Arquivo mensal: outubro 2008

PROGRAMA: O INCOMPREENDIDO

O incompreendido, curta de Francisco Colombo, que no Guarnicê levou apenas um prêmio (porra, incompreensível: apenas um!) está fazendo história aí pra fora: tendo participado da 32ª. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, foi selecionado para a “repescagem”, onde se exibe “o fino da mostra”. Veja a programação aqui.

Agora em novembro, participa do Percepções – 3º. Festival de Cinema e Vídeo de Muriaé (MG). Veja a programação aqui.

Antes, O incompreendido também estará no Vale Curtas 2008 – Festival Nacional de Curtas-metragens do Vale do São Francisco, que acontece em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). Enquanto a programação não fica pronta, veja a relação de selecionados aqui.

Espero que em breve role uma sessão em São Luís. Se você ainda não viu, pode apenas imaginar o quanto é bonito. Se você estiver em São Paulo, Muriaé, Juazeiro ou Petrolina nas datas acima, não perca!

CLÁSSICOS E INÉDITAS DE NAZARETH


[Reprodução capa]

Não bastassem os arranjos inspirados e o excelente time de instrumentistas que o executa, reside ainda em The Best of Ernesto Nazareth [Choro Music, 2008, R$ 18,90 no site] a proeza da descoberta – e registro – de duas inéditas do compositor, um dos pioneiros do choro: Zizinha e Ideal.

Tendo transitado entre o erudito e o popular – suas peças são objetos de estudo em escolas de música de ambos os universos – Ernesto Nazareth (1863-1934) é um dos grandes compositores brasileiros de todos os tempos. Clássicos como Bambino, Odeon, Apanhei-te cavaquinho e Brejeiro – estas, no repertório desse best of –, entre inúmeras outras, estão sempre em qualquer roda de choro que se preze.

Dono de vasta, importante e bela obra, Nazareth é até hoje regravado por diversos nomes da música brasileira: Elza Soares, Fernanda Takai, Choro Pungado e Turíbio Santos regravaram as citadas no parágrafo anterior, entre inúmeros outros, além de Radamés Gnattali e Jacob do Bandolim – que dedicaram discos inteiros à obra do carioca – e Arthur Moreira Lima, que em quatro volumes, registrou pela Discos Marcus Pereira, grande parte da obra do pianista que compunha trilhas para cinema ao vivo, enquanto o filme mudo era rodado – desse exercício nasceu, por exemplo, Odeon, clássico que homenageia importante cinema do Rio de Janeiro.

Outros títulos, abordando obras de nomes como Jacob do Bandolim, Chiquinha Gonzaga, Noel Rosa, Altamiro Carrilho, Pixinguinha, Zequinha de Abreu e Severino Araújo, importantes representantes dos mais autênticos gêneros musicais brasileiros – notadamente o choro e o samba – também estão disponíveis no site da Choro Music, em várias versões: gravações completas, de acompanhamentos (para o solo de estudantes de música), partituras e mp3 para download. Os songbooks integram a coleção Classics of the Brazilian Choro. Os títulos em inglês justificam-se: a Choro Music – que tem filial em São Paulo – surgiu na Califórnia, Estados Unidos, e “tem como grande sonho fazer com que o Choro Brasileiro seja conhecido e executado no mundo todo” (segundo o texto de apresentação no encarte).

Este The best of Ernesto Nazareth é um apanhado – de cavaquinhos, flautas, bandolins, clarinetes, violões e saxofones de, entre outros, Izaías do Bandolim, Milton Mori, Nailor Proveta, Toninho Carrasqueira e Edmilson Capelupi – dos três volumes de seu songbook. Clássico! Re-clássico!

CHORINHOS E CHORÕES

Ricarte Almeida Santos mostrará parte do repertório de The best of Ernesto Nazareth no Chorinhos e Chorões deste domingo (2 de novembro), às 9h, na Rádio Universidade FM, 106,9MHz.

PALAVRAS CRUZADAS

Sobre o texto Saudações tucanas, João Castelo e jovens de São Luís, anúncio assinado pelo jornalista José Linhares Jr. (do Jornal Pequeno, licenciado, foi candidato a vereador pelo PSDB na última eleição em São Luís), publicado pelo “órgão das multidões” de hoje (28), o jornalista Nielsen Furtado escreveu aqui.

De minha parte, deixo os poucos-mas-fiéis leitores deste modesto blogue com a genialidade de Edgar Vasques:

EU FICO MUITO PUTO COMIGO MESMO

Acima, capas dos números 16 e 17 da revista Coyote, das coisas no mundo da literatura (e além), que mais me deixam contentes sempre que acontecem. Sei do trampo e, principalmente, das dificuldades da turma que faz a revista e, (quase-)assíduo leitor, da qualidade dos conteúdos.

Meu amigo Ademir Assunção mandou-me os dois números e eu, correria da porra, devorei-as (há coisas simplesmente maravilhosas) (como sempre, aliás, completando o parêntese anterior) e não escrevi nada. É das coisas que me deixam muito puto comigo mesmo. A correria talvez explique, mas não justifica. E eu demorarei a voltar (ou a chegar?) ao normal. Ou nem tanto…

E em seu blogue, hoje, entre outras ótimas notícias (confira!), Ademir já avisa que o número 18 (capa abaixo) sai em novembro. Entre outros: Celso Borges, Joca Reiners Terron e Paulo Stocker (que estréia na quarta capa). ‘Cê ainda não conhece? Já estou ansioso!

A GENTE NUNCA ‘TÁ SATISFEITO

É da natureza do ser humano nunca estar satisfeito. Um exemplo de minha insatisfação (não, eu não vou falar do resultado das urnas ontem em São Luís): foi das melhores experiências que vivi nos últimos tempos participar da Semana do Livro em Imperatriz. Bater papo com Cuenca, conhecer Artur Gomes, encontrar Lilia Diniz certamente me fez/faz uma pessoa melhor. Mas como eu nunca poderia estar completamente satisfeito (era pra? Dava? Respondam vocês mesmo!), olha só o que eu perdi:

Os queridíssimos Celso Borges e Marcelo Montenegro em “confraternização” nalgum momento entre suas participações por lá. Valeu o retrato, Lilia!

AINDA IMPERATRIZ

Fiz duas participações na VI Semana Imperatrizense do Livro (e I Feira Regional do Livro e Leitura), em Imperatriz/MA, durante a semana passada: na terça, bati um papo com o escritor carioca João Paulo Cuenca; na quarta, falei sobre blogues e literatura. Na primeira conversa, alunos do ensino médio e do curso de Comunicação da UFMA, com a ilustre presença de Larissa Leda, professora deles, professoramiga minha, querida; na segunda, alunos do ensino médio do Dorgival Pinheiro (salvo melhor juízo o colégio mais antigo de Imperoza) e da “vizinha” Açailândia, além da intervenção poética do grandessíssimo Artur Gomes, em impagável performance. Em ambas, o cerimonial poético de Lilia Diniz, com quem já tinha topado uma ou duas vezes ao vivo, grande amiga que ajudou a dar a cara bonita que os eventos tiveram. Acatando sugestões minhas e “fazendo das tripas coração”, a poeta conseguiu levar/trazer à Imperatriz os já citados Artur Gomes e João Paulo Cuenca, além de Celso Borges e Marcelo Montenegro – infelizmente tive que voltar à São Luís, antes, e não pude vê-los/ouvi-los. Sei de tudo o que Lilia enfrentou para bancar isso tudo e fiz questão de deixar isso claro e agradecê-la publicamente em todas as minhas intervenções. A ela só tenho/temos a agradecer: este post é, também, um abraço de “feliz aniversário!”: ela ‘tá apagando velinhas hoje. Parabéns, Lilia! Tudo de bom, ‘cê merece!

Viajei de trem: queria fazer uma viagem inédita. Troquei os mais ou menos 50 minutos de avião por pouco mais de dez horas de trem entre São Luís e Açailândia – consegui reler o Corpo Presente e O Dia Mastroianni, do Cuenca – e depois mais uma hora e meia de busão até Imperatriz. Aí topei com Lilia, Elizandra, Alexandre, e pouco depois Cuenca chegou e já emendávamos umas cervejas. Depois ele me autografaria os dois livros, mais o em co-autoria Parati para mim.

Artur Gomes me levou ao Ponto do Ó, onde ele, que como eu não conhecia Imperatriz, já havia tomado umas no dia anterior. Conversamos longamente sobre poesia e artes em geral, ele, verdadeira enciclopédia-antologia poética ambulante, o homem que convive com Ademir Assunção, Marcelo Montenegro, Celso Borges, Paulo Stocker, Edvaldo Santana (que baixa em São Luís em dezembro, viu? Fiquem atentos!) e tantos outros, em Sampa, onde não vive – “eu vivo por aí, não tenho paradeiro”, disse-me – conviveu com Paulo Leminski, entre outras feras. Nossos universos particulares tinham muito em comum, ele com uma memória bem melhor que a minha, recita maravilhas, emendando um poema no outro.

Na correria, acabei não conseguindo ouvir o Ondas Literárias ontem. Alguém aí quer contar como foi? E você, leitor, esteve em Imperatriz? Quer contar algo? Se você tiver fotos, agradeço o envio para meu e-mail: zemaribeiro@gmail.com

CB e Artur Gomes devem subir até São Luís e a gente deve se topar por aqui. Aí, noutro post, conto a aventura poetilírica.

*

IMAGENS VALEM MAIS QUE MIL POSTS


[O blogueiro conversa com João Paulo Cuenca. Foto: Lilia Diniz]


[Cuenca lê um trecho de O Dia Mastroianni. Foto: Lilia Diniz]


[Rozany, estudante da UFMA, entre Cuenca e o blogueiro]


[Lilia entre o blogueiro e Cuenca]


[Larissa Leda entre o blogueiro e Cuenca]


[Elizandra entre o blogueiro e Cuenca]


[O por do sol na Beira Rio. Do lado de cá da câmera, nós tomando cerveja. Foto: João Paulo Cuenca]


[O blogueiro falando no Dorgival Pinheiro. Foto: Lilia Diniz]


[Depois, com Artur Gomes, tomando cerveja no Ponto do Ó. Foto: Elma, garçonete do lugar]


[Lilia Diniz lança o livro-conto Ao que vai chegar, enquanto eu tinha que sair correndo para pegar um táxi até a rodoviária para pegar o ônibus que me traria de volta à São Luís. Foto do blogueiro]

DOMINGO DE ELEIÇÃO

Apesar de, por incrível que pareça, aumentar o número de acessos de meu blogue, procuro manter-me afastado de política (ou de comentá-la por aqui). No sentido miúdo, que é o que, infelizmente, a maioria do povo conhece. Quando, ainda no primeiro turno, afirmei que, se votasse em São Luís, votaria em Flávio Dino, era justamente para não entregarmos o ouro a João Castelo, apontado em diversas pesquisas, desde o início da campanha, como imbatível.

No segundo turno estamos diante de duas possibilidades: o ex-juiz contra o atual réu: Castelo é réu, como pessoa física ou jurídica, em pelo menos 60 processos na justiça, cuja dívida total, sem atualização, passa de 38 milhões de reais. Você aí, cidadão de bem, que paga seus impostos em dia, quer que sua cidade seja governada por um cidadão que não honra seus compromissos? Honrará ele os compromissos de campanha se eleito? Vade retro!

No segundo turno estamos diante de duas possibilidades: o avanço e o atraso. João Castelo é do PSDB, a tucanalha que privatizou a Vale, que sucateou o ensino público universitário, que chama os programas sociais do Governo Lula de bolsa esmola. João Castelo é do PSDB, que em vez de um “bolsa esmola” vem oferecer três quilos de leite para crianças não faltarem a escola. “Mas doutor, uma esmola/ para um homem que é são/ ou lhe mata de vergonha/ ou vicia o cidadão” (Luiz Gonzaga/ Zé Dantas). João Castelo é do PSDB que agora estampa adesivos azuis e amarelos nos vidros dos carros com os dizeres: “Sou Lula, voto em Castelo”. A tradução disso, para mim, é ou uma coisa ou outra: ou é “Sou cínico, voto em Castelo” ou é “Sou imbecil, voto em Castelo”. Não que Lula signifique cínico ou imbecil em qualquer etimologia política. O cinismo está nos marqueteiros castelistas; a imbecilidade, nos eleitores; ou ambas as “qualidades” em ambos, sei lá.

No segundo turno estamos diante de duas possibilidades: a efetivação de propostas possíveis ou a irrealização de sonhos que podem virar pesadelos. Ou alguém aí acredita que João Castelo construirá um novo Castelão? Um novo Maiobão? Uma nova Cidade Operária? O candidato do PSDB vive de um passado que não volta mais. E graças a Deus que não volta: ou você desejaria tornar — se não viveu, seus pais e/ou avós certamente sim — à ditadura militar? À ditadura militar que “elegeu” João Castelo governador do Maranhão? Você deseja (voltar a) não ter opções? Ou a não poder escolher entre as opções que tem?

Você, jovem, que acha cara a passagem de ônibus ou a entrada no cinema, desejaria apanhar da polícia por reivindicar o passe livre? Enquanto há quase 30 anos estudantes apanhavam da polícia do então governador João Castelo, os bois da Fazenda Modelo — um dos CNPJs do Castelo réu em ações na justiça — eram criados, pasmem!, em ambiente climatizado. Sim: ar-condicionado para gado!

Você, jovem, não acha injusto procurar emprego e ter o currículo recusado por falta de experiência? Lula, de longe o melhor presidente da história desse país, tinha a experiência do movimento sindical, o que não conta para os fiéis seguidores de F(MI)HC & cia. Para essa corja, só valem os diplomas acadêmicos, e eles, com doutorados e o escambau no estrangeiro, fizeram o quê? Flávio Dino tem experiência. É apenas mais jovem que Castelo. Não cai por terra o argumento deste acerca da inexperiência daquele?

Você, de qualquer idade, não acha injusto que empregos sejam loteados ao bel-prazer de um “gestor”, tão-somente favorecendo familiares e amigos — estes mudam de acordo com a conveniência — mais próximos? Não é nada cristão incitar pobres almas a votar neste ou naquele candidato (em troco de céu ou inferno). É isso que fazem pastores castelistas. É diabólico apedrejar comitês de campanha e carros com adesivos de adversários. É isso que faz a militância p(r)aga de João Castelo.

Só pode ter a alcunha de rebelde quem tem coragem para ousar. São Luís, a Ilha Rebelde, precisa ousar, experimentar o novo. Gosto de ficção: na literatura, no cinema. Na vida real não posso crer em Castelos — tanta palafita por aí, precisando virar moradia digna –, isso é coisa de contos de bruxas. Espero que o tucano não falte ao debate de logo mais (na TV Mirante, após a novela das oito). E espero que você, leitor, ajude a eleger Flávio Dino 65 (PCdoB/PT) o novo prefeito de nossa Ilha do Amor.

HOJE, SÁBADO E DOMINGO

Na Ilha:


[foto: divulgação]

Hoje: Elza Soares faz show no Ceprama, às 21h. Beba-me, o show, terá a participação especial do maranhense Antonio Vieira, de cujo disco O samba é bom, ao vivo, produzido por Zeca Baleiro, a cantora participou, reverenciada por mestre Vieira como “uma das maiores cantoras do mundo”. Ingresso: R$ 25,00.


[foto: Pedro Araújo]

Amanhã: Mestre Antonio Vieira é o convidado de seu grupo Urubu Malandro (Antonio Vieira: percussão; Arlindo Carvalho: percussão; Domingos Santos: violão sete cordas; João Neto: flauta; Juca do Cavaco; Osmar do Trombone) no projeto Clube do Choro Recebe, que completa 54 edições. A música ao vivo começa a rolar às 19h, no Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama). Couvert artístico: R$ 5,00.


[foto: divulgação]

Amanhã também: Deu Pantin no Olho de Boi. Show com Herberth Luiz (que está finalizando Pantin, coletânea de músicas de sucesso em festivais) e Gildomar Marinho (que está finalizando Olho de Boi, selecionado no programa Cultura da Gente, do BNB). Participação especial de Jr. Schubert (violino). No Cantinho de Nanã (Av. Litorânea, Calhau), às 21h. Couvert artístico: R$ 3,00.


[foto: Pedro Araújo]

Domingo: o Choro Pungado (João Neto: flauta; Robertinho Chinês: bandolim e cavaquinho; Luiz Cláudio: percussão; Rui Mário: sanfona; Luiz Jr.: violões de seis e sete cordas e viola) faz show dentro da Mostra SESC Guajajara de Artes. Na Praça Nauro Machado (Praia Grande), de graça, às 20h.

IMPRESSÕES LIGEIRAS

Então: até amanhã, ‘tá rolando, em Imperatriz, a VI Semana Imperatrizense do Livro e a I Feira Regional do Livro e Leitura, acontecimentos dos quais tive a honra de participar, conforme ‘cê já deve ter lido por aqui, posts abaixo.

Escrevi três pequenos perfis de grandes figuras que passaram/passarão pela programação. Os textos saíram/estão saindo no jornal O Progresso, de Imperatriz. São os que colo abaixo, na ordem em que os personagens participam dos acontecimentos.

***


[foto: divulgação]

IMPRESSÕES LIGEIRAS 1

JOÃO PAULO CUENCA

Escritor carioca, um dos grandes nomes da nova literatura brasileira, participa da VI Semana Imperatrizense do Livro.

por Zema Ribeiro

Aos 30 anos, João Paulo Cuenca já pode ser considerado um grande escritor brasileiro. Formado em Economia, há dois anos é cronista semanal do jornal O Globo, onde mantém uma página no suplemento Megazine. Já passou por Tribuna da Imprensa e Revista TPM. Suas crônicas têm um quê de João Antonio e Antonio Maria – entre outras influências confessas: cuidadosas observações do cotidiano e das ruas cariocas. Jovem, Cuenca já é gente grande.

Escreveu O Dia Mastroianni (Agir, 2007), Corpo Presente (Planeta, 2003), além de Parati, para mim (Planeta, 2003), este último em co-autoria, quando foi um dos escritores convidados da I Festa Literária Internacional de Parati, no Rio de Janeiro.

Seu segundo livro foi recentemente traduzido para o italiano e o autor esteve em Roma para o lançamento de Una giornata Mastroianni. O título, uma homenagem ao ator italiano, traz uma aventura de dois amigos em busca de prazer – ao leitor, o prazer da ótima prosa de Cuenca, em cujo Corpo Presente, todos os personagens se chamam Carmen e Alberto.

Cuenca tem participado ativamente da vida literária em diversos festivais mundo afora, Brasil adentro – no Maranhão participará da VI Semana Imperatrizense do Livro e da I Feira Regional do Livro e Leitura – e prepara novo romance, a sair pela Companhia das Letras, dentro do projeto Amores Expressos. O autor esteve em Tóquio, pelo projeto, para escrever o livro, que contará “uma história de amor”.

***


[foto: divulgação]

IMPRESSÕES LIGEIRAS 2

CELSO BORGES

Jornalista e poeta maranhense participa da VI Semana Imperatrizense do Livro.

por Zema Ribeiro

Celso Borges equilibra-se num andor-ponte aérea sentimental entre São Paulo e São Luís, santos ora protetores, ora algozes. Na primeira vive, na segunda nasceu. Na Rua da Paz, 350, Centro, maio, 59.

O jornalista e poeta maranhense – não necessariamente nessa ordem –, a partir de suas obras mais recentes, tem feito experimentações aliando a palavra escrita e cantada: simplesmente música? Poemúsica.

Em XXI – poemas de Celso Borges (2000), reuniu 21 poetas maranhenses, além de grandes nomes da música brasileira para dar voz e cores sonoras a suas criações. Em Música (2006), são 50 poetas/músicos/artistas.

Música para ler, poesia para ouvir. Falar a música, cantar o poema. Como quem ora. Amigos reunidos, poetic jam, poesia a qualquer hora. “Tudo o que fazemos é poesia”, retraduzimos o Cage da epígrafe de Música.

Olho de agulha-laser, mirando vinil/cd, ouvido caixa de som. Poesia. Música. Que ecoe! Evoé!

***


[foto: Paola de Orte]

IMPRESSÕES LIGEIRAS 3

MARCELO MONTENEGRO

Poeta paulista participa da VI Semana Imperatrizense do Livro.

por Zema Ribeiro

Ainda há quem consiga se emocionar com pequenos detalhes do cotidiano. Para essas pessoas é que Marcelo Montenegro escreve sua poesia. O autor dos cults Orfanato Portátil (Atrito Art Editorial, 2003) e De soslaio (Alpharrabio Edições, 1997), ambos esgotados, diz que começou a escrever poesia desde que ouviu Beatles pela primeira vez: “era uma fita de meu pai, uma Basf amarela, mal gravada, mas a sensação é até hoje inexplicável”, conta.

“Ele mantém a câmera do coração atenta aos acontecimentos que povoam de sentido o seu cotidiano”, diz Maurício Arruda Mendonça no texto de apresentação de Orfanato Portátil. Um exemplo?: “O chiado do disco entre uma música e outra/ A gruta onde os lobos dormem/ Alguma espécie de amor a cada passo em falso/ Um ralo por onde as coisas somem/ No metrô, saber qual livro a menina está lendo/ A vizinhança é um barulho de panela de pressão/ Há um vinho que sempre acaba antes da sede/ Um resto de sol que rabisca a parede/ Alguma espécie de oração” (Chiado do disco in Orfanato Portátil).

Um breve currículo, ao fim de Orfanato portátil, é também simples e belo como sua poesia: Marcelo Montenegro (São Caetano do Sul, 1971) adora pastel de queijo, literatura, cerveja e antigas músicas bregas revigoradas em filmes. É santista, odeia campari e bife de fígado e de vez em quando escreve uns poemas tristes.

Poeta em tempo integral, vem conseguindo viver fazendo o que gosta desde que atingiu a maioridade. Mesmo sua prosa é pura poesia. Por problemas de agenda, nenhum dos guitarristas com que apresenta seu poem n’blues pode vir à Imperatriz. Mas é imperdível sua participação na VI Semana Imperatrizense do Livro e na I Feira Regional do Livro e Leitura.

CHORO E RISO: PALHAÇADA


[Crédito da foto]

Domingo, no Chorinhos e Chorões, Ricarte vai tocar algumas coisas do Palhaço Carequinha. Impagável, imperdível. Adjetivável como Juca do Cavaco. Sabem uma das feras que tocava na bandinha do palhaço?: ninguém menos que Altamiro Carrilho. Confiram! O Ch&Ch vai ao ar às 9h na Rádio Universidade FM (106,9MHz).

AO VIVO, DIRETO DE IMPERATRIZ

Rapidão: ainda estou em Imperatriz, onde vim fazer umas falas na Feira do Livro, sobre o que conto mais depois. Adianto: muito legal bater um papo literário com João Paulo Cuenca ontem e falar sobre blogues e literatura na manhã de hoje. À noite, regresso à Ilha. Infelizmente não vou conseguir topar com Marcelo Montenegro e Celso Borges, que também enriquecerão a programação da Feira.

Depois da falação de hoje, corri aqui numa lan-house: precisava ver uns e-mails e para gastar o tempo de aluguel do micro, aproveitei para atualizar minha leitura de blogues (alguns). Aí soube disso aqui, ó:

O primeiro entrevistado da série é CB. Vou ouvir pela web, sábado de manhã. Maiores informações: aqui, aqui, aqui e aqui.

CHE

Ontem terminou a Semana Che. O MST organizou um show com vários nomes: Cesar Teixeira, Joãozinho Ribeiro, Lena Machado, Fátima Passarinho, Lobo de Siribeira, Daiane, Bruno Gueiros, Totó Sampaio, Japona e outros que eu não vi (cheguei atrasado) ou não lembro (emoção e falta de bloco nas mãos).

Assim vale usar o nome/imagem de Guevara, que completaria 80 anos em 2008. Merecida homenagem a uma figura importantíssima e eterna.

Na platéia do circo armado na Feira do Livro, entre tanta gente que eu gosto (Graziela, Colombo, os artistas já citados, Zaira, Iguaracira, Jordânia, Aglesson, Laura e outros e outras), lembrei do poema abaixo, que também presta homenagem a Guevara, citando momento infeliz da publicidade brasileira (há muitos momentos assim, não é?). De Ademir Assunção (in Zona Branca, Altana, 2001)

ANTI-ODE AOS PUBLICITÁRIOS
(DE UM GUERRILHEIRO MORTO EM COMBATE)

Tanto negócio e tanto negociante.
Gregório de Matos

querer eu quero
que vocês morram

sufocados em nuvens
de inseticidas

talvez limpóis, bombris
e bemdefuntos

como baratas que comem
as próprias patas

olhos vendados
com vendas garantidas

e uma estaca
cravada no prepúcio

assim eu possa
propagar em outdoor

a dor de um jovem
promissor e sanguessuga:

aqui jaz um bom rapaz
cuja vida se reduz a um anúncio

NOTA: Poema especialmente dedicado aos publicitários que usaram a imagem de Ernesto Che Guevara (morto por balas de metralhadora, no meio da selva boliviana) em anúncio do detergente Limpol, no ano da graça de 1.998.