Arquivo mensal: abril 2007

economia solidária vs trabalho escravo

quem acompanha este blogue sabe que quando algum jornal vacila, eu bato. eles podem é não sentir, ou fingir que não sentem, mas a gente faz a nossa parte.

então, quando este blogue(iro) erra, o procedimento deve ser o mesmo. sexta-feira passada, não teve texto nosso na primeira classe. o corre-corre impediu-me de preparar a resenha a tempo de enviá-la para o jornal pequeno. aproveitei a falha/desculpa e negociei a publicação de um texto sobre o seminário “economia solidária combatendo o trabalho escravo no baixo parnaíba“, promovido pela cáritas brasileira regional maranhão, onde este blogueiro tem o prazer de ora prestar serviços em comunicação em seu tempo, digamos, livre, melhor, outrora livre, risos.

perdão da falha, caros leitores (alguém que me lê aqui me lê lá no papel?): sexta-feira, 4 de maio, voltamos.

dando o crédito, o jornal publicou, na página oito do jp turismo, o texto abaixo, com direito a box com a programação e uma foto do bira do pindaré (com uma legenda que dizia nada além do nome dele, bira do pindaré):

Seminário discutirá alternativas para combater o trabalho escravo

por Zema Ribeiro

Apesar de a escravidão no Brasil ter sido abolida desde 1888, o Trabalho Escravo ainda é, infelizmente, prática recorrente país afora. No Maranhão não é diferente. Ora, se em fazendas maranhenses não há (ou quase não há) uso de mão-de-obra escrava, o Estado é grande “exportador” dela.

Historicamente, a grande concentração de terras no país, o pouco acesso a educação e, mais recentemente a concorrência desleal com o agronegócio, são fatores que contribuíram desde sempre com as estatísticas do Trabalho Escravo. Felizmente, alguns desses cenários começam a mudar, embora nem todas as histórias sobre o tema tenham final feliz.

Entre 1995 e 2005, aproximadamente 17 mil trabalhadores/as foram libertados/as do trabalho escravo por grupos móveis de fiscalização (formados por fiscais do Ministério do Trabalho, policiais federais e procuradores do Ministério Público do Trabalho). 1.368 fazendas foram fiscalizadas em 364 operações (de acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho – OIT e ONG Repórter Brasil).

TRILHAS DE LIBERDADE – Desenvolvido em Vargem Grande/MA, o projeto Trilhas de Liberdade tem, entre seus objetivos, o combate ao trabalho escravo, relacionando-o às estratégias de Desenvolvimento Solidário e Sustentável através do Programa de Economia Popular Solidária (EPS), realizado pela Cáritas Brasileira Regional Maranhão em parceria com a CRS Brasil.

O problema central enfrentado pelo projeto é a vulnerabilidade dos/as trabalhadores/as ao trabalho escravo, das comunidades atendidas no município (Vila Ribeiro e Riacho do Mel), por diversos motivos: precariedade dos sistemas produtivos, pouco uso de tecnologias adequadas, baixa consciência agroecológica etc. Que alternativas são viáveis para a mudança desse cenário? É o que se discutirá no seminário “Economia Solidária combatendo o Trabalho Escravo no Baixo Parnaíba”, conforme programação a seguir.

Programação:

9h – Mesa de abertura: Lucineth Machado (Cáritas Brasileira Regional Maranhão), Bira do Pindaré (Assessor Especial do Governo do Estado do Maranhão, Coordenador Executivo do FOREM), Allan Kardec Ayres Ferreira (Delegado Regional do Trabalho, Auditor Fiscal do Trabalho), Terezinha Fernandes (Secretária de Estado de Trabalho e Economia Solidária), Sálvio Dino (Secretário Extraordinário de Estado de Direitos Humanos), Maria Aparecida Ribeiro Silva (Prefeita Municipal de Vargem Grande), Antonio Rachid Trabulsi Filho (Presidente da Câmara Municipal de Vargem Grande) e Antonia Lima Leite (Liderança Comunitária).

10h – Café

10h15min – Apresentação “Combate ao Trabalho Escravo no Brasil e no Maranhão: breve histórico” – Bira do Pindaré (Assessor Especial do Governo do Maranhão, Coordenador Executivo do FOREM).

11h15min – Apresentação “DRT e o Combate ao Trabalho Escravo no Maranhão: resultados e perspectivas” – Allan Kardec Ayres Ferreira (Delegado Regional do Trabalho, Auditor Fiscal do Trabalho).

12h15min – Debates

13h – Almoço

14h30min – Apresentação “O papel da SEEDH na defesa e promoção dos Direitos dos trabalhadores” – Sálvio Dino (Secretário Extraordinário de Estado de Direitos Humanos).

15h30min – Apresentação “Trabalho, Desenvolvimento Local e Economia Solidária” – Terezinha Fernandes (Secretária de Estado de Trabalho e Economia Solidária).

16h30min – Debates

17h15min – Encerramento – Café

vovó

às vezes pareço zangado (na verdade, nunca estou, nessas ocasiões) quando minha namorada tenta me dar mais comida do que realmente quero comer, com a desculpa (com que já concordo plenamente há tempos) de que preciso ganhar uns quilinhos.

foi legal ver vovó chegando aquela manhã e, ao me ver à mesa, sem camisa, tomando café, dizer: “meu filho, tu tá mais forte!”.

obrigado, amor!

caetano, de santo amaro, bira, de barra do corda…

em sentido anti-horário, eu, gildomar, luís jr. e bira dividíamos uma mesa na faustina e comentávamos o show de caetano, quando eduardo duduca veio me cumprimentar. um colega seu, creio, acompanhava-o, quando luís jr. disse: “falando em caetano, olha ele aí!”. bira, de brincadeira, cumprimentou o rapaz que acompanhava duduca, de médios e encaracolados cabelos pretos, o rapaz: “ei, caetano, tudo bem?”, sendo prontamente respondido, enquanto luís jr. (re-)afirmava, tão inquieto quanto eu viria a ficar, segundos depois: “não, rapaz, o caetano de verdade, olha lá!”. na rua do giz, em frente ao chez moi, caetano veloso passeava tranqüilo, com sua habitual elegância. percebido, o compositor baiano já regressava à rua joão gualberto, quando bira desceu as escadas do canto da praça, a tempo de apertar sua mão, abraçar-lhe e dizer: “oi, caetano. meu nome é bira, eu sou de barra do corda…” “ele ‘tava cheiroso”, bira disse-nos ainda. e “ainda bem que tenho três testemunhas, minha mulher não vai querer acreditar…”

caetano: cê ama ou odeia?

O homem velho entrou no estúdio e fez um disco jovem. O homem velho subiu ao palco e fez um show jovem. O homem velho e seus três sobrinhos. Quê que há, velhinho? Caetano ousa. sabe o que é isso?

O Ginásio Castelinho foi palco – bom palco, bom som, boa luz – de uma apresentação histórica [“Cê”, Caetano Veloso e banda, 26/4]. Ao violão, o jovem homem velho é acompanhado apenas por Pedro Sá (guitarra), Ricardo Dias Gomes (contrabaixo) e Marcelo Callado (bateria).

A base do repertório é , o disco novo. O quartetrio passeia por músicas de Transa, bom álbum de 1971 (You don’t know me, Nine out of ten) e sambas reinventados: imaginem o que é tocar Sampa e Desde que o samba é samba acompanhado apenas por este trio maravilha.

Caetano rebola. Pula. Tira a jaqueta – não sei como ele agüentava, o calor era grande –, rebola ainda mais, pula ainda mais, puxa a camisa, mostra um pedaço da barriga. O homem velho está em forma – física e vocal. Lembra de Jards Macalé, Tutti Moreno (músicos de Transa) e Jacques Morelembaum (de vários discos de Caetano); aos três, oferece músicas do repertório. Momento chatice, que sem isso não é Caetano: uma extensa fala sobre política. Desnecessária. Toca, Caetano, canta, Caetano, que é melhor.

Marcado para 21h30min, o atraso no início da apresentação é mínimo. Ingressos entre R$ 30 e R$ 40, podiam ser comprados nas mãos de cambistas por R$ 10. O setor de cadeiras, a quadra do ginásio, o espaço mais caro, estava mais cheio; pessoas sentadas, no entanto, não acompanhavam a vibração do dançante e festivo show.

O grande hit do disco é cantado em coro pelos presentes: Odeio você, a platéia responde feliz ao feliz senhor baiano. “Ódio” mútuo: é sempre adorável odiar Caetano.

debate

eu não poderei ir, por conta dos motivos que os caros-poucos-mas-fiéis leitores deste blogue já conhecem. recebi o convite das amigas regyanne e laura. a imprensa ilhéu não deu um “a” sobre o assunto (por que é que eu ainda me espanto com isso?). vai aqui. apareçam!:

a via campesina – maranhão, realizará no dia 26 de abril de 2007, às 18h30min, no auditório che guevara, do sindicato dos bancários (rua do sol, 407/413, centro), debate sobre “agronegócio no maranhão: exploração e miséria/destruição no campo e na cidade“. os palestrantes são joão pedro stédile da coordenação nacional do mst e edmilson pinheiro, coordenador do fórum carajás. o evento conta com o apoio do programa de pós-graduação em políticas públicas da ufma, do mestrado em agroecologia da uema e da associação brasileira de ensino e pesquisa em serviço social – abepss.

catecismo público, grátis. corre e baixa logo!

escrevi sobre este “livrim metidim a fresco”, como bem classificou o próprio autor, em conversa por msn em minha hoje extinta coluna no diário da manhã, que pode ser lida aqui.

abaixo, posfácio do livro, que está disponível (o livro inteiro, não só o posfácio) para download, gratuitamente aqui:

Da verdadeira Troca de Guarda no Trono de São Pedro
Reza a lenda: que incerto coroinha sacaneou o papa e lhe trocou no bolso o catecismo; que Bento 16, nazisanto mas safo, não pipocou a leitura e caiu dentro das falácias do sátiro do Ceará, Sá, dito Xico – homem que tem nome de regra, desregrado será, pensou; que, agraciado por visita dos pastores de Fátima, recordou a era prisca em que torava germanas cabritas; que, envolvido na prosódia do jornalista que entra nas letras de vestais feito cão a peidar em catedrais, botou pilha na pilhagem de pilhérias; que, em busca da buça perdida pelas saias do Vaticano, benzeu este livrim e resolveu descer às ruas pra sacar o berço da estética da sampleagem; que deu de andar com ele lapelado pelas esquinas de Roma, à paisana, catando putanas – e viu que era bom; que, Cialis nas idéias, passa por velho mafioso com vago sotaque tedesco; que, trôpego e atraiçoado, vive esculhambando o vício solitário e embutindo nos sermões serões de Khayyam, Gainsbourg, Miller, Sade & Gregório; que, sodomizado e aluado por esse moderno Cântico dos Cânticos, o velho Ratzinger, Mr. Hyde de Bentinho, enfia o pé na jaca e descasca o inhame toda noite entornando os espíritos da Giulietta – pois que se ore é com avara, comunhão na petite mort: a buceta é a única Pedra da Roseta, a verdadeira sintaxe de um santo homem –; que, entre excomungar o bardo do Crato e cair nas graças das romanas grutas, fez de Sá seu regra-três, encomendou uma falsa morte, gandaiou no domingo, traiu o terço três vezes após o galo e descansou; que, conclave posto, fumaça verde subiu e quem provou viu que era dubom; que a Santa Madre Igreja tornasse Franciscus Reginaldus Primeiro, egresso de Recifílis, Pernambuco, o papa pop da putaria, e, mundo às avessas, aos meia-noves, Roma em Amor, Ide, fodei, irmãs &irmãos, assim comandasse a rima o novo herdeiro de Pedro; que, entre contos de vigários e poemas de pecadores, nós leitores só possamos aprender com esse catecismo, a cada salmo riscar o pêlo-sinal e louvar a pornografia que nos salva e nos aproxima do Não-Dito: amém.
[Ronaldo Bressane, escriba & bispo-auxiliar de porno-devoções, SP, ano da graça de 2005]

economia solidária vs trabalho escravo

apesar da resistência de alguns veículos, esse texto que a gente fez pra cáritas brasileira regional maranhão, divulgando o seminário “economia solidária combatendo o trabalho escravo no baixo parnaíba“, já está rodando o mundo.
peço aos amigos a fineza de multiplicar. e maiores informações a gente vai pendurando aqui.

poesia duca (ou: “americana”)

há pouco, na casa da namorada, estávamos entre a novela da globo e lobão na mtv. o compositor de “me chama” (embora seja muito mais que isso) acabou de lançar seu “acústico” e estava dissecando o disco “ronaldo foi pra guerra“, segundo de sua carreira, gravado com a efêmera banda os ronaldos. além do próprio lobo, um monte de gente (jornalistas, produtores etc.) dava depoimentos. um músico, cujo nome não lembro, apareceu dizendo “ah!, o lobão é do caralho!…” no início de seu comentário. pode não parecer, mas trata(va)-se de um elogio do depoente ao “artista do mês” da music television brasileira. eu acho um saco isso de dizer que não-sei-o-quê ou não-sei-quem é do caralho quando se quer dizer que não-sei-o-quê ou não-sei-quem é muito bom (ou coisa que o valha) e não (se) passa disso. estou curiosíssimo pelo acústico de lobão e desejo comprá-lo tão logo chegue às lojas ludovicenses. lojistas da ilha, e aqui falo mais de preço, mas também de velocidade, cooperem!

comentar o comentário do rapazinho “do caralho” serve só para publicar, de já, minha ansiedade por esta revisão desplugada e (tentar) explicar, desnecessariamente, talvez, o “duca” do título do post. o que interessa realmente tá aí embaixo. mais que “duca”, algo simplesmente belíssimo.

*

lendo o blogue de reuben, vi um link para um vídeo que abriria o show “poesia dub“, que celso borges apresentou ontem no itaú cultural, em são paulo. passei a tarde inteira me coçando para ver o tal vídeo, já que youtubes, orkuts e similares são bloqueados no trabalho.

há pouco cheguei em casa e vim direto ao computador matar a curiosidade. valeu a pena esperar, o vídeo de “americana” (poema baseado na obra de bob dylan) é muito bonito. divulguei logo para alguns amigos on-line (apesar da desconfiança da grande maioria, graças a um maldito vírus entranhado em meu msn), entre os quais o poeta marcelo sahea.

[após alguns links falsos] ele: “ah, o vídeo do celso?”.

eu: “sim, já viste?”.

“já. muito bom”.

“sou suspeito pra falar, mas achei absurdamente maravilhoso!”

“é muito bom mesmo. adoro ver essas coisas. me fazem ganhar o dia”.

*

“o valor da fotografia, só o tempo dirá”. ainda lembro da propaganda de algum estúdio de revelação estampada em alguma parede de carema, povoado onde nasceu minha mãe, do município de santa rita. abaixo, como dum velho álbum, imagens pescadas do vídeo, uma competentíssima montagem de caíque cardoso, que eu ainda não conheço:


[dylan e ginsberg em visita ao túmulo de kerouac]


[quebra de coco babaçu, do “maranhão 66” de glauber rocha]

poesia duca (ou: "americana")

há pouco, na casa da namorada, estávamos entre a novela da globo e lobão na mtv. o compositor de “me chama” (embora seja muito mais que isso) acabou de lançar seu “acústico” e estava dissecando o disco “ronaldo foi pra guerra“, segundo de sua carreira, gravado com a efêmera banda os ronaldos. além do próprio lobo, um monte de gente (jornalistas, produtores etc.) dava depoimentos. um músico, cujo nome não lembro, apareceu dizendo “ah!, o lobão é do caralho!…” no início de seu comentário. pode não parecer, mas trata(va)-se de um elogio do depoente ao “artista do mês” da music television brasileira. eu acho um saco isso de dizer que não-sei-o-quê ou não-sei-quem é do caralho quando se quer dizer que não-sei-o-quê ou não-sei-quem é muito bom (ou coisa que o valha) e não (se) passa disso. estou curiosíssimo pelo acústico de lobão e desejo comprá-lo tão logo chegue às lojas ludovicenses. lojistas da ilha, e aqui falo mais de preço, mas também de velocidade, cooperem!

comentar o comentário do rapazinho “do caralho” serve só para publicar, de já, minha ansiedade por esta revisão desplugada e (tentar) explicar, desnecessariamente, talvez, o “duca” do título do post. o que interessa realmente tá aí embaixo. mais que “duca”, algo simplesmente belíssimo.

*

lendo o blogue de reuben, vi um link para um vídeo que abriria o show “poesia dub“, que celso borges apresentou ontem no itaú cultural, em são paulo. passei a tarde inteira me coçando para ver o tal vídeo, já que youtubes, orkuts e similares são bloqueados no trabalho.

há pouco cheguei em casa e vim direto ao computador matar a curiosidade. valeu a pena esperar, o vídeo de “americana” (poema baseado na obra de bob dylan) é muito bonito. divulguei logo para alguns amigos on-line (apesar da desconfiança da grande maioria, graças a um maldito vírus entranhado em meu msn), entre os quais o poeta marcelo sahea.

[após alguns links falsos] ele: “ah, o vídeo do celso?”.

eu: “sim, já viste?”.

“já. muito bom”.

“sou suspeito pra falar, mas achei absurdamente maravilhoso!”

“é muito bom mesmo. adoro ver essas coisas. me fazem ganhar o dia”.

*

“o valor da fotografia, só o tempo dirá”. ainda lembro da propaganda de algum estúdio de revelação estampada em alguma parede de carema, povoado onde nasceu minha mãe, do município de santa rita. abaixo, como dum velho álbum, imagens pescadas do vídeo, uma competentíssima montagem de caíque cardoso, que eu ainda não conheço:


[dylan e ginsberg em visita ao túmulo de kerouac]


[quebra de coco babaçu, do “maranhão 66” de glauber rocha]

o mundo acabou! e isso é bom!

[primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, hoje; nota: este blogueiro chegou a fazer curso de datilografia na cruz vermelha brasileira]

Alberto Villas remonta sua infância em rico panorama cultural dos anos 60.

por Zema Ribeiro*

Entrei outro dia numa farmácia e, enquanto esperava ser atendido, corri os olhos nalgumas prateleiras. Deparei-me com embalagens “coloridinhas” – e provavelmente “perfumadinhas”, penso, pois não cheguei a constatar – da famigerada Emulsão Scott. Lembrei-me imediatamente do fedor daquele remédio, cuja única coisa que me agradava era a ilustração, na parte de trás da embalagem, em alto relevo de um pescador com um peixe tão grande quanto ele. Outra lembrança indissociável era a mistura da tal emulsão com Biotônico Fontoura e ovos de pata, cuja finalidade não lembro – ou nunca soube.

A cada dia que passa, acreditamos estar vivendo num mundo cada vez pior. Que histórias teremos para contar para nossos netos? – se é que teremos netos –, parecemos nos perguntar, ao ouvir as (quase sempre) deliciosas histórias de nossos avós. Balela! Todos teremos, de um jeito ou de outro, histórias para contar num futuro não muito distante.

Alberto Villas reuniu suas histórias e memórias sentimentais de infância em “O mundo acabou![Editora Globo, 2006, 306 páginas, R$ 38,00], livro recheado de “personagens” que povoam a lembrança do escritor, a maioria, hoje, só existentes ali.

Em verbetes como bomba de flit, Repórter Esso, sapato Vulcabrás, papel almaço, dedal, penico, suco de groselha, Zebrinha do Fantástico e muitos outros, o escritor leva seu leitor a sentir saudades de um tempo que às vezes nem viveu. Ah!, que vontade de escrever este texto em uma máquina de escrever!

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

rumos música na tv

a partir de amanhã, às 20h, toda quinta-feira (até 4/10), 25 emissoras públicas de televisão do brasil exibirão os shows dos selecionados na edição 2004/5 do programa rumos itaú cultural – música. o maranhão, infelizmente, não está contemplado.

isto é: as apresentações não serão exibidas para os maranhenses, representados por, além do nome da estréia, ubiratan souza e tião carvalho.

na estréia, o maranhense antonio vieira e a paulista renata rosa.

mais, a gente avisa por aqui, depois.

poesia dub e mais

outros bárbaros 2
(em são paulo)

ademir assunçãoavisou.

celso borges, (se não o mais,) um dos artistas mais falados aqui neste blogue, manda avisar (por e-mail).

eu obedeço, feliz:

sexta 20 19h30min
bonus trash

o grupo traz a obra literária de seus conterrâneos de londrina (pr) para um contexto que une o rock’ n’ roll à linguagem poética. a apresentação, com base no cd bonus trash original poetry soundtrack, registra a atual produção de artistas como mário bortolotto, karen debértolis, márcio américo, augusto silva e marcos losnak. o grupo é formado por valquir fedri (vocais), ricardo dantas (teclado), márcio de lima (guitarra) e andré bartalo (bateria).

sexta 20 20h30min
celso borges

o poeta traz o dj otávio rodrigues, o baixista gerson da conceição e o percussionista celso costa para apresentar o poesia dub, que utiliza instrumentos, microfones, percussão, baixo, toca-discos e cd-players.

sábado 21 19h30min
ademir assunção

o poeta paulista apresenta o repertório do cd rebelião na zona fantasma, em que faz uma fusão entre poesia, blues, baladas e rock’ n’ roll. ademir sobe ao palco acompanhado pelos músicos luiz waack (guitarra e violão), daniel szafran (piano e vocais), chulapa (baixo) e leandro paccagnela (bateria). cenário virtual: robson timóteo. participação especial: madan.

domingo 22 19h30min
ricardo aleixo

o escritor, músico e artista visual mineiro funde poesia, performance, áudio e vídeo para mostrar o work in progress um ano entre os humanos. o músico benedikt wiertz e o videoartista rodrigo coelho participam da apresentação.

sala itaú cultural (são paulo)
255 lugares
[ingresso distribuído com meia hora de antecedência]

tulípio


[um dos cartoons do fotoblogue do tulípio]

tulípio é foda! o quarentão-boêmio-filósofo-de-boteco desenhado por paulo stocker e escrito por eduardo rodrigues vai ganhar uma mesa (fixa) no uol. o quê? você nunca ouviu falar do tulípio? tudo bem… nunca é tarde:

boteco do tulípio, estréia amanhã (18/4)


[as capas de “tulípio“]

a revista “tulípio” nº. 5 circulará agora no início de maio. tem tiragem de 15 mil exemplares, distribuídos gratuitamente em bares de são paulo e rio de janeiro. já não é hora de tulípio visitar o maranhão?

pra quem pensa que “tulípio” é mera lorota, já passaram pela revista nomes de finas letras e traços: xico sá, glauco, jaguar, ignácio de loyola brandão e aldir blanc, entre outros.

bom, tulípio já tem mesa fixa no uol, mas também anda por botequins outros: fotoblogue do tulípio, site do eduardo rodrigues, blogue do paulo stocker, página de humor do uol e cineboteco.

ontem (ou: alegrias e tristezas)

a feira da cidade, evento mensal que toma conta da praça maria aragão, é sempre um espaço interessante. mercadorias diversas (ímãs de geladeira, roupas, artigos de decoração, alimentos etc.) a preços justos. ontem, havia algo de diferente: um grupo de choro (que não consegui identificar, embora não tenha feito um esforço maior, é verdade) animava a noite. achei perfeito. as pessoas circulavam entre as barracas ouvindo chorinho. faltou a organização do evento permitir que os artistas fossem vistos: a disposição das caixas de som sobre o palco não ajudava. faltou também um maior número de lixeiras espalhadas pela praça.

*

o sinal fecha, mais de dez da noite. carro parado. do banco de trás, vemos um negro corpulento socar a cabeça da pequena mulher, também negra. e o estômago. e novamente a cabeça. o ritmo era lento, como se ele esperasse que ela curtisse melhor a dor de cada pancada. lento e cadenciado. o sinal fechado. a delegacia, a poucos passos de distância. como o sinal, fechada.