dando os créditos

fazendo justiça. que os jornais de são luís, em sua grande maioria, não passam de varais de releases, todos sabemos. a edição d’a tarde de 15 de dezembro passado, no entanto, publicou o texto abaixo, de lena machado (estudante de comunicação e cantora com diversas passagens pelo projeto clube do choro recebe), sem dar os créditos. como não se trata de um release, este blogue faz, agora, o que o jornal deveria ter feito.

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Clube do Choro do Maranhão: os encontros semanais entre a tradição e a inovação

por Lena Machado*

Já virou tradição na Ilha. Todos os sábados os grupos chorões se reúnem para um sarau onde a ordem é tocar a música instrumental brasileira por excelência: o chorinho. E a Ilha cabocla, historicamente embalada pelos sons percussivos do bumba-meu-boi, do tambor-de-crioula e do coco, entre outros, rende-se faceira aos acordes de cavaquinhos, flautas, bandolins e sete cordas.

O movimento musical já está na sua 15ª edição e tem conquistado novos adeptos. Isso desmente os boatos de que choro é coisa da antiga. Quem ainda pensa assim, está desatualizado. Em São Luís, o movimento conta atualmente com cinco grupamentos instrumentais: Regional Tira-Teima, Instrumental Pixinguinha, Chorando Calado, Um a Zero e Toque Brasileiro. Dentre estes, três grupos têm em sua formação músicos de idade entre 18 a 26 anos. E a adesão das novas gerações se percebe também entre os apreciadores desse gênero. O clima família vivido no Chico Canhoto favorece a participação de todos, daí que não é difícil encontrar por lá dos netos aos avós.

Segundo Ricarte Almeida Santos, produtor do projeto, a proposta é bem informal: a casa é um espaço aberto e simples e lá se valoriza, sobretudo, a produção instrumental brasileira e maranhense. “Além disso, é ponto de intercâmbio entre a antiga e a nova geração de chorões. Sem dizer que grande parte do que se produz na música maranhense está recheada de elementos do samba e do choro. É preciso que todos percebam que não dá prá repetir as receitas do que é feito no sudeste do país. O choro e o samba no Maranhão têm que ser influenciados pelo coco, lelê, tambor-de-crioula, têm que beber da fonte da cultura popular. É isso que lhe é peculiar ”, afirma.

O projeto funciona assim: a cada sábado, um grupo instrumental assume a responsabilidade de ser o anfitrião da noite. Os grupos apresentam um repertório variado executando criações consagradas de grandes mestres da cena-choro nacional como Jacob do Bandolim, Pixinguinha, Joaquim Callado, Ernesto Nazareth, João Pernambuco, Waldir Azevedo, Radamés Gnattali, dentre outros.

Como a idéia é também valorizar a produção musical maranhense, é aí que acontece o intercâmbio musicultural entre os grandes nomes do cenário nacional e as criações locais. Mestres como Antonio Vieira, Cesar Teixeira, Joãozinho Ribeiro, Chico Maranhão e Chico Saldanha também são devidamente reconhecidos pelos músicos que se apresentam no Clube do Choro. E, muitas vezes, são os próprios compositores a dar o ar da graça na qualidade de convidados.

A cada edição, além do grupo anfitrião, também se apresenta um convidado especial. Geralmente intérpretes e compositores que têm uma carreira artística pautada e/ou influenciada por esse gênero. Ao longo destas quinze edições já passaram pelo palco artistas maranhenses como Léo Capiba, Fátima Passarinho, Chico Nô, Chico Saldanha, Léo Spirro, Chico Maranhão, Sávio Araújo e Flávia Bittencourt, além dos paraenses Pedrão e Marcelinho Ramos, e do piauiense Naeno (que tem apresentação agendada para 15 de dezembro). Não é por acaso que a experiência se tornou referência para o encontro de músicos e compositores e já recebeu o título de “templo sagrado do choro”.

Para Zema Ribeiro, freqüentador assíduo do projeto, o chorinho prima pela versatilidade, pela variedade nas harmonias. “É música para alma, fonte que faz aflorar a criatividade e a originalidade dos músicos. Elementos tão esquecidos nos gêneros hoje favorecidos pela indústria fonográfica que mercantiliza a cultura brasileira. O Chico Canhoto é esse espaço para onde se foge dos porta-malas de carros que fazem ressoar, em volumes altíssimos, produções pouco recomendáveis para os ouvidos”, ele acrescenta.

Na simplicidade e profundidade, o projeto Clube do Choro Recebe encontrou sua receita de sucesso e permanência. Afinal, ele retoma as animadas rodas de conversa entre amigos embaladas por uma boa música, e isso nunca poderá ser considerado coisa da antiga.

Serviço

O quê: Projeto Clube do Choro Recebe
Quem: a cada edição um grupo instrumental recebe um/a convidado/a especial
Quando: todo sábado, a partir das 18h30min até às 23h
Quanto: R$ 3,00 o couvert por pessoa

* Lena Machado é estudante de Comunicação Social (Jornalismo) e é a voz do cd “Canção de Vida”, que celebrou os 50 anos da Cáritas Brasileira.

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