DEBATE

Não acredito em pesquisas eleitorais por motivos bastante simples: primeiro, nunca fui pesquisado, segundo, não conheço ninguém que um dia tenha sido, terceiro, é comum institutos de pesquisa estarem ligados a veículos de comunicação e, portanto, aos interessados na pesquisa, os políticos, os candidatos. Entre outras. Quem não lembra, por exemplo, da última eleição para o governo do Estado, quando, nas primeiras pesquisas divulgadas, a senadora Roseana Sarney vencia as eleições no primeiro turno, com algo entre, 60 e 70% dos votos, a memória me falha. Outro problema é o tempo verbal usado pelos meios de comunicação: alguém que não saiba que a eleição só acontecerá no primeiro domingo de outubro, ao abrir o jornal, um dia qualquer, pode acreditar que São Luís já tem um novo prefeito. “Fulano de Tal vence no primeiro turno” é o que não raro dizem as manchetes.

“Bandeiras nas ruas”, só mesmo na clássica Oração Latina (Cesar Teixeira). Militância hoje em dia é algo raro. Os bandeiristas recebem um trocado qualquer – uma fortuna para quem é acostumado a ganhar nada – para agitar números, nomes e cores por rotatórias da capital.

Sexta-feira passada, duas amigas minhas, indo para casa, após mais um cansativo dia de trabalho sofreram por conta de um bandeiraço. Nervosas que ficaram, não conseguiram observar o número do candidato propagandeado na ocasião – de ocasião, aliás, vivem muitos deles. Sucedeu-se o seguinte: aproximando-se de uma faixa de pedestres sob a ponte Bandeira Tribuzzi, por volta de 18h, por força da preferencial ser de quem desce a ponte, a que conduzia o carro foi obrigada a parar. Nisso, um, segurando uma bandeira, começa a atravessar a faixa de pedestres lentamente, acompanhado por outros, a passos de tartaruga. Um, empunhando um revólver, chega ao lado do automóvel e grita: “sai do carro!”. Sem nem pensar nem querendo saber se ainda havia alguém atravessando, a motorista sentou o pé no acelerador e conseguiu livrar-se, o veículo recebendo ainda uma bala, alojada na lataria até hoje.

Enfim: pesquisas eleitorais são fabricadas, militâncias são pagas (claro, há exceções, pouquíssimas). Há eleitores imbecis que entram na onda, ó o discurso: “se todos são iguais, eu não vou perder meu voto”, “ruim por ruim, voto em quem vai ganhar” e desandam a votar em quem está liderando nas pesquisas. E tomem ficar quatro anos como as personagens das propagandas do TSE.

Ótimas oportunidades de conhecermos realmente os postulantes ao cargo de prefeito municipal de São Luís são os debates que vêm acontecendo ao longo da campanha. Infelizmente, nem todo mundo dá a cara a tapa. Preferem esconder-se na barra da saia florida de quem nunca foi coreira nem nunca dançou tambor de crioula e acomodar-se, a ponto de quando alguém levanta o tapete – para mostrar a história, verídica e documentada –, acusar de puxar, o que são coisas completamente diferentes.

No certame político de 2008, já se realizaram três ou quatro debates, nunca contando com a totalidade dos dez – dez!: como jornais, São Luís tem candidatos demais – prefeituráveis. Hoje, acontece mais um, a partir das 18h30min, conforme Serviço no post abaixo, acontece mais um, no salão paroquial da Igreja de São Pantaleão (Rua de São Pantaleão, Centro). De acordo com a agenda dos candidatos divulgada nO Estado do Maranhão de hoje, teremos apenas metade dos candidatos presentes: Pedro Fernandes (PTB), Flávio Dino (PCdoB), Cléber Verde (PRB), Paulo Rios (PSOL) e Welbson Madeira (PSTU). É bom ir(mos) vê-los/ouvi-los, levar questionamentos, debater enfim.

Há quem pense que a cidade está nos pés, ou nos pneus dos veículos de uma das mais novas frotas entre as capitais brasileiras. A cidade, na verdade, está em nossas cabeças e em nossas mãos (e corações). Pela via do voto podemos escolher o melhor para a cidade que tanto amamos – uns apenas dizem, da boca pra fora. Somos os juízes deste jogo e neste futebol não há espaço para caixinhas de surpresas: a justiça deve ser feita e deve vencer o melhor.

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