IMPRESSÕES LIGEIRAS

Então: até amanhã, ‘tá rolando, em Imperatriz, a VI Semana Imperatrizense do Livro e a I Feira Regional do Livro e Leitura, acontecimentos dos quais tive a honra de participar, conforme ‘cê já deve ter lido por aqui, posts abaixo.

Escrevi três pequenos perfis de grandes figuras que passaram/passarão pela programação. Os textos saíram/estão saindo no jornal O Progresso, de Imperatriz. São os que colo abaixo, na ordem em que os personagens participam dos acontecimentos.

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[foto: divulgação]

IMPRESSÕES LIGEIRAS 1

JOÃO PAULO CUENCA

Escritor carioca, um dos grandes nomes da nova literatura brasileira, participa da VI Semana Imperatrizense do Livro.

por Zema Ribeiro

Aos 30 anos, João Paulo Cuenca já pode ser considerado um grande escritor brasileiro. Formado em Economia, há dois anos é cronista semanal do jornal O Globo, onde mantém uma página no suplemento Megazine. Já passou por Tribuna da Imprensa e Revista TPM. Suas crônicas têm um quê de João Antonio e Antonio Maria – entre outras influências confessas: cuidadosas observações do cotidiano e das ruas cariocas. Jovem, Cuenca já é gente grande.

Escreveu O Dia Mastroianni (Agir, 2007), Corpo Presente (Planeta, 2003), além de Parati, para mim (Planeta, 2003), este último em co-autoria, quando foi um dos escritores convidados da I Festa Literária Internacional de Parati, no Rio de Janeiro.

Seu segundo livro foi recentemente traduzido para o italiano e o autor esteve em Roma para o lançamento de Una giornata Mastroianni. O título, uma homenagem ao ator italiano, traz uma aventura de dois amigos em busca de prazer – ao leitor, o prazer da ótima prosa de Cuenca, em cujo Corpo Presente, todos os personagens se chamam Carmen e Alberto.

Cuenca tem participado ativamente da vida literária em diversos festivais mundo afora, Brasil adentro – no Maranhão participará da VI Semana Imperatrizense do Livro e da I Feira Regional do Livro e Leitura – e prepara novo romance, a sair pela Companhia das Letras, dentro do projeto Amores Expressos. O autor esteve em Tóquio, pelo projeto, para escrever o livro, que contará “uma história de amor”.

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[foto: divulgação]

IMPRESSÕES LIGEIRAS 2

CELSO BORGES

Jornalista e poeta maranhense participa da VI Semana Imperatrizense do Livro.

por Zema Ribeiro

Celso Borges equilibra-se num andor-ponte aérea sentimental entre São Paulo e São Luís, santos ora protetores, ora algozes. Na primeira vive, na segunda nasceu. Na Rua da Paz, 350, Centro, maio, 59.

O jornalista e poeta maranhense – não necessariamente nessa ordem –, a partir de suas obras mais recentes, tem feito experimentações aliando a palavra escrita e cantada: simplesmente música? Poemúsica.

Em XXI – poemas de Celso Borges (2000), reuniu 21 poetas maranhenses, além de grandes nomes da música brasileira para dar voz e cores sonoras a suas criações. Em Música (2006), são 50 poetas/músicos/artistas.

Música para ler, poesia para ouvir. Falar a música, cantar o poema. Como quem ora. Amigos reunidos, poetic jam, poesia a qualquer hora. “Tudo o que fazemos é poesia”, retraduzimos o Cage da epígrafe de Música.

Olho de agulha-laser, mirando vinil/cd, ouvido caixa de som. Poesia. Música. Que ecoe! Evoé!

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[foto: Paola de Orte]

IMPRESSÕES LIGEIRAS 3

MARCELO MONTENEGRO

Poeta paulista participa da VI Semana Imperatrizense do Livro.

por Zema Ribeiro

Ainda há quem consiga se emocionar com pequenos detalhes do cotidiano. Para essas pessoas é que Marcelo Montenegro escreve sua poesia. O autor dos cults Orfanato Portátil (Atrito Art Editorial, 2003) e De soslaio (Alpharrabio Edições, 1997), ambos esgotados, diz que começou a escrever poesia desde que ouviu Beatles pela primeira vez: “era uma fita de meu pai, uma Basf amarela, mal gravada, mas a sensação é até hoje inexplicável”, conta.

“Ele mantém a câmera do coração atenta aos acontecimentos que povoam de sentido o seu cotidiano”, diz Maurício Arruda Mendonça no texto de apresentação de Orfanato Portátil. Um exemplo?: “O chiado do disco entre uma música e outra/ A gruta onde os lobos dormem/ Alguma espécie de amor a cada passo em falso/ Um ralo por onde as coisas somem/ No metrô, saber qual livro a menina está lendo/ A vizinhança é um barulho de panela de pressão/ Há um vinho que sempre acaba antes da sede/ Um resto de sol que rabisca a parede/ Alguma espécie de oração” (Chiado do disco in Orfanato Portátil).

Um breve currículo, ao fim de Orfanato portátil, é também simples e belo como sua poesia: Marcelo Montenegro (São Caetano do Sul, 1971) adora pastel de queijo, literatura, cerveja e antigas músicas bregas revigoradas em filmes. É santista, odeia campari e bife de fígado e de vez em quando escreve uns poemas tristes.

Poeta em tempo integral, vem conseguindo viver fazendo o que gosta desde que atingiu a maioridade. Mesmo sua prosa é pura poesia. Por problemas de agenda, nenhum dos guitarristas com que apresenta seu poem n’blues pode vir à Imperatriz. Mas é imperdível sua participação na VI Semana Imperatrizense do Livro e na I Feira Regional do Livro e Leitura.

2 comentários em “IMPRESSÕES LIGEIRAS

  1. Zema, caro amigo Zema.que belo texto. hoje entrei no seu blog, para ler alguma coisa. legal ler teu texto sobre o Marcelo. grande ser humano. absurdamente poeta, e dos melhores. Meu exemplar do orfanato portátil, está com um dos meus alunos, que gosta de ler e fazer poesias.é sempre legal ver um texto bem escrito, como esse teu, sobre um poeta feito o montenegro. puta abraço, Zema.do amigo, Paulo Stocker.

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