Arquivo mensal: maio 2007

otto, indo e voltando

[aviso desnecessário: isto não é jornalismo! textinho nosso sobre a apresentação de otto, anteontem, no taa. pena que não era quinta-feira, vocês entendem…]

ao grito de “cai fora!” emitido por algum gaiato da platéia, o público respondeu com uma sonora vaia, que deturpada, ganhou a ilha como tendo sido para o músico tutuca, que no bis do set de abertura, brindou a platéia com um belo boi, com a percussão luxuosa de jeca. que fique claro aqui: a vaia não era direcionada ao músico maranhense que abriu o show de otto [e banda, “mtv apresenta”, projeto mpb petrobrás, dia 29 de maio, às 20h, teatro arthur azevedo].

o mangue-boy parecia um moleque deslumbrado. repetiu infinitas vezes do prazer e da felicidade de estar ali. aqui. “belém ou são luís?… o quê que tu acha?”, respondeu em tom de deboche a um engraçadinho que caçoava do embaralhar das idéias do autor de “bob”, enquanto este contava o percurso dessa turnê, que se encerrava ali, aqui, na ilha do amor.

otto correu por entre a platéia, sentou na beira do palco, deitou, tocou percussão, cantou e se divertiu, muito, antes, durante e depois do espetáculo, onde fez confissões menos recomendáveis sobre controversos cigarrinhos.

entre seus próprios hits – muitos pedidos pela platéia, para meu espanto. confesso: julgava otto menos conhecido por aqui e, felizmente, estava enganado – o discurso da felicidade, várias vezes repetido, os cabelos – e a barba, desarrumados – molhados, “aqui é quente demais, mas eu gosto é assim”, dizia, enquanto se banhava com copinhos de água mineral. e cantou homenagens para lia de itamaracá e um outro pernambucano, o maior, luiz gonzaga, pinduca, rei do carimbó no vizinho pará, e a parceria de erasmo carlos e ronnie von, num dançante brega eletrônico, “pra ser só minha mulher”. coisas de otto. “tv a cabo”, “ciranda de maluco”, “o celular de naná”, “pelo engarrafamento”, “dedo de deus”, “cuba” etc., etc., etc. bis e tris garantiram, entre outras, “condon black”, cuja letra, de versos como “é pau, é cu, é buceta!”, foi dos vários momentos em que otto e a platéia cantaram juntos, íntimos, cúmplices.

“canção barata”, jornalismo também – lembro de há quase dez anos, ter ouvido “samba pra burro” doze vezes seguidas (seguidas: sim, no mesmo dia, sem tirar o disco, pasmem!), assim que comprei a bolachinha-solo de estréia do ex-percussionista de bandas pernambucanas não menos conhecidas, como mundo livre s/a e nação zumbi.

vi, anteontem, um polido otto agüentar comentários como “esse projeto é legal por que traz um monte de gente nova” ou perguntas como “o seu trabalho tem alguma influência do manguebit?” disparados pelo casalzinho que apresentava o jornal de meio-dia na tv mirante.

sobre outra coisa qualquer, durante o show, otto disse: “é foda!”

contraditório

talvez você, caro leitor, estranhe o fato de otto ter tocado ontem em são luís e meu post ser batizado com o título de um disco do dj dolores. estranhe não! depois escrevo sobre a apresentação do mangue-boy. por enquanto, gostaria de rir (é pra rir ou chorar?) um pouco da nota abaixo, de félix alberto lima, editor interino da página de pergentino holanda, a nº. 3 do caderno alternativo, jornal o estado do maranhão de hoje, 30 de maio:

*

imprensa livre

foi duro o discurso do presidente josé sarney no senado, na última segunda-feira, em protesto contra o fechamento da emissora venezuelana rede caracas de televisão (rctv). sarney condenou a atitude do governo da venezuela e disse que democracia só existe com “imprensa livre e sem restrições”. segundo ele, a democracia é uma palavra, mas sobretudo é um estado de espírito.

*

rapidim, ó, meia-duzinha de coisinhas:

1) re-pergunto: é pra rir ou pra chorar?

2) todo mundo aqui conhece o conglomerado midiático de “seu” sarney, né?

3) sarney é presidente de quê mesmo?

4) a sigla rctv significa, na verdade, radio caracas televisión.

5) “imprensa livre e sem restrições”? será que isso existe no amapá? nem assim, justifica sarney desconhecer a realidade maranhense. (todo mundo aqui sabe que o maranhense josé sarney é senador eleito pelo amapá e tem rádios, tevês e jornais no maranhão, né?)

6) contraditório, não? (justifica ou não o título do post?)

como matei meu pai

sim, é o nome do filme ora em cartaz no cine praia grande [centro de criatividade odylo costa, filho, praia grande, sessões às 18h e 20h30min]. fui assistir, meio que por acaso, sexta-feira passada. entrei no cinema para dar um tempo e poderia ter feito outra coisa, mas o título do filme, o fato de ser francês (risos) e o anúncio como comédia – achei trágico, sinceramente – me chamaram a atenção.

ali estava eu, como quem não quer nada. não pude deixar de rir do “em cima da hora”: quase atrasado, entre resolver um e outro problema antes da sessão, foi uma coisa só eu sentar e os letreiros iniciais tomarem conta da tela: como matei meu pai [comment j’ai tué mon père, frança, 2001].

na parte superior esquerda de minha arcada dentária, algo me incomodava. usava a língua como uma espécie de palito de dentes e concentrava-me entre o filme e o esforço de retirar um suposto resíduo de comida que ali se alojara. passei o filme inteiro tentando fazer isso, sem sucesso e, que bom!, sem prejuízo ao entendimento da trama. ainda bem que o pequeno público presente não percebeu as manobras que tanto irritavam a mim mesmo.

em resumo, a história, é a seguinte, pescada daqui: jean-luc é um quarentão que se deu bem na vida, pelo menos em aparência. médico respeitado, casado com a belíssima isa, ajuda seu jovem irmão que é ator, empregando-o na sua bela casa burguesa. mas a vida de jean-luc e seus próximos é abalada no dia em que seu pai retorna, após um exílio voluntário de muitos anos.

imediatamente lembrei-me de meu pai, separado de minha mãe desde meus dez anos de idade. colocava-me no lugar do protagonista e tentava entender as razões do velho de barba e cabelos compridos e grisalhos que já havia deixado outras famílias anteriormente. seu distanciamento, seu silêncio, a incerteza de sua vida ou morte no sudeste-“maravilha”. um filme inteiro passou em minha mente, como se eu fosse um moribundo. percebo, no entanto, que minha vida está apenas começando. deus queira.

apesar dos momentos que justificam “como matei meu pai” como comédia e das poucas risadas de alguns poucos presentes, aquilo me doía fundo. mas permaneci na sala escura até o final da sessão. e valeu a pena.

pouco depois, entre um gole e outro da pouca cerveja que me permiti tomar – restos de gripe ainda me povoam – comentava uma “visita” (entre aspas, pois, a rigor, nem se tratava disso) inusitada que recebi. na hora em que abri a porta, meu irmão não estava em casa. parado na calçada de casa, um homem falava ao celular e gesticulava para mim, dando a entender que lhe esperasse terminar o assunto, que iria falar comigo. era o senhor de quem supostamente meu irmão alugaria uma casa e de quem eu, até ali, tinha apenas ouvido falar. trajava jeans e camisa pólo colocada por dentro, tinha cabelos médios e barba. pensei estar diante de meu pai, achando aquele homem tão parecido com alguém que há anos eu não via. na memória, fotografias que há tempos já não vejo. dava os descontos desse tempo, para o meu lado que pensava “não, não pode ser”. e o lado que pensava “e se for?” decidia-se entre o tomar a bênção, bater-lhe a porta na cara ou sair de casa levando a chave do jeito que eu estava no momento.

não posso negar minha curiosidade por papai. não chamaria o que sinto de saudades. não sei, sinceramente, como reagiria a um eventual encontro nosso – digo eventual por não saber se acontecerá ou não. se pode acontecer ou não, já disse de minhas dúvidas. e é dúvida minha também saber se ele tem alguma curiosidade por mim, por meus irmãos e/ou por suas duas netas (minhas sobrinhas), que nem sei se ele sabe que já tem.

como matei meu pai? papai se suicidou em mim.

a ufma ganha uma chance

Criada em 1966 como Fundação Universidade do Maranhão, fruto da reunião de faculdades preexistentes, a UFMA aos poucos foi adquirindo um certo ar de elefante branco, uma vasta instituição federal com relações muito frágeis com a sociedade, a região e seus problemas. De forma emblemática, encontra-se encravada numa área que ao longo do tempo aglutinou vasta população pobre, carente de uma série de serviços básicos, com a qual ela pouco interagiu, salvo raras e descontínuas experiências. Alienada da sociedade e sem maiores relações com as esferas dos governos estadual e municipal, a universidade também se constituiu alienando-se de si própria na medida em que sua direção foi apartada da comunidade acadêmica.

Instituição criada no bojo dos planos de expansão do ensino superior no período da ditadura militar, com todos os cerceamentos daí decorrentes, enredada na teia de interesses oligárquicos e temperada inicialmente pela forte presença do Arcebispado, logo delineou-se um circuito de dirigentes cuja seleção passava pelo encastelamento em cargos de vice-reitores, pró-reitores, diretores de centros ou equivalentes. No correr dessas quatro décadas, em dez reitorados descontínuos, construiu-se uma história na qual a disputa em torno da direção da universidade desenvolveu-se num jogo de acomodações entre interesses e “projetos” capitaneados por atores que já haviam se distanciado há tempos do cotidiano da universidade, pouco sabendo de como as coisas ocorrem lá na ponta, nas terríveis salas de aula e nos ambientes sujos, na carência de equipamentos, nos laboratórios insuficientes e bibliotecas bastante defasadas, na falta de motivação que se alastra por um campus cada vez mais esvaziado.

Integrando seu quadro docente há vinte anos, presenciei momentos de intensa disputa pelo comando da reitoria, que foram se desdobrando em controle de áreas inteiras por parte de grupos e nomes cuja permanência se conta em décadas, numa espécie de “feudalização” interna. Marcada pelo rápido inchaço burocrático, pela alienação de sua direção e sob a eterna sombra da ineficiência, a história da UFMA parece uma contínua descida da ladeira cujos exemplos pontuais em contrário nunca configuraram nenhum momento de destaque. Nos últimos anos, intensificou-se mesmo sob vários aspectos a deterioração administrativa, patrimonial e acadêmica, situação em que a gestão atual a encontrou e não conseguiu propriamente reverter. Apesar de algumas melhorias, uma sensação de acefalia corre célere pela UFMA, que vem perdendo continuamente espaço e credibilidade no quadro geral do péssimo ensino superior existente em nosso estado.

Quando o cenário previsível para o processo eleitoral na reitoria parecia caminhar para mais uma daquelas costumeiras disputas entre “reitoráveis”, a grata surpresa: diante da candidatura já colocada do diretor do Hospital Universitário, o atual vice-reitor se viu impedido pela legislação e o titular decidiu não disputar a reeleição, abrindo espaço para uma candidatura fora do circuito usual, a do prof. Francisco Gonçalves, coordenador do curso de Comunicação Social. Nome reconhecido no Maranhão, sua legitimidade está escudada numa história de forte atuação no movimento estudantil, nas lutas pela democracia, em diversos movimentos sociais e pela destacada atuação em âmbito acadêmico, capaz de angariar a confiança e admiração dos três segmentos, traços que se fizeram presentes de forma intensa na festa do lançamento de sua candidatura, no último dia 22. Em meio a depoimentos emocionados uma energia se estabelecia não só entre os professores, alunos e técnicos-administrativos presentes, mas também ex-professores, ex-alunos, integrantes de movimentos sociais, pessoas com vínculos de lutas antigos e variados, todos, a seu modo, vendo na simplicidade altiva e determinada da figura de um professor como tantos de nós a possibilidade de desenhar um caminho diferente, participativo e criativo, capaz de redefinir a triste história desta instituição. A UFMA vive uma situação de extrema urgência e as circunstâncias favoreceram a construção de uma possibilidade frente a qual não cabem vacilações. Que a comunidade acadêmica não perca essa chance!

*

as eleições para reitor da universidade federal do maranhão estão bem aí (dia 5) e eu já devia ter feito isso há muito tempo. pois bem: a publicação desse texto aí (cujo título é o mesmo do post), do flávio reis, professor de ciência política da ufma, marca a adesão deste blogue(iro) à candidatura do professor francisco gonçalves à reitoria da ufma. em maiúsculas e negrito, ó: ESTE BLOGUE(IRO) APÓIA A CANDIDATURA DE FRANCISCO GONÇALVES PARA REITOR DA UFMA.

das ilhas mestiças

conforme prometido aqui, eis nosso texto na primeira classe de hoje, jp turismo, jornal pequeno:

A brasilatinidade de Rodrigo Lessa

Em seu quinto disco solo, compositor une temas instrumentais de Brasil, Cabo Verde, Cuba e Caribe.

por Zema Ribeiro*

Em seu quinto disco solo, o instrumentista e compositor Rodrigo Lessa (integrante de grupos como Nó em Pingo D’água e Pagode Jazz Sardinha’s Club) parte da idéia interessantíssima de juntar num só balaio musical os semelhantes – e agora não mais ilhados, neste aspecto, o cultural – Cabo Verde, Caribe, Cuba e Brasil. Ao primeiro, o compositor viajou, em pesquisa para o repertório – completamente autoral.

Das ilhas mestiças[Rob Digital, 2007, R$ 19,80 em http://www.robdigital.com.br] faz claras referências à música cubana que ganhou mundo em “Buena Vista Social Club”, o já clássico filme de Win Wenders. Também dialoga diretamente com a beleza abolerada de Césaria Évora, musa musical de Cabo Verde. E é brasileiríssimo no que o Brasil tem de melhor: a descontração – ao menos é o que nos parece – de músicos tocando com alegria, num disco instrumental antes de tudo, festivo.

“A música afro-americana (…) criou uma malha de tradições interconectadas de tantas maneiras, e que com tantos curtos-circuitos internos, que faz com que qualquer ritmo seja simultaneamente pai, filho, mãe, primo de todos os outros ritmos”. O dizer do antropólogo Hermano Viana, “pescado” do encarte do disco, traduz perfeitamente seu espírito: impossível – e desnecessário – determinar, ali, onde termina a rumba e começa o choro, onde começa o samba (quase sempre, como aqui, sinônimo de alegria) e termina a melancolia. De divisão, basta a geográfica – original, pois a musical já está quebrada – e a das 13 faixas de “Das ilhas mestiças”.

*para ler mais Zema Ribeiro, acesse http://zemaribeiro.blogspot.com

um post-it pra reuben (pós-beber)

nem ia pegar em micro e cá estou eu, até agora. mas vale(u) a pena.

noite, depois da aula, comecei a ler a trip de maio, que me chegou à tarde, com um entregador confuso (duas novas batidas na porta para me indagar novamente) ao saber que zema ribeiro (meu nome na etiqueta da embalagem e em quase todo lugar) e josé maria ribeiro jr. eram/são a mesma pessoa. fui direto ao que me interessava e que já sabia que estaria ali: o texto de joca reiners terron e ronaldo bressane, uma curta (mas profunda) (quase-)entrevista com josé agrippino de paula, autor cult do qual não li uma linha até agora, mas que muito me interessa (vá entender).

sentei para enviar um e-mail para reuben, avisando-lhe. mandei. por msn, comento com bruna beber, inclusive das outras partes dum texto maior na edição da revista: cláudio césar dias baptista (irmão mais velho dos irmãos mutantes) por bruno torturra nogueira, e o poeta roberto piva (por este, o e-mail para reuben; apesar dos pequenos erros de edição, o trabalho não é comprometido) por cassiano elek machado e emílio fraia.

“vale muito a pena”, é o que respondo ao “vou comprar” que beber me diz. ela que posa ao lado de rô rô, feliz(es) aqui, no blogue de sérgio mello, o poeta que escreveu a apresentação de seu “a fila sem fim dos demônios descontentes“.

[um “(mais que um)” antes do título do post, por favor! não, deixa assim mesmo!]

coincidência (?)

antes mesmo de começar a tomar forma, o brasil era ensaiado no arquipélago de cabo verde e nas ilhas de são tomé e príncipe. no início do século xvi, já era intensa a miscigenação em cabo verde, onde os mulatos logo se tornariam predominantes, enquanto que, em são tomé, se estabelecera um novo modo de produzir açúcar, que iria ser transplantado para o brasil, em estabelecimentos agroindustriais integrados, que compreendiam desde o plantio da cana até o refino, tudo sob a mesma propriedade e baseado no trabalho escravo. durante os três séculos do tráfico, cabo verde e são tomé e príncipe serviram como pontos de passagem, e muitas vezes de treinamento, de numerosa escravaria que tinha como destino final o brasil, e, até os nossos dias, nas ilhas cabo-verdianas iam buscar aguada e refresco os navios que, saídos do brasil, demandavam a costa da áfrica ou a europa. cabo verde funcionou, assim, desde o início do quinhentos, como um traço de união entre o brasil e a áfrica, e como um lugar de encontro entre africanos, europeus e brasileiros. é provável, portanto, que ali tenham dialogado, pela primeira vez de forma sistemática, os instrumentos da alta guiné com o violão, trazido pelos portugueses, e o compasso europeu com a polirritmia africana. a conversação transatlântica entre o brasil e cabo verde continuou a ser alimentada, depois de cessado o tráfico de escravos, pelos cabo-verdianos que se engajavam nos navios cargueiros de bandeira brasileira e, muitas vezes, desciam, para fundar famílias, no recife e no rio de janeiro, e pelos marujos brasileiros que escolhiam estabelecer-se no arquipélago. aprendemos a cantar juntos, e disso nos lembra, já que andamos esquecidos, a música de rodrigo lessa, que junta e soma o que ficou de nós no meio do atlântico com o que, recriado nas ilhas mestiças, jamais deixou de fazer parte de nós.

*

entre a doença (uma gripe que me deixou dois dias em casa), o trabalho (telefones não pararam de tocar, e-mails não pararam de chegar), o trabalho (a transcrição das fitas k7 do seminário de vargem grande) e nossa modestíssima colaboração ao jornal pequeno de sexta que vem, esse texto aí (acima, em itálico, com grifos nossos), do encarte do disco de que trata(re)mos [“das ilhas mestiças“, do rodrigo lessa], assinado pelo alberto da costa e silva.

enquanto isso, na orkutlândia…

diversas pessoas têm entrado no msn ou me mandado e-mails, principalmente mulheres, comentando supostos recados enviados por este blogueiro, via orkut. na maioria, eu (eu?) cito fotos onde as pessoas estariam nuas, em clipes no youtube ou no pornotube.

não sei mais do que vocês. não enviei nada. é vírus! são vírus! não cliquem, não abram nada.

ou façam como todo mundo está fazendo: antes de qualquer clique, me consultem. nego tudo, como no título da linkada ao lado andréa del fuego.

sobras completas

Maurício Tapajós tributado com repertório quase completamente inédito – e ótimo.

por Zema Ribeiro*

Sobras repletas[CPC-UMES, 2006, R$ 16,90] é um tributo ao compositor Maurício Tapajós e celebra 25 anos da AMAR (Associação dos Músicos, Arranjadores e Regentes), entidade que ele fundou e chegou a presidir – entre outras iniciativas dele como militante cultural, vale destacar a criação da gravadora Saci (Sociedade de Artistas e Compositores Independentes).

Como o músico não era apenas um músico, embora isto não seja pouco, o projeto homônimo não se limita ao tributo – este, por sua vez, não se limita à seleção de grandes sucessos de sua autoria, que não são poucos.

Ainda em 2005, quando Tapajós – de uma família de músicos, alguém há de lembrar do irmão Paulinho – completou 10 anos de falecido, foi lançado o site http://www.mauriciotapajos.com.br, que reúne trajetórias artística e pessoal, fotos, partituras e áudio de suas obras (incluindo raridades, como gravações caseiras).

Sobras repletas” – o disco – reúne nomes como Chico Buarque, Joyce, MPB-4, Zé Renato e Guinga, entre os já conhecidíssimos do público, e traz interpretações bastante agradáveis de Tatiana Parra e Fabiana Cozza – esta, a grande surpresa do disco (talvez por isso guardada para o final), cantando a belíssima e engraçada “Vou deixar pra amanhã” (parceria de Tapajós com João Nogueira e Aldir Blanc) –, entre outros, para um repertório quase totalmente inédito, composto com nomes como Paulo César Pinheiro (seu parceiro mais constante), Capinam, Nelson Cavaquinho e o poeta Cacaso, apenas para citar alguns.

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

[jornal pequeno, jp turismo, primeira classe, hoje]

divinas pirralhas: a vida é uma festa!

como as fotos estavam no mesmo “rolo de filme” na hora de baixar para o computador, o blogueiro aproveita para pendurar suas sobrinhas por aqui: andrezza e mayara.

aqui, ao longe, um mastro do divino, visto do quintal da casa onde moro. enquanto os festejos do divino acontecem em são luís, alcântara e outras cidades do interior, a vida é uma festa! completa hoje cinco anos de vida.

cine-indagações

ainda no final de abril, recebi um e-mail da nathalia lemos divulgando o lançamento do filme “cão sem dono” em porto alegre.

o filme, todo mundo já sabe: baseado no livro “até o dia em que o cão morreu“, de daniel galera, com júlio andrade e tainá müller.

o lançamento (em poa), ontem, dia da assistente social e aniversário do amigo frederico luiz (hoje é da érika larissa). parabéns! parabéns! parabéns!

as perguntas, quando é que poderemos assistir “cão sem dono” em são luís? ou teremos que esperar o dvd? e “o céu de suely“? e “estamira“? e o filme sobre cartola? e o sobre noel? e…? quando? hein? hein? hein?

o mundo perde sem saber sua caligrafia*

lendo este post da angélica freitas (*dona da frase que batiza este post aqui e autora de rilke shake), ponho-me a pensar: quando o pessoal que está escrevendo hoje (hoje que digo é agora, excluindo-me, é claro!) virar, cada um a seu modo, um autor “clássico” (seja lá o que isso for), será impossível (será?) publicar-lhes a(s) correspondência(s).

penso que livros assim (que reúnem correspondências entre escritores) fazem relativo sucesso (eu até me interesso por e tenho alguns, menos do que deveria/poderia, é verdade) e são relativamente necessários (são?) para uma maior (melhor?) compreensão da obra de determinados autores (estou certo?).

a imagem que me vem à cabeça é um autor morrendo (de susto, bala ou vício ou o que quer que seja) e ao ser acudido gritar (vêem o balão?): “*******!!!” sua senha de e-mail, para um parente, sua esposa ou um amigo próximo resolver o que fazer com suas correspondências.

13 de maio dia 10

no final das contas, na hora de gravar, a gente sempre acaba mexendo em uma ou outra palavra aqui ou ali. mas aí abaixo está, basicamente, o texto de minha fala na edição de 10 de maio do programa “etc. e tal“, com zina nicácio, na rádio univima.

*

alô, zina!, alô, ouvintes da rádio univima! aqui fala zema ribeiro e é um prazer estar com vocês no etc. e tal.

bom, a gente hoje fala sobre escravidão, que é um tema triste, e termina com música.

engana-se quem pensa que a escravidão realmente acabou com a abolição festejada e ensinada nas escolas no 13 de maio, quando em 1.888, a princesa isabel assinou a lei áurea.

a escravidão segue até hoje, inclusive de forma mais cruel que a que se perpetuou desde o descobrimento do brasil, e é uma vergonha para nós e para nosso país.

no último dia 8, por exemplo, uma ação do grupo móvel da delegacia regional do trabalho resgatou 74 trabalhadores escravos em fazendas nos municípios de alto alegre, são luiz gonzaga e são mateus, no interior do maranhão.

em 5 de maio, a cáritas brasileira regional maranhão realizou, em vargem grande, seminário cujo tema era “economia solidária combatendo o trabalho escravo no baixo parnaíba”, que contou com a participação de mais de 200 pessoas.

a gente torce e tenta fazer a nossa parte para que isso um dia chegue ao fim, de uma vez por todas.

agora mandamos um alô e felicidades para todas as mães pelo seu dia, embora todo dia seja dia das mães, e ouve “13 de maio“, do caetano veloso.

um grande abraço e até a próxima!

meros detalhes (nem tão pequenos assim)

antes um aviso: isso não é jornalismo!

dito isso, e é necessário dizer, já que não li o livro ainda, vamos ao que interessa, se é que o que interessa interessa a alguém (vocês entende(ra)m).

aperta aí o botão rewind.

começando de novo: este blogueiro ainda não tinha se pronunciado acerca do episódio que envolve roberto carlos, paulo césar de araújo (autor da biografia “roberto carlos em detalhes“) e a editora planeta, os dois últimos derrotados em ações que determinaram a apreensão de 11 mil exemplares do livro e ainda a retirada do comércio dos que estão (estavam) circulando.

nunca fui um fã “exemplar” do parceiro mais constante de erasmo carlos, como por exemplo minha vó, que à época do vinil, comprava seus lançamentos natal após natal. mas não vou negar que gosto de umas músicas dele, às vezes discos inteiros (da mesma forma que detesto umas músicas dele, às vezes discos inteiros).

quando soube do lançamento da biografia, logo soube da implicância do “rei”, alegando que a exposição e uso de sua intimidade deveriam ser exclusividade dele mesmo, algo do tipo “se um dia eu resolver escrever minha autobiografia” ou coisa que o valha.

processos começaram a rolar imediatamente (um contra o autor, outro contra a editora) e, por via das dúvidas, garanti logo meu exemplar. via das dúvidas, porra nenhuma! pensei (n)o seguinte: “vai que roberto carlos consegue ganhar e esse livro sai de circulação, vira obra raríssima e (re)vendo mais caro!”. é sério!: tanto é que comprei o livro ainda ano passado e nunca li; deixa eu ir ali fazer isso agora.

sobre a atitude de rc: acho uma tremenda bobagem, triste, triste… “rei”, deixa o súdito-biógrafo trabalhar/escrever…

se você não teve a mesma sorte (digo, de conseguir comprar o livro), baixe aqui.

o desastronauta

[jornal pequeno, jp turismo, primeira classe, hoje]

Retrato da literatura enquanto vida

Flávio Moreira da Costa integra time de brasileiros reeditados pela Agir.

por Zema Ribeiro*

Sobre o livro de Flávio Moreira da Costa, escreveu o argentino Júlio Cortázar, em carta ao autor brasileiro: “”O desastronauta[Agir, 2006, 235 páginas, R$ 34,90] é um título formidável”. Concordando, acrescento que o subtítulo também o é: “Ok, Jack Kerouac, nós estamos te esperando em Copacabana”, citando o beat-mor, autor com que a prosa caótica o anti-romance tupiniquim dialoga diretamente.

Um diário desordenado de Cláudio Crasso, bloco de anotações de um homem que constrói sua própria geografia, como o autor que deixa personagens – ele próprio, um deles – inconclusos e até mesmo indagações ao leitor, em meio ao processo de construção da obra. Colagens de obras alheias, poemas e até mesmo listas de livros, bem antes das top5 nickhornbyanas.

Esta edição comemorativa de 35 anos de publicação de “O desastronauta” ganha capítulos novos – que já estavam escritos à época – e uma revisão do autor, além de trazer posfácio de Dyonélio Machado e Wilson Coutinho e um apêndice com críticas publicadas sobre o livro, que inaugura a Trilogia do Espanto, continuada com “A perseguição (Eu vi a máfia de perto)” [Francisco Alves, 1973] e “As armas e os barões” [Imago, 1975].

Tempo de Agir – A Editora Agir tem dedicado espaço em seu catálogo para reedição de obras de qualidade da literatura brasileira de outrora: publicado pela primeira vez em 1971, “O desastronauta” é uma das obras de Flávio Moreira da Costa republicadas. Outro autor que tem tido destaque é Stanislaw Ponte Preta (o Sérgio Porto), cujas obras completas estão sendo relançadas.

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com