LAPTOPS MARAVILHA

Quando eu passo pela rua/ tem sempre um homem que diz/ olha meu bem, estou na sua/ você é a mulher que eu sempre quis/ vejo você no meu futuro/ contigo quero me casar/ amor eu juro, juro, juro/ resolva logo me aceitar// Se ele pudesse me ver nua/ e notar toda a diferença/ ao perceber minha natura/ talvez chutasse o que ele pensa// Me daria um castelo/ pra comigo ficar/ deixaria sua mulher/ e partir comigo já// Não me chame de madame/ sem saber o que diz/ eu não sou uma dama/ eu sou travesti// A mentira no meu corpo/ que você levar pra cama/ a verdade em minha alma/ se transforma no meu drama/ sou assim de dia/ sou assim de noite/ travesti do teu amor/ travesti do teu açoite// Eu sou o que você quiser/ estou pro que der e vier/ sou o que você bem pensar/ eu fui feito para amar/ sei guardar o teu segredo/ pode confiar sem medo/ no altar da heresia/ eu sou a tal da filantropia/ travesti, travesti, travesti

Acima, transcrição (de ouvido) de Travesti (Claudia Wonder e Laura Finocchiaro), uma das letras engraçadinhas e pouco preocupadas com o politicamente correto do disco de estréia de Claudia Wonder & The Laptop Boys, o FunkyDiscoFashion (Lua Music, 2007).


[Capa. Reprodução]

Vá lá, funk não é algo que me agrade tanto (na verdade, em geral, desagrada bastante, salvo honrosas exceções, quiçá nem consideradas “funk” por quem ouve “créus” e vê “mulheres melancias”), disco idem (detesto boates) e o mundo fashion é geralmente nojento. Mas Claudia Wonder reúne estes elementos no triplo título e no conteúdo de seu disco e faz algo no mínimo engraçado.

Há momentos em que, encoberta pela sonoridade eletrônica (Godoy Jr.: laptop, emulador e produção musical; Panais Bouki: laptop, projeções e produção visual; Paula Preta e Adriana Pires [do Fulerô o Esquema]: backing vocals), não consigo ouvir direito a voz de Claudia Wonder (ela compõe quase 100% do disco), algum erro na transcrição da letra que abre o post é possível.

Os títulos das faixas, por si só, já são engraçados: Atendimento (onde ela canta: “não, isso eu não faço!”), Mulher do balcão (“olha a mulher do balcão/ que toma champanhe/ e bebe pinga com limão”), Ursinho misterioso e Funk da frígida, entre outras, além de uma releitura eletrônica de Besame mucho (Consuelo Velasquez), um dos grandes momentos do disco.

Não dá pra levar a sério, e nem sei se é essa a intenção do mito da cena underground paulista desde a década de 70, que liderou banda (com o nome sugestivo de Jardim das Delícias) nos 80, morou na Europa nos 90, e nos diverte agora, quase finzinho dos 00.

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