primeira classe

outro texto meu [sem ilustração] no jornal pequeno de hoje. na “primeira classe“, seção do suplemento jp turismo.

Mergulhe Na Boca do Bode!

Livro faz um profundo mergulho em um importante capítulo da(s) história(s) da música (im)popular brasileira. Fundamental para fãs de Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção. Fundamental para apreciadores de boa música.

por Zema Ribeiro*

Enquanto (quase) todas as atenções d(e uma pequena parte d)a (grande) mídia se voltaram – não que não se tenha uma boa razão para tal, pelo contrário – para “PretoBrás: Por que que eu não pensei nisso antes? O livro de canções e histórias de Itamar Assumpção” (Ediouro, em dois volumes vendidos em conjunto ou separadamente, R$ 45,00, cada), outro lançamento que também tinha, entre outros, o genial – e pouco conhecido – compositor como um dos personagens principais, passou praticamente despercebido: “Na boca do bode – Entidades musicais em trânsito” (140 páginas, Atrito Art Editorial R$ 40,00), de Fábio Henriques Giorgio, faz minuciosa pesquisa sobre a “vanguarda paulista(na)”, nascida em Londrina, Paraná. A partir do show que batiza o livro, o pesquisador resgata histórias, entrevistas e fotografias em uma bem cuidada edição, luxo só. No show, nomes pouco conhecidos – hoje –, que agitavam a cena de uma cidade – à época – jovem, além dos (hoje) “consagrados” Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé.

Com patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura de Londrina, o livro inaugura a Coleção Londrina, cuja proposta é ser uma espécie de espelho da cidade. Na orelha do livro, um aviso: “não espere aqui a visão sistemática, distante, acadêmica”. Num texto agradável, com um tratamento visual cuidadoso, Fábio Giorgio conta histórias, entrevista personagens, resgata textos publicados em jornais da época e chega a brindar os leitores com as fichas técnicas de diversos festivais londrinenses – além da participação de londrinenses em outros festivais – ocorridos a partir de 1968.

Na boca do bode” é o mergulho de um pesquisador em diversas histórias que os meios oficiais não contam. Os principais nomes do show – os “consagrados”, entre aspas, acima e aqui –, Itamar Assumpção (falecido em 2003, vítima de um câncer no estômago) e Arrigo Barnabé (que pela Thanx God/Tratore acaba de lançar “Missa in memoriam: Itamar Assumpção”, em homenagem ao primeiro) são (ainda) bastante desconhecidos do grande público. Uma pena.

O nome do show foi escolhido por acaso, numa reunião de um grupo, na casa de Valter Guimarães – em história contada por Robinson Borba, no livro –, ao folhearem um dicionário ilustrado. Casou-se perfeitamente com o tempo vivido: era a época da ditadura militar, às vésperas da tragédia, do “bode”, gíria corrente. Como essa, diversas outras histórias povoam as páginas de “Na boca do bode”. Um livro fundamental para quem deseja conhecer melhor esta importantíssima parte da música (im)popular brasileira.

*Correspondente para o Maranhão do site Overmundo

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (com Gisa Franco, aos sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM). Coautor de "Chorografia do Maranhão" (Pitomba!, 2018) e autor de "Penúltima página: Cultura no Vias de Fato" (Passagens, 2020). Antifascista.

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