Arquivo mensal: julho 2006

tem culpa eu?

uma gargalhada sonora para abrir este post. a capa acima é hilária, né? peguei no blogue da trip (link ao lado). e li coisas interessantes sobre a despedida brasileira da copa da alemanha nos blogues (também linkados ao lado) de (em ordem alfabética) franciel cruz, idelber avelar e joca reiners terron. deste último imprimi o texto e preguei na porta da geladeira.

como bom brasileiro (todo brasileiro é um técnico de futebol em potencial), escrevi o texto abaixo para o diário da manhã de amanhã. como foge do assunto da coluna do zemacultura – não será publicado. então o faço por aqui.

volto ao diário na próxima quinta-feira, pois. e ao colunão, domingo. e, espero, antes, por aqui. até!

a culpa é de quem?

nelson rodrigues, acertadamente, disse: “toda unanimidade é burra”. a frança mandou o brasil embora da copa do mundo. a piadinha sobre a melhor partida da copa – a da argentina para casa – perdeu a graça. a partida do brasil para casa teve tanta graça quanto a de nuestros hermanos.

seguindo o conselho rodrigueano, fujo, às vezes, de certos assuntos. sabia que, no dia seguinte – ou não, já que jornais no maranhão são fechados muito cedo – toda a imprensa estaria falando disso: a desclassificação do brasil da copa da alemanha. e o comentário, em botecos e butiques seria algo do tipo “resta-nos torcer por felipão”, técnico da seleção portuguesa.

e na missa de sábado à noite, o padre adentra a igreja e afirma: “o brasil não perdeu, o brasil ganhou”, e toca o discurso já tão conhecido e batido de que enquanto nos preocupamos com a copa, políticos nos roubam, irmãos passam fome etc.

que o futebol é um ópio do povo, todos sabemos. cada qual com seus vícios. evitei o assunto. unanimidades não me atraem, sinceramente. mas como todo brasileiro se mete a ser técnico de futebol, sempre e, principalmente em época de copa do mundo, tento ser, agora, de maneira bastante pretensiosa, comentarista de futebol.

o brasil perdeu. “a culpa é do parreira!”, bradam, unânimes, os revoltados com o resultado pífio da “melhor seleção do mundo”. “a culpa é do parreira, também”, penso.

do parreira e da mídia (leia-se rede globo), que, num “show de transmissão” nada deixava faltar, em se tratando de “informação”, aos telespectadores: fulano fez graça no treino, beltrano fez exame de ressonância, cicrano isso, não-sei-quem aquilo, o ônibus chegou, o ônibus saiu etc.

do parreira e dos patrocinadores. ora, ora, nem preciso dizer, não é?

do parreira e nossa, que sempre pensamos que por sermos o brasil precisamos ganhar tudo.

do parreira e do parreira: é sim possível ganhar jogando bonito. ou mesmo perder com decência. alguém se esquece das seleções de 1970 e 1982? perder jogando feio é resultado merecido.

a derrota adia um sonho dos 180 milhões de brasileiros que monitoravam o ônibus da seleção – em frase escrita no mesmo –, que conduziu a “constelação de craques” até o aeroporto, de onde muitos deles sequer voltariam ao brasil, já que a maioria nem joga por aqui.

nem bonito, nem feio: contra a frança do quase aposentado zidane, o brasil despediu-se da copa do mundo sem fazer o que deveria, ou seja, jogar futebol.