Arquivo mensal: abril 2007

toma teu toddy!*

rita ribeiro, repolho, hermano vianna, mombojó, cordel do fogo encantado, zé de riba e o overmundo, entre inúmeros outros, em várias categorias, concorrem ao prêmio toddy de música independente. para maiores informações, clica aí na “vaca louca“. mas se apresse: a votação vai só até 30 de abril.

[*expressão comumente usada para uma criança gozar a outra quando essa pegava um carão, à época de minha infância]

favel(etr)a(s)

conforme prometido aqui, escrevo agora sobre o “cenas da favela“. primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, ontem.

Letras da favela

Entre o lírico e o trágico, Nelson de Oliveira acerta em mais uma antologia literária.

por Zema Ribeiro*

Cenas da favela – As melhores histórias da periferia brasileira[Geração Editorial/Ediouro, 2007, 228 páginas, R$ 39,90 no site da editora] bem poderia ser mera – mais uma – (tentativa de) glamourização dos morros, cariocas ou não.

Reside, no livro, mais um acerto de Nelson de Oliveira, organizador da antologia, que reúne 24 nomes (incluindo o seu), sem preconceitos: estão lá, entre contos, trechos de romances e poemas, escritores e(m) textos clássicos e contemporâneos (embora estes não sejam conceitos necessariamente opostos): Antônio Fraga, Marcelino Freire, Ferréz, João Antônio, Ronaldo Bressane, João Paulo Cuenca, Joca Reiners Terron, Rubem Fonseca e Carlos Drummond de Andrade, entre outros. Este último comparece com o poema “Favelário Nacional”, de 1984.

Curioso, por exemplo, ler “Quarto de despejo”, excertos do livro homônimo – um diário – de Carolina Maria de Jesus, publicado em 1960; em “Cenas da favela”, são preservados os “erros” gramaticais da autora – mineira, neta de escravos, favelada, catadora de papel e escritora.

Entre o lírico e o trágico, o belo, para além de estereótipos. Balas perdidas, bailes funk, bocas-de-fumo, pagodes, a linguagem ligeira, “inculta” e sincera das ruas, becos, vielas – a favela na literatura, a literatura na favela.

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

uns avisos, correndo… (ou: plantão)

correndo.

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entro aqui, agora, só para avisar da edição de hoje do “café filosófico“, às 18h30min, na sala de mestrado do cefet-ma (av. getúlio vargas, 4, monte castelo): o professor marcos ramon (colun/ufma) debaterá o tema “quem somos nós?“, comentando o filme homônimo.

*

edito o post, agora, para dizer também que também acontece hoje, um pouco antes da nota acima, a posse da nova gestão do conselho estadual de defesa dos direitos humanos (ceddh). às 15h, no auditório do palácio henrique de la rocque.

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e digo mais, para não perder a viagem: hoje, se estivesse vivo, sérgio sampaio completaria 60 anos. adianto que estou escrevendo uma matéria sobre. onde e quando será publicada, aviso aqui, em breve. se a grande mídia não lembra de datas importantes assim, a gente não esquece.

*

é isso, por agora. voltamos a qualquer instante. ao contrário da televisão (e isso é ótimo!) você não precisa ficar esperando, plantado, aí. pode voltar daqui a pouco.

[itálicos e um plural ao título do post acrescidos às 12h03min]

de saudades e outras coisas

Quase três meses após seu show de despedida, os maranhenses da Negoka’apor rumaram ao Rio de Janeiro. João Simas, estudante de filosofia e exímio músico, assumiu a guitarra da banda e partiu com eles. Vamos ver no que vai dar. Torço pelo sucesso dos rapazes, de quem sempre estive muito próximo – um pouco menos nos últimos tempos, é verdade – e para quem fiz, de certa forma, uma assessoria de imprensa informal, no início, numa época em que sequer era estudante de jornalismo. Puro prazer e emoção.

Ao me dar um abraço de despedida – ainda que temporária – João entregou-me um disco com gravações caseiras de composições próprias, que eu ainda não ouvi. Mas conheço o trabalho do moço, com quem viajei numa das excursões da imprensa turística itinerante, idealizada por Gutemberg Bogéa, para o seu Almanaque JP Turismo (que deve ter uma nova edição circulando neste abril. É esperar).

*

Em um de nossos freqüentes encontros no msn, pergunto a Gisele se ela viu Jana. Pareço vê-la dar um tapa de mão aberta na própria testa e emitir um auto-xingamento ou coisa que o valha, antes de dizer-me que não. Eu também não. Digo-lhe que há tempos estou por ir buscar uma garrafinha de vinho, um mimo que ela mandou-me do Rio Grande do Sul, quando de uma visita de sua mãe à terra que lhe está acolhendo.

De certa forma, isso parece falta de respeito de minha parte. Não é. O vinho está esperando que eu vá buscá-lo. Jana passou pelo menos cinco dias em São Luís. E eu passei batido. Feriado fodido, revigorante, desestressante, produção zero, pelo que pago o preço até hoje, corre-corre doido, desestressa para estressar de novo. Mas, dado o respeito que temos um pelo outro, Jana me entenderá. Mais uma vez.

Há tempos – ainda antes dela ir para o RS – fiz uma aposta com ela; nem lembro em que consisti(ri)a o pagamento (salvo engano era um disco). Jana não acreditava que um “Água & vinho”, disco do mago Egberto Gismonti, comprado por mim aproveitando alguma promoção já distante em alguma loja, ainda estivesse lacrado; creia, Jana: o lacre ainda permanece, te esperando para uma audição de estréia.

*

Por msn, Jana avisou-me que viria passar o feriado da semana santa na Ilha. “Fico entre 5 e 9”, disse-me. Veio. Ficou. Fiquei de ligar. Não liguei. A idéia era botar o papo em dia, quiçá bebericar um vinho. Perguntou-me se queria que trouxesse algo. Avisei-lhe do lançamento do livro do Daniel Galera que ia rolar em Porto Alegre; que ia ver a data e avisá-la. Fosse antes da vinda dela, compraria meu exemplar, que seria autografado pelo autor. O lançamento seria depois. É hoje:

[clica para ampliar]

Terminei, ontem, ou anteontem, a leitura de “Dentes guardados”, volume de contos de estréia de Daniel Galera, publicado em 2001 pela Livros do Mal, editora ora adormecida. Já dava para perceber, ali, que o garoto logo, logo seria um clássico. Estou ansioso por ler “Até o dia em que o cão morreu”, relançado pela Cia. das Letras recentemente (e depois vou querer ler “Mãos de cavalo”). Diretamente relacionada a isto, está a minha ânsia por ver “Cão sem dono”, que vem a ser baseado no primeiro romance de Galera, este que ele lança hoje em PoA. Não vou pedir a Jana para comprar para mim.

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Daffé faz show hoje no Teatro Alcione Nazaré. Participação especial de Mestre Antonio Vieira. Detalhes aqui.

*

Alê Muniz e Luciana Simões apresentam pocket show e noite de autógrafos de “Criolina”, disco recentemente lançado pela dupla. É no restaurante Don Francisco (Rua do Giz), pequenino lugar que muito me agrada (embora eu só tenha ido lá uma vez desde que a casa deixou de ser a Casa Portuguesa). Detalhes aí (clica para ampliar):

duas coisas que eu vou perder…

… (mas) se eu fosse você, não perderia.

1. o projeto prática e diálogo, em 2007, terá como tema central “cidadania para o desenvolvimento sustentável: a democratização da comunicação“. hoje, às 15h, no auditório da universidade virtual do maranhão (univima), rua portugal, 221, praia grande, acontece a primeira entrevista-debate: “comunicação pública e controle social“. o convidado é o professor francisco gonçalves (coordenador do curso de comunicação social da ufma). a moderação fica a cargo de cristiane moraes (jornalista, professora universitária, assessora de comunicação da fundação municipal de patrimônio histórico). a entrevista-debate será transmitida para os dez pólos da univima no interior do estado: açailândia, barra do corda, imperatriz, codó, caxias, santa inês, pedreiras, pinheiro, brejo e porto franco.

[no mesmo horário, uma reunião de trabalho não me permitirá participar]

2. “hein?“, show de bruno batista e cláudio lima, às 20h30min, no teatro alcione nazaré (centro de criatividade odylo costa, filho, praia grande). o primeiro, em fase de gravação de seu segundo disco; o segundo, lançando “cada mesa é um palco“, seu segundo disco. certamente, coisa fina. hein? maiores informações? hein? aqui, ó!

[no mesmo horário preciso assistir aulas na faculdade]

observatório

estávamos num supermercado quando minha namorada entregou-me seu celular. do outro lado da linha, nair me pedia para divulgar o lançamento da 3ª. edição do observatório da cidadania em são luís. ficou de mandar-me detalhes por e-mail e pediu que eu fizesse o que pudesse. fiz. estou fazendo. entupi algumas caixas de e-mails com notas e releases (e sei que há quem me odeie por isso), dei alguns telefonemas. não tenho visto tv e/ou ouvido rádio, então não sei o resultado de minhas investidas por lá (apesar de quase jornalista, sou sincero, creiam!). nos impressos que consegui ver, até ontem, (apenas) duas notas.

então escrevi o texto (release?) abaixo e enviei para o mesmo meio mundo de gente (e um pouquinho mais). a meu pedido (um ex-estagiário com boas relações, risos), a turma do stefem republicou em sua página na internet.

não sei se algum jornal o publica, hoje (10/4). ou se dá uma (outra) (outra?) nota sobre o assunto. (caso role, penduro algo aí na caixa de comentários; caso você, leitor, veja algo, e eu não saiba, me avisa, certo? obrigado!).

*

Serviço
O quê
: Lançamento da 3ª. edição do Observatório da Cidadania, do Fórum da Amazônia Oriental (FAOR).
Quando: 10/4 (terça-feira), às 18h.
Onde: Auditório do Sindicato dos Bancários (Rua do Sol, 407/413, Centro).
Quanto: entrada franca. Aberto ao público.

*

3ª. edição do Observatório da Cidadania é lançada em São Luís

por Zema Ribeiro*

Na noite de sexta-feira santa, o Brasil assistiu ao último capítulo de “Amazônia”, minissérie global que relembrou a luta de Chico Mendes – quase vinte anos depois de seu assassinato. O país, emocionado, viu, ali na telinha, morrer o homem, mas não seus ideais.

Impossível não traçar paralelos entre a luta dos seringueiros e de outros grupos de trabalhadores oprimidos, em situação de trabalho escravo, além de, entre outras temáticas pertinentes, a devastação impensada e violenta das florestas (aqui não reside uma “exclusividade” amazônica).

A luta dos povos amazônicos não terminou nem diminuiu com a morte de Chico Mendes, sem dúvidas, um de seus maiores ícones. Em torno dos mais variados temas inerentes àqueles povos (política agrária e de recursos hídricos, produção familiar e assistência técnica rural, terra e território, povos indígenas e quilombolas, trabalho escravo e tráfico de seres humanos, atuação parlamentar na Amazônia Oriental, entre outros), merece destaque a atuação do Fórum da Amazônia Oriental (FAOR), espaço de articulação, mobilização e fortalecimento das entidades e movimentos sociais da Amazônia Oriental. O FAOR tem, entre seus principais objetivos a construção do Observatório da Cidadania, na perspectiva de democratização, monitoramento e controle social das políticas públicas para a região.

Na terceira edição do Observatório da Cidadania, ganham destaque os relatórios das políticas setoriais dos quatro estados da Amazônia Oriental (Amapá, Maranhão, Pará e Tocantins) e relatórios da atuação parlamentar dos três últimos.

Serviço – A terceira edição do Observatório da Cidadania será lançada em São Luís dia 10/4 (terça-feira), às 18h, no Auditório do Sindicato dos Bancários (Rua do Sol, 407/413, Centro). Aberto ao público, entrada franca. Maiores informações: (98) 3231-1601, 3231-1897 e/ou pelo e-mail nairflor@yahoo.com.br

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

sonhos passados a limpo

Parceiro de Tim Maia revive histórias do Síndico em livro; aliás, a obra conta, entre outras coisas, o porquê deste epíteto.

por Zema Ribeiro*

Dois amigos sentam-se, “velhos camaradas”, e revisam suas vidas em um bate-papo alegre, descontraído, animado, espontâneo. Algo como cervejas somando-se às já enxutas, e filmes passando em suas mentes, ligeiros, saudades de um tempo que, sabemos, infelizmente não voltará.

O leitor fica na mesa ao lado, apenas degustando, sorvendo as histórias que Fábio (o músico brasileiro nascido no Paraguai Juan Zenón Rolón) conta ao poeta Achel Tinoco em “Até parece que foi sonho – Meus trinta anos de amizade e trabalho com Tim Maia[Matrix, 2007, 131 páginas, R$ 23,00 no site da editora].

Histórias hilárias recheiam o livro que não traz em si nenhuma pretensão, além da que cumpre muito bem: prestar tributo ao grande artista que foi o “síndico” – esta, aliás, é uma das “falas” de Fábio. É a revisão emocionada e apaixonada de quem, melhor que ninguém, conheceu plenamente Sebastião Rodrigues Maia, o Tim, que “predestinado ao sucesso, (…) continuou sua caminhada…”, como bem observa o músico Ivan Lins no prefácio da obra.

A sinceridade e leveza trazidas por Fábio em cada história contada – literalmente –, irão emocionar não só fãs de Tim Maia e/ou desse seu parceiro na canção que batiza o livro, mas a todos os que lerem “Até parece que foi sonho”.

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

[texto publicado na primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, sexta-feira santa, 6/4]

(nem tão) rápidas pro feriadão…

o escritor maranhense m. p. haickel lança hoje, em brasília/df, seu novo romance, “cinza da solidão“, sobre o qual já escrevi aqui. maiores detalhes, aqui.

*

o telefone tocou em minha casa, sexta-feira, onze da manhã:

“fabiano, quero falar com você com urgência. pega um táxi e vem pra cá, eu pago”.

fui imediatamente.

“vamos fazer um show em fortaleza e um outro no maranhão“, ele me comunicou.

o vôo já estava marcado para sair às 21 horas. quando chegamos ao aeroporto, foi aquele alvoroço, muita gente pedindo autógrafos, dando-lhe tapinhas nas costas, dizendo que ele era o melhor cantor do brasil, pena que não torcia para o flamengo etc. os integrantes da vitória régia já nos esperavam no saguão. uma comissária nos conduziu ao portão de embarque. entramos no avião ainda vazio. escolhi duas poltronas lá no fundo e ficamos, eu e o tim, aguardando a decolagem.

“atenção, senhores passageiros, por favor, sigam à risca as nossas recomendações: apertem os cintos, não fumem, desliguem os aparelhos e, em qualquer emergência, a máscara de oxigênio cairá imediatamente…”, disse a comissária de bordo pelo interfone.

nem bem a moça acabara de falar, tim levantou-se, já alterado, ofegante, impaciente, com um copo de uísque na mão, e, com seu vozeirão, gritou para o comandante decolar imediatamente. depois de meia hora, ouviu-se a voz do comandante:

“atenção, senhores passageiros, o motivo do atraso foi um problema com o trator que conduz o aparelho até a cabeceira da pista, mas já estamos resolvendo. pedimos a compreensão de todos e as nossas sinceras desculpas”.

tim levantou-se novamente:

“levante esta porra com trator e tudo, seu filho da puta!”.

apesar da cara feia de alguns, a maioria dos passageiros caiu na gargalhada, inclusive uma senhora muito idosa, que estava à nossa frente, em sua primeira viagem de avião – presente de aniversário de um dos seus catorze filhos. ao ver-me conversando com ele, virou-se e me pediu muito polidamente que eu o apresentasse, para que pudesse pedir-lhe um autógrafo, pois tim maia era o seu grande ídolo. não vi nenhum inconveniente em atender ao pedido daquela senhora que completava 92 anos. jamais eu imaginaria que ele a iria receber com descortesia. prontamente, levantei-me da poltrona, estendi-lhe a mão e a conduzi pelo braço à poltrona de tim, que não parava de beber o chivas.

tim, eis aqui uma bela fã que deseja conhecê-lo…” – antes que eu completasse a frase, ele fixou os olhos na mulher e disparou, com uma voz de megafone:

“tarada sexual! aposto que você já fez muita sacanagem na vida e agora vem com essa cara de freira no cio me pedir autógrafo!”.

pior do que a minha vergonha, com todos os passageiros olhando para trás assustados, foi a reação da velha, que caiu na gargalhada, achando o máximo o que ouvira, como se tim lhe houvesse feito os melhores elogios do mundo. mesmo assim, voltei ao meu assento e o deixei lá atrás, ao encantamento da senhora; nem quis mais saber sobre o que conversaram. apenas ouvia, vez por outra, ele me chamando de paraguaio contrabandista, exilado político, imigrante filho da puta, que em vez de estar no brasil vagabundeando, deveria voltar à sua terra natal:

“lá é que é lugar de falsificadores, traficantes, maconheiros”, e tudo o mais que ele conseguia despejar.

(…)

às 18h10 do dia seguinte, chegamos a são luís, contratados que fomos pelo irmão do presidente da república, zequinha sarney, para uma única apresentação num ginásio de esportes. chegamos alquebrados, com os corpos moídos, e sonolentos. fomos conduzidos imediatamente ao hotel quatro rodas, na praia do calhau, um lugar paradisíaco, em meio a uma enorme plantação de coco.

nunca havíamos nos apresentado por aquelas bandas. a cidade vivia dias de grande expectativa, e o noticiário local não falava de outra coisa. todas as manchetes dos jornais eram dedicadas a tim maia e ao seu convidado fábio.

(…)

o show não satisfez as expectativas do público. cantei uma única música – até parece que foi sonho -, na verdade um pesadelo: chaguinha não acertava uma nota, desconcentrando o restante da banda. tim maia estava impossível: xingou mais do que o normal, disse que zequinha sarney não estava com nada e que nada entendia de música. o público o ameaçou com algumas vaias. pouco mais de uma hora de show, retirou-se do palco e deixou a banda tocando sozinha.

“fabiano, vamos pro hotel que a barra está pesando”.

*

o itálico acima é um pequeno-grande trecho de “até parece que foi sonho – meus trinta anos de amizade e trabalho com tim maia“, de fábio (parceiro do “síndico”), em depoimento a achel tinoco. é o livro-alvo de minha coluna, sexta-feira-santa, no jornal pequeno.

*

ou acontece algo (de) extraordinário ou sumo daqui (deste blogue) pelo menos até segunda-feira; vou (tentar) aliviar o cansaço e o stress, nada pequenos.

quase(s)

com pequeníssimas variações da cópia impressa para cá, entreguei o texto abaixo, hoje, para andrea sekeff, professora de jornalismo político (comunicação social, jornalismo, 7º. período, faculdade são luís). é meio (?) amargo, sincero e bastante raso.

o tema era livre, respeitando-se o batismo da disciplina. quase é um texto sobre o domingo de ramos; quase é um texto sobre o dia da mentira. quase é um texto ainda sobre o assassinato de gerô; é quase sobre o jornalismo maranhense; é quase um texto. é quase.

*

A(s) mentira(s) nossa(s) de todo dia

O primeiro dia do mês de abril trazia em si o Domingo de Ramos do calendário da Igreja Católica, quando a Ilha ficou cercada de missas por todos os lados. A data, em que se “celebra” também o Dia da Mentira, neste aspecto, passou em branco. Nenhuma pegadinha terminou com a rima “quem caiu, caiu, hoje é primeiro de abril” ou coisa parecida. Mudaram os tempos ou, eu, por não ser mais criança, já não percebo, em minha sisudez cotidiana, essas nuances menores de uma vida da qual, de certa forma, tenho saudades.

Outro dia, era Dia da Poesia (14/3), e o poeta Marcelo Sahea afirmava: “A gente não precisa de um dia da poesia, precisa é de poesia todo dia”. No campo da mentira, a coisa se dá naturalmente contrária e talvez já não existam as rimas infantis por terem as mesmas sido transportadas ao mundo adulto, à vida real. Ora, quem quiser mentiras basta abrir os jornais. Estão lá, estampadas nas manchetes, textos, fotografias, em cada milímetro da mancha gráfica. Mentiras ou eufemismos como meias-verdades.

O recente assassinato por espancamento – tortura seguida de morte – do compositor Jeremias Pereira da Silva, o Gerô, traduz(iu) muito bem o que digo aqui. Para os jornais governistas, seus assassinos não ficariam impunes, garantia (d)o Governador; para os jornais da “oposição”, um artista, morto ao ser (por ter sido) confundido com um assaltante, era mero “animador de comícios” do atual govern(ad)o(r). O crime em si, o acontecimento em si, nunca foi foco central das notícias (?) publicadas nos jornais (?) ilhéus.

Quem carece de um primeiro de abril quando/onde todo dia é dia da mentira?