Arquivo mensal: novembro 2006

tão zé, certeiro


[essa “arte” aí tá no site do gênio de irará, acima o único link do post. eu só colei a reprodução da capa do disco novo]

a carapuça só “assenta” na cabeça de quem usa.

ei, você aí! já ouviu/leu o dito acima? pois é… se você é daqueles leitores que gostam de facilidades, desista! pode parar a leitura por aqui. nesse post, eu não vou botar nenhum link, salvo o da imagem acima.

quem tem boca vai à roma. quem tem curiosidade, vai deus sabe onde…

acabo de ver tom zé entrevistado por jô soares, na globo. só soube na hora, do contrário, teria avisado por aqui. o homem (o primeiro) é um gênio! não, não há exagero! todos os que me lêem (poucos, mas fiéis) sabem que sou fã do cabra, que estava ali, aos 70 anos, lançando seu novo disco. ah, durante, um aviso: isso não é jornalismo!

aqui não vou também lembrar trechos da entrevista. procurem aí no youtube (sem link, risos), na blogosfera, no site da tv, se virem!

ou vocês são como alguns (a maioria, para ser sincero) freqüentadores da batcaverna? explico: a maioria das pessoas que vai ali, a maioria universitários, repita-se: a maioria, vai para ouvir frases do tipo “riquelme na batera!” (é assim que se escreve “riquelme”?).

este post soa (soa?) meio (meio?) preconceituoso. não nego.

ah!

querem saber duma coisa? vão ouvir tom zé!

uma sincera canção de vida

[primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, hoje]

“Canção de Vida” celebra os cinqüenta anos da Cáritas Brasileira. Sobre o trabalho, Zema Ribeiro conversou com a intérprete Lena Machado, voz e alma do disco.

por Zema Ribeiro*

A Cáritas, organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), festejou no último dia 12 de novembro, cinqüenta anos de atuação no Brasil. Para celebrar a data e a caminhada, o Regional Maranhão preparou o belo “Canção de Vida”, onde Lena Machado, integrante do Secretariado da Entidade no Maranhão há seis anos, emprestou sua voz e registrou dez faixas que marca(ra)m a trajetória da Cáritas Brasileira no Estado.

O violonista Luiz Jr. arranjou todo o disco e arregimentou os músicos que se ouvem nas composições de Cesar Teixeira, Jurandy Ferreira, João do Vale, Joãozinho Ribeiro, Chico Canhoto, Gonzaguinha, e Guarabira.

Flanelinha de Avião”, inédita de Cesar Teixeira, já é um hit e vem tocando nas rádios ludovicenses há um tempinho. Sobre este trabalho, Zema Ribeiro conversou com a intérprete Lena Machado.


[design: Raquel Noronha]

Entrevista: Lena Machado

Zema Ribeiro – Lena, o que significou para você emprestar sua voz para o disco “Canção de Vida”?

Lena Machado – Mais uma contribuição na minha trajetória de artista cidadã, com um caráter um pouco diferente, já que eu nunca havia gravado antes, de forma profissional.

ZR – Como se deu a escolha do repertório do disco?

LM – Foi um processo coletivo. Sentamos com a equipe do Colegiado Regional, pensamos um repertório a partir das músicas que eram cantadas regularmente em encontros e congressos da Cáritas e músicas que trouxessem algo de novo para essa caminhada. Nesse contexto entraram “Oração Latina[de Cesar Teixeira], que é uma música maranhense, mas que está sempre presente nos encontros nacionais, com grande identificação das pessoas, “Milhões de Uns[de Joãozinho Ribeiro] também, que foi cantada na noite de Celebração dos 50 anos da Cáritas durante a mais recente assembléia da CNBB. Queríamos diversificar o repertório, respeitando os programas e linhas de atuação da Cáritas, valorizando principalmente os compositores maranhenses.

ZR – E as inéditas? Como vocês chegaram até elas?

LM – Foi um processo de pesquisa, daquilo que poderíamos apresentar de novidade no cd, músicas que falassem dos contextos onde a Cáritas atua, o caso de meninos em situação de rua, presente em “Flanelinha de Avião”, e a realidade dos trabalhadores rurais, caso de “Sem Resposta”, além de uma ligação nossa com os compositores, no caso dessas duas, Cesar Teixeira e Chico Canhoto, de trajetórias muito ligadas às questões sociais, de denunciar isso através da arte. É também uma tentativa de fugir de canções que fossem panfletárias demais, dando um mergulho na fonte da música popular brasileira para tratar de temáticas infelizmente atualíssimas.

Serviço

O quê: “Canção de Vida
Quem: Lena Machado
Onde comprar: Cáritas Brasileira – Regional Maranhão (Rua do Alecrim, 343, Centro), Poeme-se (Rua do Sol, Centro, próximo ao Sindicato dos Bancários; Rua João Gualberto, 52, Praia Grande); Livraria Athenas (esquina de ruas do Sol e Antonio Rayol); Chico Discos (Rua do Ribeirão, 319, Centro – Fonte do Ribeirão).
Quanto: R$ 20,00 (preço sugerido).

* correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

girando feito vinil sob agulha

Diversos boêmios estão entre os consultores/conselheiros sentimentais deste escriba. Procura-se e acha-se (cachaça-se) vivos ou mortos: João Antonio, Antonio Maria e Xico Sá, entre inúmeros outros. Não, não é pura vontade de ser mal-influenciado – ao contrário, acho até que ando muito bem acompanhado – nem de ser mal-influenciador – apenas lembrando-me que ocupo esta tribuna para falar aos mais jovens (ao menos creio).

[o texto dessa semana no diboa. para lê-lo na integra, clique aqui]

obscuras críticas (que talvez nem merecessem comentários, os fatos falam por si só)

Não me dei ao trabalho de saber se as notas abaixo foram publicadas ou não no jornal (?) Diário da Manhã. Elas estão penduradas no Blog do Kenard, com a data de ontem, terça-feira 21:

*

Cultura
Quando prefeito de São Luís, Jackson Lago não deu muito valor para as questões culturais. Assim, não se importava muito com o nome que ocupava a Fundação Cultural. Na verdade, desconsiderava tanto a cultura, que deixava o cargo de presidente da Fundação para os aliados da ocasião, pouco se importando se o sujeito tinha competência ou não. Era a forma de contemplar o aliado sem dar cargos considerados mais importantes.

Cultura 2
Claro que isso era um erro e tanto. A Fundação Cultural (ou Secretaria de Cultura, agora), como sempre escrevi, é tão importante quanto a Secretaria de Fazenda. A cultura em mãos certas rende para o governo às vezes muito mais que outras secretarias tidas como importantes. Resta saber se agora como governador eleito Jackson Lago mudará de opinião. Espera-se que sim.

Lá vem ele
Jackson Lago nem bem saía das urnas e Joãozinho Ribeiro já se movimentava para tentar ganhar a Secretaria de Cultura. Como nos tempos de Jackson prefeito, corre para o colo da turma do Laborarte, atrás de apoio e de lista de apoiadores. O governador eleito deve tomar cuidado. O Maranhão merece qualidade na cultura.

*

Pela caixa de comentários, mandei-lhe o seguinte (aqui, em itálico):

Kenard, não sei quais as suas pretensões e/ou intenções. Tenho andado silencioso com relação aos movimentos de Laborarte, Grita (e entre outros: Fóruns Municipal e Intermunicipal de Cultura, Instituto Pólis e alguns nomes do MinC) por saber que gente como você diria logo: “Zema defende o nome do homem pensando na própria barriga (e/ou umbigo)”. Agora você querer nos convencer (a mim, não) de que Joãozinho Ribeiro é um nome ruim para a Secretaria de Cultura do Estado é um pouco demais, não? Independentemente de amizade e/ou ideologia(s) não lembro de nenhum nome melhor. Joãozinho tem todas as características necessárias para assumir a pasta e fazer um bom trabalho.

A resposta, me foi enviada por e-mail (isto é, o comentário não foi publicado no blogue), abaixo, em itálico:

Da mesma maneira que fez na Fundação Cultural, quando Jackson era prefeito. Uma porcaria de não-trabalho. Essa conversa fiada de forum disto, forum daquilo é coisa de gente que é preguiçoso, que não quer trabalhar. Me dou com Joãozinho mas ele não tem preparo para o cargo. Ponto final.

*

O Sr. Roberto Kenard 1) (tenta) desqualifica(r) o trabalho de Joãozinho Ribeiro (infinitamente superior ao não-trabalho prestado pelo jornalista enquanto Diretor de Redação de seu jornal e a comparação termina por aqui mais em respeito a João), 2) e de membros do Fórum Municipal de Cultura, todos voluntários (eu, ao menos, enquanto prestei serviços ao FMC, na Assessoria de Comunicação, nunca recebi um centavo e não arrependo-me de ter “perdido” esse tempo), 3) acha-se o “dono da verdade” (qualidade péssima a um jornalista), ao (tentar) “encerrar” o assunto com um simples e infantil “ponto final”.

Aqui, ó, em maiúsculas e em negrito: ESTE BLOGUE APÓIA A INDICAÇÃO DE JOÃOZINHO RIBEIRO PARA A SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA.

Com a palavra, os caríssimos leitores deste blogue. Comentários aqui não sofrem censura, moderação ou coisa que o valha.

da série “resenhas fora de época”

[o título do post somente se justifica pela resenha aqui publicada não estar no “calor” do lançamento da obra. nada mais. a “série” foi iniciada aqui]

A poética do reengajamento pela linguagem: espaços e tempos do local e do universal

por Valmir de Souza*

Volto a S. Luís pela pena escrita de Joãozinho, o grande de coração, de entendimento das urgências da vida e da tradição lenta de uma cidade que permanece através dele em nós. O autor que tanto opera pelos outros e abre caminhos, agora faz a sua leitura de mundo, a sua des-leitura da cultura engendrada pelo tempo histórico e social dos que querem eternizar a memória dos poucos. João está com os muitos, convive com muitos, seus outros tão seus próximos ainda pela palavra.

Mas o poeta também volta ao seu lugar, ou melhor, faz da cidade sua paisagem, se confundindo com ela. Essa revisitação da vida em forma literária faz do livro o próprio poeta.

Já pela capa vemos o tempo na paisagem, São Azulejos de Luís. A presença do tempo marcada pelas pequenas ruínas nas flores azulejadas de verde.

O título “Paisagem feita de tempo” nos envia à temporalidade e ao espaço vistos do ponto de vista poético. Ler esse livro é de enorme prazer em ver o registro da cultura marcando o olhar.

A memória silenciosa presente em versos como “Toda inquietude do silêncio / Tendo vez e voz / Nesta paisagem / Que eu crio e transformo / De fruto do meu corpo / E semente da minha crença / Em pés do meu destino” (p. 18). O poeta luta na revisão de seu calendário, ainda que não seja de fácil operação.

O livro percorre espaços-ruas das cidades dentro da cidade, mas também a trajetória do sujeito poético-cultural que é Joãozinho. A história da cidade se confunde com a do poeta-sujeito-histórico. Que convive com quem fez a história a seu modo: bêbados, prostitutas, benzedeiras etc. O lirismo dos bêbados cheios de poesia e música de Isidoro Damasceno com sua “santa bebedeira” (p. 22). “No coração do Centro Histórico” projetos de moradia, ironia em relação ao desnorteio daqueles que viveram no centro da cidade, das cidades.

A visão do expurgo feito pelo trabalho das máquinas que tanto encantam as crianças, mas que é resultado de “projetos de modernização”. Assim se constata nos versos: “Até deparar com as garras / Dos tratores sangrando a terra / E soterrando os encantos / Da Praia do Boqueirão”. (p.43)

O poeta se apropria da cidade que é sua e de todos. “Cidade és minha paisagem / Feita de tempo e de mim / Feita de tudo que somos / E do que seremos, enfim.” (p.100)

O poeta escuta a cidade invisível inscrita nos interstícios da memória, contra o “mundo caduco” da modernização, fazendo sua resistência cultural.

Um livro feito de palavras e ilustrações. Estas, de uma sensibilidade que nos leva à infância do ser Joãozinho e do ser de todos nós, brasileiros e universais. O pipa-papagaio-pandorga-capucheta que leva ao sonho; a tia vendendo mingau de milho; uma chaminé, uma pessoa e uma fábrica; o gato Inocêncio na goiabeira; as duas “aranhas”; cidades etc.

Gostei.

(*) Professor universitário, pesquisador cultural, coordenador do projeto “Café Filosófico” na cidade de Guarulhos/SP

*

rola, internet afora, um manifesto defendendo o nome de joãozinho ribeiro (que trouxe de são paulo, na bagagem, o texto acima) para a secretaria de estado da cultura. manifesto legítimo, diga-se, encabeçado pelo grupo independente de teatro amador (grita), laboratório de expressões artísticas (laborarte), fóruns intermunicipal e municipal de cultura e instituto pólis, entre outros. haverá, nesta quarta-feira (22), às 19h, um manifesto político onde este apoio será publicizado. anote aí: será no laborarte (rua jansen müller, 42, centro). os interessados em declarar apoio, podem fazê-lo enviando nome, endereço, profissão e rg ou cpf para o e-mail elizandra.rocha@yahoo.com.br e/ou elizandra_31@hotmail.com e/ou comparecendo ao ato supra.

*

acontece amanhã, a abertura do 8º congresso de música do maranhão (convento das mercês); a primeira “palestra” do dia (8h30min) será ocupada pelas “propostas de políticas culturais do governo jackson lago”. representando oficialmente o governador eleito, estará joãozinho ribeiro, elaborador do programa de governo para a área.

*

há um tempinho não nos falávamos. ela que detesta quando eu desato a falar de política (nem sei se chegará até aqui na leitura). mas foi bom vê-la mandar-me um beijo da janela do ônibus, enquanto eu, oh! exagero, quase morria atropelado ao atravessar a cajazeiras e (tentar) retribuir, desajeitado, o gesto.

da série "resenhas fora de época"

[o título do post somente se justifica pela resenha aqui publicada não estar no “calor” do lançamento da obra. nada mais. a “série” foi iniciada aqui]

A poética do reengajamento pela linguagem: espaços e tempos do local e do universal

por Valmir de Souza*

Volto a S. Luís pela pena escrita de Joãozinho, o grande de coração, de entendimento das urgências da vida e da tradição lenta de uma cidade que permanece através dele em nós. O autor que tanto opera pelos outros e abre caminhos, agora faz a sua leitura de mundo, a sua des-leitura da cultura engendrada pelo tempo histórico e social dos que querem eternizar a memória dos poucos. João está com os muitos, convive com muitos, seus outros tão seus próximos ainda pela palavra.

Mas o poeta também volta ao seu lugar, ou melhor, faz da cidade sua paisagem, se confundindo com ela. Essa revisitação da vida em forma literária faz do livro o próprio poeta.

Já pela capa vemos o tempo na paisagem, São Azulejos de Luís. A presença do tempo marcada pelas pequenas ruínas nas flores azulejadas de verde.

O título “Paisagem feita de tempo” nos envia à temporalidade e ao espaço vistos do ponto de vista poético. Ler esse livro é de enorme prazer em ver o registro da cultura marcando o olhar.

A memória silenciosa presente em versos como “Toda inquietude do silêncio / Tendo vez e voz / Nesta paisagem / Que eu crio e transformo / De fruto do meu corpo / E semente da minha crença / Em pés do meu destino” (p. 18). O poeta luta na revisão de seu calendário, ainda que não seja de fácil operação.

O livro percorre espaços-ruas das cidades dentro da cidade, mas também a trajetória do sujeito poético-cultural que é Joãozinho. A história da cidade se confunde com a do poeta-sujeito-histórico. Que convive com quem fez a história a seu modo: bêbados, prostitutas, benzedeiras etc. O lirismo dos bêbados cheios de poesia e música de Isidoro Damasceno com sua “santa bebedeira” (p. 22). “No coração do Centro Histórico” projetos de moradia, ironia em relação ao desnorteio daqueles que viveram no centro da cidade, das cidades.

A visão do expurgo feito pelo trabalho das máquinas que tanto encantam as crianças, mas que é resultado de “projetos de modernização”. Assim se constata nos versos: “Até deparar com as garras / Dos tratores sangrando a terra / E soterrando os encantos / Da Praia do Boqueirão”. (p.43)

O poeta se apropria da cidade que é sua e de todos. “Cidade és minha paisagem / Feita de tempo e de mim / Feita de tudo que somos / E do que seremos, enfim.” (p.100)

O poeta escuta a cidade invisível inscrita nos interstícios da memória, contra o “mundo caduco” da modernização, fazendo sua resistência cultural.

Um livro feito de palavras e ilustrações. Estas, de uma sensibilidade que nos leva à infância do ser Joãozinho e do ser de todos nós, brasileiros e universais. O pipa-papagaio-pandorga-capucheta que leva ao sonho; a tia vendendo mingau de milho; uma chaminé, uma pessoa e uma fábrica; o gato Inocêncio na goiabeira; as duas “aranhas”; cidades etc.

Gostei.

(*) Professor universitário, pesquisador cultural, coordenador do projeto “Café Filosófico” na cidade de Guarulhos/SP

*

rola, internet afora, um manifesto defendendo o nome de joãozinho ribeiro (que trouxe de são paulo, na bagagem, o texto acima) para a secretaria de estado da cultura. manifesto legítimo, diga-se, encabeçado pelo grupo independente de teatro amador (grita), laboratório de expressões artísticas (laborarte), fóruns intermunicipal e municipal de cultura e instituto pólis, entre outros. haverá, nesta quarta-feira (22), às 19h, um manifesto político onde este apoio será publicizado. anote aí: será no laborarte (rua jansen müller, 42, centro). os interessados em declarar apoio, podem fazê-lo enviando nome, endereço, profissão e rg ou cpf para o e-mail elizandra.rocha@yahoo.com.br e/ou elizandra_31@hotmail.com e/ou comparecendo ao ato supra.

*

acontece amanhã, a abertura do 8º congresso de música do maranhão (convento das mercês); a primeira “palestra” do dia (8h30min) será ocupada pelas “propostas de políticas culturais do governo jackson lago”. representando oficialmente o governador eleito, estará joãozinho ribeiro, elaborador do programa de governo para a área.

*

há um tempinho não nos falávamos. ela que detesta quando eu desato a falar de política (nem sei se chegará até aqui na leitura). mas foi bom vê-la mandar-me um beijo da janela do ônibus, enquanto eu, oh! exagero, quase morria atropelado ao atravessar a cajazeiras e (tentar) retribuir, desajeitado, o gesto.

primeira classe na primeira classe de hoje

[jp turismo, jornal pequeno]

As tacadas certeiras de Peréio

“O artista cagando para a obra e vice-versa”, atesta/avisa Xico Sá no prefácio do livro. Editora do Bispo bota na rua as delicadezas de um dos atores mais importantes do país.

por Zema Ribeiro *

Por que se mete, porra? – Delicadezas de Paulo César Peréio[Editora do Bispo, 2006, R$ 38,50] é obra inclassificável. Ora, o Peréio todos conhecem, amam ou “odéiam”. O currículo do homem é invejável: mais de cinqüenta filmes e outras curriculagens impublicáveis. Aqui, o homem fora de cena, percorrendo botecos, sinucas, amores e dores, muito além da óbvia rima. Contrariando o título, as indelicadezas aqui reunidas são, antes de qualquer coisa, obras/frutos do amor.

A obra é a vida organizada/contada em bilhetes, fotografias, ilustrações, guardanapos anotados e amassados em mesas de bar. “A vida é cada vez menos”, repete, o tempo passa, “mais uma ficha!”, pede, junto com o parceiro em mais uma rodada de sinuca, num boteco qualquer.

Luxuosa – como outras edições “do Bispo” –, “Por que se mete, porra?” traz na capa uma imagem “bukólica”: algo como um bucolismo digno de Charles Bukowski, outro fodão de outro pedaço da América. A primeira imagem, pós-capa, mostra um Peréio pensador (o de Rodin?), sentado num vaso sanitário. Daí pra frente, um lirismo incessante, sincero, de que só os bêbados e as crianças são capazes.

“Cuidado com a incapacidade da ironia, com o provincianismo mental! Há mais do que um sentido no texto, então no discurso, contido em nenhuma palavra dela ou dele. Pois é impossível o texto do discurso dizer aquilo que diz.”, avisa Peréio num dos bilhetes, post-its pregados na porta da geladeira, que a obra pode ser copiada desde que citada a fonte, à vontade, pois, meus caros, que a prosa-porra-louca-vida-louca-vida do homem vale muito a pena.

Nessas “Delicadezas de Paulo César Peréio”, até mesmo a dor tem alguma graça.

* correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

viagens de novembro*

alôs para as turmas

de são paulo:

acontece dias 16, 17 e 18/novembro, o encontro de artistas américa do sul, que tem como tema a responsabilidade do artista no reencantamento do mundo. a realização é da rede mundial de artistas em aliança, com apoio do instituto pólis, secretaria de estado da cultura de são paulo e casa das rosas, onde acontece o encontro.

no dia 17, o poeta, compositor e professor universitário maranhense joãozinho ribeiro participa de uma mesa, às 14h, com daniel hilário e sebastião soares, cujo tema é cidadania cultural e as responsabilidades humanas.

a quem interessar a programação completa, basta enviar-me um e-mail.

***

e de brasília:

dias 16 e 17, rosa reis apresenta o show flor da mangueira, na capital federal. na sala funarte cássia eller (atrás da torre de tv). os ingressos custam r$ 5,00 e r$ 2,00 (para estudantes, idosos, músicos e funcionários da petrobrás).

[* viagem de novembro (no singular) é uma música de erasmo dibell, gravada por carlinhos veloz]

pré-texto


[clica aí em cima, para ver o cartaz ampliado]

pré-texto, que o texto mesmo, ainda não fiz. aguardem! de já, fica a dica. uma boa pedida para o presente (antecipado, moços, corram!) de natal. canção de vida, disco comemorativo dos 50 anos da cáritas brasileira, com interpretações de lena machado para composições de joão do vale, gonzaguinha e joãozinho ribeiro, entre outros. inclui as inéditas sem resposta (chico canhoto) e flanelinha de avião (cesar teixeira).

onde comprar? aí, ó:

cáritas brasileira – regional maranhão
rua do alecrim, 343, centro

chico discos
rua do ribeirão, 319, centro – fonte do ribeirão

poeme-se
rua joão gualberto, 52, praia grande
rua do sol (próximo ao sindicato dos bancários)

livraria athenas
esquina das ruas do sol e antonio rayol

(ao lado dela) na arquibancada

antes, um aviso: isso não é jornalismo!

josé ribamar tocantins, clara de fátima martins e francisca lima, professores do luís viana, no bairro da alemanha, são luís, maranhão, brasil, escreveram o projeto aprender a ler e ler para aprender. o ensino da matemática centrado na inclusão social pelo domínio da língua, inscrito no prêmio viva leitura, a maior premiação individual para fomento à leitura produzida no brasil, iniciativa inédita dos ministérios da educação (mec), cultura (minc) e organização dos estados íbero-americanos para educação, a ciência e a cultura (oei).

o prêmio selecionou, entre 3.031 inscritos, quinze finalistas, que já estão na capital federal para a solenidade de premiação, amanhã, 13. do maranhão, foram selecionados o projeto supra, além do jegue-livro, de alto alegre do pindaré.

é o seguinte, resumindo: os dois primeiros do primeiro projeto citado são meus sogros, que já estão parabenizados pela seleção. d(n)a ilha, estamos, eu e ela e mais uma turma de parentes e amigos na torcida… sucesso, sogrões!

o “grammophone” de tereza pineschi

[primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, hoje]

Cantora carioca niteroiense pesquisa e grava lundus, maxixes e polcas – os pais do samba – em agradável e gracioso disco de alto valor histórico.

por Zema Ribeiro*

Nascida em 1944, a carioca niteroiense Tereza Pineschi, bióloga de formação e profissional do canto há vinte anos, estréia graciosamente em disco com “O teu grammophone é bão[Por do Som/Atração, 2005, R$ 20,00], que leva como subtítulo “A música brasileira entre 1830 e 1910”.

As catorze faixas remontam os primórdios do samba; estão lá os pais do brasileiríssimo gênero: lundu, maxixe e polca, num minucioso trabalho de pesquisa que registra, agora, pérolas inéditas.

O encarte traz as grafias originais da época – vide o “grammophone” do título, entre outras – e respeita as partituras, executadas com maestria por Carlos Almada (flauta e arranjos), Queque Medeiros (bandolim), Jorge Mathias (contrabaixo) Rodrigo Paciello (violão) e a voz de Tereza Pineschi, que concebeu o disco a partir do livro “Feitiço Decente”, de Carlos Sandroni.

O didatismo está presente, mas sem chatices: notas sobre as origens dos gêneros que compõem o disco, imagens de um Rio de Janeiro que já não existe, e pinturas de nomes como Johann Moritz terminam de enfeitar o singelo biscoito.

Há momentos de pura diversão. Bons exemplos são as faixas “Quem é pobre não tem vícios” (“Quem é pobre não tem vícios / deixe-se de namorar / se as moças cantam assim / como pode o pobre amar”, reza a letra) e “Sou batuta…” (Um maxixe bem dançado / o prazer sabe excitar / quem o dança apaixonado / fica logo a palpitar / maxixando bem a geito (sic) co’ uma dama appetitosa (sic) / eu a junto contra o peito / e minh’alma inteira goza…”).

* correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

ponte aérea sl

é o seguinte: vou viver na ponte aérea. ao menos por (quase) dois meses. não, não vou estressar com vôos atrasados em aeroportos lotados, etc. e tal. vou imitar as pontes aéreas rj e sp (xicos, vargas e no no mínimo) e escrever a ponte aérea sl (preferi não chamar de ponte aérea ma, já que raramente sairei da ilha). é pr’uma atividade da faculdade, da disciplina jornalismo cultural, professoramiga ana patrícia choairy. então: entre novembro e dezembro, vida dupla, além de por aqui, a gente se vê por .

[essa foto/link belíssima aí (ao menos eu acho!) é do gilson teixeira (jornal pequeno).]

este blogueiro (de merda), até onde lhe permite(m) a(s) “inguinorança(s)”, internética e d’outras línguas, está aberto a sugestões de/sobre como melhorar (digo, tornar mais bonito, frescura pouca é bobagem, etc. e tal…) a dita/citada ponte

mais detalhes sobre funcionamento, calendário/horário de vôos,

até!

onde tá o coro?

com o título acima, o poeta-músico zémaria medeiros leva hoje (parte de) seu arsenal, da rua para o palco do teatro alcione nazaré (centro de criatividade odylo costa, filho, praia grande), às 21h. ingressos no local. r$ 10,00 (estudantes e idosos pagam metade).

o poeta-músico em ação no espetáculo semanal a vida é uma festa (cia. circense de teatro de bonecos, praia grande, todas as quintas-feiras, 20h30min) [foto: divulgação]

sábado: reprise

antes, um toque: pedro sobrinho, dj que tocaria na fatídica noite de sexta-feira passada, e também lesado pela não-realização do show da nação zumbi (os mangueboys de nada têm culpa), escreveu hoje n’o estado do maranhão sobre o (não-)acontecimento. confiram!

*

ontem, ao pendurar aqui o post anterior, o que eu tinha colocado sábado simplesmente sumiu. segue novamente, abaixo. é meu texto da primeira classe, jp turismo, de 4/11 (o jornal pequeno não circulou sexta-feira).

*

O Maranhão agora só chora assim

Com a derrota sarneysta nas urnas maranhenses, o povo tem muito que comemorar. Motivos para chorar? Só se for de alegria. Ou se “choro” tiver outro sentido que não lembre lágrimas.

por Zema Ribeiro*

O fato de “Chorinhos Maranhenses[independente, R$ 15,00] ser o primeiro registro de choros produzidos no Maranhão – genuinamente maranhense, diga-se e repita-se: composto aqui (em várias épocas), foi todo gravado aqui – poderia permitir aos bambas do Instrumental Pixinguinha alguns deslizes, quiçá perdoáveis, e os mesmos entrariam para a história com um disco ruim, por serem os primeiros.

Não é o que acontece. Nem ruim – ao contrário, excelente disco de (todas as) estréia(s) – nem fácil: em vez de releituras de clássicos do gênero – ainda que se limitassem ao repertório maranhense, que tem clássicos de sobra –, “Chorinhos Maranhenses” é todo composto por músicas jamais gravadas e revela verdadeiros mestres do gênero – Domingos Santos, Zé Hemetério, Francisco de Assis (Six), Nuna Gomes e Cleômenes Teixeira, entre outros – na interpretação descontraída, como o são numa (boêmia) roda de choro, de outros mestres: Zezé Alves (flauta), Raimundo Luiz (bandolim), Juca do Cavaco (cavaquinho), Domingos Santos (violão sete cordas) e Nonatinho (pandeiro), o quinteto Instrumental Pixinguinha.

A paisagem maranhense, além de desfilar pelas composições e execuções de “Chorinhos Maranhenses”, está também no bonito encarte: a Escola de Música Lilah Lisboa, a Ponta d’Areia e a Faustina são alguns cenários naturais por onde passeiam estes chorões, agora só sorrisos nos rostos. O texto de Ricarte Almeida Santos (membro fundador do Clube do Choro do Maranhão e apresentador do programa Chorinhos e Chorões, nas manhãs dominicais da rádio Universidade FM) afirma, orgulhoso, meio pai da criança que é: “Acho que Pixinguinha está orgulhoso do nome que emprestou a esse grupo”. Temos certeza que sim. Ave, Pixinguinha! Vários vivas e muitos brindes!

Em tempo – Domingo (5/11), às 9h, na rádio Universidade FM (106,9MHz), o programa Chorinhos e Chorões apresentará o disco “Choros Maranhenses”. No estúdio, com Ricarte Almeida Santos, para “o seu café da manhã instrumental de domingo”, os componentes do Instrumental Pixinguinha. Boêmios, de pé!

* correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com