentidos no trabalho, hoje pela manhã eu ouvia uma entrevista com o candidato Flávio Dino (Coligação Unidade Popular – PC do B/PT). Soube, não pelo rádio, que andaram plantando boatos de que o candidato que tem meu apoio nestas eleições – não tem meu voto só por eu não votar em São Luís – é/seria gay. Questão irrelevante, ao menos para mim.

Aí vai um ouvinte, por telefone, e tasca a pergunta, algo assim, cito de memória: “o senhor é a favor ou contra o casamento entre homossexuais?” É o raso debate, seja em se tratando de futebol ou política: um prefeito municipal – seja lá de capital ou interior, fique lá onde fique a cidade por ele capitaneada – não tem que ser a favor ou contra casamentos, dê-se entre quem se dê (perdão dos trocadilhos infames não-intencionais): isso deve ser preocupação de padres e juízes (vá lá, Flávio Dino foi juiz um dia). E se o prefeito – ou o candidato – é gay ou não, não creio que isso seja problema da população, sequer é de quem vota/votou nele: aí reacende-se o debate entre as linhas tênues entre vida pública e privada: é interessante saber, por exemplo, das festas de aniversário da filha da Xuxa? Sacam?

Bom, em São Paulo, provavelmente em maior escala, acontece o mesmo. “Debate” da hora: Kassab é ou não gay? Questão irrelevante, ao menos para mim. Não vou fazer carnaval só por se tratar de candidato do DEM, partido que tem minha ojeriza em tempo integral (ponham aí nesse anti-altar o PSDB também). Sobre o assunto, recomendo a leitura do sempre lúcido Pedro Alexandre Sanches. E boas risadas com o sempre genial Paulo Stocker:

QUATRO DOSES

1) Batize o cartum acima e ganhe a coleção completa de Tulípio, na faixa. Saiba mais no boteco do rapaz.

2) Adquira sua Tulípio-shirt.

3) Texto do blogueiro nessa rodada:

Mesa 2

BOTECO

UM PEDAÇO DE PARAÍSO

por Zema Ribeiro*

Era domingo à noite e milagrosamente, o bar não estava “cheio de bêbados que acumulavam garrafas sob a mesa desde a manhã”. Um pagode tocava baixinho nas caixas de som e uma única mesa reunia músicos, cujos instrumentos se amontoavam nos cases sobre outra mesa ao lado – soubemos depois que já havia acontecido uma roda de samba ao vivo.

Já era tarde e o tira-gosto havia acabado. Eu, que já havia bebido e comido lá por várias vezes, fizera propaganda da carne de sol e picanha baratas, da cerveja gelada, da música de qualidade em um volume que permitia a conversa entre os freqüentadores. Algo raro na Madre Deus deste começo de século XXI.

Logo os músicos foram embora. “Amanhã é segunda-feira” e eles precisavam se fantasiar de suas profissões, despir-se de músicos, ofício/vício que guardavam para fins de semana. Ainda não chegou, Leminski, o dia em que “tudo que eu diga/ seja poesia”. A estréia de Carlinhos Veloz começou a tocar. Entre ilhas belas e imperadores Tocantins, pensei em quão raro coisas do tipo haviam se tornado por ali. Minha saída para comprar dois churrasquinhos – o tira-gosto havia acabado – comprovou: porta-malas abertos, malas nas calçadas – os motoristas e seus “passageiros” – música (?) da pior qualidade: créus, caralhos-de-asas-do-forró, “cada um no seu quadrado” não na prática. O volume ensurdecedor de um som no bar x incomodava – ou não, há babacas que gostem – freqüentadores do bar y, ou passantes.

Voltei e Carlinhos Veloz cantava Maracá curumim. Não demoraríamos a ir embora, precisaríamos acordar cedo amanhã. Sentia saudades de uma Madre Deus que não conheci, década de 70, século passado, que abrigava filhos e habitantes ilustres: Chico Saldanha, Cesar Teixeira, Ubiratan Sousa, Cristóvão Alô Brasil, entre tantos outros que faziam o samba e a cachaça apanharem “até de manhã”. Pensei que aquele pedacinho do bairro encravado no coração da capital merecia preservação. E soube de moradores incomodados com o barulho. Ora, vejam só: não se incomodam com a barulheira desqualificada e desqualificante de outros barzinhos e querem impedir os proprietários de conseguir as licenças necessárias a seu funcionamento. O bar continua funcionando, servindo comida gostosa, cerveja gelada e música em altura compatível com a minha necessidade de conversar, papo sério ou piada, sem a necessidade de gritar para quem divide comigo a mesa.

A conta! As namoradas querem apenas ela. A saideira e a conta! Os namorados querem. Um acordo: enquanto tomamos a última do domingo, sem o trauma da música do Fantástico, a gente ouve um Benito di Paula, já que por duzentos paus a mesa, não vamos ao show. “Ah, eu vou embora…”, canta o pianista num samba (a)lento.

Serviço

Localizado na Av. Rui Barbosa, nº. 136, Madre Deus, o Cantina da Madre funciona de terça a domingo, a partir das 11h. No ramo de botecos, é pedaço de paraíso. Prove e comprove! E vice-versa.

*Zema Ribeiro escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com e freqüenta também o Boteco do Tulípio, outro pedaço de paraíso.

4) Leia outros textos da rodada.

ABRAÇANDO UM AMIGO

Outro dia um amigo mandou-me um e-mail. Pediu que não o compartilhássemos, nós que recebemos o e-mail, com mais ninguém. Que se havíamos recebido, era por termos algum significado especial para ele. Confesso que me senti lisonjeado, eu, que por vezes sou tão negligente com os amigos. Que poderia ser/estar mais presente, mas acabo absorvido pelo excesso de trabalho. Que apesar da dedicação, não consigo dar cabo.

Enfim. Esse amigo mandou o e-mail e teceu um rosário de lamentações sinceras. Confesso que me toquei. Na verdade, os sentimentos do amigo são meus também. Ou ao menos parte deles. Uma sensação de dever inconcluso, de missão por cumprir, de um pesado fardo por carregar. Uma sensação de inércia, com tanta coisa acontecendo por aí, e mais e mais nos exigindo. Sentimentos que só podem ser sentidos – às favas a redundância – por quem ainda acredita em alguma coisa. Por quem ainda consegue se encantar. Por quem ainda acredita que é possível mudar o mundo. Por pessoas “do bem”.

Respondi o e-mail. Eu, que guardo em mim tristeza e alegria e outros sentimentos tão contraditórios entre si, fui sincero. Dei-lhe umas poucas palavras de compreensão e força. Elogiei-lhe a coragem de compartilhar tudo aquilo conosco. Fiquei contente que ao final da missiva, o amigo já não usasse um tom amargo (uma auto-amargura, é verdade), mas desse voz à esperança, ele, um grande homem, admirável. Um dos meus grandes incentivadores nas tortuosas trilhas do jornalismo, caminho que ainda nem comecei. Figuraça a quem só tenho a agradecer.

Ao amigo deixo meu abraço: figuras como você são cada vez mais raras. Se é que eu tenho algo que me credencie a dizer isso: você está no caminho certo. Eu ‘tou contigo.

UMAS, AMANHÃS

Hoje (10), amanhã e depois, a queridamiga Lúcia Santos estará no 7º. Acampamento de Poesia. Explico: a Secretaria de Cultura de Santo Ângelo (RS) convidou a poeta maranhense e vários outros para três dias de comunhão, cujo resultado, poético, será publicado em livro. Já estou curioso.

*

Amanhã: começa a programação de aniversário de 36 anos do Labô velho de guerra, o Laborarte. Confira abaixo, completa:

Dia 11 (sábado): 20h: apresentação de break com o grupo Força Gueto (Maiobão). 21h: Maracatu Upaon Açu. 21h30min: Canto do Laborarte (show com Rosa Reis, Dona Teté, Soraya Alhadef e Nato Silva). 22h30min: Tambor de Crioula do Laborarte. 23h30min: Lançamento do cd dos Canários do Munim (Péla-Porco de Centro Grande, Axixá).

Dias 18 (sábado) e 19: 17h: Brincando de Cantigas de Roda, show musical com Rosa Reis, no Teatro João do Vale.

Dia 25 (sábado): lançamento do cd Capoeira do Laborarte, de Mestre Patinho.

Dias 31 (sexta) e 1º de novembro (sábado): Caravana Laborarte em Pedrinhas.

CORRENDO…

Por conta de compromissos outros de trabalho, só pude ver a segunda tarde do Seminário Direitos Culturais: Humanos e Fundamentais, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura em parceria com o Ministério da Cultura.

Algumas observações, ligeiras:

1) A voz da Tereza Cruvinel é igualzinha à da Marília Gabriela.

2) A turma – leia-se: grande parte da platéia que levanta o dedo para fazer perguntas na hora do debate – ainda está muito parada no “meu” disco, “meu” livro, “minha” poesia.

3) Platéia – como é mesmo o ditado? “A carapuça só assenta na cabeça de quem usa”, não é isso? – mal-educada. Ou preconceituosa mesmo, sabe-se lá. O burburinho se acentuava quando Zaira Sabry Azar, do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem-Terra começava a falar. E ela mandou bem.

*

Por falar em MST – sei que os poucos-mas-fiéis leitores deste blogue estão fora da parte da platéia que cito acima –, colo abaixo (cliquem para ampliar) a programação da Semana Che, que lembra os 80 anos de nascimento do bom e velho Ernesto. Embora só a marca do Governo do Estado apareça no panfleto, a promoção é da Associação José Martí, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e do Governo.

*

Clique aqui e veja uma foto que você já viu: “é nóis” no Tulípio.

SEMANA DE FEIRA

Imperatriz vai respirar literatura entre 20 e 25 de outubro. Volto a destacar as presenças ilustres de Celso Borges, João Paulo Cuenca e Marcelo Montenegro, além da humilde participação deste que vos bloga. Sobre o trio, escreverei para algum jornal imperatrizense, daqui pro início da semana. Programação completa por aqui, em breve.