b. o. (ou: com detalhes e sem violência)

“meu patrão, você é meu!”

a saudação ao longe, de um homem menor e mais largo que eu, dita de cima de uma bicicleta, fez-me pensar em um possível conhecido. não era. ele continuou, enquanto nos encarávamos:

siô, me dá um trocado pr’eu interar um rango… fui ali atrás dum cumpade e não deu certo”

rapá, tou sem trocado e com um bocado de pressa, deixa pra próxima…”, disse, já me afastando, ao tempo em que ele me agarrava o braço:

tou com um ferro cheio de bala aqui, siô. não quer dar uma olhada?”

“não, obrigado”. e tentava livrar meu braço.

“me dá uma coisa tua aí de valor!”

rapá, peraí que eu te dou um trocado”, consegui dizer enquanto pensava que ele ia me roubar o relógio, que marcava 19h no pulso direito.

“não! me dá esse celular que tá aí no teu bolso”.

*

acima, o diálogo que se deu no assalto-relâmpago que sofri na noite de ontem, por incrível que possa parecer, pertíssimo de casa. no assalto anterior já chegaram mostrando o revólver; este, perguntou se eu não o queria ver. podia ser um blefe. podia não ser. quem vai saber?

o texto é para eu não ficar repetindo a história para todos os que me perguntarem (e nisto, não reside nenhuma grosseria, certo?). o boletim de ocorrência foi registrado no início da tarde de hoje (18), no plantão central da rffsa (lê-se “refesa”, sigla de rede ferroviária federal, empresa privatizada na “gestão” de f.h.c., dessa sigla vocês sabem o significado, não? a rffsa é daqueles lugares que podem virar o que quer que seja, ninguém lhe mudará o nome. ou você não sabe onde é a escola técnica? e o cine-passeio, você sabe?

*

(somente) na tarde de ontem, após fortíssimas dores no peito sentidas desde a manhã de quinta-feira, procurei a emergência do hospital dr. carlos macieira (vulgo hospital do ipem). medicado e feito um raio-x, o médico não me diagnosticou uma tuberculose ou pneumonia: receitou-me um remédio para gases e um analgésico injetável (que não usarei, já que os sintomas já se foram e já consigo respirar e fazer maiores esforços sem sentir nenhuma dor).

*

o professor francisco colombo anunciou que deixará a faculdade são luís antes mesmo do fim do semestre, notícia que muito deixa triste, particularmente, este aluno-blogueiro.

*

mas é domingo!, e uma semana nova começou… ufa! ainda bem! que venha melhor! amém!

10 comentários em “b. o. (ou: com detalhes e sem violência)

  1. Só você pra conseguir fazer de um episódio revoltante um texto bem escrito e até um tanto cômico.Cuidado com os caras de bicicleta… e cuida da saúde viu!bjoO

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