adeus, jingle goebbels

por Cesar Teixeira*

“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Essa legenda, atribuída ao ministro de Propaganda nazista Joseph Goebbels, há muito serve de inspiração aos políticos ladinos que infestam o País, geralmente depositários de concessões públicas de rádios e TVs, por onde veiculam suas mentiras, visando à perpetuação dos seus feudos.

Mesmo esconjurada pelo Pe. Antonio Vieira no séc. XVII, a mentira evoluiu no Maranhão. A técnica nazista, por exemplo, foi habilmente adotada por José Sarney, governador eleito em 1965, desde quando discursou sob a mira da câmera de Glauber Rocha ao tomar posse no ano seguinte:

“O Maranhão não quer mais a coletoria como uma caixa privada, a angariar dízimos inexistentes para inexistentes arcas reais, que não são inexistentes porque se pode pronunciar os nomes dos beneficiários e identificá-los ao longo destes anos de corrupção”, dizia Sarney.

Com o tempo, as máscaras caíram e a própria mentira com cara de verdade foi se tornando obsoleta. Goebbels aos poucos foi sendo substituído por um novo paradigma. A moda agora é mentir de cara-limpa, sob os holofotes da imunidade. Quanto mais deslavada for, maior será o lucro político de cada mentira.

Praticada com profissionalismo e elegância, a mentira hoje dá muito mais prestígio que diploma da Sorbone. Pernas curtas? Não mais. Durante 2007 pudemos vê-la desfilar no Congresso Nacional travestida de CPI, processo por quebra de Decoro Parlamentar e outras fantasias com suas longas pernas de modelo da Daslu.

Se o PIB e o programa Fome Zero foram aplaudidos, sem dúvida ela estava por perto, metamorfoseada, como as juras do presidente Lula em defesa da reforma agrária e do meio ambiente, ou do combate à corrupção e ao desemprego. Os pobres ficaram mais visíveis, com direito a cartão eletrônico e estatística do IBGE.

Fantasiada de Papai Noel, visitou multinacionais, casas de bingo e factoring, deu uma breve parada no Pólo de Confecções de Rosário e depois sumiu com sua limusine nas nuvens, não sem antes jogar lá de cima restos de banquetes, brinquedos chineses rejeitados e até mesmo camisinhas para os mais encarquilhados.

Depois do Natal, empresários e legisladores agitariam seus lenços brancos, com mais saudades do velhinho que as criancinhas.

Porém, a fraude laureada não contagia só bordéis republicanos, Bush e assembléias da ONU, mas também partidos, instituições públicas, ONG’s e sindicatos camaleões. Mesmo nas feiras, quitandas e barzinhos sempre há uma criatura que cultiva a mentira recriada, novo aperitivo da inveja e da calúnia.

Falar a verdade é caretice insossa, saudosismo cristão, discurso de amador. É um gesto arriscado nos tribunais da velhacaria explícita e de juízes corrompidos.

Os hipócritas sempre rezam na cartilha dos falsos apóstolos da democracia, agem e imitam seus desvarios. Quando baterem as botas e estiverem rastejando em torno dos próprios sepulcros irão perceber o grande buraco que abriram em suas almas.

Não haverá câmera de TV diante da qual possam ludibriar os incautos. Seus dólares não terão valor algum, e o ouro da mentira não lhes garantirá nenhum palácio celestial. Estarão solitários, e seus espíritos serão como laranjas podres extraviadas pelo universo.

Culpa de Goebbels? Absolutamente. O amante nazista das letras, que matou os filhos e suicidou-se junto com a esposa, está novamente morto. Suas teorias viraram cinza. Depois dele, outros destruiriam filhos e descendentes transformando-os em cópias piratas, e condenariam populações inteiras à fome e ao analfabetismo.

Mas, solidarizemo-nos, o Ano Novo bate à porta!

É hora de vomitar o strogonoff azedo com vinho São Braz remanescentes do Natal, saltar o lamaçal do ano moribundo e seguir desconfiados rumo a 2008, carregando nos ombros os mesmos cadáveres insepultos, até sumirem de vez os acordes do Jingle Bells. Ou melhor, Jingle Goebbels.

*embora dispense apresentações, Cesar Teixeira é jornalista e compositor. Lançou o disco “Shopping Brazil” em 2004.

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o texto acima foi publicado na edição de hoje (28) do jornal pequeno.

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ao lado do regional tira-teima e do violonista joão pedro borges, cesar teixeira é convidado da edição de amanhã (29) do projeto clube do choro recebe.

Um comentário em “adeus, jingle goebbels

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